domingo, abril 03, 2011

Erros

Acabou tudo da pior forma, e permitimos que eles festejassem o culminar da golpada no nosso estádio. Foram demasiados os erros individuais e tácticos, e depois de praticamente oferecermos a primeira parte de vantagem, não tivemos cabeça nem sorte para recuperar. Para além disso, não serão muitas as equipas capazes de limpar a cabeça e recuperar da forma como o Benfica praticamente entrou no jogo a perder, com o adversário a marcar sem sequer ter rematado à baliza.

Um dos grandes problemas para o Benfica neste jogo seria sempre a ausência do Maxi. Compreende-se que não se tenha arriscado, já que o jogo com o PSV é mais importante, mas o Airton não foi uma boa solução. O Benfica foi uma equipa coxa, atacando muito mais pelo lado esquerdo, e mesmo em termos defensivos foi sempre pelo lado do Airton que tremeu mais. Depois, custou-me compreender a repetição do erro táctico que já nos tinha custado duas derrotas frente a este adversário: contra uma equipa que mete tantos jogadores no meio campo (até o avançado-centro recua) o Benfica não se pode dar ao luxo de jogar em 4-1-3-2 e deixar aquela zona praticamente entregue ao Javi sozinho. Sempre que este é ultrapassado, fica uma enorme clareira à frente da defesa, por onde aparecem múltiplos adversários. Jogar com dois médios no centro deve ser o mínimo. Claro que com mais ou menos médios, nada pode prever que o Roberto tenha um erro brutal daqueles e, com um autogolo, deixe o adversário em vantagem ainda antes dos dez minutos de jogo. É que nem foi um remate à baliza: foi um cruzamento tirado junto à linha de fundo, e de alguma forma que eu nem percebi a bola bate no Roberto e entra na nossa baliza (também não quero ignorar a forma como, no início do lance, o Javi parece ter tudo sob controlo à entrada da área e acaba por perder a bola). Indicação mais clara de que a noite iria correr mal era difícil.

Ainda assim, pouco depois do primeiro quarto de hora, o Benfica conseguiu empatar, através de um penálti convertido pelo Saviola, depois de um eventual puxão ao Jara dentro da área (escrevo 'eventual' porque confesso que no estádio não me apercebi da falta, e obviamente que não tenciono ver quaisquer imagens deste jogo). Mas não soube aproveitar alguma motivação que pudesse sair deste lance; o Porto reagiu bem, e menos de dez minutos passados voltou à vantagem. Depois de uma perda de bola do Benfica, aproveitou o enorme espaço dado no meio campo (fiquei com a sensação de que o Guarín teve todo o tempo e espaço do mundo para progredir com a bola, e escolher o momento de passá-la ao Falcao), e o lance acabou com o penálti clássico (e evidente) do guarda-redes sobre o avançado, que foi convertido pelo Úlque. Pareceu-me sempre que os nossos jogadores lidaram mal com a pressão feita quase no campo inteiro pelos jogadores do Porto, e acumularam erros e más decisões por causa disso. No último quarto de hora o Benfica mostrou algum inconformismo, mas o Porto nunca se desorganizou. Depois, ao contrário da eficácia do adversário, o Saviola conseguiu permitir a defesa ao Hélton num lance em que parecia ser mais fácil fazer o empate.

Sem surpresas, o Benfica voltou para a segunda parte com duas alterações (saídas do Jara e Aimar, entradas do Peixoto e do Cardozo), e organizado em 4-4-2. Mas o mal já estava feito. Foi mesmo o Porto quem começou com uma boa oportunidade, após (mais) um erro do Javi, que escorregou e perdeu a bola numa zona proibida, valendo o pé do Roberto a defender o remate do Falcao. A resposta do Benfica foi dada pelo Saviola, que viu o seu remate ser defendido em dificuldade pelo Hélton. Para não variar, a seguinte grande oportunidade do Porto voltou a surgir graças a um erro tremendo: desta vez foi o Sídnei que chutou a bola contra o Falcao e este, isolado, não acertou na baliza. Salvo algum lance de inspiração individual não me parecia, nesta altura, que o Benfica conseguisse inverter a situação. Mas a vinte minutos do final o Otamendi foi expulso, e o Benfica ganhou novo fôlego (mesmo que nesta altura já jogasse com o Sídnei a lateral direito). O Porto encostou-se mais trás, deixando o Úlque sozinho na frente, e o Benfica aproveitou para pressionar mais, mas fazendo tudo muito mais com o coração do que com a cabeça. O Cardozo teve uma oportunidade flagrante, mas na pequena área acabou por cabecear à figura do guarda-redes. E a cinco minutos do final, fez-se expulsar de forma estúpida, por agressão. Já nos descontos, oportunidades para os dois lados. Primeiro o Sídnei, solto na direita, permitiu a defesa do Hélton, e depois o Gaitán na recarga acertou no poste. Depois foi a meretriz uruguaia que conseguiu isolar-se, mas desta vez o Roberto fez uma defesa enorme.

Melhores no Benfica, talvez o Coentrão e o Saviola. Piores, podiam ser quase todos os outros. Em particular, Airton (tem a atenuante de não ser de forma alguma defesa lateral), Javi, Sídnei ou Roberto (por razões óbvias - mesmo contando com as duas grandes defesas que fez depois, não é admissível marcar um autogolo daqueles).

E pronto, este capítulo está fechado. Agora é pensar em ganhar o importante jogo de quinta-feira contra o PSV, e tentar fazer da Taça de Portugal uma competição mais limpa.

P.S.- Sei que porventura muitos discordarão comigo nisto, mas não posso deixar de criticar o que foi feito após o fim do jogo. Claro que não é agradável ver aquela gente a festejar no nosso estádio, mas eu prefiro simplesmente ignorá-los. A indiferença é a resposta mais digna. Quando o jogo acabou, aplaudi a minha equipa e os meus jogadores, gritei pelo Benfica, e depois voltei as costas e fui-me embora. Já disse várias vezes que nem sequer os considero rivais; são um adversário de ocasião, e quando o merceeiro que comanda a pandilha de vigaristas de bairro for inevitavelmente derrubado pelo tempo (que não há fruta que o compre), ao bairro voltarão. O que me disseram que se passou no nosso estádio depois do apito final (não o vi pessoalmente, porque já lá não estava) em nada dignifica o Benfica.
Para mim, aqui aplica-se exactamente o mesmo princípio daquele ditado sobre não discutir com um idiota. Se descemos ao nível deles, eles ganham-nos em experiência.

6 Comments:

At 4/04/2011 2:57 da manhã, Anonymous JFilipe said...

Eu perdi a paciência para o Jesus no jogo com o Portimonense e hoje aconteceu aquilo que esperava. Podíamos ter evitado toda esta ansiedade se tívessemos ganho esse jogo. O que se fez no final foi indigno do Benfica, a festa no nosso estádio era fácil de evitar, bastava um mísero empate.

Tenho medo cada vez que enfrentamos uma equipa ligeiramente acima da média pois o Jesus volta e meia leva um banho táctico. Estamos a 16 pontos do primeiro e levamos 11 derrotas no total da época, 3 delas em casa. Um desastre.

 
At 4/04/2011 8:57 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Ficará eternamente marcado a este treinador e a este grupo de jogadores, a vergonha colossal que ontem fizeram passar todos os Benfiquistas.


Para derrotar este treinador e estes jogadores, basta um estagiário com 6 meses de experiência na Académica.


Vendam todos os melhores jogadores (só falta o Coentrão) e depois batam palmas ao que aconteceu esta época.

 
At 4/05/2011 3:19 da manhã, Anonymous JFilipe said...

Não vale fazer para já um drama. As vergonhas ultrapassam-se com vitórias.

O Jesus arrisca-se no entanto a terminar abaixo dos 70 pontos, que é o limite tradicional para ser campeão. Isso e as 11 derrotas devem ser motivo para reflexão. Defendi o Jesus no início da temporada, mesmo depois de insistir no Roberto, e de perder os primeiros jogos, mas neste momento tenho dúvidas.

Pode ser só má vontade minha, pois aquilo de agredir adversários, e não jogar para ganhar em casa contra o último, não correspondem à minha imagem de treinador do Benfica. Mas mais derrotas, e falhar as Taças, seriam uma indicação de que ganhámos o último campeonato apesar do Jesus, e não por causa dele.

 
At 4/05/2011 4:05 da tarde, Anonymous NoLight4thePIGS said...

Ter perdido este jogo só por si ñ era muito importante, com o campeonato já perdido e vários jogadores a virem em mau estado das seleções até se poderia atribuir um ligeiro favoritismo aos porkos. Agora perder o jogo oferecendo 2 golos de bandeja (cortesia do Javi e Roberto) e com os nossos jogadores displicentes na hora de concluir as jogadas é q ñ estava á espera.
Todos sabemos q foi um erro crasso ñ se reforçar as laterais no início de temporada, apenas o JJ deve achar q a sua obsessão (Peixoto) é uma alternativa válida a lateral esquerdo e q o Ruben Amorim é o melhor defesa direito português. Estar a usar o Airton um bom trinco a lateral foi apenas consequencia destes disparates e vaidades do nosso treinador.
A questão do meio campo tb ñ entendo como passado tanto tempo os jogadores e treinador ainda ñ perceberam isso, as outras equipas já o perceberam para nosso azar. Estar a bombear bolas para a frente para as torres Jara, Saviola, Gaitan e Sálvio é de bradar aos céus, ñ sei o q custava o Aimar começar a organizar o jogo a partir de trás, junto ao Javi, jogando os alas tb + próximos destes.
Nesta altura acabou-se a tolerancia para + erros estúpidos de certos jogadores assim como para equívocos e obsessões do treinador e é bom q limpem a imagem já na quinta para a liga europa.

Et pluribus unum

 
At 4/05/2011 8:05 da tarde, Blogger joão said...

JFilipe o pior é que o treinador não leva um banho táctico ele é que dá um banho táctico a si mesmo ao inventar, voltamos sistematicamente a incorrer nos mesmos erros não só não aprendemos com os erros como mais grave não aprendemos com os nossos sucessos as alterações ao intervalo foram sintomáticas mas já tínhamos dado meia parte e queimamos duas substituições.
Este era sempre um jogo que não podíamos perder independentemente das consequências que lhe estavam subjacentes a jogar em casa e contra o adversário que era uma derrota era sempre mau não podíamos perder e devíamos ter ganho só assim tínhamos mais força para dizer que o campeonato nos foi roubado perdendo ninguém nos liga.
Arriscar contra o ultimo não é o mesmo que não jogar para ganhar e alias já outros o fizeram, alias se o não tem feito se calhar estávamos aqui a criticar por o não ter feito.

O que temos que reflectir seriamente é o que fazer com o nosso guarda redes porque se dar frangos dão todos é verdade mas dar frangos ciclicamente e mais dar três frangos consecutivos em momentos chave de jogos de grande importância já me parece de mais e pouco aceitáveis, frangos dão-se quando existe menos concentração mas estes três últimos foram em jogos em que pelas sua importância a concentração devia ser a máxima. Parece-me que andamos todos a tentarmos convencermo-nos de que ele é bom mas se calhar andamos a tapar o sol com uma peneira.

 
At 4/06/2011 2:34 da tarde, Anonymous Anónimo said...

"Não vale fazer para já um drama"



1-Estamos a 16 pontos do primeiro classificado.

2- Levámos 5-0 no Dragão

3- Não ganhamos ao ultimo classificado na condição de visitados

4- Lévamos 3-0 em Telaviv

5- Não fizémos um jogo decente na Champions

6- Após a vitória do ano passado, não temos capacidade para manter o andamento e efectuar um planeamento e pré épocas decentes com as consequências que agora se observam

7- Detemos actualmente tantas derrotas, no campeonato, como o Sporting, que todos dizem que está a fazer um campeonato deplorável

8- Gastámos vários milhões em contratações de jogadores que não são utilizados nem têm prespectiva de utilização num futuro próximo

9- Gastamos vários milhões em aquisições para emprestimo a equipa sul americanas e ao Bolton

10- Vendemos todos os jogadores que por aqui passam acima da média (resta o Coentrão)

11- Da boca do Presidente ficámos a saber que este é o Grupo de Trabalho mais caro de sempre.

12- Ganhámos 3 campeonatos dos ultimos 17

13- Ganhámos 1 Supertaça das ultimas 21

14- Ganhámos 1 Taça de Portugal das ultimas 14

15- Permitimos "festas" de campeão em nossa casa




O QUE FALTA PARA SER UM DRAMA????????

Perder finais com o P Ferreira e com o Guimarães ????

Deixemo-nos de ilusões.
Os números que apresento são reais e expressam o que actualmente NÃO SOMOS

 

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