quarta-feira, dezembro 11, 2019

Matura

Uma exibição europeia consistente e matura, domínio quase absoluto do jogo e do adversário, vitória inquestionável e 'queda' para a Liga Europa confirmada. Era o que se podia exigir nesta altura.



Onze sem qualquer alteração, e depois de uns minutos iniciais de estudo mútuo o Benfica acabou por pegar no jogo e mostrar ser a única equipa a querer jogar para ganhar. Os russos ou não tinham capacidade para mais, ou então estavam excessivamente confortáveis com as notícias que vinham de Lyon, já que a vantagem do Leipzig significava que podiam até perder este jogo que a passagem aos oitavos da Champions estava garantida. Todo o domínio territorial e de posse do Benfica pecava pela incapacidade em convertê-lo em ocasiões de finalização. A bola chegou poucas vezes em condições a zonas mais perigosas e houve um excesso de insistência nos cruzamentos, que ainda por cima saíram frequentemente mal. Mas o Benfica foi maduro na forma como foi sempre procurando o golo de forma paciente e sem sofreguidão, que na maior parte das vezes dá mau resultado na Champions. O Zenit no ataque quase que se limitava a despejar bolas para a referência Dzyuba, que apesar de ser alto mostrou ser pouco tosco e obrigava a nossa linha recuada a manter-se atenta. Sem alterações para a segunda parte, o Benfica depressa se mostrou diferente para melhor no que diz respeito à criação de ocasiões de golo. Até porque se colocou em vantagem logo aos dois minutos, com o Cervi a ter apenas que empurrar para a baliza depois de um cruzamento rasteiro do Pizzi, servido pelo Vinícius. Este golo, conjugado com a vantagem do Leipzig no outro jogo, colocava desde logo o Benfica no terceiro lugar, mas para os russos não alterava nada e continuavam apurados para a próxima fase. Para não estarmos dependentes do outro resultado era imperioso marcarmos um segundo golo, e fomos à procura dele. Chegou ainda antes de decorrido o primeiro quarto de hora, e não foi por falta de ocasiões que ele não chegou mais cedo, pois o Benfica agora conseguia meter muita gente a atacar, com Cervi e Pizzi muito mais activos e também com muita participação dos laterais nos movimentos ofensivos. Foi aliás de um cruzamento do Grimaldo que surgiu o penálti do qual resultou o golo. Mão na bola do Douglas Santos, que lhe valeu também a expulsão, e o Pizzi concretizou com classe. Com a vantagem de dois a zero o Benfica tinha a passagem à Liga Europa na mão, deixava de precisar do resultado no outro jogo, e só um golo do Zenit é que poderia complicar o cenário (obrigaria o Benfica a ter que vencer por três golos de diferença). O ritmo abrandou um pouco, mas continuava a ser o Benfica a somar ocasiões para ampliar a vantagem. Pelo meio, a única grande ocasião de golo para os russos, no seguimento de um canto, com o Vlachodimos a corresponder com a defesa da noite. Logo a seguir, a onze minutos dos noventa e depois de mais uma ocasião clara de golo desperdiçada pelo Vinícius, no pontapé de canto daí resultante surgiu o terceiro golo - um autogolo disparatado do Azmoun, que desviou a bola directamente para o ângulo superior da sua baliza. Como o Leipzig ainda continuava em vantagem, poderíamos ter o cenário um tanto ou quanto surreal de ver os russos no final do jogo a festejar depois de serem goleados. Tal não aconteceu porque o Lyon chegou ao empate nos minutos finais, mas mesmo sabendo disso o Zenit não mostrou capacidade de reacção, isto apesar de um golo deles significar o seu apuramento para a Liga Europa e a eliminação do Benfica.


Pizzi e Taarabt foram dos melhores da equipa. O Vinícius esteve infeliz na finalização mas foi bastante útil como referência de ataque. O Gabriel está a subir de forma e o Tomás Tavares continua a ganhar confiança a cada jogo - fez um jogo sempre em crescendo. O Grimaldo melhorou na segunda parte e acabou por ficar ligado a dois dos golos.

Finalizada mais uma campanha na Champions com o prémio de consolação é normal ficarmos a pensar como seria se tivéssemos conseguido jogar sempre com alguns dos jogadores com mais experiência - creio que os últimos dois jogos deixaram uma boa imagem daquilo que poderia ter sido. Também podemos ficar a lamentar ainda mais a incapacidade para segurar a vantagem em Leipzig, porque nesse caso estaríamos hoje a celebrar o apuramento. Mas falar depois dos factos é sempre fácil. O facto a retirar, para mim, é que o Benfica parece ter conseguido encontrar um onze base relativamente estável e com isso o nível exibicional da equipa tem vindo a crescer. Espero que a tendência seja para manter e que possamos consolidar ainda mais a nossa liderança na Liga, para desespero dos outros.

sábado, dezembro 07, 2019

Sólida

Estava à espera que a deslocação ao Bessa fosse um dos jogos mais complicados esta época. Mas o Benfica respondeu com uma das exibições mais sólidas dos últimos meses e resolveu este potencial problema com grande facilidade. Se houve alguma ilusão de equilíbrio, foi apenas porque o Boavista conseguiu marcar na primeira (e quase única) ocasião em que chegou à nossa baliza durante todo o jogo.


Regresso ao onze titular mais habitual das últimas semanas, com a excepção do Tomás Tavares alinhar no lugar do André Almeida, ausente por problemas físicos. A entrada do Benfica foi a matar: logo na primeira jogada de ataque o Pizzi isolou-se após um passe longo para as costas da defesa e fez a bola entrar na baliza, mas o golo foi anulado por um fora-de-jogo de centímetros. Daqueles lances em que um frame a mais ou a menos permite ao VAR validar ou não um golo, e que é daqueles pormenores que me fazem odiar o VAR - dá a sensação de que andam sempre à procura de uma desculpa para anular golos. Mas o lance não fez o Benfica esmorecer - fomos claramente superiores e dominadores em todo o campo, conseguindo mesmo dominar o meio campo com a dupla Gabriel e Taarabt sempre bem apoiada pelo Chiquinho e os dois alas, que frequentemente procuravam as zonas interiores. Isto apesar do critério largo obviamente adoptado pelo Jorge Sousa, que ia permitindo ao Boavista frequentemente matar os lances logo no meio campo com faltas sucessivas ficando sempre o amarelo guardado no bolso. Quando o amarelo finalmente saiu, foi num lance em que com boa vontade poderia ter sido vermelho, porque o Obiora travou o Chiquinho quando este estava em muito boa posição para se isolar (com a pancadaria que este jogador tinha andado a distribuir antes deste lance, com um critério normal ele não chegaria ao intervalo). O jogo continuou sempre com sentido único, com o Boavista acantonado atrás e incapaz sequer de causar qualquer tipo de incómodo em saídas em contra-ataque. Chegámos finalmente ao golo aos trinta e quatro minutos - um grande passe do Pizzi da direita (depois de uma boa saída do Cervi para o contra-ataque, na qual foi obviamente uma vez mais placado) foi encontrar o Vinícius do outro lado, que depois entrou na área e surpreendeu o guarda-redes com um remate forte e colocado para junto do poste mais próximo, quando ele esperava um remate cruzado. O mais difícil estava feito e parecia altamente improvável que o Boavista tivesse capacidade para responder à vantagem do Benfica. Mas de forma muito inesperada o empate surgiu mesmo quase em cima do intervalo, na única vez em que vi o Boavista chegar à nossa área. Culpas algo repartidas entre os dois centrais, já que o Rúben ficou atrasado em relação à linha da defesa e meteu o adversário em jogo, e depois o Ferro não acompanhou o avançado do Boavista e ficou fora do lance, permitindo-lhe ficar à vontade para desviar a bola de cabeça quando o Vlachodimos saiu. O empate ao intervalo era obviamente frustrante dada a enorme superioridade do Benfica em campo, mas se voltássemos para a segunda parte com a mesma atitude não haveria motivos para grande preocupação.


E a verdade é que foi isso mesmo que aconteceu. O Boavista obviamente que estava satisfeito com o empate e manteve-se na retranca, e o Benfica continuou com enorme domínio territorial e foi à procura de novo golo que desse a vantagem no marcador. O Chiquinho deu o primeiro grande aviso logo nos primeiros minutos, obrigando o Bracali a uma boa defesa. E um minuto depois (aos sete) o golo chegou mesmo. Passe do Grimaldo (depois de uma bonita investida do Taarabt) a desmarcar o Vinícius, que entrou na área pela esquerda cruzou rasteiro para o poste mais distante, onde o Cervi apareceu embrulhado com um defesa a empurrar para o golo. Estava reposta a justiça no marcador e desta vez acreditei mesmo que o Boavista já não conseguiria ir outra vez buscar o empate - até porque pareciam estar mais empenhados em reclamar uma suposta falta do Cervi no lance do golo, quando o argentino ganha posição e é depois pontapeado pelo defesa do Boavista quando este tentou cortar o lance. E em boa verdade, o Benfica não deu hipóteses ao Boavista de sequer sonhar com isso, porque continuou a dominar completamente o jogo, sendo recompensado com o terceiro golo dez minutos depois. Bola interceptada pelo Grimaldo logo no início de uma tentativa de saída para o ataque por parte do Boavista, e colocada pelo meio da defesa para o Vinícius, que logo na meia lua rematou de primeira de pé esquerdo para o ângulo superior da baliza sem qualquer possibilidade de defesa. Jogo mais do que resolvido e a partir daqui sim, achei que o Benfica abrandou um pouco o ritmo. Sem que isso no entanto desse ao Boavista qualquer possibilidade de regressar ao jogo, já que as poucas vezes em que conseguia chegar à frente eram quase sempre na sequência de livres despejados para a área. Continuou aliás a ser sempre o Benfica a estar mais perto do golo, e ainda deu para chegar ao quarto já em período de compensação. Foi pelo Gabriel, que cabeceou com sucesso após um livre marcado pelo Grimaldo (a castigar falta sobre si próprio) - de assinalar que antes deste jogo o Boavista ainda não tinha sofrido mais do que um golo em qualquer jogo da liga, e tinha uma das melhores defesas. Para não passar o jogo todo praticamente sem fazer nada, mesmo a acabar o jogo o Vlachodimos ainda teve a oportunidade para fazer uma boa defesa a um livre directo.


Homem do jogo, obviamente o Vinícius graças aos dois golos e uma assistência. O homem no qual se deitaram fora dezassete milhões com o único objectivo de fazer um favor ao Mendes (mesmo não sendo ele na altura agenciado pelo Mendes, mas isso são pormenores) vai-se revelando uma das figuras da equipa e tem agora dez golos marcados nos últimos nove jogos pelo Benfica - estou a contar com o golo gamado pelo Veríssimo. Também me parece óbvio que daqui a uns meses o pilantra do Vieira será criticado por estar mortinho por vender o Vinícius, esse jogador que é prata da casa e que só veio para o Benfica contra a vontade do Vieira, porque ele só está interessado em destruir o clube. O Grimaldo também teve grande influência neste jogo, com duas assistências e participação noutro golo. Bom jogo da dupla do meio campo e do Pizzi, como de costume. O jovem Tavares fez uma exibição em crescendo, e creio que assim que vá acumulando experiência será apenas uma questão de tempo até conquistar a titularidade.


Foi uma grande resposta do Benfica num jogo em que tínhamos todas as razões para esperar dificuldades. As dificuldades maiores acabaram por ser criadas por uma arbitragem muito tendenciosa por parte do Jorge Sousa. Num jogo em que os jogadores do Boavista andaram a lavrar o campo e a bater sem critério, o Benfica acaba com o mesmo número de amarelos deles. Na dúvida, decidiu quase sempre a favor da equipa da casa. Só mesmo ele conseguirá explicar como é que o Ricardo Costa não foi tomar banho mais cedo (conseguiu nem ver sequer um amarelo). Mas no final o que fica é mais uma vitória convincente do Benfica - a décima consecutiva nesta liga, e 91 pontos em 96 possíveis é o cartão de visita do Benfica de Bruno Lage. Temos que nos livrar rapidamente deste incompetente, porque tipos capazes de fazer muito melhor do que isto andam por aí aos pontapés. O que é uma chatice é que sempre que os maldizentes ganham um bocadinho de embalo, a resposta seja invariavelmente uma exibição para os desmotivar novamente.

quarta-feira, dezembro 04, 2019

Contrasenso

Uma equipa transfigurada resultou numa exibição muito pobre e um resultado ridículo contra o Covilhã, que compromete seriamente as nossas aspirações na taça da liga.


O Rúben Dias foi o único sobrevivente do onze apresentado nos dois últimos jogos. De resto foi quase um Benfica 'made in' Seixal: mais seis jogadores formados no clube - Zlobin, Tomás Tavares, Nuno Tavares, Florentino, Gedson, e Jota - reforçados com o Jardel, Samaris, Zivkovic e De Tomas. Pouco há a dizer sobre a qualidade do futebol jogado, porque foi pobre. Para além de termos praticamente começado o jogo a tentar oferecer um golo ao adversário, num mau passe do Zlobin para o Rúben que depois o próprio Zlobin acabou por resolver, conseguimos ainda desperdiçar de forma escandalosa as poucas ocasiões flagrantes que construímos. O Gedson conseguiu cabecear à barra quando estava a pouco mais de um metro da linha de golo, e o De Tomas, isolado por um grande passe do Tomás Tavares, rematou à figura do guarda-redes com a convicção de quem já tinha a certeza de que não iria marcar. No meio campo o Samaris fazia todos os possíveis para conseguir chegar ao intervalo com o impressionante registo de 100% de passes falhados, enquanto o Gedson tentava maximizar a estatística de perdas de bola. Ao intervalo ficou o Florentino no balneário e regressou o Vinícius, mas conseguimos que o Covilhã se apanhasse em vantagem praticamente sem saber como logo na primeira jogada: um corte destrambelhado do Jardel (deve ter sido feito de olhos fechados) atirou a bola contra o Rúben e o ressalto deixou um adversário isolado. O Benfica reagiu obviamente ao golo aumentando o ritmo, mas com muito pouco discernimento, enquanto que o Covilhã foi fazendo pela vida com toda a gente a defender e umas simulações de lesões para queimar tempo. Ainda recorremos ao Pizzi e ao Taarabt para os lugares do Samaris e do Zivkovic (desconfio que se arrisca a ser um dos bodes expiatórios, mas sinceramente nem me pareceu que estivesse a ser dos piores e não tenho muito a apontar à sua atitude) mas a jogada padrão da equipa era soltar o Nuno Tavares na esquerda para fazer cruzamentos. E como o miúdo cruza bem até conseguimos criar algum perigo, mas normalmente acabava por aparecer sempre um defesa para cortar, e quando isso não acontecia os nossos avançados já tinham previamente desistido dos lances. As excepções aos cruzamentos do Nuno Tavares na esquerda eram cruzamentos largos do Tomás Tavares na direita, com o mesmo desfecho. A cerca de dez minutos do final o Jota aproveitou uma bola solta à entrada da área para fazer o seu primeiro golo pela equipa principal e empatar o jogo, mas não deu para mais.


Creio que foi um jogo que serviu para mostrar porque motivo alguns jogadores não são opções regulares na equipa, isto por mais que os adeptos reclamem a sua presença. Claro que mesmo com a equipa apresentada o Benfica tinha mais do que obrigação de ganhar este jogo, e não o tendo feito arrisca-se a ficar dependente de terceiros para continuar na taça da liga. A aparente falta de motivação de certos jogadores nestes jogos contra equipas de menor dimensão é um contrasenso. Se esperam mais oportunidades na equipa têm que aproveitar estas ocasiões para mostrar serviço. No entanto isso não tem acontecido, e quando acabam por entrar os habituais titulares estes parecem mostrar mais vontade do que os que estavam em campo. Num jogo em que não faço destaques, assinalo pelo menos o golo do Jota, porque era algo que ele claramente procurava já há algum tempo. Pena não tenha tido o enquadramento mais feliz para marcar a ocasião.

Uma palavra para o árbitro, Rui Oliveira. Não conhecia a criatura, mas terá certamente um futuro auspicioso. Vem da AF Porto, o que é sempre um grande cartão de visita, e ontem ignorou o que me pareceu um penálti clássico do guarda-redes sobre o De Tomas, conseguindo depois nos instantes finais transformar uma placagem ao Jardel de um jogador do Covilhã, que estava no chão depois de ter caído sozinho, numa falta contra o Benfica. Um livre extremamente perigoso à entrada da área não convinha nada naquela altura. Temos homem.

domingo, dezembro 01, 2019

Confirmação

O Marítimo foi uma presa fácil para o Benfica, que venceu por números expressivos e a fazer lembrar os melhores momentos da época passada. Já tinha algumas saudades de golear e mesmo assim chegar ao fim do jogo a achar que soube a pouco, porque o resultado poderia ter sido ainda mais dilatado.


Apresentámos o mesmo onze da Champions em Leipzig, o que se pode considerar uma raridade esta época - as constantes alterações no onze titular, especialmente entre jogos europeus e domésticos, têm sido uma constante. O Marítimo apresentou-se na Luz com a intenção de enfrentar o Benfica olhos nos olhos. Três jogadores sempre bem subidos a pressionar a saída de bola do Benfica, pressão agressiva em quase todo o campo e vários jogadores muito rápidos no onze, que tentavam sair sempre rápido e em número para o ataque. Mas se o Benfica estiver em dia sim, normalmente este tipo de atrevimento paga-se caro. E o Benfica estava em dia sim, particularmente na finalização, pois fomos bastante eficazes nesse particular. Com jogadores como o Taarabt, Pizzi, Chiquinho ou Vinícius em destaque, bastaram oito minutos para o Benfica ficar em vantagem. Bola metida no interior da área para o Vinícius, que a protegeu e soltou no momento certo para o remate do Pizzi, vindo de trás. Assistimos depois a um esforço hercúleo por parte do VAR para encontrar alguma coisa que lhe permitisse anular o golo, o que significou vários minutos de pausa à espera de uma decisão. Nove minutos depois, inverteram-se os papéis, sendo o Pizzi a oferecer o golo ao Vinícius. Um dos destaques na jogada foi o passe do Taarabt pelo meio da defesa do Marítimo, que deixou o Pizzi isolado, Depois foi só dar um pequeno toque para o lado, para permitir a finalização do Vinícius. Nesta fase, apesar de ter passado ainda tão pouco tempo, já via o jogo com aquele conforto de pensar quantos golos mais é que o Benfica iria marcar, porque o controlo era total. O terceiro golo chegou pouco depois da meia hora, numa incursão do Pizzi pela direita para depois cruzar para a finalização do Vinícius do lado oposto. O golo é claramente do Vinícius - a bola encaminhava-se para a baliza deserta - mas como houve um defesa do Marítimo que desviou a bola ainda antes dela entrar a Liga já fez o favor de retirar o golo ao nosso avançado para o considerar um autogolo. O festival continuou e o Vinícius até voltou a marcar, após mais um grande passe do Taarabt, mas o lance foi anulado por fora-de-jogo.

Mais do mesmo na segunda parte, com a novidade do Tomás Tavares no lugar do André Almeida, e a expectativa de ver uma goleada bem robusta era cada vez mais maior. Até porque bastaram dez minutos para surgir o quarto golo. Mais um passe do Taarabt, desta vez para o Chiquinho, que progrediu pelo meio e fez um grande remate que foi defendido pelo guarda-redes, mas o Vinícius chegou primeiro ao ressalto e fez a recarga com sucesso. Estava eu a ter um início de noite tão tranquilo e já tão convicto que tinha ainda mais de meia hora de futebol e golos do Benfica pela frente, e o Gabriel teve uma paragem cerebral - fez uma falta dura perfeitamente escusada, junto à linha lateral ainda no meio campo do Marítimo - e viu o segundo cartão amarelo, sendo diligentemente expulso. Foi visível a irritação do Bruno Lage no banco com este lance, e eu compreendo-o perfeitamente porque a minha irritação foi certamente comparável. Foi um balde de água fria numa noite que estava a ser quase perfeita. Claro que o jogo por essa altura estava praticamente decidido - ainda havia meia hora para jogar, mas com quatro golos de vantagem e uma superioridade tão evidente no jogo só mesmo uma hecatombe de proporções bíblicas é que nos impediria de vencer o jogo. Passámos obviamente a ter menos bola, mas de qualquer maneira ainda continuou a sensação de que poderíamos marcar mais algum golo, particularmente durante os minutos finais, depois do Jota ter substituído o Cervi. O Marítimo, por sua vez, não conseguiu aproveitar nada da superioridade numérica, pois o Vlachodimos raramente teve uma situação mais difícil para resolver.

Com três golos marcados e uma assistência, o Vinícius é obviamente o homem do jogo. Mas esteve muito bem acompanhado pelo Pizzi ou pelo Taarabt. Gostei também bastante do jogo do Chiquinho. Uma menção ainda para o Tomás Tavares, que achei que entrou bem no jogo.

Independentemente da desilusão pelo empate, já tinha ficado satisfeito com a exibição em Leipzig. Este jogo, com o mesmo onze, parece ter sido uma confirmação das melhorias apresentadas nesse jogo. A equipa mostra algumas boas dinâmicas, o Vinícius está a ser uma óptima referência na área - não só em termos de finalização mas também como presença física, sendo capaz de fixar os defesas e segurar a bola para as entradas dos médios - e imagino o que ainda podemos melhorar, por exemplo quando o Rafa regressar da lesão. Apesar dos esforços incessantes da parte de muita gente para criar a ilusão de instabilidade ao redor do nosso treinador, parece-me que este acabou de lhes dar mais uma resposta bem à altura. É que eu não tenho a menor dúvida da enorme alegria que os nossos inimigos teriam se por acaso o Benfica resolvesse fazer a asneira de trocar de treinador.

quarta-feira, novembro 27, 2019

Desconsolo

O que dizer depois de um jogo em que durante 89 minutos o Benfica pareceu ter tudo para ressuscitar na Champions, e depois deitou tudo a perder? Fica o desconsolo pela forma inacreditável como o Benfica conseguiu não ganhar mais um jogo na Champions, ainda por cima depois de ter feito uma boa exibição contra a equipa mais forte do grupo, conseguindo ser uma equipa bem mais personalizada do que em qualquer outro dos jogos que fizemos esta época na Champions.


Foi um jogo em que fomos, conforme esperado, pressionados durante a maior parte do tempo. Ficámos em vantagem ainda na primeira parte, com um golo do Pizzi, e conseguimos suster relativamente bem o ímpeto do Leipzig. Na segunda parte fomos sujeitos a uma pressão mais intensa mas, com uma hora de jogo decorrida, num contra-ataque rápido o Vinícius aproveitou uma escorregadela de um defesa alemão para se isolar e fazer o 2-0. Este resultado garantia automaticamente que o apuramento para os oitavos ficava completamente nas nossas mãos: bastaria ganhar em casa ao Zenit para que tal acontecesse. A partir daqui a pressão do Leipzig foi avassaladora. Mas era feita de uma forma tão indiscriminada que ficava a sensação de que se conseguíssemos organizar minimamente uma saída em contra-ataque poderíamos arrumar com o jogo. Isso esteve muito perto de acontecer quando o De Tomas, que tinha entrado para o lugar do Vinícius a dez minutos do final, quase marcou um dos golos do ano: um remate do meio campo que só não entrou no ângulo porque o guarda-redes do Leipzig se esticou todo e ainda tocou muito ao de leve na bola com a pontinha dos dedos. Esse lance até pareceu assustar os alemães, cuja pressão esmoreceu um pouco. Mas aos oitenta e nove minutos o Rúben Dias cometeu um penálti tão disparatado quando escusado, ao deixar o braço para trás de forma a segurar um adversário que tentava rodar para a baliza, e o inferno voltou. Tinha o mau pressentimento que se o Leipzig conseguisse marcar um golo, seguramente chegaria ao empate, o que infelizmente acabou mesmo por suceder ao sexto minuto de compensação (foram dados nove devido ao tempo que a partida esteve interrompida para dar assistência ao guarda-redes do Leipzig, que saiu lesionado do lance do nosso segundo golo). O Rúben foi até à lateral atrás do Werner e não foi feita a devida compensação, o que permitiu que o Forsberg surgisse completamente sozinho bem no centro da área para cabecear à vontade.


A substituição do Vinícius pelo De Tomas exigia-se e foi bem feita. Mas já me custou a compreender que não tenhamos fechado a zona defensiva do meio campo naqueles minutos finais - o Benfica entrou sem nenhum médio defensivo, a jogar mais em 4-5-1 do que em 4-4-2, já que o Chiquinho foi sempre mais um terceiro médio com o Taarabt e o Gabriel do que um verdadeiro apoio ao avançado. Esperava a entrada do Florentino, que nunca veio a acontecer, e ainda mais incompreensível para mim foi a entrada do Caio para o lugar do Pizzi quando ainda estava 2-1 (a entrada do Jota nos últimos segundos foi uma medida de desespero e já pouco alteraria).


Com este resultado o nosso destino na Champions está traçado. Se queremos continuar para a Liga Europa, creio que será necessário ganhar ao Zenit na Luz por 2-0 na última jornada para não ficarmos dependentes do resultado do outro jogo. Enfim, coisas para nos preocuparmos na altura, que eu já não estou para me incomodar muito com a Champions. Espero é que no sábado somemos mais uma vitória frente ao Marítimo.

domingo, novembro 10, 2019

Raça

Depois de uma primeira parte deplorável conseguimos dar a volta na segundo e regressar dos Açores com os três pontos. À falta de inspiração, a reviravolta teve que ser feita com base na raça, e por isso pelo menos é de assinalar a vontade que a equipa mostrou em dar a volta à situação e ir à procura da vitória.


Foi o regresso a um onze mais expectável. A titularidade do Jardel nem foi surpreendente, dada a lesão do Ferro em Lyon, e na frente desta vez foi o Seferovic a formar dupla com o Chiquinho. Cedo se percebeu que tínhamos pela frente um jogo muito difícil. O Benfica foi manifestamente incapaz de ultrapassar a teia montada pelo Santa Clara, e passou a maior parte do tempo a lateralizar jogo, trocando a bola entre centrais, médios e laterais sem ser capaz de progredir no terreno de jogo. As poucas tentativas de passes de ruptura  nunca resultaram - a tarefa foi quase sempre executada pelo Gabriel, que esteve um autêntico desastre neste particular. Aliás o nosso meio campo no geral foi perfeitamente anulado pelo Santa Clara, já que nem mesmo o Pizzi conseguiu ter qualquer tipo de influência no jogo quando vinha para a zona central, e o Florentino era um jogador redundante. O Santa Clara, quando recuperava a bola, conseguia sair rapidamente para o ataque em dois ou três toques e assim criar perigo. Foi numa jogada dessas que se colocaram em vantagem, ainda antes do primeiro quarto de hora de jogo. Um cruzamento largo a partir da esquerda da nossa defesa e depois o adversário ganhou no confronto directo com o André Almeida e cabeceou para golo. Adivinhavam-se grandes dificuldades para o Benfica, porque mesmo em desvantagem não fomos capazes de mudar a nossa forma de jogar e o Santa Clara continuava a ser perigoso nas poucas vezes em que saía para o ataque, ameaçando um segundo golo. Não sei sequer se o Benfica chegou a fazer um remate à baliza durante todo o primeiro tempo.


Na entrada para a segunda parte trocámos logo o Florentino pelo Vinícius, passando o Chiquinho para a zona central. Nos minutos iniciais o Santa Clara ainda conseguiu uma ou outra saída para o ataque, mas o Benfica foi progressivamente tomando conta do jogo até ao ponto em que se passou a jogar quase exclusivamente no meio campo do Santa Clara, sendo que mesmo as tentativas dos açorianos de sair para o ataque eram imediatamente cortadas. Em termos ofensivos é que as coisas continuavam a não ser as melhores para nós, já que o caudal ofensivo não se reflectia em ocasiões de golo em número suficiente. Mas pelo menos já conseguíamos fazer a bola circular com maior velocidade e causar desequilíbrios na muralha do Santa Clara. O primeiro grande sinal de perigo foi dado pelo Rúben Dias, num pontapé de canto, mas o guarda-redes adversário defendeu por instinto. Mas logo no minuto seguinte, e ainda antes de se completarem dez minutos na segunda parte, chegámos ao empate. Bola do Chiquinho para o Pizzi na direita, que ultrapassou o defesa no um para um e depois cruzou tenso e rasteiro para o Vinícius finalizar à boca da baliza. No período a seguir ao empate a pressão do Benfica intensificou-se, mas as ocasiões de perigo continuavam a não ser suficientes em número ou qualidade e a manutenção do empate até final era uma ameaça real. Trocámos o Cervi pelo Taarabt, que foi para o meio passando o Chiquinho para a direita e o Pizzi para a esquerda, mas a substituição não teve efeitos imediatos. O Santa Clara até pareceu começar a conseguir acalmar o ritmo de jogo conforme lhe convinha, libertando-se da pressão a que tinha estado sujeito. Até que a doze minutos do final, um mau alívio da defesa fez a bola ir parar aos pés do Seferovic a meio do meio campo açoriano. O suíço progrediu até à entrada da área chamando a si os defesas, e depois soltou para o Pizzi que, descaído sobre a esquerda, finalizou à saída do guarda-redes. Estava consumada a reviravolta, mas até podermos festejar a vitória ainda tivemos que passar por um enorme calafrio, quando em período de compensação o Ukra surgiu solto e rematou cruzado, fazendo a bola passar a centímetros do poste.


Melhor do Benfica tem que ser o Pizzi. Assistência para o primeiro golo e golo da vitória. Ser decisivo já se tornou um hábito para ele. De resto não consigo destacar mais ninguém numa exibição com tão pouco brilho.

Valeu, e muito, a vitória num campo complicado contra um adversário difícil. Mais difícil ainda porque foi um jogo fora arbitrado pelo inefável Artur Soares Dias, que conseguiu ignorar olimpicamente um penálti descarado sobre o Cervi nos minutos finais da primeira parte - ignorar penáltis a favor do Benfica é uma das principais qualidades que têm permitido a este árbitro progredir na carreira. Conforme escrevi no início, a exibição não foi lá grande coisa, mas fico satisfeito com a vontade mostrada pelos jogadores em dar a volta à situação. Quando há atitude, a probabilidade de sermos felizes é maior.

quarta-feira, novembro 06, 2019

Cinzenta

Foi o regresso à triste realidade da Champions. Mais uma exibição cinzenta como os equipamentos alternativos que insistimos em utilizar mesmo quando não parece haver razão lógica para isso e a consequente derrota, que faz com que o apuramento para a fase seguinte seja uma miragem e a própria continuidade nas competições europeias um objectivo complicado.



Não me vou alongar muito, porque basta dizer que foi uma exibição na linha daquilo que tem sido o Benfica na Champions nas últimas épocas. Houve um par de alterações no onze, onde entraram o Tomás Tavares e o Gedson por troca com o André Almeida e o Pizzi. O Tomás Tavares revelou-se uma aposta falhada, já que o nosso lado direito revelou-se quase sempre uma via aberta durante a primeira parte. Nada me move contra o jogador, que acho que tem um futuro promissor, mas não creio que esteja propriamente preparado para ser lançado às feras a este nível. Jogadores como o Rúben, o Ferro, o Florentino, o Félix ou outros já tinham pelo menos experiência na 2ª Liga quando foram lançados. O Tomás Tavares veio directamente dos sub-23 para a Champions. Tem dez jogos profissionais disputados, e quatro desses são na Champions. Parece-me excessivo. Isto de qualquer forma não é uma tentativa de crucificar o jogador pela derrota, porque toda a equipa esteve abaixo do exigível. Voltámos a ter uma entrada tímida e amedrontada no jogo e ficámos em desvantagem logo aos quatro minutos, na sequência de um cruzamento largo para a área que permitiu um cabeceamento muito à vontade a um dos centrais adversários. Minutos depois ficámos sem o Ferro por lesão, que deu o seu lugar ao Jardel. Mas continuámos a não ser capazes de sair para o ataque e a ser pressionados pelo Lyon. A partir da meia hora de jogo parecemos querer começar a dar alguns sinais de vida, e o resultado imediato foi levarmos com um segundo golo em contra-ataque. A jogada foi conduzida pelo lado direito da nossa defesa e acabou com um passe para uma finalização fácil do Depay bem no meio da área. Na segunda parte, o Lyon veio jogar mais em contenção e a tentar baixar o ritmo do jogo. Nós trocámos o Gedson pelo Seferovic, mais tarde o Cervi pelo Pizzi, e aproveitámos para ter mais bola e insistir no ataque. Tivemos algumas jogadas mais perigosas, rematámos mais, e a cerca de quinze minutos do final marcámos pelo Seferovic, que aproveitou um bom passe longo do Pizzi para as costas da defesa (o golo teve que ser validado pelo VAR, já que inicialmente foi assinalada posição irregular ao suíço). O golo devolveu uma réstia de esperança ao Benfica, mas a verdade é que não conseguimos sequer voltar a criar perigo. E a um minuto do final, quando surgiu uma situação em que o Traoré ficou um para um com o Jardel dscaído sobre a esquerda, o mundo inteiro percebeu o que iria acontecer: finta para o meio e remate cruzado. O mundo inteiro, menos o Jardel, que lhe deu tempo e espaço para fazer isso mesmo, resultando no terceiro golo do Lyon e num ponto final no assunto.

Menos mau no Benfica talvez o Florentino pelo número de recuperações de bola efectuadas. O Chiquinho tentou mas não esteve feliz na finalização. O Gabriel também foi dos mais esforçados.

A exibição foi má e não há outra forma de a descrever. Mas findo o previsível desnorte europeu, urge regressar às boas exibições e vitórias nas competições internas. Como de costume, um mau resultado europeu será utilizado pelos nossos inimigos, frustrados com a falta de argumentos interno, como arma de arremesso para tentar criar instabilidade em redor da equipa e da do treinador. É necessário colocar rapidamente um travão a isso, e tal só se consegue com vitórias.