segunda-feira, abril 24, 2017

Estofo

O futebol tem coisas assim. O Benfica, essa equipa em queda acentuada, forte contra os fracos, fraco contra os fortes, vai a casa da equipa que joga 'o melhor futebol do campeonato' (não é surpresa, eles jogam sempre o melhor futebol do campeonato há umas três décadas consecutivas, no mínimo), que possui a 'melhor dupla de avançados do futebol português', orientados por aquele que desde há dois anos a esta parte passou a ser o melhor treinador português, e quase que é possível ouvir o ruído dos milhares de mãos a esfregarem-se de satisfação perante a quase certeza (mais uma vez) de que é desta que caímos do primeiro lugar. Começamos o jogo a perder por causa de um erro grosseiro do nosso guarda-redes, temos motivos de queixa de um período de desorientação completa por parte da arbitragem, e mesmo assim a nossa equipa nunca perdeu o rumo, mostrou sempre uma frieza admirável, jogou em Alvalade como se estivesse a jogar noutro campo qualquer (OK, também seria difícil sentir-se intimidado quando estava a jogar num campo rodeado de panos com fábulas como 22 títulos de campeão, maior potência desportiva nacional e outras mentiras que eles gostam de repetir na esperança que alguém os leve a sério, e onde a equipa da casa é apresentada de óculos escuros, numa espécie de mau espectáculo burlesco) e foi buscar o resultado que lhe permite manter-se isolada no topo da classificação. A isto chama-se estofo de (tri)campeão.


Não foi possível ao nosso treinador apresentar o mesmo onze inicial pela terceira jornada consecutiva, uma vez que o Jonas não recuperou a tempo e nem no banco se sentou. Para o onze entrou o Cervi, que durante o jogo foi alternando de posição e de funções com o Rafa, variando ambos entre extremo e segundo avançado. Era difícil que o jogo tivesse começado de maneira pior. O Sporting entrou a pressionar, andou perto da nossa área logo nos instantes iniciais e viu um par de tentativas de remate serem bloqueadas pelos nossos defesas, mas aos quatro minutos uma asneira do Ederson, que recepcionou mal um bola com os pés e depois quando a tentou chutar já só encontrou o pé do Bas Dost, resultou num penálti evidente contra nós. Verifiquei também que não são apenas os adeptos, mas também os próprios jogadores do Sporting que desconhecem as regras do jogo, já que por algum motivo resolveram pressionar o árbitro para que expulsasse o Ederson, o que não faria qualquer sentido. Com o penálti convertido pelo Adrien, tudo indicaria que o cenário que os mais fervorosos antibenfiquistas tinham andado a imaginar e a prometer estaria montado. Nada de mais errado. O Benfica não acusou o toque e partiu para um exibição personalizada e tranquila, procurando chegar ao golo de forma sóbria. O jogo foi muito táctico, disputado na zona do meio campo e a bola andou quase sempre afastada de ambas as balizas, mas o Benfica parecia conseguir ganhar alguma superioridade no centro e manter mais posse de bola, enquanto mantinha as tentativas do Sporting de sair rapidamente para o ataque controladas. Ocasiões de golo a seguir ao penálti foram quase inexistentes - o Benfica ainda conseguiu um par de cruzamentos promissores, mas o Coates apareceu sempre bem colocado a evitar que a bola chegasse ao Mitroglou. A única situação de maior perigo surgiu já perto do intervalo, num livre directo marcado pelo Grimaldo ao qual o Rui Patrício correspondeu com uma boa defesa. Foi também nos últimos minutos da primeira parte que a equipa de arbitragem teve um período extremamente infeliz, durante o qual conseguiu, em série, ajuizar três lances dentro da área do Sporting sempre em desfavor do Benfica. Se no terceiro deles, entre o William e o Rafa, ainda consigo dar o benefício da dúvida, nos outros dois já é mais difícil. No primeiro, do Schelotto sobre o Grimaldo, a posição do árbitro permitiu-lhe ver perfeitamente o que aconteceu. E o segundo, do Bruno César sobre o Lindelöf, foi de tal forma evidente que pelo menos o auxiliar daquele lado tinha a obrigação de ter visto e assinalado, porque o gorducho chegou ao Lindelöf já bem tarde e quando o nosso jogador já estava completamente no ar, não tendo sequer saltado para disputar a bola. Foi um empurrão, puro e simples.


Na entrada para a segunda parte, o Sporting voltou a estar mais perigoso. O perigo vinha sobretudo das incursões do Gelson pela esquerda da nossa defesa, onde o Grimaldo revelava dificuldades para o travar, e subsequentes cruzamentos para o Bas Dost. Foi assim que o Sporting construiu uma grande ocasião para ampliar a vantagem, mas o holandês, que se apanhou completamente sozinho em frente ao Ederson após receber o passe do Gelson, acertou mal na bola e o remate saiu rasteiro e enrolado ao lado da baliza. A primeira alteração no Benfica teve bons resultados tácticos. O Jiménez entrou para o lugar do Rafa e foi dar mais companhia ao Mitroglou na frente, ocupando com maior frequência o espaço à frente da linha de defesa do Sporting. Isto obrigou o William Carvalho a ter que se preocupar mais com a presença de um jogador nessa zona, e a ficar mais fixo junto à linha defensiva, o que teve como consequência vermos o Adrien frequentemente muito mais só no meio campo perante os nossos jogadores. E por isso mesmo voltámos a ganhar superioridade nessa zona, o Pizzi beneficiou bastante da liberdade adicional e estabilizamos novamente o nosso jogo, acabando com os sucessivos contragolpes do Sporting da fase inicial da segunda parte. Mas as ocasiões de golo ainda continuavam a ser muito escassas, e apenas por uma vez o Mitroglou conseguiu libertar-se e rematar à baliza, mas fê-lo de forma fraca e sem causar grandes problemas ao Patrício. Quando os jogos estão assim, muitas vezes acabam por ser as bolas paradas a decidir, e este jogo não foi excepção. O Benfica beneficiou de um livre mais ou menos na mesma posição daquele que no final da primeira parte tinha proporcionado ao Grimaldo a ocasião para marcar, ou seja, perto da área e descaído para o lado esquerdo. O Grimaldo e o Lindelöf estavam perto da bola, mas surpreendentemente foi o sueco quem arrancou um pontapé fenomenal que não deu qualquer possibilidade de defesa ao Patrício. Já no livre da primeira parte ele estava perto da bola, mas não estava mesmo à espera que ele o marcasse. É uma qualidade que lhe desconhecia. A partir daqui o jogo teve pouca história, porque continuou na mesma toada de equilíbrio, quase sem ocasiões ou remates a qualquer uma das balizas. O empate era um resultado que se adequava perfeitamente aos nossos objectivos, e sem forçar absolutamente nada controlámos o resultado até final.


Na minha opinião os destaques maiores na equipa do Benfica vão para a dupla de centrais, o Fejsa e o Pizzi. Seria fácil destacar o Lindelöf simplesmente pelo golo, mas independentemente disso ele fez um jogo sem mácula, sempre bem posicionado, com vários cortes e recuperações de bola decisivos, e ao lado do Luisão anularam perfeitamente 'a melhor dupla de avançados em Portugal'. Fora de brincadeiras, apanharam pela frente o melhor marcador do campeonato, com larga vantagem, e conseguiram evitar que ele nos criasse muitos problemas, o que é de realçar. O Fejsa foi a presença habitual importante no meio campo defensivo, e um dos jogadores que mais bolas recuperou. O Pizzi foi um jogador renovado neste jogo, longe daquele jogador que nas últimas semanas parecia estar no limite da sua condição física. Foi o motor do nosso meio campo e travou uma luta enorme com aquele que foi um dos melhores jogadores do adversário, o Adrien. Grande, grande exibição. No geral, toda a equipa teve uma atitude muito boa, que é o mínimo que se pode exigir aos nossos jogadores num jogo destes.


Volto a repetir o que já escrevi após outros jogos: foi apenas mais um pequeno passo na direcção certa, rumo ao objectivo que estabelecemos no início da época. O tetracampeonato está agora mais perto, mas ao mesmo tempo continua ainda muito longe. De nada servirá a manutenção da liderança após o último jogo 'grande' (já agora, com este resultado o Benfica assegurou a vitória do chamado 'campeonato dos grandes', não tendo perdido um único jogo, o que não é nada mau para uma equipa dita 'fraca contra os fortes') se depois a perdermos em casa contra o Estoril, porque esse jogo tem os mesmos três pontos em disputa. Estoril que, como já mostrou no jogo para a taça, está uma equipa transfigurada desde que o Pedro Emanuel tomou conta dela. Todo o cuidado é pouco, e vamos precisar de manter a concentração máxima para os jogos que faltam - até porque o desespero para os outros lados continua a aumentar e consequentemente também o tom dos ataques desvairados vai aumentar.


P.S.- Hoje em dia é muito fácil escolher viver dentro de uma espécie de bolha, na qual apenas se tem acesso às opiniões com as quais concordamos ou em que queremos acreditar, e sem qualquer contacto com o contraditório. Ao fim de algum tempo as pessoas que vivem assim acabam por convencer-se que essa realidade virtual alternativa corresponde à realidade. É fácil identificar adeptos do Sporting nessa condição. Normalmente congregam-se em redor de sítios como uma Tasca do Cherba ou um Mister do Café, entre outros do mesmo quilate, que não passam de verdadeiros asilos de lunáticos virtuais, onde partilham as suas visões retorcidas da realidade. Onde o presidente do clube deles é um paladino da luta pela verdade no futebol e pela pacificação do mesmo. Onde o Benfica só ganha jogos porque os árbitros estão comprados por vouchers, ou porque as equipas adversárias facilitam, ou então porque qualquer jogador que tenha alguma vez passado de táxi em frente ao Estádio da Luz, quando defronta o Benfica, propositadamente prejudica a sua carreira e a sua própria equipa marcando autogolos ou cometendo penáltis intencionalmente (isto, já agora, é válido para todas as modalidades, em todos os escalões etários, masculinos ou femininos). Por outro lado, o Sporting é uma potência mundial que só não é campeão em Portugal por causa das manobras do Benfica e não é campeão europeu por causa da manobras da Doyen e da Gazprom. Se não fossem os 'factores externos', como não se têm cansado de repetir, estariam a lutar pelo título, e vão mostrar isso mesmo neste jogo humilhando o Benfica. Depois vão para estes jogos convencidos que são favas contadas, e a única dúvida naquelas cabeças é por quantos é que o Sporting vai golear e quantos golos vai marcar o Bas Dost. Começa o jogo e em vez de aparecer uma equipa que 'não joga nada' e que sem ajudas estaria provavelmente a lutar para não descer, apanham com um Benfica que apesar de um enorme contratempo logo a começar não está minimamente impressionado ou afectado com o 'poderio incomparável' da equipa deles, joga olhos nos olhos, e todos os erros de arbitragem que se podem apontar (que é a desculpa a que normalmente nestas situações se agarram sempre de forma desesperada, quais náufragos numa tempestade agarrados a uma tábua) foram em prejuízo clamoroso do Benfica. Isso deveria abalar seriamente algumas convicções. A resposta é a que se esperaria de um cão raivoso que pretende desviar as atenções o mais rapidamente e da forma mais rafeira possível. É ler os devaneios escritos hoje pela criatura que preside o Sporting e pelo homúnculo que lambe o chão que ele pisa para ver o melhor exemplo disso. E sem dúvida que a turba que os segue de forma quase religiosa continuará a aplaudir freneticamente.

sábado, abril 15, 2017

Confortável

Vitória confortável contra um adversário teoricamente complicado, mas que acabou por ser uma desilusão. O Marítimo apresentou-se na Luz apostado apenas em jogar um futebol negativo e a partir do momento em que ficou em desvantagem deixou de ter objectivo no jogo. A nota artística não foi a melhor, mas perante um adversário a jogar desta forma era difícil fazer muito melhor, e não fosse o nosso desacerto na conclusão de diversas jogadas o jogo poderia ter acabado com um resultado bem mais desnivelado.


Entrámos em campo com exactamente o mesmo onze que tinha defrontado o Moreirense. E ficou evidente, desde o apito inicial, ao que o Marítimo vinha. Confesso que fiquei um pouco desiludido, porque esperava mais de uma equipa que tem sido uma das revelações da prova desde a mudança de treinador. Logo no primeiro pontapé de baliza do jogo, o guarda-redes começou a queimar tempo. Toda a equipa do Marítimo acantonou-se em frente à sua área, com o trinco a recuar para o meio dos centrais para formar um trio, e montando duas linhas de defesa muito juntas, tentando deixar o mínimo de espaço possível para o Benfica jogar. Saídas para o contra-ataque eram inexistentes. Um dos seus jogadores, o Raúl Silva, parecia estar em campo com algum tipo de missão ou encomenda em relação ao Jonas. Passou o tempo todo a provocá-lo e a tentar armar algum tipo de confusão. A única situação de algum perigo que o Marítimo criou surgiu num disparate do Ederson, que tentou fintar um adversário e quase que perdeu a bola. Quanto ao Benfica, revelou dificuldades para ultrapassar a estratégia do Marítimo. O jogo pelas alas não estava a funcionar, pelo que começámos progressivamente a insistir mais pelo meio. Mas na fase inicial do jogo até o Jonas parecia não estar em dia de muito acerto. Por quatro vezes conseguimos fazer a bola entrar entre as duas linhas do Marítimo e chegar aos pés dele, em posição frontal, mas os remates nunca saíram com a direcção ou a força desejadas - iam quase sempre à figura do guarda-redes. Depois de muito insistir, o Benfica acabou por marcar dois golos de rajada, a partir do trigésimo quarto minuto. O primeiro surgiu após uma boa iniciativa do Rafa pela esquerda, que depois cruzou rasteiro para a boca da baliza. O guarda-redes não chegou à bola, o Mitroglou estava preparado para empurrar, mas um defesa antecipou-se de carrinho e marcou na própria baliza (já antes o Marítimo estivera perto de fazer um autogolo, valendo-lhe o tempo de reacção do seu guarda-redes, inversamente proporcional à velocidade com que repunha a bola em jogo). Dois minutos depois, nova investida do Rafa pela esquerda, passe para o Pizzi à entrada da área, e novo passe para o Jonas desta vez rematar colocadíssimo, fazendo a bola entrar literalmente pelo buraco da agulha, juntinho à base do poste. E só não surgiu um terceiro golo de rajada porque o Mitroglou conseguiu falhar um golo cantado, depois do Nélson Semedo lhe colocar a bola à frente dos pés em posição frontal. Mas o Marítimo não se livrou de ir para o intervalo com três golos de desvantagem: na última jogada da primeira parte, canto marcado pelo Grimaldo na esquerda, o Luisão ganhou nas alturas, e o Jonas surgiu ao segundo poste para, à segunda tentativa, fazer o golo.


Com o jogo praticamente resolvido ao intervalo era expectável que a segunda parte pudesse ser pouco interessante, e isso verificou-se. O futebol jogado não foi da melhor qualidade, até porque o Benfica não tinha qualquer interesse em estar a aumentar o ritmo. Conseguimos controlar o adversário e gerir o jogo na perfeição, sem qualquer tipo de sobressalto - a única ocasião de algum perigo que o Marítimo criou foi mesmo a acabar o jogo, mas nem sequer conseguiu fazer um remate à baliza nessa ocasião, já que o seu jogador pareceu embrulhar-se com a bola dentro da pequena área. O Marítimo lá tentou sair um pouco lá de trás e, naturalmente, começou a abrir autênticas avenidas para serem exploradas pelos nossos jogadores. Que mesmo sem forçar, e quase em ritmo de passeio, construiram situações mais do que suficientes para pelo menos conseguirmos igualar o resultado que tínhamos conseguido frente a esta mesma equipa no jogo para a Taça. Só mesmo muita falta de inspiração na hora de finalizar ou definir as jogadas é que explicam que não tenhamos conseguido marcar um único golo durante a segunda parte. Que o Salvio faça disparates, nesta fase já quase que dou isso como um dado adquirido. Mas hoje até o Mitroglou estava em dia não, e durante o jogo desperdiçou ocasiões que não é nada habitual vê-lo falhar. O jogo deu para fazermos uma gestão tranquila do esforço, poupar o Jonas (saiu tocado; esperemos que não seja nada de grave) e o Pizzi (que evitou o amarelo, embora se considerarmos que o árbitro cometeu a proeza de conseguir não mostrar um único amarelo aos jogadores do Marítimo, apesar das sucessivas faltas que cometeram, seria demasiado 'azar' o Pizzi ser admoestado) e acabar o jogo em clima de festa, com as mais de 57.000 pessoas nas bancadas em comunhão com a equipa.


O Jonas merece o destaque que os dois golos que marcou lhe conferem, embora pudesse ter feito ainda mais. Achei também que ele me pareceu ficar demasiado nervoso com as provocações constantes do Raúl Silva. Eu sei que uma pessoa não é de ferro, mas ele é um jogador demasiado experiente para se deixar afectar por coisas destas - esteve bem o Luisão quando num determinado momento o foi afastar e pedir calma. O Rafa desta vez fez um jogo bastante melhor, esteve envolvido nos dois primeiros golos e no geral foi um dos jogadores mais activos e perigosos do nosso ataque - brilhante aquele contra-ataque que conduziu sozinho de uma área à outra, para depois deixar o Salvio sozinho na cara do guarda-redes (não deu golo, porque era o Salvio). O Lindelöf, Luisão e Fejsa estiveram num bom nível, mas uma das notas mais agradáveis foi mesmo verificar que o Grimaldo já se mostrou a um nível bem mais elevado. Esteva tão activo pelo seu lado que o Nélson Semedo por vezes quase pareceu um lateral contido no apoio ao ataque. Quanto ao menos bom, houve uma feroz concorrência entre o Salvio e o Mitroglou por essa distinção. Como não consigo desempatá-los, levam-na ex aequo.

Foi um bom resultado e um jogo que correu da melhor maneira possível, parecendo não exigir demasiado esforço físico ou psicológico dos nossos jogadores. Com isto garantimos o primeiro lugar por mais uma jornada, e agora faltam apenas cinco. O caminho para o título vai ficando cada vez mais curto.

segunda-feira, abril 10, 2017

Sofrimento

Mais um jogo de sofrimento, como tenho a certeza que serão todos daqui até final. E mais uma vez, o melhor foi mesmo o resultado, uma vitória pela margem mínima que nos permite somar mais três pontos e a manutenção do primeiro lugar. O Moreirense comeu a relva, ou não fossem eles treinados pelo Petit, aproveitou também o mau jogo que fizemos, e criou-nos dificuldades - não fosse a falta de jeito dos seus jogadores na altura de finalizar e poderíamos estar agora a lamentar o resultado.


A maior nota de destaque são os regressos do Fejsa e do Grimaldo ao onze titular. É bom termos mais estas opções para o ataque à fase final da época, mas verdade seja dita que hoje não se notou grandemente a sua influência. No resto da equipa, a aposta nas alas manteve-se no Salvio e no Rafa, o que logo à partida me fez torcer o nariz. Num campo pequeno, onde o espaço não abunda, e perante uma equipa que certamente cerraria fileiras atrás, optar por dois jogadores que fazem da velocidade a sua principal arma em detrimento de dois alas mais tecnicistas e com capacidade para resolver em espaços mais curtos, como o são o Cervi e o Zivkovic, não me pareceu a melhor ideia. Mas adiante. Sobre o jogo propriamente dito nem há muito para escrever, porque para mim foi quase um deserto de ideias. Honestamente, neste momento quando vejo o Benfica jogar fico com a sensação de que regredimos ao tipo de futebol praticado durante os primeiros meses após a chegada do Rui Vitória. Muita posse de bola completamente estéril, fazendo-a andar de um lado para o outro, mas ocasiões de golo quase nenhumas, e nem sequer a perspectiva de aparecerem. A sério que quando nos vejo jogar assim, simplesmente não consigo vislumbrar sequer a possibilidade de conseguirmos construir uma jogada de golo. O golo que decidiu o jogo, surgiu quase que inevitavelmente de uma bola parada. Livre apontado na direita pelo Pizzi e o Mitroglou saltou nas costas do defesa para fazer o cabeceamento vitorioso, já quase sobre o intervalo. Honestamente, não me consigo recordar de muitas mais ocasiões de perigo flagrante criadas pela nossa equipa, pelo que a vantagem ao intervalo me parecia um resultado generoso - o jogo a que assistia às vezes parecia mais entre dois aflitos na fuga à despromoção do que entre primeiro e antepenúltimo classificados.


Mas se já não estava muito agradado com o jogo na primeira parte, pelo menos durante esse período nós conseguimos tê-lo relativamente controlado. A segunda parte foi muito pior. Durante vários períodos fomos uma equipa completamente desgarrada, cujo objectivo no jogo me era impossível de perceber. Nem pressionávamos em busca de um segundo golo que nos desse tranquilidade, nem geríamos o resultado mantendo uma posse de bola mais ou menos controlada. Num campo tão pequeno, só via os nossos jogadores demasiado dispersos, a jogar demasiado longe uns dos outros, e a proporcionar demasiado espaço para o Moreirense explorar o contra-ataque. Se não estamos com capacidade para o fazer, jogar com as linhas tão adiantadas e com ambos os laterais a tentar apoiar o ataque é um risco. E por mais de uma vez vimos o Moreirense a sair para o contra-ataque praticamente em igualdade numérica, perante apenas os nossos centrais e o Fejsa, conseguindo criar situações de verdadeiro perigo para a nossa baliza - mas o Ederson não deve ter feito sequer uma defesa digna desse nome, porque conforme disse, a falta de qualidade na finalização significou que o Moreirense atirou praticamente todas as bolas para fora, e na ocasião em que foi mesmo à baliza, foi o Lindelöf a evitar o golo. As coisas só melhoraram um pouco quando o nosso treinador decidiu mexer na equipa, e trocou mesmo os dois alas pelo Cervi e o Zivkovic, e sobretudo quando o Samaris entrou para o lugar do Jonas. Não é que tacticamente esta mudança tenha alterado grande coisa, porque o Pizzi foi encostar-se à direita e o Zivkovic passou a fazer de Jonas, mas o Samaris colocou-se numa posição mais recuada, auxiliando o Fejsa a preencher aquela zona do terreno - antes disso havia por ali um vazio enorme, porque quando o Benfica perdia a bola no ataque na maioria das vezes o Pizzi não tinha capacidade para recuar rapidamente e recuperar a posição. Conseguimos assim segurar a vantagem preciosa, mas muito provavelmente teremos o Samaris suspenso porque no meio de uma confusão já em período de descontos, antes da marcação de um livre, ele agrediu um adversário. Não sei o que passa pela cabeça de um jogador experiente para, sabendo que tudo está a ser filmado e que ainda por cima há uma particular predilecção para esmiuçar todos os segundos dos jogos do Benfica à procura do que quer que seja, fazer um disparate daqueles.


O melhor do Benfica foram os benfiquistas. Aliás, são sempre. Hoje encheram mais uma vez o estádio da equipa adversária e fizeram com que o Benfica jogasse em casa. Mesmo quando a equipa nos presenteou com períodos de futebol muito pobre nunca deixaram de acreditar, e apoiaram-na no primeiro ao último segundo. Os três pontos que conquistámos também se devem, e muito, a todos eles.

Falta menos um jogo, mas os que faltam até final parecem uma eternidade. Teremos que subir a qualidade do nosso futebol para conseguirmos atingir os nossos objectivos. Hoje foi contra uma das equipas pior classificadas e vimos o quão difícil foi vencer o jogo. É apenas uma amostra daquilo que nos espera, sobretudo à medida que o número de jogos que restam for diminuindo e o desespero dos nossos adversários for aumentando. Só dependemos de nós, somos os únicos nessa condição, e não podemos de forma alguma abrir mão dela. É que ao contrário dos nossos adversários, não podemos ficar à espera que outros façam o nosso trabalho por nós.

quarta-feira, abril 05, 2017

Nervos

A vantagem trazida da primeira mão e o facto deste jogo se disputar em nossa casa poderiam fazer-nos esperar por uma noite tranquila, mas acabámos com os nervos em franja. O melhor: estamos na final da Taça de Portugal, mesmo com as várias limitações que tínhamos para este jogo. O pior: um jogo inaceitavelmente mau da nossa parte, com falhas gritantes quer no ataque, quer na defesa. A equipa menos rotinada que alinhou não serve exclusivamente de desculpa, porque aqueles jogadores têm a obrigação de fazer melhor frente a uma equipa como o Estoril. Passámos no limite, mas não é um jogo que me tenha deixado particularmente satisfeito - pelo contrário, quando os noventa minutos terminaram estava bastante irritado, e estive à espera até agora para me acalmar antes de escrever alguma coisa.


Houve uma verdadeira revolução na equipa inicial, que deixou apenas três 'sobreviventes' do onze que alinhou contra o Porto: Lindelöf,  Samaris e Rafa. Pelo que soubemos, o jogo contra o Porto terá deixado algumas mazelas e obrigou o nosso treinador a mexer talvez mais na equipa do que desejaria. Assim, entrámos com quatro jogadores muito móveis na frente e sem um avançado fixo - Carrillo, Zivkovic, Cervi e Rafa. Na defesa, dois dos jogadores que entraram, Grimaldo e Lisandro, estavam com muita falta de ritmo, pois há vários meses que estavam afastados da competição. O início do jogo nem foi mau da parte do Benfica. entrámos a dominar e a desperdiçar ocasiões flagrantes de golo, com a inevitável participação do Rafa neste capítulo. Sobre a capacidade de finalização do Rafa acho que já escrevi aqui vezes suficientes. Direi apenas que nesta fase quando vejo o Rafa isolado à frente do guarda-redes já nem sequer fico entusiasmado. Depois aconteceu o habitual, ou seja, com tanto golo falhado, assim que o Estoril rematou pela primeira vez, marcou. Foi preciso esperar meia hora para que isso acontecesse, mas o que é certo é que assim que conseguiram lá chegar, meteram a bola na nossa baliza, e nem foi precisa uma jogada de golo tão evidente como aquelas que nós andámos alegremente a desperdiçar. Devo dizer que antes do remate sair já eu estava a adivinhar o golo, devido à irritante mania que os nossos defesas têm de marcar os adversários com os olhos (neste caso foi o Lindelöf). Quando se dá tempo e espaço ao avançado para, colocado à entrada da área, controlar a bola, levantar a cabeça e armar o remate sem sequer esboçar um movimento de cair em cima dele o resultado mais provável é sofrer um golo - e foi um grande golo mesmo, com a bola a entrar ao ângulo. Felizmente que empatámos quase na resposta, com o Carrillo a aproveitar um erro grosseiro do guarda-redes do Estoril quando tentou socar uma bola. Ela ressaltou no Samaris e caiu aos pés do peruano, que rematou de primeira para o golo. Saída para intervalo em vantagem na eliminatória, mas o Estoril estava a um golo de empatá-la. 


E o André Almeida fez o favor de, logo no pontapé de saída, de uma forma perfeitamente displicente oferecer-lhes isso mesmo. A resposta do Benfica foi boa em termos de atitude, mas péssima na execução: logo nos minutos seguintes o Cervi e o Zivkovic falharam o golo do empate de forma escandalosa. Até se pode elogiar o guarda-redes do Estoril pelas defesas, mas aquilo foi mais tiro ao boneco, porque foram sobretudo os nossos jogadores a rematar na direcção dele. Mas a pressão continuou e poucos minutos depois o Zivkovic redimiu-se do falhanço com um grande golo, num remate em arco, de pé esquerdo e de fora da área, que levou a bola ao ângulo. Depois foi o Carrillo a ficar muito perto de terceiro, num chapéu ao guarda-redes que terminou com a bola na barra. Nesta fase já se começava a notar a falta de ritmo dos jogadores escolhidos para esta noite. A nossa equipa estava cada vez mais partida, e quando falhávamos na frente o Estoril contra-atacava quase em igualdade numérica com os nossos defesas, ameaçando seriamente a nossa baliza - o terceiro golo só não surgiu porque o Júlio César, numa dupla defesa, o impediu. O Filipe Augusto já tinha sido obrigado a sair, lesionado (nem neste jogo conseguimos poupar o Pizzi) e depois também acabou por se dar a entrada previsível do Jonas. Jonas que, quase no primeiro toque que deu na bola, marcou o terceiro golo, a passe do Cervi. Faltavam dezoito minutos para o final e parecia que estava tudo resolvido, mas muito pelo contrário. O Benfica nos minutos finais já não era uma equipa de futebol, era um grupo de amigos que se tinha juntado para uma peladinha e a qualidade do jogo não era muito diferente daquilo que se vê nos distritais. Preocupações tácticas não existiam. Metade da equipa atacava e a outra metade defendia, sem qualquer ligação entre os sectores. E a metade que defendia, fazia-o mal, com erros grosseiros a roçar a displicência. O Estoril chegou ao empate em mais um desses erros - o Lindelöf fez um bom corte que impediu a bola de chegar ao avançado, a bola subiu dentro da área, e o Lisandro, completamente à vontade sem qualquer tipo de pressão sobre ele, fez um cabeceamento ridículo que deixou a bola nos pés de um adversário. Depois o mesmo Lisandro juntou-se ao André Almeida para ficarem os dois a assistir, impávidos e serenos, ao jogador do Estoril a passar calmamente por eles e a passar para a finalização de um colega à boca da baliza. com treze minutos para jogar, foi necessário cerrar fileiras e esperar em sofrimento o apito final que confirmou a presença no Jamor (ainda deu para ter um calafrio perto do final, em que nos valeu o Grimaldo para evitar um cabeceamento do Kleber que muito provavelmente daria golo).


Mesmo tentando conter-me para não bater demasiado nos nossos jogadores, é-me impossível não classificar as exibições do Lisandro e do André Almeida como inadmissivelmente más. O Lisandro ainda tem a desculpa do regresso após lesão, mas o André Almeida nem isso. Aquele espaço entre os dois não foi um buraco, foi uma cratera de dimensão semelhante à que foi criada pelo asteróide responsável pela extinção dos dinossauros, e foi explorado até à exaustão pelo Estoril. E peço desde já desculpa aos mais sensíveis nestas questões de críticas aos nossos jogadores, mas continuo com uma dúvida persistente desde o final de Janeiro: o que é que o Filipe Augusto está a fazer no Benfica? É que do que eu já conhecia do jogador antes e do que vi dele até agora no Benfica, tenho a firme convicção de que temos na equipa B quem faça tanto ou até melhor do que ele. Isto para não falar no André Horta, cujo eclipse ainda não consegui perceber. Ou está ali uma pérola muito escondida que ainda me vai surpreender, ou então parece-me que a época vai acabar e a dúvida vai permanecer.

Espero que os jogadores que estão diminuídos fisicamente possam recuperar rapidamente, e que possamos jogar muito mais e melhor no sábado em Moreira de Cónegos. Temos mesmo que jogar muito mais e melhor do que jogámos hoje. A situação na Liga não permite qualquer tipo de descuido ou escorregadela, nem os erros displicentes a que assistimos hoje.

segunda-feira, abril 03, 2017

Pouco

No final, soube-me a pouco. Fiquei com a nítida sensação, como julgo que também terão ficado os milhares de benfiquistas que lotaram a Luz, de que perdemos uma grande oportunidade para dar um golpe quase decisivo no campeonato. Fomos a melhor equipa em campo, e fugiu-nos a possibilidade de vencer o jogo e deixar para trás o nosso adversário directo na luta pelo título.


Até fiquei um pouco surpreendido com a entrada do Benfica no jogo. Olhando para os onzes das duas equipas, a presença do Rafa nas nossas escolhas iniciais e a opção do Porto por um meio campo reforçado, abdicando de jogar com dois avançados fazia crer que assistíssemos a um cenário em que o Benfica entregaria mais a iniciativa de jogo ao adversário, para depois partir rápido para o ataque quando recuperasse a bola, enquanto que o Porto privilegiaria a posse de bola e um jogo mais seguro. Mas o Benfica entrou forte e caiu em cima do adversário desde o apito inicial. Para isso contribuiu muito quer as frequentes movimentações do Salvio e do Rafa para o meio, que nos davam equilíbrio e até superioridade numérica nessa zona e abriam espaço para a subida dos laterais - em particular do Nélson Semedo, já que o eliseu não arricou tanto - e ainda um Jonas muito activo, com um raio de acção muito alargado em que vinha frequentemente buscar jogo até à linha do meio campo. Durante este período inicial praticamente só deu Benfica, e o resultado disso foi imediato. Aos sete minutos o Salvio ultrapassou dois adversários pelo centro do terreno e deixou a bola no Jonas, que foi derrubado dentro da área. Encarregue da conversão, o aniversariante não falhou e colocou-nos em vantagem no marcador. Após isto o Benfica foi progressivamente acalmando o ritmo, e ao fim de mais alguns minutos o jogo caiu então no cenário que me parecia ser mais provável. Baixámos e juntámos as linhas, permitindo ao Porto ter mais bola, e depois tentávamos as saídas rápidas para o ataque, sobretudo através das faixas. E na verdade, fizemos o nosso trabalho muito bem feito. É que apesar de ter mais bola, o Porto nada mais conseguia fazer com ela a não ser circulá-la lateralmente até que eventualmente chegasse aos pés do Brahimi, que tentava então alguma iniciativa individual. Tanto assim foi que apenas consigo lembrar-me de uma ocasião de perigo para o Porto durante toda a primeira parte, naquele que terá sido também o único remate que fez. E este surgiu através de um livre cavado pelo Brahimi à entrada da área, marcado pelo mesmo e que obrigou o Ederson a uma grande defesa, evitando que a bola entrasse junto à base do poste. Da nossa parte, o maior lamento veio de uma jogada em que o Rafa mostrou ter o dobro da velocidade do Maxi, mas para não variar quando chegou à área definiu mal a jogada e não conseguiu colocar a bola no meio, onde tinha o Jonas e o Mitroglou completamente à vontade. Ao intervalo, o jogo parecia estar calmamente controlado.


Infelizmente para nós a reentrada no jogo acabou por deitar tudo a perder. Houve algum descontrolo e o Porto conseguiu alcançar o empate logo nos minutos iniciais. Tudo começou num disparate do Pizzi, que tentou sair a jogar com a bola nos pés e acabou por perdê-la para um adversário. A partir daí a bola chegou até ao Brahimi, que no 1x1 desequilibrou e depois numa jogada confusa em que na minha opinião houve demasiada apatia para afastar decisivamente a bola da área, ao fim de algumas recargas o Maxi acabou por empatar. Talvez se pudesse temer algum descontrolo do Benfica depois do golo, mas nada disso se passou. O Porto, obtido o empate, pareceu encantado com a sua sorte e pouco ou nada mais procurou do jogo - estranhei, já que quem ouvisse os especialistas ao longo destas últimas semanas ficaria convencido que o Porto era imparável e a vitória na Luz eram favas contadas. Já o Benfica, apoiado pela Luz, reagiu e foi à procura do segundo golo. E o maior motivo de queixa para não o termos conseguido é a falta de eficácia. O Porto em todo o resto da segunda parte apenas numa ocasião conseguiu assustar, numa bola metida para as costas da nossa defesa que obrigou o Ederson a sair aos pés do Soares. Quanto a nós, passámos outra vez a ter muito mais bola, e construímos ocasiões soberanas para marcar que, quando se falham, pagam-se. Foram pelo menos quatro situações claras que nos deveriam ter dado o golo e os três pontos. Pelo Jonas, assistido pelo Salvio após uma das melhores jogadas do jogo, quase toda ao primeiro toque, à qual o Casillas correspondeu com uma grande defesa. Depois foi novamente o Casillas a negar o golo ao Mitroglou, e logo a seguir ao Jonas na recarga (pelo menos pareceu-me que foi ele, mas pode ter sido algum jogador do Porto a cortar quase em cima da linha). E novamente o Jonas, no seguimento de um canto, surgiu completamente solto ao segundo poste e cabeceou um pouco ao lado da baliza. Nos minutos finais então o Porto já nem disfarçava, e o Casillas queimava deliberadamente tempo sempre que podia enquanto fazia gestos provocatórios para a bancada - imagino que aqueles que tanto se abespinharam com perdas de tempo num jogo que teve doze minutos de descontos já tenham entretanto mudado de opinião. No final a festa do Porto foi elucidativa do quanto queriam o empate, e da fé que colocam na outra metade da santa aliança antibenfica para fazer o resto do trabalho. No final veremos se justificada - é que o ano passado o pessoal do Lumiar nem sequer conseguiu fazer o trabalho para seu próprio benefício, portanto esperar que o façam em benefício de outros este ano pode ser um bocado optimista.


Na minha opinião, e até confesso a minha surpresa por isto, o Samaris foi um dos melhores jogadores do Benfica neste jogo. Aproveitou bem o espaço adicional de que beneficiou pelo facto dos médios do porto andarem excessivamente preocupados com o Jonas e o Pizzi para jogar um pouco mais adiantado no terreno e assumir até mais protagonismo na organização de jogo do que o próprio Pizzi. Em termos defensivos esteve mais disciplinado do que é habitual em termos posicionais, e até ganhou vários lances em antecipação, muito ao estilo do que o Fejsa costuma fazer. O Jonas fez também um bom jogo, mas infelizmente foi demasiado perdulário. A vitória do Benfica neste jogo perdeu-se nos pés (e na cabeça) dele. Luisão (meteu o Soares completamente no bolso, não o deixando usar a única arma que tem, que é o físico) e Nélson Semedo também num bom nível. O Salvio voltou a fazer muita asneira, mas esteve na jogada do golo e ainda ofereceu o segundo ao Jonas. Mas de qualquer forma pareceu-me acertada a sua substituição. Continuo é com dificuldade em perceber porque motivo o Cervi não joga mais.

Esquecendo a frustração pelo empate e olhando as coisas pelo lado positivo, mantemo-nos no primeiro lugar e somos a única equipa dependente apenas de si própria. A situação em que nos encontramos não difere muito daquela que enfrentámos a época passada, e que conseguimos superar com distinção. A receita é simples, temos sete finais pela frente e temos que as ganhar todas. Não me parece que o calendário do Porto seja particularmente mais fácil do que o nosso, e a exibição neste jogo deixa-me confiante para o que resta do campeonato, saiba a nossa equipa manter a atitude demonstrada. Além disso poderemos ter os 'reforços' Fejsa e Grimaldo para esta fase final, o que significará um plantel na máxima força para proporcionar todas as opções ao nosso treinador. Nunca como agora precisámos tanto de nos unir e empurrar a nossa equipa. Temos ao nosso alcance um objectivo histórico, e para lá chegarmos temos que começar já por pintar Moreira de Cónegos de vermelho no próximo fim-de-semana.

sábado, março 18, 2017

Zero

Se dissesse que não estava à espera de um resultado destes, estaria a mentir. Sou pessimista por natureza e sabia que era fundamental, para termos a tarefa mais facilitada na próxima jornada, não perder pontos em Paços de Ferreira. Os nossos inimigos estavam todos à espera que falhássemos. Obviamente que lhes fizemos a vontade, jogámos pouco, acabou tudo a zero e perdemos pontos em Paços de Ferreira, porque facilitismos não são para nós.


E não podemos queixar-nos de mais nada a não ser de nós próprios. Não foi o árbitro, não foi o antijogo do adversário - o Paços não o fez, limitou-se a jogar à defesa sem recorrer grandemente a simulação de lesões e perdas escusadas de tempo - não foi o estado do relvado (estava excelente), nem foi o ambiente adverso, porque o Benfica jogou em casa, com as bancadas repletas e quase todas pintadas de vermelho. Nós é que, de uma forma muito simples, não jogámos nada. Lamento, mas não encontro outra forma de descrever o nosso jogo. Fomos uma equipa completamente sem ideias, com extremos completamente desinspirados e uma dupla de avançados que fez praticamente tudo mal neste jogo. O Jonas foi uma sombra daquilo que sabe e pode fazer, e o Mitroglou parecia incapaz de controlar uma bola. Só assim se justifica que perante uma equipa que na primeira parte se limitou a defender, e tendo nós conseguido uma posse de bola avassaladora - bem acima dos 70% - tenhamos apenas conseguido construir, que eu me recorde, duas ocasiões de golo. Um cruzamento do Jonas na esquerda, ao qual o Salvio correspondeu no segundo poste atirando para a bancada quando tinha a baliza à sua mercê (mas já tinha chegado em esforço à bola) e um remate fabuloso do Eliseu, de muito longe, que levou a bola a embater no ângulo da baliza. Porque de resto, um jogo muito embrulhado, confuso, com demasiados passes redundantes e sem objectivo concreto, e uma preocupante falta de imaginação para encontrar soluções contra uma equipa acantonada junto à sua área. A segunda parte não foi melhor; foi aliás pior. À medida que o tempo ia passando, a qualidade do nosso jogo foi caindo cada vez mais, e a ausência de ocasiões de perigo foi cada vez mais notória - lembro-me de um remate do Pizzi para as mãos do guarda-redes, e talvez um cruzamento/remate do Nélson Semedo, e pouco mais. As substituições que foram sendo feitas pouco ou nada mudaram no jogo, e provavelmente até o tornaram ainda mais confuso. A atroz falta de ideias da nossa equipa ficou para mim demonstrada de forma dolorosamente evidente num dos últimos lances do jogo. Já em período de descontos, beneficiámos de um livre em posição frontal à baliza. Encarregado de o marcar, em vez de aproveitar para rematar o Jonas preferiu tentar picar a bola por cima da barreira, com tanto jeito que acabou por sair o que na prática foi um passe directo para a cabeça de um dos jogadores que estavam na barreira. 


Nem me vou dar ao trabalho de fazer destaques neste jogo. Sinto-me desiludido pela nossa equipa e pela qualidade de jogo que apresentou num encontro que era - como são todos até ao final - fundamental para que consigamos atingir o nosso objectivo. Por muito que custe, a verdade é que o nulo final ajusta-se ao pouco que o Benfica conseguiu produzir neste jogo em termos ofensivos. Nada está, obviamente, perdido. Mas com este resultado, e se o Porto vencer o seu jogo, parece-me que a situação da corrida para o título começa a ficar muito simplificada: ou vencemos o Porto na próxima jornada, ou então a nossa posição ficará muito fragilizada. Pode ser que de alguma forma isto acabe por ser positivo. A obrigatoriedade de vencer pode ser um estímulo para que façamos um bom jogo, o que poderia não acontecer se tivessemos a possibilidade de nos 'encostar' a um empate.

terça-feira, março 14, 2017

Resposta

Para desilusão de muito boa gente o Benfica não se deixou abalar pelo pesado desaire em Dortmund para a Champions. A resposta foi uma goleada ao Belenenses, obtida de forma tranquila e sem que a equipa tenha parecido sequer esforçar-se muito. E assim o Porto foi obrigado a entregar a 'liderança' que tinha conquistado há uns dias - o Porto agora conquista sempre a 'liderança' quando joga antes do Benfica, ignorando-se quase sempre a parte do 'à condição'. Nem que seja por um par de horas, parece ser muito importante designar sempre que possível o Porto como 'líder' e reafirmar até à exaustão o quanto o Benfica está 'sob pressão'.


Uma surpresa no onze inicial, com a ausência à última da hora do Nélson Semedo. Tem sido um dos jogadores mais influentes esta época, mas no final do jogo não teríamos motivo de queixas do André Almeida, que foi quem naturalmente o substituiu. De resto foi o onze esperado, ainda com o Fejsa ausente. A entrada do Benfica no jogo foi agradável. A pressionar alto, remetendo o Belenenses à defesa e recuperando rapidamente a bola ainda no meio campo adversário. E a recompensa chegou cedo, logo aos doze minutos, resultando precisamente da postura mais agressiva dos nossos jogadores em campo. Um passe longo do Pizzi para as costas da defesa adversária parecia perdido, mas o André Almeida acreditou e acabou por conseguir aproveitar um erro grosseiro do Miguel Rosa, que com o peito tentou atrasar a bola para o seu guarda-redes e deixou simplesmente a bola à mercê do André para uma finalização simples. Parecia que estava tudo encaminhado para um jogo tranquilo, mas depois do golo deu a ideia de ter desligado. Imediatamente abrandou o ritmo e a pressão, parecendo mais interessada em manter a posse da bola e jogar pelo seguro. Havia pouca dinâmica na equipa em geral, com poucos jogadores a acompanhar o portador da bola para lhe proporcionar soluções de passe. De uma forma simples, quem tinha a bola corria com ela enquanto que o resto da equipa ficava a olhar. Isso era particularmente visível sempre que alguém tentava sair para o contra-ataque, porque em quase todas essas situações, a bola acabava por ser passada para trás até chegar aos pés dos centrais, para depois se dar início a um ataque organizado em que quase não havia progressão - em certas alturas isto tornou-se tão evidente que testou mesmo a paciência dos quase cinquenta e quatro mil espectadores que se deslocaram à Luz. Até porque o Belenenses não conseguia dar qualquer tipo de resposta, pelo que assistíamos a um jogo em que o Benfica tinha uma posse de bola esmagadora mas quase nada acontecia.


O Belenenses veio para a segunda parte um pouco mais atrevido, e já sabemos que quando uma equipa arrisca abrir mais na Luz normalmente o Benfica sabe aproveitar. O jogo recomeçou de forma visivelmente mais interessante do que aquilo que tinha sido durante mais de metade da primeira parte, com oportunidades a surgir para ambas as equipas. O primeiro grande aviso veio da parte do Belenenses, quando seis minutos após o reinício um grande remate de fora da área do Miguel Rosa levou a bola ao poste da nossa baliza. Praticamente na resposta, o Benfica fez o segundo golo. Na conclusão de uma transição rápida o Salvio deixou a bola num passe atrasado para o Mitroglou e de primeira, de fora da área, o grego colocou a bola sem hipóteses de defesa para o guarda-redes, que se limitou a seguir a bola com os olhos. O Belenenses respondeu com mais uma boa ocasião, na qual o Maurides cabeceou ao lado quando estava em óptima posição, mas aos sessenta minutos o Benfica matou de vez o jogo, com mais um remate de fora da área. Desta vez foi o Salvio quem recebeu um passe do Zivkovic e depois rematou rasteiro e colocadíssimo, levando a bola a entrar bem junto da base do poste e fora do alcance da estirada do guarda-redes. A partir deste terceiro golo o jogo abriu ainda mais, e um goleada do Benfica começou a ganhar contornos bem mais reais. O quarto golo, aliás, era quase uma inevitabilidade, e só não aconteceu antes porque o Jonas, depois de se isolar, pareceu querer oferecer o golo ao Mitroglou e a ocasião perdeu-se. Novamente o Jonas, num remate de primeira após um canto marcado para a entrada da área, esteve perto de marcar. E o Belenenses continuava a tentar responder e também criava situações para marcar, tendo numa delas obrigado o Ederson a uma boa defesa, e noutra visto o André Almeida impedir o desvio para a baliza depois da bola já ter passado pelo Ederson. Só que em cada contra-ataque o Benfica deixava a ideia de poder voltar a marcar, desperdiçando até várias jogadas por, na minha opinião, as adornar em demasia com mais um toque em habilidade, mais um passe difícil, ou parecer que queriam entrar com a bola pela baliza dentro. Mas já no período de descontos o Jonas obteve mesmo o golo que já merecia, depois de ficar isolado na área por um passe da esquerda do Mitroglou. Foi talvez uma punição demasiado severa para o Belenenses, mas a vitória do Benfica não merece qualquer contestação.


O André Almeida foi mesmo um dos melhores esta noite, destacando-se sobretudo da apatia geral durante quase toda a primeira parte. Não só pelo golo, mas também pelo envolvimento ofensivo, com vários cruzamentos de muito boa qualidade que mereciam melhor aproveitamento. O Luisão também esteve a um bom nível, e o Salvio deve ter feito o seu melhor jogo dos últimos três meses (pelo menos). Bastou para isso que levantasse a cabeça e jogasse com os colegas. O Mitroglou e o Jonas fizeram sobretudo uma boa segunda parte, mas o Jonas em particular não sabe jogar mal. Vários pormenores de classe, e hoje pareceu estar mais solto do que nos últimos jogos. Espero que tenha debelado de vez os problemas físicos. O Samaris não é o Fejsa, isso estamos fartos de saber, mas o principal problema são os inúmeros passes falhados. Sobretudo quando são passes de risco, e isso aconteceu diversas vezes hoje.

De volta à realidade nacional, o Benfica fez o que lhe competia. Impôs a sua superioridade sobre o adversário, venceu com relativa tranquilidade, respondeu à goleada do adversário directo com uma goleada igual e manteve a liderança do campeonato (sim, manteve porque nunca a perdeu). É mais uma etapa ultrapassada, e há que continuar neste registo.