segunda-feira, agosto 22, 2016

Desgarrada

Fizemos uma exibição desgarrada e com pouca chama durante 80% do jogo e fomos, sem surpresas, punidos com um empate.


Claro que na maior parte das vezes uma exibição menos conseguida do Benfica ainda dá para criar ocasiões suficientes para ganhar um jogo (e a haver um vencedor neste jogo, só poderia ser o Benfica) mas se tivéssemos jogado mais tempo com a atitude que mostrámos nos últimos quinze minutos provavelmente não estaríamos a lamentar os dois pontos deitados fora. É que ao fim de uns vinte minutos de jogo já eu estava a perceber que só muito dificilmente venceríamos o jogo. A equipa jogava com muito pouca velocidade, perante um adversário que se fechava atrás, com um guarda-redes que engatou para uma boa exibição, e cujos jogadores se deixavam cair como tordos, sempre com a respectiva falta a ser assinalada quer existisse mesmo ou não - 'critério largo' era apenas quando os nossos jogadores caíam. A opção hoje tomada de colocar o Pizzi como apoio mais próximo do avançado (jogou o Salvio na direita) claramente não resultou - o Pizzi hoje estava naqueles dias em que complica quase todas as jogadas e dá sempre um toque a mais na bola. As ocasiões que o Benfica conseguia criar vinham quase todas de bolas paradas, porque em bola corrida raramente conseguíamos chegar com velocidade suficiente à frente para provocar grande aflição à defesa do Setúbal.

No regresso para a segunda parte, mais do mesmo. Tendo em conta a forma como o Setúbal jogava, seria muito complicado conseguir criar grandes desequilíbrios a jogar com o ritmo que apresentámos. E quando, mais ou menos a meio desta segunda parte, parecemos começar a melhorar um pouco, sofremos um golo infantil, numa falha de marcação básica após um livre despejado de longe para o interior da área. Apesar do mau jogo que fizemos, uma derrota era um castigo demasiado pesado e o Benfica finalmente reagiu. Mesmo que tenha sido mais em desespero e com o coração, arriscámos tudo o que havia para arriscar, lançaram-se para dentro do campo todas as opções de ataque que havia no banco (o Jiménez e o Gonçalo Guedes foram úteis e mexeram com o jogo, o Carrillo foi, sem surpresas para mim, inútil) e a oito minutos do final chegámos ao empate num penálti marcado pelo Jiménez, a punir uma falta clara sobre o recém-entrado Gonçalo Guedes. Ainda havia tempo suficiente para procurar a vitória, que poderia mesmo ter acontecido nos minutos finais: depois de um livre muito bem marcado pelo Grimaldo, defendido pelo Varela, a recarga do Lindelöf levou a bola a bater na barra e depois a cair quase sobre a linha de golo, mas ninguém foi capaz de dar o toque final para dentro da baliza.

Em suma, não gostei do que vi. Nem da atitude demasiado mole da equipa durante grande parte do tempo, nem da qualidade do futebol apresentado, nem da falta de soluções para ultrapassar a forma como o adversário se fechou atrás. Foi dos jogos menos conseguidos da nossa equipa a que assisti nos últimos meses, e como acontece sempre que baixamos o nível, fomos imediatamente punidos pelo resultado. A atitude terá que ser necessariamente muito diferente no próximo jogo, a visita ao Nacional. Até por razões históricas: que eu me recorde, nunca o Benfica conseguiu ser campeão numa época em que não tenha ganho na Madeira ao Nacional.

domingo, agosto 14, 2016

Estreia

É sempre bom começar o campeonato com uma vitória, e depois de uma série de anos em que parecia que fazíamos questão de não o conseguir, hoje voltámos a dar um pontapé nessa má tradição e arrancámos uma vitória difícil mas inteiramente justa na estreia, em casa do Tondela.


Apresentámo-nos com o onze inicial esperado ou seja, apenas com uma alteração na equipa que tinha entrado em campo no jogo da Supertaça: Gonçalo Guedes substituiu o lesionado Jonas. O início de jogo foi frenético, com um para de boas ocasiões para cada uma das equipas a surgir dentro dos primeiros cinco minutos. Para o nosso lado, destaque para a ocasião em que o Mitroglou, logo no segundo minuto de jogo, ficou isolado frente ao guarda-redes mas rematou de forma a permitir a defesa deste. Depois deste início algo louco, as equipas encaixaram melhor uma na outra e deixou de haver tanta emoção junto das balizas, mas o jogo continuou a ser disputado de forma muito intensa. O que ficou claro desde o início foi que o Tondela nunca encarou o jogo com a postura típica de equipa pequena, de defender de forma exasperante e explorar o antijogo. O Tondela encarou o Benfica olhos nos olhos, tentou sempre exercer pressão a quase todo o campo, o que nos dificultava a saída de bola e obrigava muitas vezes ao pontapé longo, e durante vários períodos conseguiu supremacia na zona central do campo. Isto fez com que o Benfica não conseguisse criar muitas ocasiões de perigo, e passámos mesmo muito tempo sem conseguir sequer fazer um remate. Cedo no jogo tivemos o contratempo do Luisão se ter lesionado, o que forçou à sua substituição pelo Lisandro logo aos vinte e seis minutos, mas às vezes acontece que há males que vêm por bem, e foi mesmo o Lisandro quem nos colocou em vantagem no marcador. Depois de um livre muito bem marcado na direita pelo Pizzi, o Lisandro apareceu nas costas de defesa do Tondela para cabecear com sucesso - e se por acaso não tivesse chegado à bola, ainda tinha atrás dele o Lindelöf completamente à vontade. O golo surgiu já perto do intervalo (trinta e nove minutos) mas até lá ainda voltámos a estar perto do golo, num livre do Grimaldo.


A segunda parte começou quase como a primeira, com o Tondela quase a chegar ao empate, valendo-nos uma grande defesa do Júlio César, depois o Benfica respondeu com um remate do Gonçalo Guedes, e a seguir o Tondela voltou a ficar muito perto do golo, na sequência de um lançamento lateral seguido de um pequeno desvio de cabeça, para depois o jogador do Tondela falhar a emenda quase em cima da linha de golo. Respondeu o Benfica com um cabeceamento do Grimaldo que fez a bola passar muito perto do poste. Este tipo de jogo era demasiado perigoso para uma vantagem mínima no marcador. Poderíamos marcar o segundo golo que nos daria tranquilidade, mas também a qualquer momento o Tondela poderia empatar o jogo e colocar-nos numa situação complicada. Pareceu-me portanto que depois desta fase inicial muito aberta, o Benfica apostou em controlar mais  ritmo de jogo, e começou por fazê-lo com uma pequena alteração táctica, desviando o Gonçalo Guedes para a direita e colocando o Pizzi numa posição mais central, o que permitiu o reforço do meio campo. Alguns minutos depois esta opção foi reforçada com a troca do Cervi pelo Samaris - o Pizzi foi para a esquerda e o André Horta adiantou-se um pouco. A verdade é que depois disto o Tondela praticamente deixou de ameaçar seriamente a nossa baliza, e a nossa vitória começou a parecer-me muito mais certa. Em aberto estava ainda a oportunidade para marcar um segundo jogo que decidiria tudo, pois quando o Tondela subia no terreno ficava bastante exposto a contra-ataques. Isso acabou por acontecer mesmo, mas apenas em tempo de compensação, numa jogada individual do André Horta, que aproveitou uma bola recuperada para subir no terreno, ultrapassar três adversários à entrada da área e depois fuzilar a baliza quando ficou em frente ao guarda-redes. Foi um belo trabalho do nosso jovem médio e a forma ideal de se estrear na Liga com a camisola do seu clube do coração.


No Benfica começo por destacar o Fejsa. Continua a ser um gigante no meio campo e às vezes parece estar em todo o lado ao mesmo tempo. São incontáveis as bolas que recupera e o auxílio que presta à nossa defesa. Repito que será muito importante para a nossa época que consiga manter-se afastado das lesões o mais possível. Outro destaque é o Grimaldo. Já não é novidade para ninguém a importância que têm nas acções ofensivas pelo seu flanco, mas hoje pareceu-me francamente melhor no aspecto defensivo. Foram várias as bolas recuperadas e os cortes efectuados, com destaque para aquele desarme no limite quando um avançado do Tondela estava isolado em frente á nossa baliza e se preparava para rematar. O André Horta é outro jogador a merecer menção, e as últimas exibições parecem estar a cimentar o seu lugar na equipa. Comparando-o directamente com o seu antecessor naquela posição, parece-me que em relação ao Renato perdemos capacidade física e poder de choque naquela posição, mas ganhamos no capítulo da qualidade de passe e na técnica individual. Quando estiver mais rotinado e habituado a jogar no Benfica, poderá ser um jogador muito importante para nós. Por último, uma menção para o Lisandro. Tenho imenso respeito pelo Luisão, mas pareceu-me que a nossa defesa melhorou com a entrada dele. O Mitroglou continua a parecer-me ainda muito enferrujado.

Foi preciso lutar muito pelos três pontos, como julgo que será a norma durante toda a época. Somos tricampeões e o alvo a abater por todas as equipas, que ambicionam a glória de nos conseguirem bater. O Tondela foi um digníssimo adversário que valorizou a nossa vitória, e que se continuar a jogar desta forma não deverá passar pelas aflições da última época, e vai causar grandes dificuldades também às outras equipas. Mas como tem sido a norma desta nossa equipa, fomos humildes, fomos competentes e soubémos arregaçar as mangas e cumprir a nossa obrigação, mesmo com várias contrariedades - continuamos com diversos jogadores nucleares lesionados, incluindo o nosso melhor marcador. É isto que nos mantém cheios de confiança para a nova época.

segunda-feira, agosto 08, 2016

Hábito

E a nova época começa dando sequência ao hábito de ganhar das anteriores, com o Benfica a conquistar mais um troféu e a reafirmar o estatuto de equipa dominadora do futebol português nos últimos anos. Desta vez até a Supertaça, competição que nos costuma ser avessa, vai a caminho do nosso museu.


Apresentámos, como seria de esperar, um onze muito próximo do da época anterior, com apenas duas das novas contratações de início, André Horta e Cervi, que entraram precisamente para os lugares de dois jogadores que foram transferidos (Renato e Gaitán). A Supertaça começou a ser ganha com uma entrada fortíssima do Benfica no jogo: até à meia hora de jogo, praticamente só deu Benfica, e o golo inaugural, da autoria do Cervi, até era uma vantagem escassa para o domínio do Benfica. Os dois laterais que jogaram, Nélson Semedo e Grimaldo, integram-se muito no ataque e dão uma enorme dinâmica ao nosso jogo - o Nélson Semedo até esteve perto de marcar, acertando no poste. Por outro lado, este balanceamento ofensivo dos laterais tem o potencial para deixar a equipa desequilibrada na defesa caso o adversário recupera a bola e consiga sair rapidamente para o contra-ataque. Se a jogada não é cortada logo à nascença o adversário pode causar sérios problemas, e por isso não me parece que o Luisão seja a opção ideal para jogar quando temos este dois laterais, devido à sua menor velocidade. De qualquer maneira, e apesar do estatuto que tem no balneário, eu considero que a dupla de centrais titular continuará a ser aquela que terminou a época anterior. Voltando ao jogo, na fase final da primeira parte o Braga conseguiu travar o ímpeto ofensivo do Benfica, equilibrar o jogo e dispor de ocasiões para marcar, colocando o Júlio César à prova.


A segunda parte iniciou-se numa toada mais morna, mas aos poucos o Braga foi subindo no terreno e tornado-se cada vez mais perigoso, construindo mais uma série de ocasiões para chegar ao empate. Nesta fase achei que a nossa defesa se revelou demasiado permeável, o que poderá não ser alheio ao facto de estarmos a jogar sem quatro dos jogadores que faziam parte da defesa mais rotinada a época passada (Ederson, André Almeida, Jardel e Eliseu) e foi o Júlio César quem aproveitou para brilhar e ter uma contribuição decisiva para manter o adversário em branco. Outras vezes foi aselhice deles mesmo, como naquele falhanço escandaloso do Rafa num lance algo inadmissível, em que na sequência de um pontapé do guarda-redes adversário ficaram dois jogadores isolados. Na fase em que o Braga estava mesmo por cima no jogo e na minha opinião já justificava o empate, surgiu o inevitável Jonas a dar o golpe decisivo marcando o segundo golo. Iniciou a jogada, deixou a bola no Pizzi e desmarcou-se nas costas da defesa para receber o grande passe deste, e depois finalizar com a calma imperial e a classe que lhe reconhecemos. É a diferença que faz a qualidade individual dos nossos jogadores. Com este segundo golo a aparecer a um quarto de hora do final, o jogo ficou praticamente decidido e fechou mesmo da melhor maneira possível, com um grande golo do Pizzi já em período de descontos. Depois de uma iniciativa individual do Salvio que deixou o Jiménez isolado em frente ao guarda-redes, o mexicano permitiu a defesa mas a bola sobrou para o Pizzi, que com classe fez a bola passar por cima de toda a gente e acabar no fundo da baliza (apesar da azia do comentador da TVI, que resolveu dizer que o azar foi que o defesa que estava em cima da linha de golo era um dos 'baixinhos').


Com este golo e a assistência para o que marcou o Jonas, o Pizzi é um dos jogadores em destaque. Outro dos destaques foi o Júlio César que mostrou estar de regresso para discutir a titularidade com o Ederson. Gostei muito do Grimaldo, mas conforme disse, é preciso ter em atenção o aspecto defensivo do jogo - algo que também se aplica ao Nélson Semedo. Gostei do André Horta, sobretudo na primeira fase do jogo. Depois foi-se apagando e agarrou-se mais à bola. O Cervi confirmou os bons pormenores da pré-época e aquele lado esquerdo com ele e com o Grimaldo pode tornar-se um caso sério. O Jonas ainda não está no ponto ideal mas mostrou o instinto de matador e voltará a ser um dos pilares da equipa, tal como o Fejsa. Já o Mitroglou pareceu-me estar mais ou menos como começou a época passada, ainda algo preso de movimentos.

O resultado final até pode ser um pouco enganador, já que quem não viu o jogo poderá pensar que foi uma tarefa fácil conquistar esta sexta Supertaça. A vitória do Benfica é indiscutível, embora o Braga tenha conseguido dar uma boa réplica e feito o suficiente para justificar um resultado menos dilatado. Mas saber aproveitar as oportunidades criadas é também um indicador de qualidade, e nisso fomos largamente superiores.

domingo, maio 22, 2016

Consagração

O jogo que permitiu ao Benfica conquistar a sua sétima Taça da Liga em nove edições e vincar ainda mais o seu domínio incontestável nesta competição - que, precisamente por via deste domínio, continua a 'não ter interesse' para os outros - serviu também como uma nova consagração da equipa que com todo o mérito se sagrou tricampeã nacional.


Num jogo em que o Benfica se apresentou com algumas alterações no onze - Luisão, Grimaldo e Samaris foram titulares, deixando de fora Lindelöf, Eliseu e Fejsa - o Marítimo teve uma entrada muito forte, que permitiu desde logo verificar a falta de ritmo do Luisão e a enorme qualidade do Ederson na nossa baliza. Mas depois de uns primeiros cinco minutos complicados, o Gaitán pegou na batuta e assim que o Benfica se chagou à frente, num ápice deixou o jogo praticamente resolvido. Três golos na primeira parte, da autoria da nossa dupla de avançados, com o Jonas a abrir o activo e o Mitroglou a somar dois golos, poucas dúvidas deixaram sobre o vencedor do jogo. A nossa ala esquerda funcionou muito bem, com o Gaitán a abrir o livro e a ser muito bem acompanhado pelo Grimaldo, e fez do lado direito da defesa do Marítimo uma verdadeira auto-estrada. O Marítimo nunca baixou os braços, jogou olhos nos olhos com o Benfica e pagou por isso, mas mesmo a fechar a primeira parte ainda conseguiu marcar um golo, aproveitando uma má saída do Ederson, que lhes deixava uma réstia de esperança para a segunda parte. Por isso mesmo o Marítimo voltou a entrar decidido, em busca do golo que relançasse a partida, mas foi perdendo ímpeto e tudo ficou definitivamente resolvido com o grande golo do Gaitán, a treze minutos do final, numa jogada bem iniciada pelo Talisca que ainda passou pelo Jonas. O Gaitán foi substituído imediatamente a seguir a este golo e saiu em lágrimas do campo, porque terá sido este o último jogo que fez com a nossa camisola. Parece-me por isso muito apropriado que o último toque que ele deu numa bola com a camisola do Benfica vestida tenha sido para marcar este golo. O Marítimo ainda reduziu de penálti, mas já nos instantes finais o Benfica marcou por duas vezes de rajada e construiu um resultado bastante expressivo. Primeiro marcou o Jardel, de cabeça após livre do Pizzi, e depois o Jiménez, de penálti, que ele próprio tinha conseguido.

Um jogo enorme do Gaitán para se despedir de todos nós, e da parte que me toca digo que estou já com saudades. Foi um privilégio vê-lo jogar cá durante seis anos, e apesar de saber que um jogador com o talento dele estava destinado a deixar-nos mais cedo ou mais tarde, à medida que os anos passavam e ele ia ficando cada vez mais alimentava a esperança que ele fizesse o resto da carreira por cá, até pela sua personalidade, pouco típica para um jogador de futebol. O Grimaldo deixou muito boa imagem, a mostrar que é um candidato à titularidade. Ederson (apesar da falha no primeiro golo do Marítimo), Pizzi, Jonas e Mitroglou em bom nível, e o Renato Sanches também um pouco melhor do que naqueles pouco conseguidos jogos da fase final da época. O Talisca entoru bem no jogo. Luisão e Samaris foram os que estiveram menos bem.

E em ambiente de grande festa se fechou uma época que à partida quase todos esperavam que fosse para esquecer, mas que acabou por ser memorável. Acabámos por conquistar um tricampeonato que nos fugia há quase quarenta anos, manter o título da Taça da Liga, e ter uma presença mais do que condigna na Champions League. Isto enquanto vimos fortalecer-se a unidade entre clube e adeptos, e um espírito de equipa como há muito não via. Agora resta-me aturar a sempre insuportável silly season e ver quantos dos nossos jogadores serão vendidos duas ou três vezes cada. Para a próxima época teremos como motivação extra a possibilidade de um inédito tetra.

segunda-feira, maio 16, 2016

(Tri)nta e Cinco

Ponto final na Liga, somos tricampeões como todos desejávamos e se calhar muito poucos acreditávamos na altura em que se deu o pontapé de saída para esta competição.


Sobre o jogo de hoje, pouco vou escrever. A qualidade do futebol jogado pouco importa, o que interessava mesmo era o resultado e as consequências dele. Ganhámos com toda a naturalidade, fizemos um jogo pouco exuberante mas tranquilo, a nossa superioridade foi sempre evidente e nunca deu sequer para ficarmos preocupados com a possibilidade do campeonato nos fugir por entre os dedos. Dois golos em cada metade, na primeira pelo Gaitán e pelo Jonas, e na segunda novamente pelo Gaitán e com o Pizzi a fechar com o golo mais bonito da tarde. Em período de descontos o Nacional conseguiu o seu golo de honra. Menção ainda para a oportunidade dada ao Paulo Lopes de se sagrar campeão nacional, compensando em parte a dor que tinha sentido no jogo final da época passada. E assim conquistámos o nosso sexto tricampeonato - o primeiro de que tenho memória, já que no anterior tinha apenas quatro anos (de qualquer maneira, seguramente já seria benfiquista). O jogador em maior destaque foi o Gaitán, que marcou dois golos e fez o passe para mais um, sendo bem acompanhado pelo Jonas. No final elegeram o público que lotou a Luz como homem do jogo, mas infelizmente ainda estou à espera do meu relógio Sector.

Esta foi uma vitória do Benfica como um todo, da união que nos guiou a todos até ao objectivo final. Mas é, e muito, uma vitória do treinador Rui Vitória. Porque não teve apenas que construir uma equipa para conquistar vitórias dentro do campo. Antes disso teve que vencer uma batalha muito mais difícil, que foi conquistar-nos a nós, adeptos, e consequentemente ao Benfica. Foi preciso vencer a desconfiança com que a grande maioria de nós o recebeu. Conseguiu-o com trabalho, com crença nas suas capacidades, e com uma postura quase sempre louvável. E essa foi a sua primeira grande vitória. A partir desse momento, o trabalho que se seguiu ficou mais facilitado. Por algum motivo o lema para esta época sempre foi, desde o seu início, 'Juntos'. Porque sempre que estamos assim somos quase imparáveis. Este campeonato é, também, uma vitória do presidente Luis Filipe Vieira. Goste-se ou não dele, ele manteve uma fé inabalável nas suas convicções. A escolha do Rui Vitória foi uma aposta pessoal dele, tal como o foi a 'mudança de paradigma' do nosso futebol, algo que só muito dificilmente poderia ter sido conseguido com a manutenção da anterior equipa técnica, não querendo colocar de forma alguma em causa a sua competência - a oposição que tivemos até ao último jogo por parte de um adversário que tradicionalmente 'nem conta para o totobola', como se costuma dizer, é prova evidente dela. Foi uma aposta de grande risco mudar algo que tinha tido sucesso recentemente, mas a aposta compensou. E provou que, ao contrário daquilo que muitos acreditavam ou queriam mesmo que fosse verdade, a 'estrutura' existe mesmo, e não começava e acabava no anterior treinador. E já agora, nesta que foi a quarta época do mandato da actual direcção, um pequeno balanço: alguém ainda se lembra do que foi dito há quatro anos atrás, quando foi anunciado o objectivo 3+1+50? Ainda há quem continue a contar?

Somos campeões com todo o mérito, apesar da cacofonia patética daqueles que insistem em falar de 'injustiça' enquanto se auto-atribuem o título de melhor equipa. É estranho que a 'melhor equipa' não tenha conseguido conquistar o título contra uma equipa que durante a época enfrentou lesões complicadas e prolongadas em muitas das suas principais figuras, e que por isso foi obrigada a recorrer a jogadores da equipa B como o Ederson, o Nélson Semedo, o Lindelöf, o Gonçalo Guedes, o Nuno Santos, o Clésio, o Victor Andrade ou o Renato Sanches, tendo alguns desses jogadores acabado por se afirmar como figuras na conquista do título. Parece-me que quem consegue não abanar e perder consistência mesmo com estas constantes contrariedades é que representa bastante bem o conceito de 'equipa'. É estranho que uma equipa que não é a melhor tenha acabado a época com mais vitórias, com a melhor diferença de golos, fruto do melhor ataque, com o melhor marcador do campeonato, que foi também o melhor jogador, e ainda com o jogador revelação, alvo da mais vergonhosa e rasteira campanha de ataques que alguma vez aconteceu no futebol português. E como se isso não bastasse, ainda fomos conquistar o primeiro lugar, para não mais o largar, a casa da 'melhor equipa', bem nas barbas dos ordinários que constantemente nos atacaram de forma vil. 'Melhor equipa'? Pois, em títulos auto-atribuídos acredita quem os auto-atribui e mais ninguém. Tem tanto crédito como o de 'maior potência desportiva' - já agora, apesar de não estarmos constantemente a repetir uma mentira desse calibre a ver se acreditam, hoje até juntámos mais um título europeu de hóquei em patins à nossa colecção (e ontem, mais um campeonato nacional) porque o Benfica é mais, muito mais do que só futebol. Somos enormes em tudo. E por falar em ataques, a gratidão cai sempre bem e por isso agradeço também a quota-parte de responsabilidade deste título ao quarteto fantástico: Mitómano, Carinhas, Pirata e Gollum (houve outros personagens menores que contribuíram, mas estes quatro foram as principais figuras). Os ataques incessantes, os desrespeitos, as faltas de educação, só nos uniram ainda mais. A estratégia pacóvia da guerrilha sem qualquer nível falhou a toda a prova. Cada atoarda debitada na televisão, no Facebook ou nos jornais, uniu mais o plantel e os adeptos, motivou mais a equipa e deu-nos mais ânimo para derrotar aquela pandilha, sendo o exemplo perfeito o 'clique' que ocorreu depois daquela vergonhosa falta de respeito que o Carinhas teve pelo Rui Vitória. Por isso continuem por essa via, que nós agradecemos. Continuem a rastejar pela lama e a motivar-nos, que só os acompanha quem quer. E nós dispensamos companhias rastejantes - a águia voa sempre mais alto.

Somos campeões porque trabalhámos mais, porque acreditámos mais, porque quando as coisas nos começaram a correr bem a soberba nunca fez parte do nosso trabalho do dia-a-dia. E acima de tudo, somos campeões porque em Agosto, quando soou o apito inicial deste campeonato, o Bicampeão Nacional era o Sport Lisboa e Benfica e não um cérebro qualquer. E isto serve de lição para mim, que nessa altura também andava meio esquecido disso.

segunda-feira, maio 09, 2016

Um

Num jogo em que tivemos que ultrapassar dificuldades acrescidas, acabámos por voltar a dar a melhor resposta, e vencemos mais uma das finais que nos separam da vitória final.Não foi fácil, como não tem sido nenhuma das vitórias que temos conquistado nos últimos tempos. Mas apesar da contrariedade de nos vermos reduzidos a dez elementos ainda com o resultado em branco e muito tempo para jogar (lá continuam a teimar em dar cabo das estatísticas ao javali) este jogo até acabou por ser consideravelmente mais tranquilo do que os últimos, e os números da nossa vitória até acabam por ser escassos para a superioridade que mostrámos em campo.


Onze inicial sem qualquer surpresa, onde o Carcela ocupou a vaga do Gaitán. O início de jogo foi, um pouco a exemplo do que tem acontecido mais recentemente, morno. Até demasiadamente morno para o nosso gosto, com o Benfica a não parecer ter grande pressa em ir à procura do golo. O Marítimo, ao contrário daquilo que têm feito os nossos últimos adversários, apesar de apostar numa táctica defensiva não entrou a apostar em estratégias sujas de anti-jogo, mas o Benfica jogava a um ritmo demasiado pausado conseguir desorganizar a defesa adversária. Durante quase metade do primeiro tempo, praticamente não se viu um remate ou mesmo uma jogada particularmente perigosa da nossa parte. Só a partir dos vinte e cinco minutos é que o Benfica, de repente, acelerou e começou a ameaçar seriamente a baliza do Marítimo, em particular pelo Jonas, que numa iniciativa individual atirou uma bola ao ferro, e pouco depois viu o guarda-redes Salin negar-lhe o golo com uma grande defesa a um cabeceamento seu. Agora sim, o Benfica estava completamente por cima no jogo e instalava-se definitivamente no meio campo adversário, parecendo que o golo seria apenas uma questão de pouco tempo até acontecer. Mas aos trinta e sete minutos sofremos um duro golpe, quando o Renato Sanches cometeu uma falta perfeitamente desnecessária que lhe valeu o segundo amarelo e consequente expulsão - tinha visto o primeiro quando o árbitro considerou que tinha simulado uma grande penalidade. Independentemente da justeza ou não desse primeiro amarelo, sabendo que o tinha não poderia ter sido imprudente ao ponto de fazer aquela segunda falta. Esta expulsão fez obviamente o Benfica abanar e interrompeu o período de maior fulgor do Benfica, que só em cima do intervalo voltou a ter uma ocasião de algum perigo, quando o Mitroglou rematou um pouco ao lado da baliza.


Com a expulsão o Benfica reorganizou-se deslocando o Pizzi mais para o centro e recuando o Jonas, que fazia a ligação entre o meio campo e o ataque, mas acabava por aparecer mais vezes a jogar como um verdadeiro médio do que como avançado. Abdicámos muito do jogo pelas alas, que ficaram praticamente entregues aos nossos laterais, mas achei que o nosso jogo até melhorou com este novo desenho táctico. Verdade seja dita que o Renato Sanches estava mais uma vez a ter um jogo pouco conseguido, e com esta forma de jogar passámos a ter uma presença mais forte no centro do campo, onde até então o Marítimo pareceu quase sempre ter superioridade numérica. E quando marcámos logo no início da segunda parte, senti que só muito dificilmente deixaríamos fugir a vitória. O golo surgiu num corte defeituoso de um jogador do Marítimo, que na tentativa de desarmar o André almeida acabou por colocar a bola nos pés do Mitroglou. Já no interior da área, e em frente ao guarda-redes, o grego finalizou de primeira com toda a frieza. Com vantagem no marcador, controlámos o jogo com aparente facilidade, pois nunca o Marítimo conseguiu ameaçar a nossa baliza ou mostrou capacidade para fazer perigar a nossa vitória. Aliás, a forma solidária como a equipa jogou fez com que nem se notasse que estávamos em inferioridade numérica. Conforme escrevi no início, o resultado final até peca por escasso, porque o Benfica poderia ter chegado ao golo da tranquilidade bem antes - incrível a forma como o Pizzi conseguiu acertar no guarda-redes quando este já estava no chão, após defesa a um grande remate do Jonas. O nosso treinador esteve muito bem nas substituições, e todos os jogadores que entraram (Talisca, Samaris e Jiménez) fizeram-no bem e acrescentaram qualidade ao nosso jogo. A oito minutos dos noventa (e não do final do jogo, porque houve dez minutos de tempo acrescentado) o Talisca arrumou de vez com a questão, num livre directo a punir uma falta sobre o Samaris, e antes do final ainda houve tempo para enviar nova bola aos ferros da baliza, desta vez pelo Jiménez.


Para mim os destaques individuais continuam a ser os do costume nestas últimas semanas - ainda que o destaque maior seja mesmo a equipa num todo. Só uma equipa muito solidária pode fazer das fraquezas forças e conseguir jogar ainda melhor em inferioridade numérica, com essa mesma inferioridade a passar quase despercebida. Fejsa mais uma vez a ser um monstro no nosso meio campo, sendo isto ainda mais evidente perante o apagamento do Renato Sanches. O Lindelöf é um pêndulo no centro da defesa que raramente comete um erro. O Jonas fez um belíssimo jogo, em que trabalhou imenso e só lhe ficou a faltar um golo, que bem fez por merecer. O Pizzi subiu de produção quando passou para terrenos mais interiores, e o Samaris entrou muito bem no jogo.

E agora falta um. Jogo a jogo, final a final, temos vindo a dar os passos necessários para nos levar ao objectivo final, o do tricampeonato. Mas falta mesmo esse um. Nada está ganho, e não podemos entrar em euforias antes de tempo. Mas tendo em conta a mentalidade desta nossa equipa, a união que exibem e a seriedade com que abordam cada jogo, cada adversário, cada passo desta longa caminhada, não tenho especial receio que isso aconteça. No próximo fim-de-semana vamos encher a Luz, e tentar ajudar a nossa equipa a dar esse passo que ainda falta.

segunda-feira, maio 02, 2016

Cumprido

Em mais um jogo de duas partes muito distintas, o Benfica conseguiu dar a volta a um resultado negativo e carimbar mais uma presença na final da Taça da Liga - em nove edições da prova, esta será a nossa sétima final.


Houve naturalmente grandes mudanças no onze: Sílvio, Luisão, Grimaldo, Samaris, Salvio, Carcela, Talisca e Jiménez foram titulares. Da equipa habitual, mantiveram-se apenas três jogadores: Ederson, Lindelöf e Renato Sanches. A nossa primeira parte foi bastante fraca, jogada com pouca velocidade e na qual tivemos grandes dificuldades para ultrapassar a defensiva do Braga - recordo-me apenas de um par de boas ocasiões, num cabeceamento do Salvio e num remate do Jiménez. O Braga colocou-se em vantagem com um grande golo do Rafa, um remate em arco colocadíssimo de fora da área que levou a bola a embater no poste antes de entrar, e durante toda a primeira parte o Benfica não mostrou futebol suficiente para acreditarmos que seria possível inverter o resultado: pouco jogo pelas alas, falta de imaginação pelo meio, passes falhados em barda e toda a equipa demasiado estática. Para a segunda parte regressou o Jonas no lugar do Renato Sanches, e o nosso futebol melhorou significativamente. Logo durante os primeiro minutos revelámo-nos muito mais perigosos do que tínhamos sido durante toda a primeira parte, e quando o empate surgiu a fechar o primeiro quarto de hora, não surpreendeu. Grande passe do Carcela, na direita, para a entrada do Jonas no espaço entre os centrais, que depois marcou com facilidade em frente ao guarda-redes. Continuou o Benfica melhor e a carregar, chegando ao segundo golo a vinte minutos do final. Depois de uma bola metida para as costas da defesa do Braga, o Jiménez aproveitou um erro grosseiro do guarda-redes do Braga, que saiu da baliza e não acertou na bola quando tentava aliviar com pé, e marcou de baliza aberta. Nos minutos finais do jogo o Braga ainda subiu um pouco no terreno e foi à procura do golo do empate, mas nunca chegou a obrigar o Ederson a muito trabalho.

Dos menos habituais titulares, o Grimaldo e o Carcela deixaram boas indicações. O Sílvio e o Luisão também não estiveram mal, tendo em conta há quanto tempo não jogavam. O Lindelöf voltou a mostrar que neste momento é o central em melhor forma no Benfica. O Salvio teve uma primeira parte muito má e mostra estar ainda muito longe da forma ideal. Na segunda parte até estava bem melhor nos primeiros minutos, mas acabou substituído. O Renato Sanches voltou a fazer um jogo muito abaixo do exigível, e a equipa ganhou com a sua saída ao intervalo.

Todos os objectivos foram cumpridos neste jogo: qualificação para a final e rotação da equipa, permitindo o descanso da maior parte dos habituais titulares. Agora vamos centrar atenções e energias em vencer mais uma dura batalha que se nos vai apresentar no próximo domingo. O caminho para o tricampeonato passa pela Madeira.