domingo, setembro 24, 2017

Safanão

Uma vitória tranquilíssima e sem espinhas para dar um safanão na recente sequência de maus resultados. Só foi pena não termos também aproveitado para conseguirmos uma injecção extra de confiança com uma goleada, que face ao volume de ocasiões criadas neste jogo poderia perfeitamente ter acontecido.


As principais notas de destaque no onze foram os regressos do Fejsa e do Cervi à titularidade, e a manutenção do Júlio César na baliza. Algo surpreendente foi o Rúben Dias ter-se mantido no onze, formando dupla com o Luisão, tendo o Jardel saído dos convocados. Surpreendente apenas por uma questão de estatuto, porque o nosso jovem central tem dado boa conta de si e não tem sido por ele que a defesa treme. O Benfica mostrou grande vontade de colocar um ponto final nos maus resultados. Logo desde o apito inicial lançámo-nos no ataque à baliza do Paços, tirando o melhor partido do bom jogo dos nossos extremos, Cervi e Zivkovic, bastante apoiados pelos dois laterais, que se revelaram hoje muito ofensivos. A primeira grande oportunidade de golo surgiu logo aos quatro minutos, com o Jonas a cabecear à figura do guarda-redes depois de um centro milimétrico do Cervi o ter deixado numa posição privilegiada. E esse foi o mote para mais de vinte minutos de pressão quase asfixiante do Benfica, período durante o qual vimos as oportunidades a acumularem-se, incluindo duas bolas a embater no poste da baliza ou remates que acabavam por desviar na floresta de pernas que o nosso adversário acumulava em frente à baliza. A presença do Fejsa no onze permite logo à equipa jogar vários metros mais à frente, porque o raio de acção e de influência dele não tem comparação com o de qualquer outro jogador que tenhamos no plantel para aquela posição. Apesar de ser ele quem caía para o meio dos centrais na saída de bola, vimo-lo frequentemente a recuperar bolas bem dentro do meio campo adversário, o que ajudou a manter constante a pressão sobre a área adversária. Este ímpeto atacante foi finalmente recompensado aos vinte minutos com um bonito golo do Cervi. O Zivkovic entrou pela direita e fez o passe rasteiro e atrasado para a entrada da área, onde surgiu o argentino a rematar de primeira sem dar qualquer possibilidade de defesa. Depois de obtida a vantagem, e sobretudo no quarto de hora final da primeira parte o Benfica baixou o ritmo do jogo. Isto foi algo que nos causou dissabores nos últimos jogos, mas ao contrário do que se passou nessas ocasiões, desta vez o Benfica não cedeu o controlo do jogo. O Paços de Ferreira foi completamente inofensivo no ataque, e o Júlio César não foi obrigado a uma única defesa digna desse nome.



De qualquer forma os últimos maus resultados, que ainda por cima ocorreram sempre depois do Benfica se colocar em vantagem, serviam de aviso e era portanto prudente procurar um segundo golo que tranquilizasse quer a equipa, quer os adeptos. Mal a segunda parte começou o Paços até conseguiu conquistar o seu primeiro canto na partida, mas isso foi mesmo uma excepção, porque depressa se verificou que o Benfica continuava completamente no controlo do jogo. Ainda que sem a intensidade mostrada na entrada da primeira parte, o Benfica ia pacientemente procurando esse segundo golo, que era cada vez mais previsível face à frequência com que a bola continuava a aparecer em zonas de finalização. O golo acabou por surgir na sequência de uma bola parada, pouco depois da hora de jogo. Canto na esquerda do nosso ataque marcado pelo Pizzi, desvio de cabeça do Seferovic ao primeiro poste, e a bola a ir ter com o Jonas que, quase em cima da linha de golo, à segunda e de forma algo atabalhoada lá fez a bola viajar para o fundo da baliza. Uma vez mais a seguir ao golo o Benfica baixou a intensidade do seu futebol, mas manteve-se bastante confortável no jogo, sem deixar que o Paços criasse sequer uma ocasião de perigo. E à medida que o jogo foi caminhando para o final, já com o Jiménez em campo por troca com o Seferovic e dando ainda mais uns minutos de jogo ao Krovinovic e ao Diogo Gonçalves, mesmo a jogar num ritmo muito mais pausado ainda ia conseguindo criar ocasiões de golo, algumas delas bastante flagrantes. O Jiménez desperdiçou mesmo uma situação em que ficou isolado perante o guarda-redes (e a recarga do Diogo Gonçalves foi cortada em cima da linha de golo por um defesa, para depois mais uma recarga do Zivkovic seguir para as mãos do guarda-redes), mas o Zivkovic, o Krovinovic e o Pizzi também dispuseram de excelentes ocasiões para marcar. No final fica uma exibição bastante segura do Benfica e uma vitória justíssima, que poderia ter acontecido por uma margem mais dilatada.


Neste jogo destaco três jogadores: o Fejsa, o Zivkovic e o Cervi. Sobre o Fejsa já não há muito a dizer. A influência dele no jogo e no posicionamento da equipa, e consequentemente até no próprio desempenho dos colegas é por demais evidente. Não creio que seja exagerado dizer que há um Benfica com ele em campo e outro sem ele. Quanto aos dois extremos, passou muito por eles a dinâmica ofensiva apresentada neste jogo. Na minha opinião, já há bastante tempo que considero que o lado esquerdo constituído pelo Grimaldo e o Cervi é o mais forte que podemos apresentar. Os dois jogadores complementam-se muito bem, às vezes parece que jogam de olhos fechados um com o outro, e por isso mesmo sinto sempre uma certa irritação quando a escolha para actuar à frente do Grimaldo é outra (mesmo gostando muito do Zivkovic, mas acho-o bastante melhor na direita). A boa exibição do Cervi foi coroada com um grande golo e espero que isso sirva para mantê-lo na equipa. O Zivkovic mostrou a qualidade técnica que sabemos que tem e uma excelente atitude durante todo o jogo - ainda que, sobretudo na segunda parte, tenha exagerado no individualismo num ou noutro lance. E depois de dois jogos em que fez as assistências para os golos que nos colocaram em vantagem, para depois acabarmos por perder esses jogos, desta vez pode ficar com a satisfação de isso não ter acontecido.

Foi um bom regresso a exibições mais consistentes em vésperas de dois jogos muito importantes. Na Suíça estará em jogo a possibilidade de nos mantermos na luta pelo apuramento para a próxima fase da Champions, e logo a seguir espera-nos uma das deslocações mais complicadas do campeonato, a um terreno onde perdemos a época passada e para defrontar um Marítimo num excelente momento, que o coloca mesmo acima de nós na classificação. Que este jogo tenha servido para devolver a confiança à nossa equipa, porque a falta dela parece-me ter sido um dos principais factores responsáveis pelos últimos maus resultados.

quinta-feira, setembro 21, 2017

Remake

Muitas alterações esta noite, mas infelizmente quase o mesmo resultado dos últimos jogos. Apesar de se notar vontade em alguns jogadores, a qualidade da exibição voltou a deixar a desejar e a vitória voltou a fugir-nos, no remake de um filme a que temos assistido ultimamente.




Para além das muitas trocas no onze inicial, uma alteração táctica: talvez pela primeira vez desde que o Rui Vitória é o nosso treinador, a equipa alinhou numa disposição táctica mais próxima do 4-3-3, com um trio do meio campo formado por Samaris, Filipe Augusto e Krovinovic, e um ataque com Rafa, Jiménez e Gabriel Barbosa, este último a jogar sobre a direita. Na defesa regressaram o Jardel e o eliseu por troca com o Luisão e o Grimaldo, e a baliza ficou entregue ao Júlio César. O filme do jogo não foi muito diferente daquilo que tem acontecido nos últimos tempos. O Benfica nem entrou mal, e chegou relativamente cedo à vantagem, na sequência de um livre lateral, sobre a direita do nosso ataque. A bola foi ter com a cabeça do Jardel no poste mais distante, que a enviou para o centro e o alívio da defesa do Braga fê-la cair à entrada da área, onde o Jiménez rematou de primeira para o golo. Só que depois do golo, mais uma vez, ficou-se com a sensação de que a equipa se foi encostando ao resultado e revelou no geral alguma passividade. O Braga foi subindo no terreno e entretanto devem ter reparado que uma boa táctica era simplesmente deixarem-se cair de cada vez que disputavam uma bola com um jogador do Benfica, porque a certa altura fomos submetidos a uma autêntica barragem de livres perigosos nas imediações da nossa área. Mas a verdade é que em jogo jogado o Braga passou a ter mais bola, e embora o Benfica ainda conseguisse esporadicamente criar perigo junto da baliza adversária, parecia ser mais provável o golo do empate - a melhor ocasião para isso acontecer, no entanto, surgiu num lance que me pareceu claramente irregular, por fora-de-jogo de dois jogadores do Braga após (mais) um livre, mas incrivelmente o lance não foi interrompido.



Na segunda parte pouco mudou. O jogo pareceu-me ficar progressivamente mais partido e comecei a temer a repetição dos últimos jogos, até porque não estávamos a criar grandes ocasiões para marcar o golo da tranquilidade - apenas me recordo de uma boa ocasião, que foi interrompida devido a um fora-de-jogo (mal) assinalado ao Gabriel Barbosa. E o golo do empate inevitavelmente apareceu. Com tantos livres e cantos ao longo do jogo até seria de estranhar que não acabássemos por cometer um erro, e foi isso mesmo que aconteceu. No seguimento de um canto, de alguma forma conseguimos deixar que um dos centrais adversários aparecesse completamente à vontade para cabecear quase à entrada da pequena área - uma incompreensível falha de marcação que nos saiu bem cara. Depois do empate, foi o habitual correr atrás do resultado. Foi necessário lançar o Jonas e o Pizzi, e nos minutos até final o Benfica conseguiu atacar mais e ser mais perigoso do que em todo o tempo decorrido entre o nosso golo e o golo do empate. Infelizmente a inspiração na altura de finalizar não foi muita - o Zivkovic, por exemplo, tem um par de situações em que tem espaço e tempo na esquerda e os passes saem-lhe horrivelmente maus, e mesmo sobre o final, quando isso não aconteceu, foi uma enorme defesa do guarda-redes do Braga a negar um grande golo ao Jonas.

Com este empate desperdiçámos a oportunidade para nos colocarmos já em vantagem sobre aquele que deverá ser o nosso principal adversário no apuramento para a fase seguinte desta competição. É o terceiro mau resultado seguido, e o quarto jogo que não ganhamos nos últimos cinco (e o que ganhámos foi com extrema dificuldade). O mau momento é uma realidade e urge dar a volta a esta situação o quanto antes, sob pena de ficarmos desde já irremediavelmente afastados dos principais objectivos para esta época. E para isso é necessário jogarmos muito mais e uma atitude competitiva diferente. Custa compreender que, nos últimos três jogos, tendo estado sempre em vantagem, tenha parecido que nos deixámos sempre adormecer à sombra dessa mesma vantagem e tenhamos acabado por permitir a recuperação aos nossos adversários.

sábado, setembro 16, 2017

Miserável

De regresso de férias voltei a ver um jogo do Benfica, e mais valia não o ter feito. Uma exibição simplesmente miserável perante uma equipa que eu considero ser das piores do nosso campeonato, e uma consequente inaceitável derrota. 


Nem sequer conseguimos tirar partido de um golo madrugador que nos colocou em vantagem logo aos sete minutos de jogo para conquistar os três pontos que eram uma exigência absoluta. Agora que o jogo terminou até pode ser difícil de acreditar nisto, mas garanto que quando saímos para intervalo, face ao que tinha visto durante a primeira parte, disse para mim mesmo que seria muito difícil vencermos o jogo e que o mais provável seria mesmo uma derrota. Não é que a primeira parte tivesse sido um desastre absoluto (isso estava reservado para a segunda), porque até criámos mais uma ou outra ocasião para marcar, enquanto que o Boavista foi inofensivo. Mas com o resultado a manter-se na diferença mínima, e dada a insegurança da nossa defesa (hoje com a novidade do Rúben Dias no lugar do Lisandro) nos últimos jogos, as perspectivas não eram as melhores. E uma segunda parte simplesmente desastrosa confirmou isso mesmo. Neste momento uma equipa que jogue contra nós necessita de três ou quatro situações para nos marcar dois golos, e assim que o Boavista chegou ao empate tudo começou a ruir. O empate surge num lance digno de futebol dos distritais, em que uma molhada de jogadores do Benfica, a defender um lançamento de linha lateral, se comporta como se fossem os Keystone Cops (há sempre o Google para quem não perceber a referência) e é incapaz de afastar a bola, ficando depois a assistir enquanto um jogador adversário passa a direito pelo meio de todos eles e remata cruzado para o golo. 

Depois disto o Benfica apenas criou real perigo numa ocasião, através de um remate do Jonas. E se o primeiro golo sofrido já tinha sido ridículo, o que dizer do segundo? Um livre directo marcado a uma boa distância da baliza, com a bola a seguir direita às mãos do Varela, que de alguma forma consegue colocá-las de forma a que a bola batesse nelas e seguisse para dentro da baliza. Um frango daqueles que vai figurar em todas as compilações de lances anedóticos que se fazem no final das épocas. A partir daqui então foi o desnorte total, que aparentemente afectou também o banco. O Pizzi anda em sub-rendimento desde que se lesionou, e com isso sofre a equipa e a sua capacidade para construir lances de perigo. Em desvantagem, o nosso treinador teve a reacção de pânico habitual nestas situações em que se começa a lançar avançados para dentro do campo. O problema é que não basta tê-los lá; é necessário servi-los em condições. E certamente que retirar do campo um dos criativos da equipa (Zivkovic) não ajudará em nada a alcançar esse objectivo - para mim esta opção, embora já a antecipasse, foi muito difícil de aceitar. O que eu vi foram praticamente zero ocasiões de golo criadas desde que o Boavista se colocou em vantagem, porque passámos a jogar aos repelões e quase sem explorar as alas (o Grimaldo era o único que ainda ia fazendo um esforço, porque até o Rafa, que ao início até estava a conseguir furar pela direita, agora aparecia o quase sempre no meio). Perdemos, naturalmente, e desconfio que se neste momento o jogo ainda não tivesse acabado ainda por lá andaríamos sem sucesso a tentar marcar um golo.

De uma forma objectiva: perdemos, durante o defeso, três jogadores de altíssimo nível. O Ederson concedo sem discussão que é insubstituível, mas se era impossível arranjar de imediato um guarda-redes do mesmo nível, impunha-se pelo menos encontrar uma opção que nos garantisse mais tranqulidade, sobretudo se o Júlio César não está em boas condições. Já na defesa, e como o afirmei na altura, parece-me que o Jardel e o André Almeida, obviamente não sendo a mesma coisa, conseguem pelo menos no imediato fazer as posições sem demasiados sobressaltos. O problema é que depois não há mais opções. Ainda por cima se ficamos sem o Fejsa, que quando joga vai tapando buracos e disfarçando algumas lacunas na defesa. O Filipe Augusto, lamento ter que estar a reafirmá-lo, não é para mim uma opção válida ao Fejsa (para mim nem teria lugar no plantel, e vou continuar a dizer que para isto preferia o Pêpê que foi emprestado ao Estoril). Não me parece que seja coincidência que assim que o Fejsa e o Jardel se lesionaram (situação agravada por uma lesão do Pizzi da qual ele parece ter regressado a jogar a um nível manifestamente inferior ao que apresentou no arranque da época) o rendimento da equipa tenha caído a pique. 

A equipa de futebol do Benfica atravessa nesta altura, no que diz respeito à qualidade de jogo, uma situação que me parece apenas comparável à que vimos no arranque da era Rui Vitória (este resultado terá equivalência à derrota que na altura sofremos contra o Arouca, com a agravante de não nos podermos sequer tentar justificar com graves erros de arbitragem). Na altura, depois de muito sofrimento, apenas a conseguimos ultrapassar com muita união e foco nos objectivos. É a isto que nós benfiquistas temos que apelar agora.

domingo, agosto 27, 2017

Pobre

O empate acabou por ser um mal menor no final de um jogo pobre da nossa equipa. Valeu a nossa reacção ao golo sofrido, já que só depois de nos termos visto em situação de desvantagem conseguimos subir um pouco a nossa produção ofensiva. O que até poderia ter acabado por nos dar a vitória, mas a verdade é que face ao que jogámos, em especial na primeira parte, se isso acontecesse seria um caso evidente de 'melhor o resultado do que a exibição'.


Uma alteração forçada no onze titular, Rafa por Salvio, não justifica a fraquíssima produção da equipa na primeira parte. Levámos a lição muito mal estudada sobre este adversário, que jogando com uma agressividade muito superior à nossa na disputa das bolas e uma linha de pressão alta pareceu surpreender-nos. Na zona do meio campo então fomos superados em toda a linha, com o Pizzi e o Filipe Augusto completamente perdidos no mar de camisolas do Rio Ave que por ali apareciam - e com o último a fazer-me esquecer as boas indicações que tinha deixado no jogo contra o Belenenses e a deixar-me com saudades do Fejsa (eu não sou fã do brasileiro, já o disse várias vezes, e por isso acrescento ainda que depois do que vi hoje acho que o próprio Pelé seria mais útil no plantel, pelo menos para aquela posição). Com vinte minutos de jogo decorridos eu não tinha ainda visto um único remate da parte do Benfica, e jogadas de ataque poucas mais seriam. Com o Pizzi literalmente asfixiado a melhor hipótese seria o Jonas assumir as funções de criativo, mas até mesmo ele teve uma noite bastante desinspirada e tomou quase sempre as piores opções. Os passes, quando saíam, eram quase sempre tarde e apanhavam os nossos jogadores em posição irregular. Da parte do Rio Ave, não havendo um propriamente um assalto à nossa baliza, via-se muito maior certeza no ataque, com jogadas a envolver vários jogadores, e não fosse a inépcia do avançado deles (Guedes) poderíamos ter-nos visto em desvantagem mais cedo. Ainda na primeira parte tivemos o contratempo da lesão do Jardel, obrigando à entrada do Lisandro. De uma forma resumida, a primeira parte do Benfica foi mais ou menos uma constante falta de espaço e tempo para pensar e jogar devido ao mérito do Rio Ave em asfixiar-nos.



Pior do que a primeira parte era difícil, pelo que assistimos a uma ligeira melhoria na segunda. Conseguimos equilibrar a posse de bola (embora pareça difícil de acreditar, esta era favorável ao Rio Ave na primeira parte) e jogar um pouco mais subidos no terreno, mas era ainda pouco para aquilo que se exigia. O Rio Ave voltou a falhar o golo devido à inépcia do Guedes, que em posição privilegiada cabeceou para fora, mas pouco depois ele acabou por estar envolvido no golo. O Varela largou para a frente uma bola disputada com ele, e apareceu o inevitável Lisandro com a destreza do costume a enviar a bola para dentro da própria baliza. Estávamos a meia hora do final mas confesso que face ao que tinha visto até então pensei que já seria muito difícil evitarmos a derrota. Mas a nossa equipa reagiu ao golo e tornou-se mais perigosa no ataque, tendo ainda a felicidade de chegar ao empate poucos minutos depois, num penálti convertido pelo Jonas, assinalado por falta sobre ele mesmo. Ainda tínhamos metade da segunda parte para tentar chegar à vitória e acabámos por criar ocasiões para isso. Mas nessa altura o Cássio evidenciou-se, conseguindo negar o golo em pelo menos três ocasiões flagrantes, ao Rafa, Seferovic e Jiménez. Mas se é verdade que podemos estar agora a lamentar essas ocasiões perdidas, temos também que lamentar o pobre futebol que apresentámos durante dois terços do jogo devido à incapacidade de contrariar os argumentos que o Rio Ave colocou em campo. Esse foi um dos factores determinantes para estes dois pontos perdidos.


Não tenho grandes destaques a fazer na nossa equipa. A mediocridade a todos afectou e não houve quem possa estar particularmente satisfeito com a sua exibição. Na defesa quando muito o Luisão terá sido quem melhor se safou, e o Zivkovic entrou relativamente bem no jogo, mas não me consigo mesmo lembrar de mais ninguém.

Foram os primeiros pontos perdidos da época, e espero que sirvam de aviso para o resto da mesma. Primeiras partes como aquela a que assistimos hoje  normalmente até têm consequências ainda mais graves. Estivemos irreconhecíveis durante grande parte do jogo e naturalmente pagámos o preço disso.

P.S.- Não escreverei nada sobre os próximos dois jogos que disputaremos. Não é nenhuma medida de protesto; simplesmente estarei ausente e duvido que consiga sequer vê-los.

domingo, agosto 20, 2017

Passeio

Creio que se começar este texto a dizer que a vitória por cinco golos sem resposta frente ao Belenenses foi um resultado que peca por escasso, isso será suficiente para dar uma imagem bastante concreta daquilo que foi a produção ofensiva do Benfica neste jogo. É que para além das cinco bolas que entraram, enviámos quatro bolas aos ferros e tivemos ainda mais uma mão cheia de oportunidades flagrantes que não concretizámos. Foi um passeio do Benfica frente ao Belenenses, que poderia ter acabado com um resultado histórico.


Já o escrevi anteriormente: o onze inicial do Benfica nesta fase inicial da época é bastante fácil de prever, sendo as únicas alterações provocadas por indisponibilidade de algum jogador. Desta vez foi o Fejsa, e também previsivelmente foi o Filipe Augusto quem ocupou a sua vaga. O treinador do nosso adversário tentou durante a semana fazer bluff e andou a dizer que não se apresentaria na Luz a jogar com o esquema táctico de três centrais que tinha utilizado nas jornadas iniciais. Mas acabou por não mudar nada; os três centrais mantiveram-se e qualquer eventual vantagem que pretendesse retirar do bluff esfumou-se rapidamente. É que com pouco mais de um minuto decorrido já festejávamos um golo do Jonas, que aproveitou um livre lateral do Pizzi (resultado de uma recuperação de bola do Salvio em zona adiantada) para fugir à marcação e cabecear sem oposição. E assim começámos logo a eliminar da equação deste jogo o factor antijogo que seria mais do que previsível numa equipa treinada pelo Domingos a jogar na Luz. O golo madrugador talvez fizesse antever uma cavalgada desenfreada do Benfica nos minutos seguintes, mas não foi isso que aconteceu. Esses minutos foram, aliás, o período em que o jogo esteve mais equilibrado, sem muitas ocasiões de golo de parte a parte - o Belenenses até teve aquela que terá sido a sua melhor situação em toda a partida, num remate forte à figura do Varela. Mas a partir dos vinte e cinco minutos o Benfica voltou a acelerar o ritmo e a fazer a bola chegar à frente de forma muito rápida, e a balança ficou definitivamente desequilibrada. O segundo e terceiro golos chegaram rapidamente, separados por cinco minutos, com o primeiro deles a surgir aos vinte e oito num grande remate de fora da área do Salvio, na sequência de um pontapé de canto que só não tinha acabado logo em golo porque o guarda-redes fez uma defesa quase impossível ao cabeceamento do Luisão, tendo depois o Belenenses sido incapaz de afastar a bola das imediações da área até que um toque do Filipe Augusto a deixou nos pés do argentino. O terceiro foi uma jogada do mais simples que podia haver: balão do Luisão para a zona do círculo central, toque de cabeça do Jonas para as costas da defesa e o Seferovic a correr quase meio campo isolado para finalizar com frieza. Ainda antes do intervalo, toda a gente de mãos na cabeça por ver aquele que seria um dos golos da época a fugir por tão pouco: o Jonas recupera a bola no círculo central, levanta a cabeça e remata dali mesmo em balão, fazendo a bola passar sobre o guarda-redes, bater na relva, e ir caprichosamente embater na trave da baliza. Num jogo com cinco golos, o facto deste ser provavelmente o lance de que quase todos falarão e se irão lembrar deste jogo diz muito sobre a qualidade e espectacularidade do mesmo.


Com o jogo resolvido ao intervalo, na segunda parte o Benfica tomou a decisão óbvia de baixar o ritmo do mesmo e privilegiar posses de bola mais prolongadas. O jogo em geral pareceu tornar-se um pouco mais monótono, mas mesmo sem forçar muito, sempre que o talento dos nossos jogadores aparecia as situações de golo eram uma consequência imediata. O Luisão acertou no poste, o Seferovic atirou ao lado depois de um grande passe do Filipe Augusto o deixar isolado, o cruzamento do Cervi saiu demasiado chegado à baliza e depois da bola sobrevoar o guarda-redes foi bater no poste, O Jardel cabeceou ao lado depois de um grande trabalho do Pizzi na direita, e assim por diante. Quando o jogo parecia estar mais monótono, de repente aparecia mais uma ocasião de golo. A meio desta segunda parte trocámos o Seferovic pelo Jiménez, e o mexicano veio animar um pouco mais as coisas no ataque, já que entrou com grande vontade de mostrar serviço. Por esta altura, mesmo com a vantagem confortável no marcador, o resultado já me parecia frustrantemente escasso para tanta ocasião, e o Jiménez continuou a aumentar a contabilidade dos golos por marcar. A cinco minutos do final trabalhou bem, fugiu à marcação mas acabou por rematar quase à figura do guarda-redes. Três minutos depois surgiu solto pela direita e rematou cruzado com estrondo ao poste. Aos noventa optou, e muito bem, pelo passe para o Jonas, que controlou a bola no peito e rematou de primeira de pé esquerdo, fazendo a bola entrar junto ao ângulo superior da baliza. Mais um golo fantástico daquele que é o melhor jogador da nossa liga desde que chegou ao Benfica. E ainda nos descontos deu para ampliar o resultado em novo lance com intervenção do Jiménez, que desmarcou o Pizzi pela direita para este fazer uma assistência que permitiu ao Jonas marcar um golo fácil, limitando-se a empurrar a bola já dentro da pequena área. Um resultado mais ajustado ao que se passou em jogo em mais uma noite fantástica na Luz. A parte negativa deste jogo foram as saídas do André Almeida e do Salvio por problemas físicos. Esperemos que sejam apenas situações pontuais e nada de mais grave.


O Jonas é o inevitável homem do jogo, com um hat trick e uma assistência. E ainda aquele lance que ficará na memória de todos. Já não há muitos mais elogios que lhe possamos fazer. E nesta fase pode-se dizer o mesmo do Pizzi, que continua em cada jogo a mostrar toda a sua qualidade e classe. De uma forma geral não tenho nada a apontar a qualquer um dos jogadores. Todos estiveram num nível bastante bom, e até mesmo o Filipe Augusto (de quem eu já afirmei diversas vezes não ser particular admirador) fez o seu melhor jogo pelo Benfica. Mas quero mencionar os nossos dois extremos, Salvio e Cervi, que na minha opinião foram também dos principais responsáveis pela excelente produção da equipa.

Foi mais um jogo na linha daquilo que a equipa tem vindo a produzir desde que a época teve início. Uma equipa com perfeito controlo dos ritmos e momentos do jogo, a exibir uma excelente condição física - dois golos nos instantes finais a mostrarem que conseguem manter o ritmo elevado durante os noventa minutos - e com uma união muito grande dentro do campo. Talvez estes quatro jogos tenham permitido acabar com muito do cepticismo em redor daquilo que podemos alcançar esta época. Temos uma base estável e um processo de jogo bem estabelecido, e desde que consigamos trabalhar sobre isso em vez de destruir o que temos o sucesso é uma consequência quase inevitável.

terça-feira, agosto 15, 2017

Perseverança

Uma vitória alcançada no último suspiro de um jogo muito complicado, mas que se deve sobretudo à perseverança com que o Benfica a perseguiu e continuou sempre em busca da felicidade. Mesmo perante um adversário que à medida que o tempo corria se ia fechando cada vez mais na defesa de um ponto, o Benfica lutou literalmente até ao último segundo pela vitória e foi justamente recompensado pelo esforço.


Apesar de estarmos no início da época, nesta altura já conseguimos prever facilmente qual é o onze base do Benfica. Benefícios da estabilidade. Jogaram exactamente os mesmos que tinham defrontado o Braga, e provavelmente apenas o Grimaldo e o Júlio César, quando recuperados, entrarão na equipa. A primeira parte correspondeu às dificuldades que se esperavam à partida neste jogo. O domínio foi muito repartido, sem que o Benfica fosse capaz de impor a pressão alta que tinha dado tão bons resultados nos dois primeiros jogos, e consequentemente sem conseguirmos estabelecer um domínio territorial claro. A posse de bola foi dividida, mas numa coisa levámos vantagem: é que com a bola conseguimos ser sempre bastante mais perigosos no ataque do que o Chaves. Enquanto que o nosso adversário praticamente não criou uma ocasião clara de golo, o mesmo não se pode dizer de nós. O Salvio foi o nosso jogador mais perigoso e foi dos pés dele que saíram quase sempre as melhores ocasiões para marcar, mas a finalização voltou a não ser a melhor e quando não era esse o caso aparecia o guarda-redes Ricardo ou o defesa central Nuno André Coelho a negar o golo no limite (fizeram ambos um grande jogo). No Benfica pareceu-me que vimos pouco Jonas e Pizzi, o que obviamente afecta muito a nossa produção ofensiva, e o Seferovic jogou quase à Jiménez: participativo no jogo da equipa mas a maior parte do tempo longe das zonas de finalização. Numa das raras ocasiões em que vimos uma jogada típica dele, onde se desmarcou nas costas da defesa e correu para a baliza, apareceu o inevitável Nuno André Coelho com um corte providencial a evitar que o remate acabasse em golo. O empate ao intervalo era preocupante porque o jogo estava partido e nós já tínhamos desperdiçado daquelas ocasiões que normalmente se costumam lamentar no final de jogos assim.


Mas o preço de dividir um jogo com o Benfica e acompanhar o nosso ritmo é alto, e na segunda parte depressa se começou a ver o Chaves a ter que o pagar. Se nos primeiros minutos ainda pareceu que o jogo continuaria dividido e muito partido - duas boas situações para o Benfica, incluindo uma bola ao poste pelo Jonas, e a resposta do Chaves na sua ocasião mais perigosa de todo o jogo, que proporcionou ao Varela uma boa defesa - depressa foi visível a progressiva falta de pernas do Chaves para manter o ritmo, recuando cada vez mais para junto da sua área e acabando por passar a maior parte da segunda parte dedicado exclusivamente a defender o empate. O Pizzi e o Jonas foram aparecendo cada vez mais, o jogo pelas alas também, com o Cervi em destaque, e a pressão foi-se intensificando. Mas a floresta de pernas em frente à baliza do Chaves e o acerto que se mantinha das duas unidades que já referi pareciam ser capazes de ir evitando o nosso golo. O Benfica fez um alteração a vinte minutos do final que até nem pareceu muito lógica, trocando o Cervi pelo Rafa - e não me pareceu muito lógica porque, conforme disse, o Cervi estava a ser um dos jogadores em destaque na segunda parte - e dez minutos depois fez uma aposta ainda mais deliberada no ataque total com a entrada de um terceiro avançado (Jiménez) por troca com o Salvio, passando o Rafa para a direita. Entre estas duas alterações, uma pausa para descanso que o Chaves bem deve ter agradecido, porque muitos dos seus jogadores já quase não pareciam aguentar-se de pé. Um deles foi o lateral esquerdo Furlán, que depois de um jogo todo a levar com o Salvio e o André Almeida em cima cedeu de vez, e depois de estar dois minutos estendido com cãibras acabou mesmo por ser substituído. E foi precisamente por aquele lado que, em período de descontos e quando já muitos acreditariam que o nulo se manteria até final, surgiu a jogada do golo. A própria jogada parecia já que já não daria em nada: o passe do Pizzi para as costas do lateral foi muito bom, mas o Rafa acabou por fazer o cruzamento em esforço já perto da linha final e nem acertou bem na bola, que saiu rasteira e com pouca força para a zona do primeiro poste. Mas o Seferovic acreditou, antecipou-se ao defesa e com um desvio também sem grande força fez a bola passar entre as pernas do guarda-redes. Game over.


Na minha opinião o Pizzi voltou a ser um dos melhores. A qualidade de passe e visão de jogo dele está cada vez melhor, e então quando o Chaves recuou para junto da sua área e lhe permitiu ter mais espaço para jogar e pensar abriu o livro. Fez diversos passes a rasgar para as costas da defesa que só não tiveram melhor resultado porque o André Almeida não estava muito virado para os aproveitar, hesitando quase sempre os centésimos de segundo suficientes para já não chegar à bola em condições. O Jonas acordou na segunda parte e foi outro dos responsáveis pelo assalto á baliza do Chaves. Bom jogo dos nossos centrais (pena que não tivessem tido melhor finalização nos lances aéreos na área do Chaves, em particular o Jardel) e do Cervi até ser substituído. O Salvio foi ao mesmo tempo o jogador mais perigoso do Benfica na primeira parte e o mais exasperante também, com mais algumas daquelas jogadas em que se esquece que tem colegas com quem jogar.

Na antevisão da Liga já tinha previsto que este seria um dos obstáculos mais complicados par o Benfica na fase inicial da época, e isso confirmou-se. Mas com uma atitude competitiva louvável conquistámos os três pontos e superámos mais este desafio, com a equipa a exibir uma saúde física impressionante tendo em conta o alto ritmo mantido durante os noventa minutos - e isto foi, sem dúvida, uma das chaves para o sucesso, pois foi evidente a incapacidade do nosso adversário para nos acompanhar. Vontade de vencer é o que não falta aos nossos jogadores, e não foi o tetracampeonato que os tornou sobranceiros. É com jogos e vitórias como esta que poderemos sonhar com a conquista de um inédito penta.

P.S.- O fantástico vídeo-árbitro, herói da 'verdade desportiva', não foi suficiente para evitar que ficassem dois penáltis por marcar a favor do Benfica. Em relação a um deles, acho particularmente cómico assistir aos números de contorcionismo da chusma de avençados e cartilheiros para justificar que não senhor, aquilo é um 'choque normal entre dois jogadores que disputam a bola' e completamente diferente do lance do holandês mergulhador que permitiu aos crónicos campeões da pré-época e vencedores antecipados de todos os campeonatos sacar três pontos do jogo com o Setúbal. Quanto ao outro, a mesma chusma considera que 'era um lance impossível para o árbitro ver'. Pois, eu pensava que era precisamente para lances desses que existia um vídeo-árbitro...

quinta-feira, agosto 10, 2017

Repetição

Depois de termos ultrapassado o Vitória na Supertaça, repetimos a dose frente aos seus vizinhos e rivais minhotos. E 'repetição' é mesmo uma boa forma de descrever o jogo desta noite, que teve um resultado e uma evolução do marcador igual, mas onde apesar de não termos conseguido fases prolongadas de domínio territorial tão flagrante como no jogo anterior, saí do estádio com a sensação de que a vitória foi mais fácil de conquistar.


O onze foi quase o mesmo da Supertaça, apenas com a troca forçada do Grimaldo pelo Eliseu. Esperava que o Benfica aplicasse a mesma fórmula de pressão em todo campo que tão bem tinha resultado na Supertaça, mas por estratégia ou incapacidade isso não aconteceu. O jogo, conforme disse, teve um domínio repartido, com as duas equipas a jogar de forma relativamente aberta e a tentarem chegar ao golo, mas depressa o Benfica começou a parecer mais perigoso e capaz de marcar primeiro. O que aconteceu aos quinze minutos, numa boa combinação entre os dois avançados que acabou com o Seferovic a concretizar ao segundo poste um cruzamento largo do Jonas. Depois de aberto o marcador, o domínio do Benfica intensificou-se, e depois de uma série de ocasiões em catadupa (Seferovic, Jonas, Salvio) o segundo golo apareceu com toda a naturalidade. Livre despejado de muito longe pelo Pizzi para a área e alívio de cabeça disparatado do Raúl Silva, que fez a bola subir e cair perto do limite da mesma. Onde estava o Jonas à espera dela para rematar de primeira sem a deixar cair, levando-a a entrar bem junto do poste. Este lance deu-me um pequeno prazer adicional, que foi o facto do disparate ter sido cometido por um de dois jogadores na equipa do Braga por quem nutro uma particular antipatia (o outro é o Jefferson). Depois foi a repetição do jogo com o Vitória, com o Benfica a continuar a dominar o jogo perante um Braga quase inofensivo e que quase só conseguia aproximar-se da nossa baliza quando aproveitava algum livre para despejar a bola para essa zona. E quando tudo indicava que o terceiro golo era o cenário mais provável, com o Salvio a assumir o mesmo destaque na vertente do desperdício, o Braga é que acabou por reduzir contra a corrente do jogo quase em cima do intervalo. Um lance em que me pareceu haver demasiada passividade por parte do Eliseu e, sobretudo, do Jardel, que permitiu que o Hassan lhe fugisse nas costas para depois finalizar bem já com um ângulo muito apertado. Nos instantes antes do intervalo, o Benfica ainda conseguiu criar mais uma boa ocasião, mas mais uma vez o Salvio não conseguiu finalizá-la da melhor forma.


Para evitar os sobressaltos do jogo anterior, o melhor seria mesmo marcar o terceiro golo nos primeiros minutos da segunda parte, e foi isso que o Benfica tentou fazer. O Braga não conseguia criar muitas situações de perigo, mas quando lá foi conseguiu assustar, porque fez mesmo a bola entrar na nossa baliza mas o lance foi anulado por fora-de-jogo. Praticamente na resposta a esse lance, o Benfica chegou ao golo. Passe do Jonas para a desmarcação no Cervi pela esquerda, o cruzamento deste foi desviado por um defesa do Braga para a própria baliza, mas em cima da linha ainda apareceu o Salvio para confirmar. Estavam decorridos doze minutos, e por isso cumprimos o exigível para evitar sobressaltos. A partir daqui o vencedor do jogo ficou na prática decidido, mas não o resultado, porque o Benfica continuou a carregar e a mostrar que o quarto golo era uma probabilidade muito grande. Não aconteceu, umas vezes por mérito do guarda-redes do Braga, outras por falta de pontaria nossa, mas fica na retina a forma como a nossa equipa não descansou sobre o resultado e continuou sempre a tentar oferecer ao público que quase lotou a Luz mais explosões de alegria. O Braga por sua vez foi quase inexistente no ataque, mas quando foi à frente voltou a introduzir a bola na nossa baliza, com o lance a ser mais uma vez invalidado por fora-de-jogo. Nos minutos finais a substituição do costume para consolidar o meio-campo, com a troca do Salvio pelo Filipe Augusto, e uma pequena prenda mesmo a acabar para o Diogo Gonçalves, permitindo-lhe a estreia oficial na equipa principal do Benfica.


O Seferovic é um dos destaques deste jogo. Remate muito fácil e pronto com os dois pés, boa capacidade de desmarcação e muito lutador. Marcou na estreia oficial, voltou a marcar na estreia na Luz, e se continuar neste registo irá de certeza marcar muitos mais esta época. Jonas, sempre e obviamente. Um golo, uma assistência, e o passe decisivo para o Cervi no lance do terceiro golo. Antes de marcarmos o primeiro golo dizia para mim mesmo que o Jonas estava muito escondido do jogo. Assim que apareceu, ofereceu o golo ao Seferovic. Também inevitável destacar o Pizzi. É o cérebro da equipa e quase todo o jogo ofensivo passa pelos seus pés numa ou noutra fase. O Fejsa foi a regularidade do costume. Gostaria também de destacar o André Almeida. Não tem obviamente a técnica ou a velocidade do Nélson Semedo, mas é um pêndulo. Está completamente identificado com o futebol da equipa, sabe perfeitamente como e quando se integrar nos movimentos ofensivos ou defensivos e hoje exibiu uma confiança que até achei anormal nele, com vários toques e pormenores de classe. O Salvio fez um jogo muito à imagem de vários a que assistimos a época passada, alternando o bom com o disparate, conseguindo um golo que atenua as más decisões que tomou durante o jogo, sobretudo na primeira parte.

Dois jogos contra duas das melhores equipas da nossa liga, duas vitórias convincentes. Acho que as notícias da crise do tetracampeão começam a parecer manifestamente exageradas.