quinta-feira, agosto 16, 2018

Tranquila

O inferno de Istambul foi ultrapassado com maior facilidade do que antevia e está feito metade do caminho de acesso à Champions League. Não foi um bom jogo, mas foi bem jogado pelo Benfica na medida em que fizemos exactamente aquilo que se exigia para passar a eliminatória: não nos remetemos exclusivamente à defesa da magra vantagem trazida de Lisboa, marcámos o importante golo fora, e depois foi possível fazer a gestão da eliminatória com muito mais tranquilidade. Não foi propriamente um passeio a Istambul (até porque o jogo foi bastante intenso em termos físicos) mas foi uma visita bem mais tranquila do que se esperaria.


Uma única alteração no onze, com a troca do Ferreyra pelo Castillo na frente de ataque. Se alguém esperava uma galopada irresistível dos turcos desde o minuto inicial à procura do golo que empataria a eliminatória, ficou desiludido. O Fenerbahce mostrou pouco mais do que aquilo que já tinha mostrada na Luz. Uma equipa pouco agressiva na procura da bola, com receio de arriscar muito no ataque e fraca reacção à perda da bola. Cedo se percebeu que o Benfica tinha tudo para carimbar a passagem, pois conseguiu assentar o seu jogo com relativa facilidade, mostrou-se uma equipa tranquila e a conseguir ter mais a bola em seu poder do que a equipa que tinha a obrigação de mandar no jogo. E também cedo se percebeu que o Benfica tinha tudo para chegar ao golo, porque devido à má reacção à perda da bola, quando conseguíamos acertar na transição para o ataque chegávamos à área adversária com alguma facilidade. Onde falhávamos mais era na altura de definição da jogada, sobretudo com o Cervi a mostrar-se absolutamente desastrado e o Gedson ainda a errar muito no último passe. Mas o nosso golo era muito mais provável do que o dos turcos, e aos vinte e seis minutos surgiu com naturalidade, numa tabela entre o Gedson e o Castillo, com o primeiro a conseguir desviar a bola na cara do guarda-redes. Apesar disto não ser uma ciência exacta, por aquilo que se via o apuramento do Benfica era agora quase uma certeza, até porque a reacção do Fenerbahce ao nosso golo foi inexistente. Um segundo golo nosso parecia aliás ser bastante mais provável (o Ferreyra, que tinha entrado para o lugar do lesionado Castillo, ficou pertíssimo de o fazer) mas bastou um relaxamento defensivo mesmo a fechar a primeira parte para que os turcos empatassem e ganhassem um ânimo que até então nunca tinham mostrado possuir.


Era expectável então um regresso forte do Fenerbahce para a segunda parte, à procura de um golo madrugador que deixasse a eliminatória em aberto. Foi isso mesmo que eles tentaram fazer, e pela primeira vez em todo o jogo (aliás, em toda a eliminatória mesmo) vimos o Fenerbahce assumir o controlo do jogo e instalar-se de forma mais convicta dentro do nosso meio campo. Apesar da maior dificuldade em controlarmos o jogo e da bola rondar mais frequentemente a nossa baliza, ainda assim não fomos propriamente sujeitos a um sufoco. Mas o perigo de um segundo golo turco surgir, que certamente colocaria o estádio e o jogo em ebulição, era real. Após um primeiro quarto de hora mais intenso a pressão dos turcos começou a perder fulgor, e pouco depois eles fizeram uma alteração táctica de muito maior risco, em que passaram a jogar com dois pontas-de-lança, e isto revitalizou-os. O Vlachodimos ainda foi obrigado a uma defesa de maior dificuldade, mas a resposta do Benfica veio minutos depois, com a entrada do Alfa para o lugar do Salvio. Com isto o Benfica inverteu o triângulo do meio campo, passando a jogar com dois médios mais recuados (o Pizzi foi fechar a direita) e o Fenerbahce morreu para o jogo. A partir deste momento nunca mais o nosso adversário conseguiu criar qualquer tipo de incómodo, e o jogo voltou a ter o perfil que tínhamos visto na primeira parte. Pensei até que iríamos conseguir ganhar o jogo nos minutos finais, mas infelizmente isso acabou por não acontecer - o André Almeida ainda teve uma oportunidade soberana para marcar no último lance do encontro, mas a bola passou ligeiramente ao lado do poste quando o guarda-redes já estava batido.


O homem do jogo e melhor em campo foi o Gedson. Tem ainda muito para melhorar na definição das jogadas - falhou passes que a acertar teriam resultado em ocasiões soberanas de golo, ou noutras ocasiões optou pelo passe para o colega errado quando tinha outro (em particular o Ferreyra) em muito melhor posição. Mas marcou o golo decisivo e encheu o campo, destacando sobretudo nas transições para o ataque. De resto, o Castillo estava a fazer um jogo agradável até ser substituído, o Fejsa fez o seu trabalho com a eficiência do costume, e os nossos centrais estiveram praticamente intransponíveis.

Segue-se o PAOK como o adversário a ultrapassar para chegarmos à Champions. Não é uma competição pela qual eu nutra particular interesse, mas os prémios monetários envolvidos fazem com que seja fundamental garantirmos a nossa presença. Acima de tudo não podemos menosprezar os gregos. São uma equipa complicada, com um ambiente em casa semelhante ao que vemos nos estádios turcos. Graças à especial atenção que nos foi concedida pela Liga, teremos a simpatia de disputar os dois jogos da eliminatória com uma recepção à lagartagem pelo meio (fantástico como dois sorteios conseguiram resultar exactamente no mesmo). Infelizmente parece que ao contrário do ano passado, em que a presença da lagartagem na Champions era de especial importância para o futebol nacional e por isso inventaram-se não sei quantas condicionantes para as primeiras jornadas, este ano a presença do Benfica já não importa tanto assim e por isso pela primeira vez em vários anos tivemos um sorteio sem quaisquer condicionantes. É a Liga que temos (claramente ao serviço do Benfica).

sábado, agosto 11, 2018

Desconcentração

Podíamos ter entrado no campeonato com uma goleada, tamanha foi a superioridade sobre o Guimarães durante mais de uma hora. Mas bastou um curto período de excessivo relaxamento nos últimos minutos para permitir ao Vitória reentrar num jogo onde nunca tinha estado, e manter a incerteza no resultado até final.


Apresentámos um onze inicial bastante familiar, com apenas três jogadores que não estavam no plantel a época passada: o Vlachodimos na baliza, o Gedson no meio campo, e o Ferreyra na frente. As equipas do Luís Castro normalmente tentam jogar futebol e são pouco amigas do antijogo, mas desde os minutos iniciais que o Benfica deu muito poucas possibilidades para que o Vitória jogasse. Depressa empurrámos o adversário para dentro do seu meio campo, com uma pressão agressiva que nem sequer dava espaço para grandes oportunidades de contra-ataque. A atacar, muita liberdade de movimentos para os laterais e médios centro, com os laterais a aparecer frequentemente em zonas anormalmente centrais, o Gedson a cair frequentemente na frente e o Pizzi em zonas perto da área. O Vitória foi literalmente atropelado durante toda a primeira parte, e a marcha do marcador reflectiu isso mesmo. O primeiro golo surgiu logo aos dez minutos, com o Pizzi a aparecer no centro da área para aproveitar uma bola solta depois de um centro do Gedson na direita. Cinco minutos depois uma oportunidade enorme para aumentar a vantagem, quando o Salvio foi derrubado na área. O Salvio seria o marcador natural mas deixou que fosse o Ferreyra a fazê-lo, só que o nosso novo avançado rematou de forma denunciada e permitiu a defesa ao guarda-redes. Este momento poderia ter sido decisivo no desenrolar do jogo, porque logo a seguir uma desconcentração do Fejsa resultou numa perda de bola que só não acabou em golo porque o Vlachodimos defendeu o primeiro remate e a recarga acabou no poste da nossa baliza. Mas o Benfica continuou a ser imensamente superior e à meia hora de jogo o Pizzi bisou. Mais uma vez na zona central da área, finalizou uma jogada fantástica entre o Salvio e o André Almeida pela direita, com a assistência a pertencer a este último. Nesta fase o Benfica criava perigo quase em cada ataque que fazia e a sete minutos do intervalo, sem qualquer surpresa, chegou o terceiro golo. O Pizzi a ser o improvável autor de um hat trick, com um remate colocado à entrada da área a aproveitar uma boa simulação do Ferreyra, que deixou passar entre as pernas o passe do Grimaldo. Três golos de vantagem ao intervalo que até eram escassos para tanto domínio, e o jogo parecia mais do que resolvido.

Na segunda parte, e com toda a naturalidade, o Benfica abrandou o ritmo. Mas continuou completamente por cima no jogo, mesmo depois do Luís Castro ter tentado estancar a avalanche do Benfica pela direita, trocando o extremo esquerdo Ola John para colocar naquela posição um jogador mais agressivo a acompanhar as subidas do André Almeida (Davidson). Até achei que as coisas estavam a ser bem feitas. Gestão de esforço e do resultado mantendo a posse de bola, com o quarto golo a parecer muito mais próximo do que qualquer tipo de reacção da parte do Vitória - a verdade é nem sequer me consigo lembrar de qualquer situação de ataque por parte do nosso adversário durante este período. A parte pior veio nos minutos finais. A nossa equipa adormeceu demasiado e as substituições não resultaram. Primeiro começou a ser notório que o Gedson estava a perder gás, e com isso começámos a perder o meio campo. Depois, a troca do Cervi pelo Rafa significou uma muito maior liberdade para o lateral direito adversário, e o Grimaldo começou a sentir cada vez mais dificuldades ao ser frequentemente confrontado com sucessivas situações de inferioridade numérica. E quando já estávamos a perder o meio campo, tirar o Fejsa era arriscado. O que é certo é que a quinze minutos do final o Vitória marcou e começou a acreditar. Logo a seguir trocámos o Salvio pelo Zivkovic (eu teria preferido que o Zivkovic tivesse entrado para o lugar do Gedson) e o Vitória voltou a marcar, num lance em que me pareceu haver demasiada apatia dos nossos jogadores e um buraco enorme do lado esquerdo. Felizmente, este segundo golo adversário pareceu servir de despertador para a nossa equipa, que até final não voltou a permitir que o o Vitória tivesse qualquer situação de perigo. No final fica a vitória e os importantes três pontos, mas também uma sensação de frustração pelo facto do resultado não espelhar o quanto melhores fomos neste jogo.

O homem do jogo tem que ser o Pizzi pelos três golos que fez mas os destaques vão, na minha opinião, para o Salvio, Grimaldo e Gedson como os maiores dinamizadores do nosso jogo. O Fejsa, André Almeida e Cervi também estiveram bastante bem, mas no geral durante a excelente primeira parte que fizemos todos estiveram bem, talvez com a excepção do Ferreyra, que ainda parece um corpo estranho na equipa.

Era importante começar a ganhar, e isso foi conseguido. Era também importante resolver cedo o jogo para permitir a gestão de esforço a pensar no jogo na Turquia, e isso também foi conseguido. Pena apenas aquele curto período de desconcentração que acabou por colocar em causa uma vitória que até então era mais do que indiscutível.

domingo, maio 13, 2018

Cinzenta

Uma exibição cinzenta para fechar uma época que não nos deixa boas memórias. Foi um jogo aborrecido e com pouco interesse, perante a pior assistência da época (um pouco menos de 42.000 espectadores) e que teve como prémio de consolação a conquista do direito a disputar a pré-eliminatória da Champions, graças ao espalhanço do nosso adversário directo na Madeira.


Mesmo estando o segundo lugar em disputa não tinha propriamente as expectativas muito altas para este jogo. Mas esperava que pelo menos o Benfica mostrasse algum empenho em fazer a sua parte, ou seja ganhar o jogo e, se possível, mostrar algum futebol na despedida da época. O onze apresentado foi o mais previsível, face aos jogadores que estavam indisponíveis. O Douglas manteve a titularidade, o Luisão foi titular no lugar do Jardel, e o Salvio no lugar do Rafa. Na frente, regresso do Jonas, a acusar claramente a falta de ritmo. O futebol que apresentámos foi, conforme disse, cinzento. Uma equipa desgarrada, com alguns jogadores a tentarem impor velocidade e outros quase alheados do jogo, pouco entrosamento, e o resultado foi um jogo quase sem interesse nenhum. A primeira parte foi jogada quase por inteiro dentro do meio-campo do Moreirense, mas ou eu adormeci, ou então só criámos mesmo uma ocasião de algum perigo - um desvio de um cruzamento vindo da esquerda por parte do Jonas que fez a bola passar muito perto do primeiro poste (ele ficou a reclamar canto, mas no estádio não percebi se o guarda-redes ainda tocou na bola). De resto houve umas correrias individuais, muita gente parada a ver enquanto um colega conduzia a bola, muito mais daquelas tabelas inúteis ou toques a mais à entrada da área quando o que se pedia era que se rematasse, e praticamente todos os lances de bola parada, fossem cantos ou livres, marcados de forma perfeitamente disparatada e a não causarem uma única ocasião de maior perigo. O somatório disto tudo era um nulo no marcador que não interessava para nada a arrastar-se até ao intervalo.


Na segunda parte (que se iniciou depois de um intervalo estupidamente comprido, à espera que recomeçassem os outros jogos) pelo menos a parte do resultado depressa se compôs. Penálti assinalado por corte com a mão de um cruzamento do Grimaldo, e o Jonas converteu-o de forma exemplar. Já a parte do futebol jogado, acho que ainda conseguiu piorar. Com a conjugação do nosso resultado com o da Madeira a garantir a conquista do segundo lugar, acho que ficámos satisfeitos e ainda passámos a jogar menos. Nesta altura, com os resultados que se verificavam, o Moreirense nem sequer precisava de pontuar para evitar a descida, mas de qualquer maneira resolveu abdicar da postura defensiva e avançar um pouco no terreno. E conseguiu mesmo passar a ter mais bola e jogar mais no nosso meio campo, mas valeu-nos que também não mostrou ter capacidade para fazer grande coisa em termos ofensivos. O Varela foi pouco mais do que um espectador e não me lembro de nenhuma defesa mais apertada que tenha tido que fazer. O Benfica trocou o Pizzi - que pareceu-me que já tinha entrado de férias ainda antes do apito inicial - pelo Samaris para acabar com as excessivas liberdades que os jogadores do Moreirense tinham na zona central, e teve algum sucesso nisso. Mas o jogo estava praticamente fechado, e os motivos de interesse eram quase nulos. Não vi as estatísticas do jogo, mas não devo andar muito longe da realidade se disser que este terá sido o jogo em que o Benfica menos remates fez em todo o campeonato. Restava apenas ficar à espera para saber se na Madeira apareceria mais alguma ajuda miraculosa para os subsidiados do Lumiar, mas desta vez isso não aconteceu. Aconteceu sim que o frango a que o Patrício foi poupado pelo Xistra no último jogo ficou guardado para esta jornada, e como resultado terminámos num pouco consolador segundo lugar.


Foi um jogo mesmo desinteressante da parte da nossa equipa, e naturalmente que não houve grandes exibições. Conforme disse, ainda houve alguns jogadores que tentaram imprimir alguma velocidade ao jogo, sendo nisso mal acompanhados pela maioria dos colegas. Acho que jogadores como o Grimaldo e o Zivkovic foram dos mais empenhados nesse aspecto. Até achei que mesmo o Douglas mostrou uma boa atitude, apesar das limitações que tem. E o Fejsa simplesmente não sabe jogar mal.

O segundo lugar serve de pouco consolo para a perda do campeonato. Quando muito significa apenas que a estratégia planeada pelos nossos inimigos, da qual obviamente fazia parte retirar-nos a possibilidade de acedermos às receitas da Champions, não resultou na perfeição. A autêntica fraude que é a equipa do Sporting - que se não fossem os absurdos empurrões arbitrais que recebeu ao longo de toda a época, incluindo em todos os jogos contra adversários directos como nós e o Braga, estaria neste momento confortavelmente instalada no quarto lugar - foi artificialmente mantida perto do topo da tabela até aos minutos finais do campeonato mas acabou por falhar no principal objectivo da época, que era ficar à frente do Benfica. Quanto a nós, este segundo lugar obriga-nos a encarar de forma muito séria o início da próxima época. Vai ser demasiado dinheiro que estará em jogo logo nos primeiros jogos para que nos possamos dar ao luxo de cometer erros como aqueles que foram cometidos esta época, e iniciar a competição sem termos um plantel e as posições no onze titular minimamente definidas.

domingo, maio 06, 2018

Frustrante

Já regressei do estádio há algumas horas, e ainda me custa aceitar que não tenhamos ganho este jogo. Tal como na primeira volta, fomos claramente superiores e acabamos com um empate muito frustrante como resultado. Pouco tenho a apontar à nossa equipa a não ser eventualmente a finalização, que foi um dos principais motivos para não termos ganho.


O onze para este jogo era um pouco uma incógnita devido aos vários jogadores que estavam em dúvida, embora na minha opinião aquele que mais poderia alterar a escolha da equipa seria o André Almeida, porque com a presença do Douglas no onze achei que o nosso treinador iria alterar mais peças. Foi isso que aconteceu mesmo, embora tivesse ficado surpreendido com a titularidade do Samaris, que assim 'empurrou' o Pizzi para a direita e o Rafa deslocou-se para a esquerda, ficando o Cervi no banco. Um pouco mais de músculo no meio campo, que se revelou adequado para equilibrar as forças com os dois médios mais defensivos que o Sporting também apresentou. Se o facto de jogarmos com Douglas e Samaris a titulares e ainda termos o Jonas de fora poderia causar alguma apreensão, esta depressa se dissipou. É que durante a primeira parte não nos limitámos a ser a melhor equipa em campo; fomos mesmo muito melhores. Com o Bruno Fernandes completamente engolido pelo Fejsa e os nossos dois centrais a fazerem um excelente trabalho quer na marcação ao Bas Dost, quer a cobrir a profundidade, o Sporting foi uma equipa muito manietada e que apenas esperava que o Gelson conseguisse resolver alguma coisa num rasgo individual. Do nosso lado o Zivkovic, Jiménez, Pizzi e Rafa (sobretudo este) mostravam uma enorme mobilidade e baralhavam as marcações adversárias, sempre com um bom apoio ofensivo por parte dos laterais. E logo nos instantes iniciais criámos uma grande oportunidade, com o Rafa a fugir pela esquerda (era ali que estava o ponto mais fraco do nosso adversário) e a atirar ao poste - e apesar de não ter visto ainda nenhuma repetição, ninguém me convence que o Patrício não cometeu penálti sobre o Rafa, porque não tocou na bola e derrubou o nosso jogador. Foi o mote para a primeira parte. O Sporting não conseguia quase ligar uma jogada de ataque - o Varela não fez uma defesa digna desse nome em todo o jogo - e o Benfica ia, por vezes até com alguma facilidade, criando ocasiões de perigo, desperdiçando-as ou por falta de pontaria, ou por excesso dela (o Rafa voltou a acertar no poste), ou mérito do Patrício (boas defesas a remates do Pizzi e do Samaris, isolado) ou por demorarmos um bocadinho mais e aparecer um pé no limite a conseguir o desvio. Algumas destas situações surgiam até como resultado de vários maus passes dos nossos adversários, que pareciam acusar alguma intranquilidade quando tentavam sair a jogar. Perto do intervalo, um lance a que já nos vamos habituando a ver em jogos contra a equipa que mais pontos pode agradecer a erros de arbitragem esta época: canto para o Benfica, o Jardel mesmo com o William a puxar-lhe a camisola consegue cabecear, a bola vai encontrar o braço do William e... falta assinalada ao Jardel. Brilhante. A melhor ocasião de golo do Sporting surgiu já no período de descontos depois de uma boa acção individual do Bas Dost, mas quando este estava em boa posição para tentar o remate optou pelo passe para o Gelson e o lance perdeu-se.


O nulo ao intervalo era extremamente injusto, e temia que tivéssemos desperdiçado uma grande ocasião para ter este jogo resolvido, já que certamente o Sporting corrigiria alguma coisa e não permitiria uma segunda parte igual à primeira. Foi basicamente isso que aconteceu. O Sporting conseguiu pelo menos estancar o perigo que o Benfica tinha criado na primeira parte e conseguiu aparecer mais vezes no ataque, conseguindo até conquistar alguns cantos para gáudio dos seus adeptos - num deles até pareceu que quase marcaram, mas o cabeceamento saiu uns três metros por cima. Durante pelo menos dois terços da segunda parte houve um equilíbrio de forças, com as defesas a superiorizar-se claramente aos ataques, e por vezes parecia que quase se jogava num curto espaço de 30-40 metros na zona do meio campo. O empate não nos interessava e foi lançado o Salvio para o lugar do Pizzi, mas foi apenas na fase final do jogo, quando entrou o Jonas para o lugar do Zivkovic e passámos a jogar com dois avançados, que voltámos a ganhar um ascendente mais claro. Não que o Jonas tenha tido tempo para fazer muito, ou tenha deslumbrado, mas a sua presença em campo e movimentações ajudaram a renovar o nosso jogo ofensivo. Já o Sporting continuava a depender quase exclusivamente de acções individuais do Gelson para sair para o ataque e ia parecendo cada vez mais satisfeito com o empate a zero, que era um resultado que lhe servia. Mas apesar de mais acutilante, o Benfica já não conseguia criar tantas ocasiões como na primeira parte, destacando-se sobretudo uma jogada em que o Jiménez chega um pouquinho atrasado a um cruzamento da direita. Entretanto o Bruno Fernandes (um jogador que eu admiro, mas que não fez absolutamente nada neste jogo, muito por culpa do Fejsa e também do Samaris) provavelmente já frustrado resolveu agredir a pontapé o Cervi. Deu amarelo. Já em período de descontos, e para fechar com chave de ouro, o Patrício tem um erro grosseiríssimo ao largar uma bola após um lançamento longo para a área, e o solícito Xistra poupou-o ao embaraço ao assinalar uma suposta falta completamente inexistente, ainda por cima fora da pequena área. Compreende-se, não queremos traumatizar o guarda-redes que vai defender as balizas da equipa da FPF no Mundial que se aproxima. A forma eufórica como público e equipa da casa celebraram o nulo é um bom indicador do alívio com que o apito final foi por eles recebido. Não mereciam sequer um empate.


Acho que no cômputo geral todos os nossos jogadores estiveram num bom nível, tendo até ficado surpreendido com alguns deles, casos do Douglas ou do Samaris. Nada de extraordinário, mas fizeram um bom jogo para jogadores que têm jogado muito pouco esta época. Muito bem para mim esteve a nossa dupla de centrais, acompanhada pelo Fejsa. O Rafa esteve também muito bem durante a primeira parte, e poderia facilmente ter resolvido o jogo por si só. Acho que nosso treinador também esteve bem quer na forma como montou a equipa, quer nas substituições. Talvez a entrada do Cervi tenha pecado por um pouco tardia porque o Rafa parecia já ter perdido gás há algum tempo, mas ele foi o nosso jogador mais perigoso durante uma boa parte do jogo e por isso aceita-se que o tenha querido manter em campo mais algum tempo.

O segundo lugar agora fugiu-nos e deixou de depender de nós. Digo desde já que para mim já está mesmo perdido, porque não espero nenhuma ajuda na Madeira: a forma descarada como esta equipa (nem uma vitória ou sequer um futebol decente nos jogos contra os outros três dos quatro primeiros classificados) tem sido ajudada esta época significa que, se for necessário, alguma coisa acontecerá para os manter no segundo lugar. Nem que seja um pé de vento a derrubar o Bas Dost. Fica a frustração de, em dois jogos contra eles esta época os termos feito parecer uma equipa muito mediana e apesar disso não termos conseguido ganhar nenhum deles. Vitórias morais é coisa que não serve para nada. Em ambos o Rui Vitória ganhou claramente o duelo táctico ao auto-intitulado 'Mestre da Táctica', que nas declarações após o jogo voltou a mostrar o homem pequenino e mesquinho que é, incapaz de reconhecer mérito num adversário. Ou anda a aspirar do mesmo que o presidente dele, ou então durante os noventa minutos esteve noutro planeta a ver um jogo completamente daquele que ocorreu.

domingo, abril 29, 2018

Lamentável

Um resultado lamentável, consequência de uma exibição no mesmo registo. Não há muito que eu possa escrever para explicar ou justificar o que se passou. Perder contra o Tondela na Luz e sofrendo três golos é um resultado que fala por si, de tão mau que é.


É fácil falar depois, mas a verdade é que quando ouvi a constituição da equipa, ainda fora do estádio, fiquei logo um pouco apreensivo. As nossas exibições desde que ficámos privados do contributo do Jonas têm sido aquilo que se viu, mas quando soube que iríamos jogar sem aquele que eu considero o outro fulcro da equipa (Fejsa) pensei no pior. O Jonas decide, o Fejsa equilibra. Não sei se foi uma questão de precaução pelos amarelos (duvido, porque o Rui Vitória não costuma fazer isso) ou se não estavam em condições de alinhar, mas saber que o Jardel e o Fejsa ficavam de fora diminuiu bastante a minha confiança para este jogo. Até porque o Luisão tem infelizmente a má tradição de regressar sempre bastante mal de uma longa ausência - e isso voltou a verificar-se hoje. Os minutos iniciais como que confirmaram as minhas baixas expectativas, já que com mais de dez minutos passados não tínhamos feito um remate ou sequer criado um lance de perigo. Mas as coisas até pareceram poder endireitar-se, já que no primeiro remate que fizemos, aos doze minutos, marcámos. Foi o Pizzi, após passe atrasado do Rafa. E nos minutos que se seguiram estivemos claramente por cima na partida, tendo o Cervi desperdiçado uma boa ocasião para ampliar a vantagem. Só que se a equipa já não me inspirava muita confiança na defesa, pior foi quando o André Almeida pediu para sair e deu o seu lugar ao Douglas. Imediatamente a seguir, à meia hora de jogo, o Tondela empatou. Tudo começou num mau passe do Cervi na saída para o ataque, que colocou a bola nos pés de um adversário, e depois a bola foi rapidamente colocada na zona central da nossa defesa, onde o Luisão ficou nas covas e o jogador do Tondela aproveitou a cratera existente entre ele e o Douglas para marcar à vontade. Nove minutos depois, a reviravolta completa no resultado. Começa numa displicência do Varela, que demora a aliviar a bola e depois já apertado cede um lançamento perto da nossa área, e no seguimento do mesmo o Luisão perde o duelo aéreo e a bola sobra para a zona do segundo poste, onde mais uma vez está um jogador adversário completamente solto dentro da área (e estava lá mais outro) para marcar. Para quem gosta de bater no André Almeida, reveja este lance - porque eu tenho quase a certeza de que ele não iria marcar o Luisão e deixar dois adversários soltos na sua zona.

Fomos para o intervalo a perder e sinceramente, a forma como a nossa equipa reagiu ao segundo golo já me fazia prever o pior. É que naqueles minutos até ao intervalo jogámos como se faltassem dois minutos para acabar o jogo, a querer fazer tudo muito depressa e atabalhoadamente.  Para a segunda parte veio o Salvio no lugar do Cervi, e continuámos a jogar da mesma forma. Mas ainda assim foi o suficiente para criar ocasiões para chegar bem cedo ao empate (é inacreditável o lance em que o Salvio remata para a bancada um centro do Douglas, quando estava sozinho em frente à baliza). Ao fim de alguns minutos deu-se a previsível entrada do Seferovic. O que já não era nada previsível foi a escolha do jogador que saiu - Zivkovic. Eu sei que estou a falar como treinador de bancada, mas dado o facto que era a nossa última substituição, e que o Tondela tinha praticamente abdicado do ataque e se dedicava a acumular gente dentro da área e na zona central, eu teria tirado mesmo o Luisão - ficaria o Samaris como central de emergência. Ou na pior das hipóteses sairia o Samaris mesmo, se eventualmente a esperança fosse que o Luisão pudesse resolver numa bola parada - pouco provável, já que nem nisso o nosso capitão mostrou inspiração. Poprtanto, tirámos um dos jogadores mais criativos da equipa, para reforçar a presença no ataque. Só que não. Nós conseguimos ver os nossos dois avançados mais tempo junto às linhas laterais do que dentro da área - o Seferovic acrescentou exactamente zero ao nosso jogo, o que aliás é o que ele tem feito em todos os últimos jogos em que tem entrado. De qualquer maneira as perspectivas já eram muito más mesmo. Para além de facilitarmos a vida ao Tondela, insistindo frequentemente em tentar entrar pela sobrepovoada zona central com tabelas inúteis, o Tondela nesta fase já se dedicava afincadamente ao antijogo puro, com os jogadores a cair como moscas e a simular lesões, enquanto que a nossa equipa estava em campo sem qualquer rumo. E quando conseguíamos mesmo criar alguma ocasião, estávamos num daqueles jogos em que não havia maneira da bola entrar. Para acabar de vez com quaisquer ilusões, a dez minutos do final do jogo e em mais um lance com participação do Luisão, que perde o lance e se deixa ultrapassar infantilmente pelo adversário dentro da área, o Tondela fez o terceiro golo, conseguindo assim marcar três golos em quatro ocasiões criadas (a outra só não deu golo porque o Varela fez uma boa defesa). O Salvio ainda conseguiu atenuar o resultado já no período de descontos, mas a derrota estava selada.

Não há obviamente destaques, nem vou escolher bodes expiatórios. Quando perdemos em casa contra o Tondela é porque toda a gente, mas toda mesmo, esteve muito abaixo daquilo que é exigível. A exibição da nossa equipa hoje literalmente não teve ponta por onde pegar.

É uma forma muito triste de nos despedirmos quase de forma definitiva do título de campeão nacional. E pior ainda, agora é o segundo lugar que está em sério risco. Com a perda do Jonas, parece que perdemos também completamente o rumo. Não voltámos a fazer uma exibição consistente, e de forma inacreditável deitámos fora o objectivo do penta com duas derrotas consecutivas em casa depois de, se a memória não me falha, uns dois anos sem perder na Luz. Foi tudo muito mau, e quem gere o nosso futebol terá que analisar isto e retirar as devidas conclusões.

domingo, abril 22, 2018

Desnecessário

Foi um sofrimento atroz e absolutamente desnecessário. Uma vitória arrancada a ferros, já em período de descontos, num jogo que podia (e devia) ter acabado numa goleada. Mas níveis de eficácia na finalização absolutamente inacreditáveis e inaceitáveis acabaram por deixar o resultado na incerteza até ao final e poderiam ter resultado na perda de pontos.


A lesão do Jonas no aquecimento em Setúbal continua a revelar-se uma coisa complicada de debelar, e mais uma vez não pudemos contar com o melhor marcador do campeonato e jogador mais decisivo da nossa equipa. E tendo em conta a abrupta queda de rendimento que se verificou na nossa equipa desde que isto aconteceu, estava preparado para mais do mesmo no Estoril. De forma até algo surpreendente para mim, não foi isso que vi. O Benfica entrou bem no jogo e dominou por completo a primeira parte. Boa capacidade de pressão e recuperação da bola em zonas adiantadas, jogo quase constantemente disputado no meio campo adversário, e o Estoril sempre muito bem controlado e incapaz de causar grandes calafrios à nossa defesa. Em cima disto, um golo logo na fase inicial (dez minutos) a ajudar a criar um cenário ideal, em que não se previam dificuldades de maior para o Benfica vencer este jogo. Foi um passe do Zivkovic a permitir ao Rafa explorar o espaço entre o lateral e o central, para depois entrar na área a finalizar bem com um remate cruzado. O Estoril é uma equipa que apesar da péssima posição na tabela é bastante aguerrida, sobretudo quando joga em casa, e essa postura já nos tinha criado bastantes dificuldades no jogo da primeira volta na Luz. Por isso o facto de os termos tão controlados durante a primeira parte apenas abona a favor da qualidade da nossa exibição. Infelizmente também foi logo na primeira parte que se começou a ver a principal pecha na nossa exibição: a má finalização/decisão junto à baliza adversária. À medida que o tempo passava, víamos o Benfica a desperdiçar ocasiões e jogadas para se colocar numa situação muito mais tranquila no encontro, e já se sabe que quando isto acontece e o resultado se mantém teimosamente equilibrado à medida que o tempo avança a probabilidade de termos chatices vai aumentando exponencialmente. O magro resultado que se verificava ao intervalo era portanto lisonjeiro para o Estoril e penalizador para o Benfica, que no entanto só se podia queixar de si mesmo e da sua incapacidade para transformar o domínio em golos.


Cedo se viu que a segunda parte seria bastante diferente da primeira. Sem nada a perder, o Estoril lançou-se para cima do Benfica e deixou logo um sério aviso nos minutos iniciais, quando chegou a um golo que só pela intervenção do VAR foi invalidado. Claro que o balanceamento ofensivo do Estoril também deixava mais espaço para o Benfica explorar, mas se houve uma coisa que se manteve constante da primeira para a segunda parte foi a péssima finalização da nossa parte. Continuámos a desperdiçar ocasiões flagrante para dar um golpe decisivo no jogo e a teimar em deixar-nos ao alcance de algum golpe de infortúnio, o que até se ia tornando mais provável tendo em conta que, ao contrário da primeira parte, o Estoril agora conseguia aparecer mais frequentemente em terrenos junto da nossa baliza. E pouco depois da hora de jogo o pior dos cenários concretizou-se, com o Estoril a alcançar o golo do empate na sequência de uma bola parada. Depois da marcação de um livre lateral, o Halliche antecipou-se a um quase estático André Almeida na zona do segundo poste e finalizou sem hipóteses para o Varela. E logo a seguir a coisa só não ficou ainda pior porque a sorte protegeu-nos, e um remate cruzado que desviou no Rúben acabou por bater no poste. Da nossa parte, a finalização desastrosa continuava a dar cartas e vimos o Rafa falhar duas ocasiões escandalosas, uma delas completamente isolado e a outra numa recarga a um primeiro remate de Jiménez que o guarda-redes defendeu por instinto. O Estoril, depois de obtido o empate, mudou de atitude a passou a focar-se quase exclusivamente em explorar o contra-ataque, com os seus jogadores a cederem à tentação do antijogo e a começarem a ficar lesionados com muito mais facilidade. O Benfica trocou o apagado Cervi pelo Salvio e posteriormente o Pizzi pelo Seferovic. Embora seja uma substituição que se compreende pelo resultado, esta última não resultou e achei o período menos inspirado do Benfica no jogo foi precisamente depois de colocar o segundo avançado em campo, já que deixámos de ser tão perigosos no ataque e o nosso futebol perdeu o rumo. Foi apenas no período de compensações e em fase de desespero, quando o Jardel já actuava como avançado, que o Grimaldo fez o cruzamento para o Salvio aparecer na zona central e à ponta-de-lança antecipar-se de cabeça ao central adversário, enviando a bola cruzada para o poste mais distante e garantindo os três pontos.


Para mim o melhor jogador do Benfica no jogo foi o Zivkovic. Jogou, fez jogar, transportou, distribuiu, assistiu e recuperou. Correu do primeiro ao último minuto e encheu o campo. Poderia ter sido acompanhado pelo Rafa, mas mais uma vez muito daquilo que ele fez de bom fica indelevelmente manchado pela finalização. Começou bem ao marcar o primeiro golo mas depois desperdiçou três ocasiões de golo feito, duas delas completamente isolado em frente ao guarda-redes. Tivesse ele melhor capacidade de finalização e já há muito que não estaria no Benfica, por troca com uns contentores de euros. Também gostei do jogo que fez o Jiménez, embora tal como o Rafa tenha pecado na finalização, já que apesar de talvez não terem sido tão flagrantes teve ocasiões suficientes para ter saído da Amoreira com um ou mais golos marcados. Por último o Fejsa, que como sempre não sabe jogar mal.

Conseguimos evitar aquilo que com toda a probabilidade seria o KO na luta pelo título. A probabilidade de o conquistarmos continua a ser diminuta depois do enorme erro cometido na recepção ao Porto, mas temos a obrigação de continuar a lutar até ao último segundo por todos os pontos em disputa. Infelizmente agora a bola já não está do nosso lado, e o máximo que podemos fazer é cumprir a nossa obrigação e esperar por um deslize dos nossos adversários.

P.S.- Mais uma arbitragem ordinária de um dos árbitros mais perigosos que há para o Benfica - o lagartão Hugo Miguel. Ele nem sequer disfarça, e de cada vez que é nomeado para um jogo nosso eu espero o pior. Inacreditável a tolerância para a pancadaria a que os nossos jogadores foram sujeitos, sobretudo na primeira parte. O Ailton nem sequer meia parte deveria ter ficado em campo, quanto mais ter feito os noventa minutos, e no entanto foi-lhe permitido quase tudo, o que incluiu uma agressão à cotovelada ao Jiménez dentro da área (seria penálti) que o deixou a sangrar da cara - antes já o tinha varrido por trás num lance para amarelo alaranjado. A única coisa positiva disto é que não será possível ter esta criatura a arbitrar mais uma vez o nosso jogo contra o seu clube do coração, mas suspeito que acabará por ser o seu colega na paixão clubística e parceiro no crime no jogo da primeira volta (Tiago Martins) a arbitrar esse jogo.

domingo, abril 15, 2018

Desilusão

Uma enorme desilusão. É a única forma que encontro para descrever o jogo de hoje. E a desilusão nem é tanto pelo resultado; o que me deixou realmente desiludido foram a exibição e atitude da nossa equipa, em especial na segunda parte, numa ocasião única e muito difícil de repetir na história do nosso clube.



O anúncio da ausência do Jonas já não deixava bons augúrios, e só desejei que pelo menos não repetíssemos a má exibição do outro jogo em que não pudemos contar com ele - a semana passada, em Setúbal. A primeira parte nem foi má de todo, já que o Benfica foi a equipa mais dominante, ainda que apenas tenhamos conseguido criar um par de ocasiões, num remate do Cervi e numa ocasião flagrantíssima desperdiçada pelo Pizzi já perto do intervalo (a que o Porto respondeu de imediato com uma do Marega). Mas quando esperava que o Benfica viesse para a segunda parte ainda mais incisivo em busca de uma vitória que nos colocaria numa posição privilegiada para obtermos um feito ímpar na história do nosso clube, aquilo que vi foi uma equipa na qual o receio de perder parecia que claramente se sobrepunha ao desejo de ganhar. Então a partir da hora de jogo a exibição foi deplorável. Fomos uma equipa sem garra, sem crença, que via os adversários a ganhar quase todas as bolas divididas, quase todas as segundas bolas porque os nossos jogadores ou se encolhiam, ou desistiam dos lances. Quando perdiam a bola na frente, a maior parte deles deixava-se lá ficar ou recuava a passo. O Porto ficou com diversas bolas em que dois jogadores nossos que podiam ficar com ela encolhiam-se ambos à espera que fosse o outro à bola. Perante uma equipa que basicamente tem dois planos de jogo, o plano A que é mandar bolas compridas para os avançados, e o plano B que é passar a bola ao Brahimi, não soubemos apresentar qualquer tipo de soluções e ficámos simplesmente a ver o tempo passar, à espera do apito final. O Porto foi ganhando confiança e crença e foi recompensado mesmo sobre o apito final com um golo obtido num remate do Herrera em posição frontal de fora da área. Num lance de insistência em que a multidão de jogadores nossos que andavam por ali foram demasiado moles para meter o pé ou afastar a bola. De uma forma simples, ganhou a equipa que mais quis ganhar.

Acho que a grande excepção na nossa equipa foi o Fejsa. Esse meteu sempre o pé, o corpo, a cabeça e o que mais podia, mas não pode estar em todo o lado. O Varela não teve qualquer culpa (ou hipóteses) no golo e fez um dos jogos mais seguros que o vi fazer no Benfica. O Pizzi foi basicamente um empecilho. Desperdiçou a oportunidade mais flagrante do Benfica em todo o jogo, teve uma atitude péssima durante a maior parte do tempo (foi um daqueles que referi que se deixava constantemente ficar na frente de cada vez que perdia uma bola) e ainda passou uma data de tempo a refilar com os colegas, não sem bem porquê.

Já escrevi várias vezes que consigo aceitar de forma mais ou menos pacífica dias maus ou menos inspirados. O que nunca consigo aceitar bem são falhas na atitude. O Benfica tinha hoje, em sua casa, perante um estádio repleto de adeptos fiéis, uma ocasião única na sua história para se colocar na melhor posição possível para uma conquista inédita na vida do nosso clube. Era difícil pedir condições mais propícias. E a resposta foi uma equipa sem chama, sem crença, longe daquilo que uma ocasião destas pedia. O (previsível) resultado foi deixarmos de ser senhores do nosso destino e entregarmos esse privilégio ao principal adversário. O campeonato ainda não acabou e nada está definitivamente decidido, mas isto foi um erro que tem uma enorme probabilidade de vir a ser irreparável.