terça-feira, outubro 23, 2018

Cruel

No regresso a Amesterdão repetiu-se a sina da final da Liga Europa, e fomos derrotados com um golo mesmo ao cair do pano. É uma derrota cruel, sobretudo porque já era completamente inesperada naquela altura e porque o Benfica jogou e lutou para merecer outro resultado.


Com o Rúben Dias suspenso, coube ao Conti ocupar a sua vaga no centro da defesa, formando dupla com o regressado Jardel. A outra alteração foi o Gedson no meio campo, quando muitos apontavam o Gabriel à titularidade. Quanto ao jogo, acho que raramente vi jogos com tão poucos golos que me tivessem entretido tanto. Desde o primeiro minuto que vimos duas equipas a tentar marcar e ganhar este jogo. O Ajax com algum ascendente, ou não estivesse a jogar em casa, mas com o Benfica a conseguir sempre dar resposta e a manter os holandeses em sentido. Houve quase sempre espaço para atacar, um ritmo elevado e a bola a andar de uma área à outra. Que diferença para aqueles jogos a que estamos mais habituados, com uma equipa apenas interessada em destruir. O intervalo chegou com 0-0 mas podia estar facilmente 1-1 ou 2-2, porque as equipas contruíram ocasiões de perigo suficientes para isso. No Benfica eram os homens da frente, sobretudo Rafa e Seferovic, quem aproveitava o espaço e as muitas situações em que se apanhavam em um para um com os seus marcadores directos, já que cautelas defensivas houve sempre poucas, para se soltar e criar as jogadas mais perigosas. Pouco mudou na segunda parte e continuei com a sensação de que qualquer uma das equipas poderia marcar um golo que seria quase de certeza decisivo. Nenhum dos treinadores mostrou sequer vontade de alterar grande coisa, porque foram guardando as substituições para os minutos finais do jogo, e acabaram por nem sequer as gastar todas. E no último minuto do tempo de compensação, quando já nada o fazia prever, o Ajax chegou ao golo num remate de fora da área que fez a bola desviar no Grimaldo e trair o até então intransponível Odysseas. O lance começa numa falha do Conti (talvez a única no que até então estava a ser um jogo muito positivo) que não conseguiu um corte que parecia fácil, mas imediatamente antes houve um outro lance que me deixou muitas dúvidas na área do Ajax, já que me pareceu que o Cervi foi tocado em falta.


No geral achei que toda a equipa fez um bom jogo e não mereceu um desfecho tão cruel. Destaques maiores para o Odysseas, Rafa e Seferovic. O Conti também fez um jogo bastante bom e não merecia a mancha que foi o último lance do jogo.

Este resultado deixa-nos numa posição muito complicada no que diz respeito ao apuramento, pois deixámos de depender de nós próprios. Temos obrigatoriamente que vencer os dois jogos em casa e depois ver o que acontece nos outros jogos. Não tenho grandes críticas à forma como o Benfica se apresentou a jogar em Amesterdão. Acho que fizemos um bom jogo e procurámos ganhar. Fomos traídos por um lance de infortúnio, mas isso não altera a minha opinião sobre todo o jogo. Agora é fundamental não deixarmos que isto afecte a equipa, e que regressemos às vitórias já no próximo jogo.

sexta-feira, outubro 19, 2018

Competente

Exibição competente de um Benfica com muitas alterações na equipa, que chegou e sobrou para vencer o Sertanense de forma clara e tranquila, e assim carimbar a passagem à próxima eliminatória.


Dos jogadores que têm sido titulares ultimamente apenas o Rúben Dias e o Gabriel fizeram parte das escolhas iniciais. O resto da equipa: Svilar, Corchia, Alfa (a central), Yuri Ribeiro, Samaris, Gedson, Zivkovic, Rafa e Jonas. O jogo tem pouca história, porque resume-se a uma superioridade incontestável do Benfica. Mesmo sem acelerar muito, tivemos noção das nossas responsabilidades e assumimos desde logo as despesas do jogo, instalando-nos em permanência no meio campo adversário e remetendo-o para a sua área. Durante toda a primeira parte permitimos-lhes apenas um remate (num livre, ainda longe da baliza) e marcámos numa recarga do Rafa a um primeiro tiro do Zivkovic, isto depois de já termos visto um golo anulado ao Jonas num lance muito semelhante. Com um adversário a não mostrar capacidade para nos causar qualquer problema, o jogo pareceu ficar logo aí resolvido, e a segunda parte serviu apenas para acentuar a diferença entre as duas equipas. Mais uma vez apenas permitimos um remate ao adversário (que ainda assim obrigou o Svilar a fazer uma excelente defesa, a única durante todo o jogo). Da nossa parte, é de assinalar o excelente golo do Gedson, um disparo de muito longe a fazer a bola entrar junto ao ângulo e que nos deixou com dois golos de vantagem, e o regresso do Jonas aos golos, tendo feito o terceiro da nossa equipa. Tivemos ainda mais um golo anulado, desta vez ao Ferreyra. Por último, mencionar que depois das entradas do João Félix e do Jota (estreia absoluta na equipa principal) terminámos o jogo com seis jogadores da formação em campo.

O melhor do Benfica foi o Gedson, tendo sido bem acompanhado pelo Zivkovic. Tenho pena que o sérvio esteja a ter muito menos minutos esta época, porque tem talento e qualidade para dar e vender. Gostei de ver o Samaris com a braçadeira de capitão, ainda por cima a revelar muita tranquilidade depois de uma semana em que foi ele o escolhido para alvo de uma tentativa de desestabilização (antes tinha sido o Zivkovic).

Missão cumprida de forma perfeita. Um jogo tranquilo, uma exibição agradável, minutos para os menos utilizados e descanso para os titulares antes de um jogo decisivo para a Champions. Era difícil pedir mais.

segunda-feira, outubro 08, 2018

Batalha

Foi arrancada quase a ferros, foi preciso sofrer um pouco no final (muito por culpa de terceiros) mas a vitória no Clássico frente ao Porto assenta-nos muito bem. Num jogo equilibrado foi o Benfica quem foi aquele bocadinho melhor para vencer o jogo.


Regressos do Gabriel e do Cervi ao onze e estreia do Lema a titular foram as novidades, embora no caso do central argentino não houvesse propriamente grandes opções. Com Jardel lesionado e Conti suspenso, o Lema era a escolha óbvia. E fez bem o nosso treinador, porque apesar da muita especulação que vi na imprensa, como que a tentar 'matar' logo um jogador ainda antes dele dar um pontapé numa bola, se o Lema faz parte do plantel é porque é uma opção válida. Não faria qualquer sentido estar a recorrer a uma adaptação como o Samaris quando tínhamos um central disponível. Sobre a primeira parte não há muita coisa a dizer, porque apesar de extremamente disputado, o jogo teve poucos motivos de interesse. As equipas encaixaram uma na outra e anularam-se quase sempre, e nenhuma das duas parecia ter grande vontade de arriscar muito para desatar o nó que tinham dado. O Porto entrou na Luz com a clara intenção de jogar para o empate - o Casillas viu o amarelo logo aos dezoito minutos de jogo por andar a queimar tempo de forma abusiva em qualquer reposição de bola, por exemplo. O Benfica parecia estar mais preocupado em não perder do que ganhar, por isso quase não corria riscos. Os nossos laterais foram muito menos atrevidos do que o normal, subindo no terreno quase só pela certa, o Pizzi aparecia quase sempre em terrenos muito recuados, e o Seferovic jogava muito só na frente. Com ambas as equipas receosas do adversário praticamente não houve ocasiões de perigo e a bola rondava as balizas apenas em situações de bola parada. Honestamente, jogou-se mau futebol durante os primeiros quarenta e cinco minutos. Intensidade sim, mas muitos passes falhados e pouquíssimas jogadas dignas desse nome.



Para a segunda parte o Benfica veio mais decidido a assumir finalmente as despesas do jogo. E conseguiu-o, passando-se a jogar muito mais tempo dentro do meio campo do Porto. Assinalo também que logo nos primeiros minutos o Otávio, um dos principais destruidores de jogo do Porto (apesar de ser médio ofensivo) finalmente viu um cartão amarelo, após cometer a sétima falta no jogo - hilariante a sinalética do árbitro a indicar que lhe estava a mostrar o amarelo pela terceira falta. Foi imediatamente substituído, não fosse chegar à décima quarta falta e arriscar-se a ser expulso. No Benfica, a entrada do Rafa também logo nos primeiros minutos dinamizou ainda mais a equipa. E justificava-se, porque era precisamente por aquele lado que tínhamos que insistir. O Maxi Pereira quase que dá pena porque mal se consegue mexer, e com o Marega o jogo todo encostado à direita não havia um verdadeiro médio ala para vir ajudar o trôpego lateral direito portista (o Otávio tinha andado a bater em tudo o que mexia por aquele lado mas o Sérgio Oliveira, que o substituiu, era incapaz de fazer o mesmo papel). Com o Benfica por cima no jogo surgiu a primeira grande ocasião de golo, num remate do Gabriel à entrada da área que proporcionou uma boa defesa ao Casillas. Certamente que isto terá lembrado muita gente das exibições inspiradas do espanhol nas últimas visitas do Porto a nossa casa, e que nos impediram de vencer. Mas neste caso a preocupação não durou muito, porque quase a seguir surgiu o golo que decidiu o jogo. Na sequência de um pontapé de baliza para o Porto ganhámos a segunda bola no círculo central, o Gabriel colocou-a em balão para as costas da defesa portista, o Pizzi (que ganhou em velocidade ao Maxi) assistiu de cabeça para a corrida do Seferovic, e este conseguiu o remate vitorioso apesar do esforço do Militão para fazer o corte. 


Estavam decorridos sessenta e dois minutos de jogo. Muito tempo portanto para jogar, e da minha parte a expectativa para ver se o Benfica iria mais uma vez cometer o erro de tentar defender o resultado, entregando a iniciativa ao adversário. Não foi isso que aconteceu. O Benfica continuou bem no jogo, com o Porto a conseguir apenas chegar perto da nossa baliza em bolas paradas. A precisar de carregar na procura do golo e perante a total inutilidade do Maxi Pereira, o Porto abdicou mesmo de jogar com um lateral de raiz e fez entrar o Corona para aquela posição, mas nem isso mudou grande coisa. O jogo caminhava para o final e eu estava plenamente convencido que a vitória já não nos fugiria, mas aos oitenta e três minutos o árbitro Veríssimo, que até aí nem tinha estado particularmente nefasto (depois de tantos jogos contra o Porto arbitrados pelo Soares Dias, uma arbitragem destas até nem parecia má de todo) resolveu aparecer e resolveu mostrar o segundo amarelo ao Lema de forma absurda, por um lance a meio campo. Para além de ter sérias dúvidas de que tenha sequer sido falta, mesmo se fosse nunca seria para cartão amarelo. O que é certo é que isto deu novo alento ao Porto, e da nossa parte foi altura de recuar o Alfa Semedo para central (tinha acabado de entrar) e cerrar fileiras. O Porto criou a sua melhor ocasião de golo numa iniciativa individual do Brahimi, tendo o seu remate cruzado passado muito perto do poste, mas no geral e apesar de uma pressão maior, continuou tudo muito como dantes, com o Porto apenas a conseguir chegar perto da nossa baliza em tudo o que fosse bola parada, que aproveitava para despejar para a área.



Melhor em campo, para mim, Rúben Dias. Mais do que uma bofetada, foi mesmo um murro de luva branca aos que semana após semana insistem em querer colar-lhe o rótulo de jogador violento. Foi uma exibição sem mácula, em que não me lembro de o ver perder um lance e limpou tudo, pelo ar e pelo chão. Mostrou a quem quis ver que é já um grande defesa central e que, consigamos nós segurá-lo, temos ali um líder para muitos anos. Uma palavra para o Lema, que se estreou a titular num jogo destes. Pareceu tremer um pouco no início, mas depois atinou e estava a fazer um bom jogo. Não merecia ter sido traído pelo árbitro. O Grimaldo é outro dos destaques, sem surpresa. Em particular quando se começou a soltar na segunda parte. Gostei também do Fejsa e do Seferovic, e já agora menciono também o Pizzi. Nao por ter feito uma exibição extraordinária, mas sim por ter mostrado uma atitude muito mais decidida e lutadora, como se exigia num jogo destes.

Este resultado permitiu-nos regressar ao topo da tabela antes de nova interrupção na competição. Temos que aproveitar o ímpeto e a motivação que um resultado destes dão e consolidar esta posição. Frente ao nosso maior adversário na luta pelo título, que não tem olhado a meios para nos derrubar, não nos deixámos intimidar e desta vez nem sequer mais uma arbitragem em tons dourados nos afastou da vitória. Esta tem que ser a atitude até final. A guerra que será este campeonato (guerra essa que foi declarada e nos está a ser movida desde o ano passado, sem quartel) só poderá ser ganha se encararmos cada jogo como uma batalha.

quarta-feira, outubro 03, 2018

Masoquismo

Um supremo exercício de masoquismo. É a melhor forma que encontro para descrever o jogo disputado na Grécia frente ao AEK que colocou um ponto final na série de maus resultados do Benfica na fase de grupos da Champions. Um jogo em que tivemos tudo para conquistar uma vitória tranquila, e de repente parecia que tudo fazíamos para deixar que essa vitória nos escapasse por entre os dedos.


O Benfica apresentou-se com o Conti no lugar do Jardel, Gedson no do Gabriel, e com o Rafa a manter a titularidade, tendo sido o Cervi a sair da equipa para permitir o regresso do Salvio. Este era um jogo que teria que ser ganho se queríamos manter intactas as nossas possibilidades de apuramento, e a entrada dificilmente poderia ter sido melhor. Dois golos no primeiro quarto de hora colocaram-nos numa situação muito confortável e deixaram o AEK completamente abananado. O primeiro surgiu aos seis minutos, numa recarga do Seferovic a um remate do Gedson, e o segundo aos catorze, num improvável cabeceamento do Grimaldo, que surgiu ao segundo poste para finalizar um bom cruzamento do Pizzi. Tudo a correr sobre rodas, Benfica completamente à vontade no jogo perante um adversário que parece ser manifestamente mais fraco. Só que depois disto, veio a face mais feia do Benfica, a que já nos vamos habituando. É como se fosse um combate de boxe, em que acertamos com um directo e um uppercut no adversário, ele fica ali meio zonzo quase a cair, e em vez de darmos o murro decisivo para o K.O. decidimos recuar para o nosso canto. Isto até poderia não ser dramático se - e reforço este 'se' - o Benfica já tivesse mostrado ser uma equipa capaz de gerir jogos e resultados. Não é. O Benfica tem dois modos: ou está em cima do adversário, ou então quando decide 'gerir' simplesmente recua as linhas para cima da área e entrega quase por completo a iniciativa de jogo ao adversário (e também uns 75% do domínio territorial). Ora um adversário que levou dois golos logo a abrir e que nessa altura devia era estar a pensar como evitar ser goleado em casa, de repente apanha-se com espaço para respirar, tempo para organizar ideias, e progressivamente vai-se aproximando da nossa baliza e até começando a acreditar que se calhar é possível conseguir um resultado positivo. Foi isto que vimos acontecer, com o AEK a tornar-se cada vez mais perigoso à medida que  tempo decorria (enquanto o Benfica se entretinha a passar a bola para os lados e para trás, deixando de ameaçar o que quer que fosse no ataque) até que a pressão fosse mesmo real e intensa nos minutos imediatamente antes do intervalo. O Odysseas mais uma vez foi dizendo 'presente', mas como o masoquismo ainda não era suficiente o Rúben Dias conseguiu ver um segundo cartão amarelo (justo e perfeitamente escusado) mesmo a fechar a primeira parte, para animar ainda mais um adversário que já tínhamos feito o favor de ressuscitar. Não estarei a exagerar se disser que nesta altura já me vinha à cabeça aquele jogo contra o Besiktas em que chegámos ao intervalo a vencer 3-0 para acabarmos por empatar 3-3. 


Para a segunda parte voltou o Lema no lugar do Salvio. Uma alteração a contribuir para encolher ainda mais o jogo e logo à partida, pelo menos intuitivamente, errada. Se estamos a jogar com menos um adversário parece-me que seria intuitivo ter em campo jogadores com garra, não alguém como o Pizzi que quando as coisas correm mal tem muito pouca reacção e que desiste de praticamente todos os lances divididos. A defender também não ajuda muito. O André Almeida estava a ter um jogo mau e precisava de toda a ajuda possível, coisa que o Pizzi era incapaz de fazer - e aquele lado depressa se tornou uma autêntica avenida, por onde o lateral esquerdo sueco do AEK andou a passear à vontade. Com o Benfica a jogar em modo de contenção máxima, nem foram precisos vinte minutos para os gregos marcarem dois golos e empatarem o jogo. O primeiro nasce de um cruzamento (claro) do lado direito da nossa defesa e depois no centro da área, um jogador grego chega primeiro à bola, isto apesar de estar lá sozinho contra cinco defesas do Benfica. Acho que vale a pena assinalar que no início da jogada, antes do passe ser feito para o lateral esquerdo do AEK, o Pizzi teve a possibilidade de afastar a bola, mas em vez disso e fiel à intensidade que um jogo nestas condições exigia, preferiu ficar parado e levantar o braço a pedir uma falta inexistente. O segundo nasce de um cruzamento para a zona do segundo poste, seguindo-se depois o clássico toque de cabeça para o poste oposto onde apareceu um colega a finalizar à vontade. Este golo aconteceu imediatamente a seguir ao nosso treinador se ter rendido às evidências e ter trocado o Pizzi pelo Alfa Semedo, passando o Gedson a fechar o lado direito. Por esta altura o Benfica era uma equipa perdida em campo, incapaz de alinhavar uma jogada de ataque e a abrir brechas na defesa com uma enorme frequência. O AEK poderia perfeitamente ter-se colocado em vantagem, pois dispôs de uma ocasião com dois jogadores isolados em frente ao Odysseas. Resolveu a situação o nosso guarda-redes, com mais uma grande defesa, valendo-nos também que o jogador deles tenha decidido rematar em vez de passar a bola ao colega que estava completamente sozinho à frente da baliza. Não marcou o AEK, marcou o Benfica quase na resposta. Uma recuperação de bola do Alfa Semedo sobre a linha do meio campo, progressão até perto da área, e tendo em conta que pouco mais poderia fazer (só estava lá por perto o Seferovic) um remate ainda bem de fora da área, rasteiro e cruzado, que levou a bola a entrar bem juntinha à base do poste mais distante. Um grande golo. Foi aos setenta e cinco minutos de jogo, e foi o primeiro remate que o Benfica fez na segunda parte (e não se se não acabou por ser mesmo o único). O AEK acusou, e de que maneira, o golo, o Benfica finalmente sossegou um pouco, e com o Gedson finalmente a conseguir estancar um pouco as investidas do Hult pela esquerda e ainda a entrada do Cervi para os minutos finais, lá conseguimos levar o jogo até final sem mais nenhum sobressalto.


A destacar alguém neste jogo começo pelo Odysseas. Mais intervenções de grande dificuldade que evitaram que o resultado tivesse sido pior, e a mostrar que o Benfica pode contar com ele. De resto, acho que o Grimaldo e o Fejsa não estiveram mal. Menção também para o Alfa, pelo golo e por ter ajudado a colocar alguma ordem numa equipa que até à sua entrada parecia estar tacticamente à deriva. Mal, mesmo muito mal, o André Almeida. O seu lado foi sempre uma dor de cabeça para nós. É certo que enquanto o Pizzi esteve encarregue de ajudar a fechar a direita praticamente não teve apoio, mas mesmo durante a primeira parte foram vários os erros e desatenções. O Rúben vê o primeiro amarelo numa falta que vai cometer ao lado direito (aliás, o segundo também). Por falar no Rúben, ele não pode cometer um erro daqueles e comprometer a equipa com a sua expulsão. É jovem e impetuoso, mas aquela falta era perfeitamente evitável e deveria ter abordado o lance de outra forma sabendo que já tinha amarelo. O Pizzi foi outro jogador com uma má actuação, salvando-se apenas o passe para o golo do Grimaldo. Num jogo em que estamos reduzidos a dez não podemos dar-nos ao luxo de ter em campo um jogador com uma atitude tão macia e quase desinteressada.

Estão garantidos os três pontos, agora é preciso dar seguimento a isto. O outro jogo do grupo teve um resultado pouco interessante para nós, já que seria melhor se o Bayern limpasse todos os seus jogos contra os outros adversários do grupo. Tudo se configura para que o Ajax seja o principal adversário na luta pelo apuramento, e por isso os próximos dois jogos deverão deixar muita coisa definida. Entretanto, é pensar no próximo jogo contra o Porto. Pelo menos já fiquei a saber que me deixam ir ao estádio vê-lo. Já não é mau.

sexta-feira, setembro 28, 2018

Péssimo

Um empate que, face ao desenrolar do jogo, é um péssimo resultado. Mas honestamente não fizemos assim tanto para o ganhar. Fizemos uma exibição bem abaixo daquilo que é exigível, e fomos incapazes de controlar o jogo contra uma equipa manifestamente inferior. Mas deixar escapar os três pontos em período de descontos, mesmo reduzidos a dez, dói e é obviamente frustrante.


Não me apetece escrever muito sobre o jogo porque a irritação com o resultado ainda é muita. Tivemos que esperar uma hora para que o jogo finalmente começasse por causa do dilúvio que se abateu sobre Chaves mas não foi preciso esperar muito para ficarmos em vantagem, pois o Rafa marcou logo aos três minutos depois de um cruzamento do Cervi. Parecia que tínhamos tudo para uma noite tranquila, mas pura ilusão. Fomos completamente incapazes de meter alguma ordem no jogo e controlar o adversário. O nosso meio campo foi incrivelmente macio e permitiu ao Chaves vir para cima de nós quase como quis. À parte um remate do Gabriel ao poste, foi o Chaves a equipa mais perigosa durante quase toda a primeira parte, valendo-nos o Odysseas em duas ou três ocasiões para evitar o empate. Tivemos também a primeira grande contrariedade do jogo, com o Jardel a lesionar-se sozinho ao fim de um quarto de hora e a dar o lugar ao Conti. A segunda parte foi um pouco melhor, pois conseguimos congelar um pouco mais o jogo. O Chaves chegava pouco à nossa área e o empate parecia ser muito menos provável. Poderíamos até ter aproveitado para matar o jogo, mas em duas ocasiões quase seguidas à passagem da hora de jogo o guarda-redes do Chaves negou o golo ao Seferovic, e aí comecei a antecipar que iríamos sofrer até ao final. Tal como no jogo anterior voltámos a ter um segundo jogador a sair lesionado, desta vez o Gabriel, e mais uma vez a lesionar-se sozinho. Mas o jogo até continuava relativamente tranquilo, sem que o nosso adversário assustasse muito. Só que a fase final do jogo acabou por ser um carrossel de emoções. A quinze minutos do final, o Chaves empatou literalmente do nada. Um livre em posição frontal, ainda muito longe da baliza (que nasceu de mais um dos infinitos disparates do Pizzi durante todo o jogo), uma barreira só com dois homens e colocada de forma a que parecia estar mais interessada em proteger a badeirola de canto, e o Odysseas muito mal batido. Face ao que tínhamos jogado até então não acreditei que conseguíssemos ganhar o jogo, mas o Benfica contrariou-me e a cinco minutos do final o Rafa aproveitou um passe do Rúben para as costas da defesa, correu para a baliza e fez o golo. Tudo voltava a parecer encaminhado, mas apenas dois minutos depois lá veio mais uma contrariedade, pois o Conti foi expulso com um vermelho directo (que me pareceu exagerado). Antecipação de mais sofrimento, e infelizmente o Chaves acabou por empatar mesmo quase no último suspiro do jogo, isto quando parecia que mesmo com dez jogadores estávamos a ser capazes de manter o Chaves controlado. Um remate colocadíssimo e inesperado do lado esquerdo da nossa defesa fez a bola entrar junto ao poste mais distante.


O melhor jogador do Benfica foi obviamente o Rafa. Foi aquele que mais fez para que o Benfica trouxesse os três pontos. Dois golos e mais meio golo oferecido ao Seferovic, que foi outro dos que acabou por se destacar da mediania, apesar de ter sido deixado quase ao abandono durante a maior parte do jogo. De resto quase toda a equipa esteve abaixo do que é exigível. Em particular o meio campo, que foi muito pouco combativo e onde o Pizzi foi literalmente um jogador a menos. O Odysseas esteve muito bem na primeira parte, mas tem muitas responsabilidades no primeiro golo do Chaves, pois a barreira estava pessimamente colocada e deveria ter mais do que dois jogadores, e mesmo assim ele tinha obrigação de fazer melhor numa bola rematada de tão longe.

Dois pontos deitados fora e com uma boa dose de certeza o desperdício da vantagem psicológica que seria entrar em campo contra o Porto em situação de vantagem. Tudo isto porque nos revelámos incapazes de controlar um jogo contra o Chaves, mesmo tendo entrado nele a ganhar. Não sei se estavam com a cabeça no jogo da Grécia, mas se estavam isso não é admissível. Não há forma de pintar isto forma positiva: a exibição foi má e foram dois pontos que deixámos fugir.

segunda-feira, setembro 24, 2018

Fácil

Vitória fácil do Benfica num jogo relativamente simples, em que foi muito superior ao adversário e onde mesmo sem fazer uma exibição de gala, o que jogou deu e sobrou para vencer. E poderia até ter construído um resultado bem mais confortável do que o 2-0 com que acabou.


O onze inicial incluiu duas estreias a titulares: o Gabriel no lugar do Gedson, e o João Félix do lugar do Cervi. Expectativa portanto para ver em acção um dos reforços mais sonantes desta época e ainda o puto Félix, cujo potencial e talento já conhecemos bem. E ele depressa quis mostrar ao que vinha, pois na primeira vez que pegou na bola deixou logo dois adversários para trás de uma forma que até pareceu fácil. O Benfica nunca tentou impôr um ritmo frenético ao jogo, que se iniciou com os campos trocados devido a uma qualquer jogada psicológica que o Aves quis fazer. O calor que se fazia sentir provavelmente não era convidativo a grandes correrias. Os esticões que apareciam era sobretudo dados pelo suspeito do costume (Salvio) embora uma boa parte deles acabasse em perdas de bola devido a individualismos exagerados. A presença do Gabriel no meio campo dá mais músculo à equipa e o brasileiro deixou boas indicações. Tem um bom pé esquerdo e tenta quase sempre jogar simples, endereçando rapidamente a bola a um colega melhor colocado e fazendo fluir o jogo. Ao lado dele, o Pizzi mostrava a faceta inversa ao preferir conduzir a bola no pé e frequentemente demorando demasiado até fazer o passe. O Aves era inofensivo no ataque, ainda que tentasse fazer uma pressão alta na nossa saída de bola. Mas o principal objectivo era não sofrer golos, e por isso pouco arriscavam. Mesmo a jogar sem grande velocidade, as ocasiões começaram a aparecer, e quase sempre pelo Salvio, que poderia perfeitamente ter chegado ao intervalo com um hat trick. Mas coube ao miúdo João Félix abrir o marcador (já tinha visto um golo ser bem anulado por fora-de-jogo) após um óptimo passe do Pizzi, que o deixou isolado para uma finalização cheia de classe. Logo a seguir o Salvio somou mais uma grande ocasião, acertando um remate cruzado no poste naquilo que seria um grande golo. Só mesmo no último minuto é que Aves deu um ar da sua graça, numa iniciativa individual do Elhouni (não sei se este jogador ainda nos pertence ou não).


A segunda parte começou praticamente com nova ocasião de golo para o Aves. Um livre directo em óptima posição, e o Odysseas a voar para impedir a bola de entrar mesmo junto ao ângulo superior da baliza. Foi a defesa do jogo e poupou-nos os aborrecimentos que naturalmente resultariam do facto do Aves empatar logo a abrir. Pouco depois uma contrariedade para o Benfica, com o João Félix a lesionar-se sozinho e a ter que sair, dando o lugar ao Cervi. Mas depois de mais um susto numa jogada em que um adversário fugiu com demasiada facilidade ao Jardel e rematou à malha lateral, acabou por ser precisamente o Cervi a marcar o golo da tranquilidade. Uma jogada de envolvimento pela direita levou a bola ao argentino no limite da área e o remate deste, que nem parecia particularmente forte (foi feito de pé direito) acabou por desviar num defesa e fazer a bola acabar no fundo da baliza. A partir daqui o jogo mudou para pior. O Aves já tinha aberto um pouco mais quando minutos antes tinha colocado um segundo avançado em campo, e o Benfica fez o mesmo poucos minutos após o golo. Assistimos ao regresso do Jonas à competição e passámos a jogar em 4-4-2. O resultado disto foi um jogo muito mais aberto de parte a parte, mas onde ambas as equipas cometiam erros atrás de erros, quer na defesa, quer no ataque. Maus passes, perdas de bola infantis, erros na saída de bola, etc. Tudo isto resultou num jogo animado, mas que chegou a deixar-me irritado ao ver situações promissoras no ataque a serem desperdiçadas por maus passes ou más decisões, e os nossos defesas por vezes a complicar aquilo que parecia ser fácil (até o Fejsa eu vi a fazer disparates, ele que por regra não complica nada). Poderíamos ter marcado mais um ou dois golos - e o Jardel ainda acertou na barra - mas também poderíamos ter sofrido. Ficou tudo na mesma mas infelizmente vimos mais um jogador a sair lesionado, desta vez o Grimaldo, depois de uma entrada de um adversário.


O Salvio, pese os muitos disparates individualistas que fez, foi um dos principais animadores no ataque. Gostei do que vi do Gabriel e acho que poderá vir a ser um jogador muito importante nesta equipa, porque nos dá bastante poder de choque no meio sem no entanto perdermos capacidade técnica. O João Félix também estava a fazer um jogo bastante interessante, e espero que a lesão não seja grave (tal como a do Grimaldo, que é um jogador fundamental). O Seferovic esteve bastante interventivo no jogo, mas faltou-lhe o golo que tanto procurou.

Na ressaca europeia os três pontos foram somados, conforme se exigia. Depois do início de época infernal, finalmente começámos a ver alguma rotação a ser feita, e quando penso no regresso do Jonas e em breve do Krovinovic acho que temos plantel mais do que suficiente para podermos gerir o esforço dos jogadores de forma eficaz sem perder qualidade. Seguimos na frente e agora é preparar bem a visita a Chaves, num jogo que acabei de descobrir vai ser estranhamente jogado na quinta-feira.

quinta-feira, setembro 20, 2018

Receio

Duas equipas de planetas diferentes. Creio que todos nós temos a perfeita noção de que o Bayern é bastante mais forte, e que seria sempre difícil e até algo surpreendente alcançarmos um resultado positivo esta noite. Mas custou-me um pouco deixar o estádio com a sensação de que entrámos em campo convencidos que essa surpresa seria impossível. Pareceu-me que houve excessivo respeito pelo adversário da nossa parte, ao ponto de se poder confundir com receio.


A história do jogo é simples de contar. O Benfica raramente conseguiu incomodar o Bayern, que pareceu estar sempre bastante confortável no jogo. O Benfica até deixava homens na frente para travar a saída de bola dos alemães, mas depois a pressão sobre o portador da bola era relativamente macia, com os nossos jogadores a mostrarem demasiada cerimónia em meter o pé. O Bayern nunca pareceu ter que carregar muito, mas com os jogadores que tem na frente pode sempre criar um golo num abrir e fechar de olhos. E vimos isso acontecer logo ao fim de dez minutos. Entrada do Ribéry pela nossa direita, bola passada para o Alaba, que subiu desacompanhado, e centro feito desde a linha de fundo para o Lewandowski, que teve a calma e a classe de evitar rematar de primeira para deixar o defesa cair, antes de colocar a bola no poste mais distante. Até parece fácil. Já para o Benfica, atacar parecia tudo menos fácil. Com os três jogadores da frente a terem uma noite particularmente desinspirada, o golo parecia quase uma miragem. De um modo geral, o Bayern foi sempre deixado quase à vontade para trocar a bola na sua zona defensiva. Os nossos jogadores não arriscavam pressionar os adversários em cima, e quando subiam um pouco mais rapidamente o Bayern colocava a bola em passes longos para os homens da frente criarem perigo. O Renato Sanches em particular recebia quase sempre a bola à vontade no meio do campo e depois tinha uns bons vinte ou trinta metros de terreno livre à sua frente para progredir. E por isso quase sem se dar conta, o Bayern criou mais duas ocasiões soberanas na primeira parte para voltar a marcar. Valeu-nos o Odysseas, que em ambas evitou o golo do Robben quando este lhe surgiu isolado, uma delas depois de um erro inadmissível do Rúben Dias. Nos minutos finais o Benfica adiantou-se mais no terreno e começou a conseguir recuperar bolas no meio campo adversário, mas sem criar grandes situações de finalização. Raramente conseguimos entrar na área adversária ou sequer fazer cruzamentos, e a única ocasião de perigo criada resultou de uma rara situação em que a defesa adversária foi pouco lesta a tirar a bola, acabando com um remate do Salvio já muito perto da baliza que foi defendido pelo Neuer para canto.


Não esperava grande evolução na segunda parte, e ela foi tão parecida à primeira que o Bayern até marcou mais ou menos na mesma altura, e numa jogada quase igual à do primeiro golo. Realce para o facto do golo ter começado numa situação em que o Benfica até tinha subido para pressionar os jogadores do Bayern junto à sua área. O Kimmich parecia estar mesmo em apuros, mas ao fim de poucos segundo a bola estava dentro da nossa baliza. Bastou um toque do Robben a libertar o Renato Sanches, que mais uma vez se apanhou solto e com dezenas de metros para correr com a bola. Levou-a desde o meio campo defensivo alemão até perto da nossa área, soltou-a para a direita da nossa defesa no Lewandowski, e este esperou pela entrada de um colega, mais uma vez desacompanhado, e que mais uma vez fez o centro desde a linha de fundo para a zona frontal da baliza, onde o Renato apareceu completamente à vontade para fazer o golo. Não o festejou, como era previsível, e foi bastante aplaudido pelo gesto, como era igualmente previsível. O golo foi uma espécie de ponto final no jogo. Não é que alguma vez me parecesse que o Benfica mostrasse capacidade para discutir o resultado, mas com dois golos de desvantagem nem sequer poderíamos ter esperança que algum lance fortuito nos permitisse o empate. Ainda respondemos com a melhor situação de golo em todo o jogo, um cabeceamento do Rúben Dias num canto que obrigou o Neuer a uma grande defesa, mas pouco depois pareceu que o próprio Benfica percebeu que dificilmente chegaria lá. Pelo menos as substituições do Salvio e do Pizzi passaram para o público a ideia de que estaríamos já a poupar dois jogadores importantes para o próximo jogo. Não é que algum deles estivesse a ter uma noite particularmente brilhante (a exibição do Salvio então foi atroz) mas são sempre dois jogadores de quem se espera um lance decisivo. Mas mesmo sem eles em campo, na fase final do jogo o Bayern relaxou um pouco e deu mais espaço na defesa. Não o aproveitámos muito (sempre alguma cerimónia na altura de rematar, e depois quando o fazíamos já não era na situação ideal) mas surgimos mais frequentemente perto da baliza adversária e até deu para equilibrar um bocadinho a estatística dos remates, que chegou a estar muito desnivelada. Perto do final, ainda deu para o Odysseas negar o golo ao Robben pela terceira vez.


Como destaques escolho o Grimaldo e o Odysseas. O primeiro pareceu-me ser dos poucos que jogaram a um nível parecido ao que nos habituaram, nunca desistindo de tentar atacar pelo seu flanco, mesmo que desta vez mal acompanhado pelo Cervi. O guarda-redes pouco podia ter feito nos golos sofridos, mas salvou as três situações referidas frente ao Robben.

Foi uma má forma de iniciar mais uma campanha na Champions. Todos sabemos que o Bayern é mais forte, mas pareceu-me que a vitória alemã foi demasiado fácil. Seguem-se dois jogos fora, e é imperativo conquistar pontos em ambos se queremos alimentar qualquer esperança de seguir em frente.