sábado, março 18, 2017

Zero

Se dissesse que não estava à espera de um resultado destes, estaria a mentir. Sou pessimista por natureza e sabia que era fundamental, para termos a tarefa mais facilitada na próxima jornada, não perder pontos em Paços de Ferreira. Os nossos inimigos estavam todos à espera que falhássemos. Obviamente que lhes fizemos a vontade, jogámos pouco, acabou tudo a zero e perdemos pontos em Paços de Ferreira, porque facilitismos não são para nós.


E não podemos queixar-nos de mais nada a não ser de nós próprios. Não foi o árbitro, não foi o antijogo do adversário - o Paços não o fez, limitou-se a jogar à defesa sem recorrer grandemente a simulação de lesões e perdas escusadas de tempo - não foi o estado do relvado (estava excelente), nem foi o ambiente adverso, porque o Benfica jogou em casa, com as bancadas repletas e quase todas pintadas de vermelho. Nós é que, de uma forma muito simples, não jogámos nada. Lamento, mas não encontro outra forma de descrever o nosso jogo. Fomos uma equipa completamente sem ideias, com extremos completamente desinspirados e uma dupla de avançados que fez praticamente tudo mal neste jogo. O Jonas foi uma sombra daquilo que sabe e pode fazer, e o Mitroglou parecia incapaz de controlar uma bola. Só assim se justifica que perante uma equipa que na primeira parte se limitou a defender, e tendo nós conseguido uma posse de bola avassaladora - bem acima dos 70% - tenhamos apenas conseguido construir, que eu me recorde, duas ocasiões de golo. Um cruzamento do Jonas na esquerda, ao qual o Salvio correspondeu no segundo poste atirando para a bancada quando tinha a baliza à sua mercê (mas já tinha chegado em esforço à bola) e um remate fabuloso do Eliseu, de muito longe, que levou a bola a embater no ângulo da baliza. Porque de resto, um jogo muito embrulhado, confuso, com demasiados passes redundantes e sem objectivo concreto, e uma preocupante falta de imaginação para encontrar soluções contra uma equipa acantonada junto à sua área. A segunda parte não foi melhor; foi aliás pior. À medida que o tempo ia passando, a qualidade do nosso jogo foi caindo cada vez mais, e a ausência de ocasiões de perigo foi cada vez mais notória - lembro-me de um remate do Pizzi para as mãos do guarda-redes, e talvez um cruzamento/remate do Nélson Semedo, e pouco mais. As substituições que foram sendo feitas pouco ou nada mudaram no jogo, e provavelmente até o tornaram ainda mais confuso. A atroz falta de ideias da nossa equipa ficou para mim demonstrada de forma dolorosamente evidente num dos últimos lances do jogo. Já em período de descontos, beneficiámos de um livre em posição frontal à baliza. Encarregado de o marcar, em vez de aproveitar para rematar o Jonas preferiu tentar picar a bola por cima da barreira, com tanto jeito que acabou por sair o que na prática foi um passe directo para a cabeça de um dos jogadores que estavam na barreira. 


Nem me vou dar ao trabalho de fazer destaques neste jogo. Sinto-me desiludido pela nossa equipa e pela qualidade de jogo que apresentou num encontro que era - como são todos até ao final - fundamental para que consigamos atingir o nosso objectivo. Por muito que custe, a verdade é que o nulo final ajusta-se ao pouco que o Benfica conseguiu produzir neste jogo em termos ofensivos. Nada está, obviamente, perdido. Mas com este resultado, e se o Porto vencer o seu jogo, parece-me que a situação da corrida para o título começa a ficar muito simplificada: ou vencemos o Porto na próxima jornada, ou então a nossa posição ficará muito fragilizada. Pode ser que de alguma forma isto acabe por ser positivo. A obrigatoriedade de vencer pode ser um estímulo para que façamos um bom jogo, o que poderia não acontecer se tivessemos a possibilidade de nos 'encostar' a um empate.

terça-feira, março 14, 2017

Resposta

Para desilusão de muito boa gente o Benfica não se deixou abalar pelo pesado desaire em Dortmund para a Champions. A resposta foi uma goleada ao Belenenses, obtida de forma tranquila e sem que a equipa tenha parecido sequer esforçar-se muito. E assim o Porto foi obrigado a entregar a 'liderança' que tinha conquistado há uns dias - o Porto agora conquista sempre a 'liderança' quando joga antes do Benfica, ignorando-se quase sempre a parte do 'à condição'. Nem que seja por um par de horas, parece ser muito importante designar sempre que possível o Porto como 'líder' e reafirmar até à exaustão o quanto o Benfica está 'sob pressão'.


Uma surpresa no onze inicial, com a ausência à última da hora do Nélson Semedo. Tem sido um dos jogadores mais influentes esta época, mas no final do jogo não teríamos motivo de queixas do André Almeida, que foi quem naturalmente o substituiu. De resto foi o onze esperado, ainda com o Fejsa ausente. A entrada do Benfica no jogo foi agradável. A pressionar alto, remetendo o Belenenses à defesa e recuperando rapidamente a bola ainda no meio campo adversário. E a recompensa chegou cedo, logo aos doze minutos, resultando precisamente da postura mais agressiva dos nossos jogadores em campo. Um passe longo do Pizzi para as costas da defesa adversária parecia perdido, mas o André Almeida acreditou e acabou por conseguir aproveitar um erro grosseiro do Miguel Rosa, que com o peito tentou atrasar a bola para o seu guarda-redes e deixou simplesmente a bola à mercê do André para uma finalização simples. Parecia que estava tudo encaminhado para um jogo tranquilo, mas depois do golo deu a ideia de ter desligado. Imediatamente abrandou o ritmo e a pressão, parecendo mais interessada em manter a posse da bola e jogar pelo seguro. Havia pouca dinâmica na equipa em geral, com poucos jogadores a acompanhar o portador da bola para lhe proporcionar soluções de passe. De uma forma simples, quem tinha a bola corria com ela enquanto que o resto da equipa ficava a olhar. Isso era particularmente visível sempre que alguém tentava sair para o contra-ataque, porque em quase todas essas situações, a bola acabava por ser passada para trás até chegar aos pés dos centrais, para depois se dar início a um ataque organizado em que quase não havia progressão - em certas alturas isto tornou-se tão evidente que testou mesmo a paciência dos quase cinquenta e quatro mil espectadores que se deslocaram à Luz. Até porque o Belenenses não conseguia dar qualquer tipo de resposta, pelo que assistíamos a um jogo em que o Benfica tinha uma posse de bola esmagadora mas quase nada acontecia.


O Belenenses veio para a segunda parte um pouco mais atrevido, e já sabemos que quando uma equipa arrisca abrir mais na Luz normalmente o Benfica sabe aproveitar. O jogo recomeçou de forma visivelmente mais interessante do que aquilo que tinha sido durante mais de metade da primeira parte, com oportunidades a surgir para ambas as equipas. O primeiro grande aviso veio da parte do Belenenses, quando seis minutos após o reinício um grande remate de fora da área do Miguel Rosa levou a bola ao poste da nossa baliza. Praticamente na resposta, o Benfica fez o segundo golo. Na conclusão de uma transição rápida o Salvio deixou a bola num passe atrasado para o Mitroglou e de primeira, de fora da área, o grego colocou a bola sem hipóteses de defesa para o guarda-redes, que se limitou a seguir a bola com os olhos. O Belenenses respondeu com mais uma boa ocasião, na qual o Maurides cabeceou ao lado quando estava em óptima posição, mas aos sessenta minutos o Benfica matou de vez o jogo, com mais um remate de fora da área. Desta vez foi o Salvio quem recebeu um passe do Zivkovic e depois rematou rasteiro e colocadíssimo, levando a bola a entrar bem junto da base do poste e fora do alcance da estirada do guarda-redes. A partir deste terceiro golo o jogo abriu ainda mais, e um goleada do Benfica começou a ganhar contornos bem mais reais. O quarto golo, aliás, era quase uma inevitabilidade, e só não aconteceu antes porque o Jonas, depois de se isolar, pareceu querer oferecer o golo ao Mitroglou e a ocasião perdeu-se. Novamente o Jonas, num remate de primeira após um canto marcado para a entrada da área, esteve perto de marcar. E o Belenenses continuava a tentar responder e também criava situações para marcar, tendo numa delas obrigado o Ederson a uma boa defesa, e noutra visto o André Almeida impedir o desvio para a baliza depois da bola já ter passado pelo Ederson. Só que em cada contra-ataque o Benfica deixava a ideia de poder voltar a marcar, desperdiçando até várias jogadas por, na minha opinião, as adornar em demasia com mais um toque em habilidade, mais um passe difícil, ou parecer que queriam entrar com a bola pela baliza dentro. Mas já no período de descontos o Jonas obteve mesmo o golo que já merecia, depois de ficar isolado na área por um passe da esquerda do Mitroglou. Foi talvez uma punição demasiado severa para o Belenenses, mas a vitória do Benfica não merece qualquer contestação.


O André Almeida foi mesmo um dos melhores esta noite, destacando-se sobretudo da apatia geral durante quase toda a primeira parte. Não só pelo golo, mas também pelo envolvimento ofensivo, com vários cruzamentos de muito boa qualidade que mereciam melhor aproveitamento. O Luisão também esteve a um bom nível, e o Salvio deve ter feito o seu melhor jogo dos últimos três meses (pelo menos). Bastou para isso que levantasse a cabeça e jogasse com os colegas. O Mitroglou e o Jonas fizeram sobretudo uma boa segunda parte, mas o Jonas em particular não sabe jogar mal. Vários pormenores de classe, e hoje pareceu estar mais solto do que nos últimos jogos. Espero que tenha debelado de vez os problemas físicos. O Samaris não é o Fejsa, isso estamos fartos de saber, mas o principal problema são os inúmeros passes falhados. Sobretudo quando são passes de risco, e isso aconteceu diversas vezes hoje.

De volta à realidade nacional, o Benfica fez o que lhe competia. Impôs a sua superioridade sobre o adversário, venceu com relativa tranquilidade, respondeu à goleada do adversário directo com uma goleada igual e manteve a liderança do campeonato (sim, manteve porque nunca a perdeu). É mais uma etapa ultrapassada, e há que continuar neste registo.

quarta-feira, março 08, 2017

Natural

Um desfecho natural e justo. Venceu o jogo quem mais o quis vencer e a melhor equipa passou com (excessiva) facilidade a eliminatória. Entrámos no jogo praticamente a perder, ainda conseguimos encontrar o rumo durante algum tempo, mas o segundo golo (e o terceiro, de rajada) acabaram com quaisquer ilusões.


A estratégia do Benfica passava claramente por segurar a magra vantagem conquistada na primeira mão, como o atesta a presença do André Almeida nas escolhas inicias para jogar no meio campo (cuja principal contribuição para o jogo foi andar a fazer faltas, mas pelo menos elogie-se a extensa área de acção, já conseguiu andar a fazê-las por todo o campo, desde a entrada da área do Dortmund até à entrada da nossa área). Mas qualquer estratégia de gestão da vantagem começou a ruir muito cedo, com o golo madrugador do Dortmund. Na sequência de um canto, bola ganha ao primeiro poste e depois o Aubameyang antecipou-se ao Nélson Semedo no segundo poste para cabecear com sucesso. O Benfica revelou grandes dificuldades para conseguir sair a jogar durante a fase inicial do jogo, e apenas a partir do meio da primeira parte conseguiu assentar um pouco o seu jogo e começar a sair com a bola controlada. Conseguimos manter o Dortmund longe da nossa baliza, e até dispusemos de um par de ocasiões para rematar, mas fizemo-lo sempre com pouca convicção e na direcção do guarda-redes suíço do Dortmund. Enquanto o resultado se mantivesse na margem mínima a eliminatória estava em aberto, e por isso a postura de contenção e de calma do Benfica perante o jogo foi-se mantendo. E nos instantes iniciais da segunda parte até tivemos uma ocasião soberana para dar outro rumo à eliminatória, quando o Cervi aproveitou uma sobra para receber a bola completamente à vontade no interior da área, em posição frontal. Mas o argentino demorou demasiado tempo a executar o remate, e este foi interceptado por um defesa. Este lance foi na prática o canto do cisne do Benfica no jogo, porque não voltámos a criar qualquer ocasião no jogo. 


Depois, jogos como o da primeira mão não acontecem todos os dias. O nível de desperdício que o Dortmund revelou nesse jogo dificilmente se voltaria a repetir, o que aliás já se tinha verificado quando eles marcaram logo na primeira (e praticamente única) ocasião que construíram na primeira parte. E à segunda, voltaram a não perdoar. A bola andou demasiado tempo na zona frontal da nossa área sem que algum dos nossos jogadores saísse a pressionar, o Piszczek teve tempo para levantar a cabeça e decidir o que fazer, e numa segunda vaga (o Ederson já tinha conseguido evitar o golo numa saída rápida aos pés do Aubameyang instantes antes) um passe para as costas da nossa defesa deixou o Pulisic isolado para picar a bola à saída do nosso guarda-redes. E dois minutos depois, a estocada decisiva na eliminatória. Cruzamento da direita, sem levar muita força, mas o Luisão não atacou decisivamente a bola e deixou-a passar para o Aubameyang aparecer completamente sozinho no meio a empurrar com facilidade para a baliza. Com mais meia hora para jogar pareceu-me que já estava tudo decidido, porque não reconhecia ao Benfica capacidade para marcar os dois golos que seriam necessários para se colocar em vantagem, e aliás tinha a sensação que com o Benfica a fazer substituições e muito provavelmente a arriscar mais no ataque, muito provavelmente seria o Dortmund a voltar a marcar. Acabou por marcar mesmo, a cinco minutos do final, numa altura em que o Benfica já era uma balbúrdia táctica (jogávamos com três avançados, depois da entrada do Jiménez), metade da equipa já nem recuava e a maior parte das marcações eram mais feitas com os olhos. Marcou o Aubameyang, que assim completou o hat trick, apesar de estar em posição irregular. Nenhum dos nossos centrais conseguiu interceptar o passe rasteiro feito a partir da esquerda da nossa defesa, e ele limitou-se a aparecer ao segundo poste para empurrar para a baliza deserta.

Agora o mais importante será saber separar as águas e não deixar que esta pesada derrota tenha qualquer influência no próximo jogo para o campeonato. O jogo de hoje passou a ser passado assim que o árbitro apitou para o seu final. Se o Benfica tivesse passado, seria um feito brilhante. Assim imperou simplesmente a lei do mais forte. A prioridade desta época é a conquista do tetra, e por isso é fundamental que a nossa equipa consiga rapidamente limpar a cabeça e regressar às vitórias.

domingo, março 05, 2017

Nervoso

Desta vez o Mitroglou não marcou, mas marcou o Pizzi e o seu golo valeu-nos mais três pontos e a manutenção no topo da tabela, num jogo que não foi fácil e que por não termos sido capazes de o matar acabou por me deixar mais nervoso do que desejaria. Não tanto pelo desenrolar do jogo, mas apenas pelo facto da margem mínima me deixar sempre com receio de sofrermos algum golpe de azar.


A ausência forçada do Nélson Semedo foi colmatada, como esperado, pelo André Almeida. No meio campo o Fejsa continuou de fora, portanto o Samaris voltou a ser opção, e manteve-se a aposta no Zivkovic para jogar nas costas do avançado. As alas ficaram entregues ao Salvio e ao Carrillo, o que significou a ida do Rafa para o banco. O jogo começou logo com uma ocasião de algum perigo para o Feirense nos primeiros segundos, depois de uma perda de bola infantil no nosso meio campo defensivo (um passe disparatado do Salvio) ter resultado num remate que desviou no Luisão e não passou nada longe da baliza. Os primeiros minutos mostraram um jogo dividido, no qual o Benfica tinha mais posse de bola mas não conseguia ser particularmente perigoso no ataque e as ocasiões de golo rareavam. A primeira grande oportunidade surgiu apenas aos vinte minutos, num contra-ataque muito rápido a seguir a um pontapé de canto a favor do Feirense. Conseguimos sair com quatro jogadores de forma muito rápida, mas depois o Salvio resolveu seguir o guião que o rege nos últimos tempos e esquecer-se que joga numa equipa. Com dois colegas completamente isolados em posição frontal à baliza, decidiu fazer tudo sozinho e a jogada acabou com um remate cruzado, rasteiro e com pouca força para as mãos do guarda-redes. A partir do meio da primeira parte o Benfica pareceu conseguir ser capaz de criar mais perigo pelas alas, e aproximou-se mais da baliza adversária, mas o jogo estava complicado porque assim que perdia a bola o Feirense recuava rapidamente e juntava os jogadores em frente à sua área, colocando toda a equipa atrás da linha da bola. O Mitroglou deu o sinal de perigo seguinte, num cabeceamento que foi defendido com alguma dificuldade. Mas o Feirense não era uma equipa inofensiva, e criou também uma grande ocasião para marcar, quando um cruzamento foi desviado pelo Luisão e deixou a bola à boca da nossa baliza e à mercê de um adversário, que no entanto chegou à bola já pressionado e acabou por atirar por cima quando Ederson já estava batido. Foi já muito perto do intervalo que chegámos ao golo, numa jogada em que o Zivkovic pressionou os jogadores do Feirense e impediu que conseguissem afastar a bola das imediações da área, e depois o Carrillo surgiu na zona central a fazer um excelente passe para o Pizzi, que no interior da área trabalhou de forma exemplar e trocou os pés ao marcador directo de tal forma que ele acabou no chão, e depois teve a calma suficiente para deixar o guarda-redes cair para um lado e colocar a bola para o outro.


Na segunda parte o Feirense tentou ser um pouco mais atrevido. Apareceu mais vezes junto da nossa área, mas com isso naturalmente que também abriu mais espaços atrás que permitiram ao Benfica criar mais ocasiões para marcar. Mas hoje estivemos menos inspirados na finalização e fomos adiando o golo da tranquilidade, o que acaba sempre por criar nervosismo à medida que o tempo vai passando. Nem sequer o Mitroglou esteve nos seus dias, e desperdiçou duas excelentes ocasiões para marcar. A primeira foi quando não aproveitou provavelmente aquela que terá sido a única contribuição positiva do Salvio no jogo, em que ganhou uma bola ao guarda-redes e a passou ao grego, para depois este rematar contra um defesa quando o guarda-redes estava fora da baliza. A segunda foi quando surgiu solto ao segundo poste, mas cabeceou de forma disparatada um bom cruzamento do André Almeida. O Cervi entretanto rendeu o Carrillo, e imediatamente desperdiçou também uma boa ocasião para marcar, permitindo o corte de um defesa no último instante quando estava em boa posição dentro da área. Pouco depois, assistiu o Salvio para este, mais uma vez em óptima posição e sem marcação no interior da área, rematar e fazer a bola passar a centímetros do poste. Pelo meio, o Feirense teve a sua grande ocasião de golo na segunda parte e pregou-nos o maior susto, quando após um canto alguém conseguiu um ligeiro desvio na direcção da baliza, mas por sorte o Ederson defendeu com os pés por instinto e a bola ficou ali parada, numa altura em que parecia ter perdido por completo a noção de onde ela estava, conseguindo depois ser o mais rápido a reagir para a agarrar. Mas isto acabou por ser uma excepção, porque a verdade é que o Benfica foi bastante eficaz na gestão do resultado e da posse de bola durante toda a segunda parte, sendo um bom exemplo disso o período de descontos, que foi quase todo passado com a bola nos pés dos nossos jogadores perto da área do Feirense - e só não foi mesmo todo porque nos instantes finais um jogador do Feirense se atirou para cima do Samaris e o árbitro assinalou falta, o que lhes permitiu despejar a bola para próximo da nossa área (e serem apanhados em fora de jogo).


Foi mais um daqueles jogos em que fiquei com a impressão de que a vitória se deveu sobretudo a um trabalho colectivo. O terreno estava pesado, o jogo foi difícil, e não foi ocasião para grandes brilhos individuais. Para mencionar alguém, só mesmo o Salvio e pela negativa. Foi um jogo bastante infeliz da parte dele, na sequência aliás do mau momento de forma que parece atravessar. E que se deve sobretudo à insistência em individualismos desnecessários. O lance de contra-ataque que desperdiçou foi de um egoísmo inaceitável que nos podia ter custado muito. Talvez fosse uma boa altura para experimentar o banco por algum tempo, porque o que não nos faltam são opções para jogar nas alas.

Se alguém ainda duvida das más intenções da SportTV em relação ao Benfica, basta que prestem atenção à realização do jogo desta noite para dissipar quaisquer dúvidas. Foi um compêndio. Qualquer lance em que um jogador do Feirense entrasse na nossa área era repetido até à exaustão, de todos os ângulos possíveis. À procura, literalmente, de qualquer coisa. Qualquer coisa a que se pudessem agarrar e criar polémica. No início da segunda parte, há um lance em que um jogador do Feirense se isola e o lance só não criou mais problemas porque o Ederson foi rapidíssimo a sair da baliza e quando o remate é feito já o nosso guarda-redes está quase em cima da bola. Na primeira repetição dá para perceber perfeitamente que o jogador do Feirense está em posição irregular. Nunca mais a voltámos a ver, nem qualquer linha de fora de jogo. É com isto que temos que conviver, e isto é mais uma forma de pressionar os árbitros. Encobrir ou desvalorizar lances em que sejamos prejudicados (classificá-los de 'lances de televisão', ou 'dar o benefício da dúvida' ao árbitro) e andar literalmente a esquadrinhar todos os segundos de um jogo para encontrar qualquer coisa que possa ajudar a fazer passar a ideia de que fomos beneficiados, repetindo depois esses lances até à exaustão. Não nos podemos distrair, não podemos facilitar. Há toda uma campanha montada para nos desviar do tetra.

quarta-feira, março 01, 2017

Morno

Em dia de aniversário, um resultado positivo num jogo morno e pouco conseguido da nossa equipa deixou-nos com muito boas perspectivas de apuramento para o Jamor. Apesar do Benfica ter sido quem mais procurou a vitória, a qualidade do nosso jogo foi sofrível e isso ajuda a explicar a vitória arrancada quase no último suspiro contra um adversário que mostrou tão poucos argumentos.


Houve mudança na baliza, onde jogou o Júlio César, no centro da defesa, onde o Jardel substituiu o Luisão (também nas funções de capitão) e no meio campo, tendo jogado o Filipe Augusto e o Carrillo em vez do Pizzi e do Salvio. A exemplo da segunda parte contra o Chaves, foi o Zivkovic quem apareceu mais frequentemente a jogar atrás do avançado, e o Rafa encostado à esquerda. O Benfica, na minha opinião, fez um jogo em 'decrescendo'. Pareceu-me que entrámos relativamente bem e a jogar com alguma velocidade, mas ao longo do tempo a intensidade foi diminuindo e a segunda parte foi quase toda jogada a meio gás, com excepção dos últimos minutos. O jogo para mim fica inevitavelmente marcado por (mais) um desperdício inacreditável do Rafa logo nos minutos iniciais - tivesse esse golo sido marcado e provavelmente o jogo seria muito diferente. Depois de receber a bola, à vontade, e perto da linha da pequena área, o Rafa conseguiu acertar com a bola nas mãos do guarda-redes. Não consigo sequer considerar aquilo uma defesa, para mim é um falhanço mesmo porque era uma ocasião ainda mais flagrante do que um penálti. O Estoril jogava simplesmente para o empate, na esperança que algum erro do Benfica lhe proporcionasse um improvável golo, e um disparate do Júlio César, em que entregou a bola a um adversário, quase que satisfez esse desejo - felizmente não havia qualquer adversário no meio para aproveitar o centro quando a baliza estava completamente desguarnecida. O Benfica, apesar de ter mais bola e atacar mais, poucas ocasiões criava mas acabou por chegar ao golo aos trinta e seis minutos, pelo inevitável Mitroglou, que ao segundo poste desviou um cruzamento perfeito vinda da esquerda da autoria do Zivkovic. 


Pensei que o jogo estaria mais ou menos encaminhado, mais ou menos um golo para o Benfica, mas apenas quatro minutos depois o Eliseu cometeu um penálti perfeitamente escusado, ao interceptar um cruzamento com o braço, e o Estoril empatou. Nesse lance o Filipe Augusto lesionou-se e acabou substituído pelo Pizzi. A segunda parte foi, na sua maioria, um bocejo. O Estoril continuava a mostrar-se interessadíssimo num empate que o deixava já em desvantagem para a segunda mão, e o Benfica não parecia lá muito interessado em correr muito para ganhar o jogo. Muitas trocas de bola na zona do meio campo entre os médios e os defesas, quase sempre sem qualquer tipo de progressão no terreno. De relevante, do lado do Estoril um remate cruzado do Kléber que passou perto do poste, e do nosso (ainda) mais uma perdida do Rafa em boa posição. Só nos minutos finais, e já com as presenças do Cervi e do Jiménez em campo (saíram o Rafa e o Carrillo) é que as coisas se animaram um pouco. O Mitroglou deu o aviso, mas o remate após passe atrasado do Cervi falhou a baliza por pouco depois de tabelar num defesa. Mas marcou mesmo a um minuto do final, numa jogada em que o Eliseu, de calcanhar(!) desmarcou o Cervi pela esquerda da área e este fez o passe para o centro, onde o Mitroglou com um toque parou a bola e com outro marcou. Já ouvi dizer que estava adiantado, mas de onde eu estava no estádio é impossível confirmar isso. E antes do apito final foi por centímetros que o Zivkovic, numa cabeçada em salto rente à relva depois de um cruzamento do Cervi, não fez o terceiro golo. Como é fácil notar, há um ponto em comum nestas três situações que referi: o Cervi esteve envolvido em todas elas.


O Mitroglou, e como vem sendo hábito ultimamente, é o homem do jogo. Apesar de alguns cruzamentos sem nexo, gostei do Zivkovic, que foi sempre dos mais activos no jogo, inclusivamente em recuperações defensivas. O Jardel também fez um bom jogo e a entrada do Cervi foi importante, pois mexeu com um jogo que estava praticamente estagnado - custa-me um pouco a perceber a sua súbita perda de protagonismo relativamente à fase inicial da época. É certo que o Zivkovic recuperou da lesão e se tornou uma opção válida, mas por exemplo o Rafa ainda não deu muitos exemplos que justifiquem estar à frente do argentino nas escolhas. Acho que já escrevi isto antes, mas o Rafa é, muito provavelmente, o pior finalizador que eu já vi jogar pelo Benfica. Pode ter outras qualidades que serão úteis à equipa, mas meter a bola na baliza é definitivamente um ponto muito fraco do seu jogo.

Ficámos com a eliminatória bem encaminhada, mas agora é preciso voltar a focar atenções no campeonato. E será necessário jogar bem mais e melhor do que isto para trazermos os três pontos da visita ao Feirense. Porque senão só estamos mesmo a convidar dissabores.

sábado, fevereiro 25, 2017

Bonito

Um triunfo importante frente a uma das boas equipas do nosso campeonato. Com uma equipa bem montada e organizada, o Chaves sabe tirar o melhor partido dos argumentos que possui, e mesmo sem recorrer a tácticas de antijogo conseguiu frequentemente criar dificuldades ao nosso ataque e vender cara a derrota. Foi um jogo bonito e agradável de acompanhar, ao contrário de tantos outros em que mesmo ganhando de forma mais confortável acabamos por nos irritar constantemente devido ao futebol negativo do adversário. O Chaves pode ter orgulho na forma como jogou e certamente que conquistou o respeito da grande maioria dos benfiquistas.


Apesar da recuperação do Jonas, o Benfica apresentou o mesmo onze que tinha alinhado em Braga à excepção do Fejsa, que estando lesionado deu o seu lugar ao Samaris. Já estou habituado a que de uma forma ou outra o Benfica acabe por arranjar soluções para as várias ausências com que temos sido confrontados esta época, mas confesso que fico sempre um pouco mais apreensivo quando o Fejsa não joga. Para mim ele é uma espécie de fulcro de toda a equipa; a peça que acaba por dar um necessário equiíbrio quer à defesa, quer ao meio campo. E a forma como o Samaris surgiu no jogo não contribuiu muito para me tranqulizar, sobretudo devido aos inúmeros passes falhados do grego. Na direita o Salvio continuou na saga quixotesca em que enveredou nos últimos tempos, na qual decide enfrentar sozinho o mundo inteiro. Insiste nos lances individuais, dá sempre pelo menos um toque a mais na bola, e decide quase sempre mal. Para compor um trio desinspirado, o Rafa insistia em mostrar que em jogos destes, contra equipas que fecham bem atrás e sobretudo bloqueiam quase tudo o que é caminho pela zona central, jogar como segundo avançado definitivamente não parece ser a melhor escolha. Resumindo, frente a um Chaves que mesmo sem autocarro, se organizava bem atrás a jogar num 4-4-2 bem arrumadinho, mantendo quase sempre todos os jogadores atrás da linha da bola, nós respondíamos com três finalizadores de jogadas natos - finalizadores porque a maior parte das jogadas acabavam quando a bola chegava aos pés de um destes jogadores. O pior era quando elas acabavam entregando a bola ao adversário - é que o Chaves conseguia quase sempre sair de forma muito orientada para o contra-ataque e rapidamente chegava à frente com três ou quatro jogadores. 


Foi aliás o Chaves quem criou a primeira boa ocasião, valendo-nos a saída rápida e decidida do Ederson aos pés do Fábio Martins, que lhe aparecia isolado. Pouco depois, aos dezoito minutos, o Benfica e o Mitroglou em especial voltaram a revelar a eficácia dos últimos jogos e o golo surgiu na primeira oportunidade criada. Cruzamento do Nélson Semedo na direita e cabeçada certeira do grego, de cima para baixo, aproveitando o facto de ter ficado à vontade depois da queda do defesa que disputava o lance com ele. Após o golo o nosso jogo melhorou um pouco, talvez também pelo facto de tentarmos fazer as coisas com um pouco mais de calma. Mas era importante fazer um segundo golo, porque os poucos contra-ataques do Chaves eram suficientes para se perceber que podiam perfeitamente chegar ao golo. Criámos duas excelentes situações para o fazer, mas na primeira o Rafa, em muito boa posição dentro da área, optou por tentar passar a bola e o lance perdeu-se. No segundo, já muito perto do intervalo, o Salvio controlou uma bola metida em balão para as costas da defesa do Chaves, provavelmente pela primeira vez no jogo tomou a decisão mais correcta e fez o passe para o Mitroglou, mas o grego rematou de pé direito para a bancada quando o golo parecia ser o desfecho mais provável. Não marcámos nesse lance e praticamente na resposta o Chaves empatou: incursão pela esquerda da nossa defesa, passe atrasado para a entrada da área e remate de primeira do Bressan, muito colocado e sem dar qualquer possibilidade de defesa ao Ederson. Um grande golo a levar tudo empatado para o intervalo.


Para a segunda parte não houve substituições mas houve um pequeno acerto táctico que acabou por fazer alguma diferença. O Rafa passou para a esquerda e foi o Zivkovic a assumir o papel de segundo avançado, o que fez com muito maior mobilidade do que o Rafa tinha feito durante a primeira parte, aparecendo com muito maior frequência a oferecer opções de passe aos colegas. E com cinco minutos decorridos o Benfica colocou-se de novo em vantagem. Dois dos jogadores que tinham estado menos inspirados na primeira parte acabaram por ter um papel decisivo no lance. Foi do Samaris o excelente passe para a desmarcação do Nélson Semedo, e foi o Rafa quem apareceu ao segundo poste para empurrar para golo a bola cruzada pelo Nélson, depois do Mitroglou não a ter conseguido desviar. Foi importante marcar cedo, porque assim evitámos o acumular de nervosismo caso o empate fosse persistindo. Mas já tínhamos provas mais do que suficientes que a margem de um golo era demasiado perigosa, pelo que seria fundamental alargá-la. Pouco depois do golo o desinspirado Salvio foi mesmo substituído, entrando o Jonas, e o nosso jogo melhorou. Mas o tempo ia passando e o terceiro golo teimava a não aparecer, com os nossos remates a passarem quase sempre um pouco ao lado do alvo: Mitroglou, Nélson Semedo, Zivkovic e Jonas atiraram sempre para fora. Num outro lance perigoso fiquei com a sensação de que o remate do Pizzi à entrada da área foi cortado com a mão, mas foi tudo muito rápido, e noutra ocasião foi um corte de um defesa a evitar no limite que o Jonas finalizasse uma óptima jogada de ataque conduzida pelo Zivkovic, que também passou pelo Mitroglou. Depois deu-se a progressão natural de um jogo nestas condições. Chegados aos minutos finais a equipa que está em vantagem tem a tendência para se retrair e a equipa que está em desvantagem começa a acreditar que pode chegar à igualdade e cresce. O Ederson ainda foi obrigado a uma defesa difícil a um remate de fora da área, mas já sobre os noventa minutos o Mitroglou encerrou a discussão com o seu segundo golo. Aproveitando um balão para as costas da defesa, foi mais forte do que o seu marcador directo e aproveitou um corte defeituoso deste quando estava pressionado para ficar isolado e finalizar com um remate de primeira.


É fácil destacar o Mitroglou como homem do jogo pelos dois golos (e não só, pelo que trabalhou e criou) mas eu coloco o Nélson Semedo no mesmo patamar. Foi dos jogadores mais interventivos no jogo, fez duas assistências, e infelizmente viu o cartão que completou a série de cinco que o deixará de fora do nosso próximo jogo para o campeonato. Não gostei do jogo do Salvio e do Samaris, e quanto ao Rafa melhorou na segunda parte depois de ter passado para a esquerda. O Zivkovic nunca esteve tão desastrado, mas também subiu de produção quando foi para o meio por alguns minutos e sobretudo quando passou para o lugar do Salvio na direita. O Jonas, como não podia deixar de ser, entrou bem e a qualidade do nosso jogo melhorou visivelmente com a sua presença em campo. Só lhe ficou a faltar um golo numa daquelas melhores jogadas de ataque que construímos - numa atirou para fora e na outra deixou-se desarmar no limite.

Foi mais uma vitória difícil mas justa, valorizada pela boa réplica dada pelo Chaves. E seria bom ver mais equipas a jogar desta forma. Não é necessário recorrer ao antijogo ou a estratagemas mais sujos para se jogar de forma mais cautelosa. O Chaves jogou de acordo com as armas que possui, e fê-lo de forma honesta e deixando uma boa imagem, não sendo por isso que teve menos possibilidades de discutir o resultado. Tempo agora para prepararmos a visita ao Estoril para começarmos a discutir a presença no Jamor. É mais uma competição que desejamos conquistar.

segunda-feira, fevereiro 20, 2017

Fundamental

O caldinho foi bem cozinhado e estava muita gente à espera que o resultado fosse o Benfica perder a liderança nesta jornada. Mas o Mitroglou acabou por estragar o arranjinho e o Benfica saiu da batalha de Braga com uma vitória fundamental para as nossas aspirações.


Sem Jonas, a aposta para o substituir foi a mais esperada, Rafa. O Júlio César defendeu a nossa baliza na suspensão do Ederson, e o Zivkovic regressou à titularidade no lugar do Carrillo. O jogo foi acima de tudo quase sempre bastante equilibrado, com muita disputa de bola a meio campo e sem que nenhuma das equipas se conseguisse impor claramente à outra. O Benfica entrou melhor, mas depois o Braga equilibrou o jogo e terminou a primeira parte com sinal mais. Não houve muitas ocasiões de golo de parte a parte, embora o Braga tenha sido mais rematador, mas nenhum dos guarda-redes foi obrigado a defesas de elevado grau de dificuldade. Houve uma grande ocasião para cada equipa, tendo o Braga enviado uma bola ao poste na sequência de um pontapé de canto e o Mitroglou atirado por cima quando estava muito perto da baliza, traído por um ligeiro desvio que o Marafona conseguiu fazer à bola. A segunda parte foi o inverso da primeira, com o Braga a entrar melhor e a ser mais perigoso, mas depois o Benfica foi conseguindo recuperar a bola em zonas mais adiantadas do terreno e passou a conseguir estar mais tempo perto da área do Braga. Foi importante a alteração que fizemos, quando trocámos o Zivkovic (jogo anormalmente discreto hoje) pelo Jiménez. O Rafa tem as suas qualidades, mas não me parece que esteja particularmente preparado para fazer a posição de segundo avançado, pelo menos de forma semelhante à do Jonas. O Rafa é um jogador talhado para o contra-ataque, e a jogar naquela posição posiciona-se quase sempre em zonas adiantadas, encostado à defesa adversária, oferecendo poucas possibilidades para construção de jogo - o melhor é receber bolas para aproveitar a sua velocidade. Com a entrada do Jiménez o Rafa foi para a ala e o mexicano conseguiu fazer melhor a ligação com o meio campo, e ajudar a desequilibrar a luta naquela zona. O golo que acabou por decidir o jogo surgiu a dez minutos do final, depois de uma recuperação de bola do Pizzi no meio campo. A bola seguiu para o Jiménez, que a fez chegar ao Mitroglou mais na direita. O grego entrou na área, ficou com a bola nos pés aquilo que parecia ser demasiado tempo, já que entretanto toda a defesa do Braga se tinha reposicionado, e quando parecia que a jogada já não iria dar em nada teve um trabalho individual que de alguma forma e com alguns ressaltos acabou com ele a passar no meio de quatro ou cinco adversários e a rematar para o fundo da baliza. Um lance ainda mais surpreendente quando todos sabemos que a técnica individual nem é um dos pontos fortes dele. E não tive qualquer dúvida que o jogo estava ganho, porque para além do pouco tempo que faltava até ao intervalo este era claramente um daqueles jogos em que quem marcasse ganharia.


Disse no início que o caldinho tinha sido cozinhado, e isso passou pela completa falta de senso na nomeação do Tiago Martins para este jogo, tendo em conta o episódio recente com o nosso treinador. Mas percebo a nomeação. Nem vou estar a analisar concretamente as decisões que tomou hoje e se as considero certas ou erradas, porque já disse várias vezes que o trabalho dos árbitros não é fácil. Mas registo isto: houve cinco lances duvidosos na área do Braga: um golo anulado ao Mitroglou por eventual posição irregular e quatro lances de possível penálti (queda do Salvio, puxão ao Mitroglou, e dois contactos entre a bola e o braço de um defesa do Braga). Em todos eles - todos - o Tiago Martins decidiu contra o Benfica. E são 'coerências' destas que me ajudam, e muito, a perceber a nomeação. Nem quero começar a imaginar o escarcéu a que assistiríamos caso os referidos lances tivessem acontecido na nossa área.


O homem do jogo é o Mitroglou porque marcou o golo que fez o resultado. De resto foi um árduo trabalho de equipa - sim, de equipa, porque achei patética a forma como a gente da SportTV imediatamente começou a querer fazer passar a mensagem, tendo inclusivamente feito a pergunta ao nosso treinador e ao Pizzi, de que tinha sido uma individualidade a resolver aquilo que o colectivo não tinha conseguido resolver, ou seja, uma forma suja de tentar retirar mérito à equipa do Benfica e ao seu treinador. Podia destacar um ou outro jogador como o Nélson Semedo ou apontar pormenores menos positivos noutros, mas parece-me que será mesmo mais justo realçar o trabalho de toda a equipa.

Para grande pena de muita gentinha e gentalha, a anunciada ascensão do Porto ao topo da tabela não se deu hoje. Temos pena. As tentativas para que isso aconteça, sobretudo através de manobras fora do campo, irão certamente continuar. Temos que manter a união e a cabeça fria para resistir às provocações e impor o nosso futebol. Sobretudo em jogos como este, em que não sendo possível jogar bom futebol conseguimos lutar pelo resultado e conquistar os três pontos. É de muitos jogos assim que se faz a conquista de um campeonato.