domingo, janeiro 14, 2018

Limpeza

Esta época tenho ouvido da parte de vários benfiquistas comparações com a 'época do Quique', numa referência obviamente pouco elogiosa à qualidade do futebol praticado pela nossa equipa em diversas ocasiões. Pois pegando precisamente nessa comparação, acho que desde a época do Quique (vitória por 3-1, já perto do final da época, quando o Braga era treinado pelo JJ) que não me lembrava de ver o Benfica ganhar em Braga com tamanha limpeza.


Fomos superiores e tivemos o controlo do jogo praticamente em todo o encontro, exceptuando um período de cerca de cinco minutos que se seguiram ao golo do Braga. Apresentando aquele que já se pode considerar o onze base (quando o Luisão regressar fico apenas com a curiosidade de ver se jogará ele ou o Jardel, porque o Rúben já não sai mais da equipa) entrámos para este jogo com uma enorme tranquilidade e com a lição muito bem estudada. A chave da nossa vitória passou por uma equipa muito subida em campo, com a defesa colocada praticamente sobre a linha divisória e uma pressão imediata sobre a saída de bola do Braga, que os impediu de iniciar as jogadas como mais gostam de fazer e resultou em diversas recuperações de bola em zonas adiantadas do campo. Foi particularmente importante a pressão e o povoamento da zona central do meio campo, onde para além dos nossos médios (uma exibição enorme do Fejsa, que empurrou a equipa ainda mais para a frente) caía o Jonas e os extremos fechavam ao meio, sufocando os médios centro do Braga. Foi assim que surgiu o primeiro golo, aos onze minutos de jogo. A bola foi recuperada pelo Jonas a um dos médios, seguiu até ao Cervi depois de ter passado pelo Krovinovic, e o passe foi feito para a desmarcação do Salvio nas costas da defesa, que marcou sem dificuldade - tudo isto foi feito pela zona central. O Benfica já desde o início parecia ter entrado com grande confiança, e o golo apenas reforçou essa mesma ideia. O Braga raramente nos causou problemas, enquanto que o Benfica continuava a bloquear a saída de bola do Braga e a tentar atacar pela certa, com destaque para as cada vez mais habituais triangulações na esquerda entre o Grimaldo, o Cervi e o Krovinovic. Mas não foram muitas as ocasiões de grande perigo, destacando-se apenas um remate de fora da área do Grimaldo que obrigou o guarda-redes a uma boa defesa, e um remate cruzado do Krovinovic que fez a bola passar perto do poste.


A segunda parte começou com o Benfica no ataque e a fazer a bola embater no poste da baliza do Braga, através de um cabeceamento do Jardel. Logo de seguida foi o Grimaldo quem finalizou um bom contra-ataque com um remate demasiado fraco, isto quando estava em posição para fazer bem melhor. O Braga continuava sem conseguir ser particularmente incómodo, mas o resultado magro significava que o desfecho do jogo continuava em aberto, e o Braga tem jogadores que em qualquer altura poderiam causar-nos problemas. E isso esteve perto de acontecer ao minuto 63, quando só uma grande defesa do Varela impediu que o remate rasteiro do Ricardo Horta resultasse no golo do empate. Como que pressentindo o perigo, o Benfica respondeu de imediato e no minuto seguinte chegou ao segundo golo. A movimentação do Jonas desde o momento em que, ainda fora da área e descaído sobre a esquerda, coloca a bola no André Almeida do outro lado do campo e depois vai aparecer no espaço entre o central e o lateral direito para cabecear a bola vinda do cruzamento teleguiado do André Almeida faz-nos perceber que às vezes as coisas mais simples no futebol podem ser muito bonitas. Confesso que este golo, somado a tudo aquilo que tinha visto até então, me fez acreditar que a vitória estaria garantida. Mas a um quarto de hora do final um erro do Varela na saída a um cruzamento largo permitiu ao Paulinho cabecear para a baliza vazia, e o jogo ficou relançado. Durante um curto período, de cerca de cinco minutos, o Benfica abanou e o Braga pareceu ter capacidade de chegar ao empate, tendo até o Varela tido a oportunidade para se redimir do erro e evitar o golo do Ricardo Horta. O Benfica acabou por meter um travão a este ímpeto do Braga quando a dez minutos do final trocou o Pizzi pelo Samaris. A partir desse momento recuperámos o controlo do jogo e o Braga não voltou a ameaçar a nossa baliza. Para fechar o jogo em beleza, só mesmo o cheque-mate, que poderia ter chegado a três minutos do final quando o Jiménez (tinha substituído o Jonas pouco antes do golo do Braga) interceptou um passe e correu isolado para a baliza, mas rematou por cima. Redimiu-se já no período de compensação, rematando cruzado de primeira após um centro do Cervi e sentenciando o jogo.


Repetindo aquilo que já escrevi, grande exibição do Fejsa no regresso após suspensão. A nossa vitória começou na sua agressividade na recuperação da bola e na capacidade para estar um pouco por toda a parte. Depois de alguma incerteza em relação à posição na esquerda do ataque, o Cervi parece ter agarrado definitivamente o lugar. Mais uma exibição de intenso trabalho durante todo o jogo, com duas assistências para golo a abrilhantá-la. Creio que é justo também salientar o trabalho da nossa dupla de centrais, a eficácia do Jonas, e mais um jogo em que o Krovinovic aproveitou mostrar o quão importante ele é nesta táctica. O Salvio marcou um bom golo e contribuiu para o esforço da equipa em termos defensivos, tendo trabalhado. Infelizmente, esteve num daqueles dias em que se agarra demasiado à bola e por isso estragou alguns lances. No nosso terceiro golo, por exemplo, teve inúmeras ocasiões para fazer o passe que deixaria o Krovinovic isolado, mas insistiu em baixar a cabeça e continuar a correr com a bola - felizmente que depois de algumas voltas a bola acabou mesmo dentro da baliza, mas claramente o Salvio não tomou a melhor decisão nesse lance, a exemplo do que fez diversas vezes no jogo.

Acredito que muitos dos nossos inimigos estivessem a contar com este jogo para nos afastar definitivamente do título. Mas como a nossa equipa tem mostrado esta época, sempre que isso acontece e chegamos a um destes jogos em que parece que nos querem fazer o enterro antecipado, damos em campo a resposta que se espera de um tetracampeão, que quer lutar até ao fim pelo título. Os últimos jogos parecem mostrar que a confiança da nossa equipa em si mesma está em crescendo, e com ela a crença dos adeptos - hoje em Braga praticamente só ouvi os cânticos dos nossos do primeiro ao último minuto. É este o caminho.

domingo, janeiro 07, 2018

Ineficácia

Uma vitória indiscutível em mais um jogo que ficou marcado pela ineficácia na finalização, caso contrário os números do marcador poderiam ter sido bastante mais dilatados.


Face à ausência forçada do Fejsa, a única alteração no onze que tem sido mais habitual foi a entrada do Samaris para o lugar do sérvio. Os minutos iniciais do jogo até faziam antever maiores dificuldades, e o Moreirense até teve uma boa ocasião de golo, na qual o Varela foi obrigado a uma boa defesa. Mas depois disso só deu mesmo Benfica, e começaram a acumular-se as ocasiões desperdiçadas - estranhamente, até pelo Jonas, que hoje revelou um desacerto com a baliza que não é nada normal nele. Mas felizmente não foi preciso desesperar muito, porque a vantagem chegou aos vinte e três minutos com um golo do Pizzi. Nasceu de um cruzamento do Jonas, da esquerda para a direita, e o Pizzi rematou de primeira para o golo. Obtida a vantagem, o próximo passo era dilatá-la para evitarmos surpresas, e isso já se revelou mais complicado. Não pela ausência de ocasiões para o fazer, mas sim pela dificuldade em concretizá-las. O Benfica caminhou até ao intervalo com o controlo absoluto da partida e não permitindo ao Moreirense qualquer tipo de ameaças, mas sabemos que neste tipo de jogos basta uma pequena distração ou uma obra do acaso para deitar tudo a perder e acabarmos com um resultado mentiroso e injusto (infelizmente não é necessário irmos mais longe do que a última quarta-feira para termos um exemplo concreto disso). Era por isso esse o único motivo para o meu nervosismo ao intervalo.


Do intervalo já não regressou o Samaris, pelos vistos devido a problemas físicos, e veio o Keaton Parks no lugar dele. A segunda parte começou na mesma toada da primeira, com o Benfica a dominar completamente e a insistir em não chegar ao golo da tranquilidade. A nossa equipa pressionava logo a saída de bola do Moreirense, e o adversário, ao insistir em tentar sair a jogar, acabava por perder diversas bolas logo nessa fase, que resultavam em ocasiões claríssimas de golo para nós. Quase sempre com o Jonas em evidência, o guarda-redes do Moreirense ou a falta de acerto na finalização continuavam a manter o resultado teimosamente num magro golo de diferença. O Jonas ainda marcou, mas o golo acabou por ser anulado por fora-de-jogo (que se existiu, foi milimétrico). E depois, a provar que num instante um jogo que está a correr de feição pode virar, o Moreirense teve uma grande ocasião para empatar. Tudo começou em mais uma recuperação de bola adiantada do Benfica, que nos deixou em superioridade numérica contra a defesa do Moreirense. Mas o passe do André Almeida foi feito para os pés de um adversário, e do contra-ataque resultou um cabeceamento já no interior da nossa área que só não acabou em golo porque o Varela fez uma enorme defesa. O lance motivou o nosso adversário, que nos minutos seguintes se revelou mais perigoso na forma como conseguia chegar com velocidade à nossa área sempre que recuperava a bola, e durante este período cheguei a temer que o golo do empate pudesse acontecer. O Benfica respondeu com a troca do Salvio pelo João Carvalho, que deu resultados imediatos. O Moreirense insistia em tentar sair a jogar e depois de mais uma recuperação de bola o João Carvalho passou a bola para o Jonas que, dentro da área, tirou um adversário da frente com classe e colocou a bola no fundo da baliza, enviando-a para o lado contrário daquele que o guarda-redes esperava. Foi aos setenta e oito minutos de jogo, e significou um ponto final na incerteza - o Benfica limitou-se a gerir bem o jogo até final.


Apesar de todo o desperdício, o maior destaque acaba por ir para o Jonas, que fez a assistência para o primeiro golo e marcou o segundo. Gostaria de mencionar também o Varela, que apesar de não ter tido muito trabalho revelou segurança e foi decisivo nas poucas ocasiões em que foi chamado a intervir. É aquilo que se espera de um guarda-redes de equipa grande. Continuo extremamente agradado com o Krovinovic, que é um médio completo. Consegue assumir funções de 6, de 8, ou de 10 sem qualquer problema e neste momento começa a ganhar ao Pizzi em termos de preponderância no nosso meio campo.

Era muito importante não deixarmos que a exibição da passada quarta-feira fosse apenas uma coisa esporádica, e isso passava pela conquista dos três pontos hoje, aliados a uma exibição consistente. Julgo que o objectivo foi conseguido. Agora é continuarmos neste caminho.

quinta-feira, janeiro 04, 2018

Frustração

Uma oportunidade desperdiçada para conquistarmos três pontos na luta pelo campeonato. O sentimento da maioria dos benfiquistas no final deste jogo deve ser de frustração por não termos conseguido reflectir no resultado final a nossa superioridade em campo, tendo durante vários períodos do jogo praticamente vulgarizado o crónico campeão anunciado pelo menos nas últimas quarenta pré-epocas.



Nem vou falar muito do futebol jogado, porque fomos superiores ao nosso adversário quase de todas as maneiras e feitios. Fomos superiores a jogar em 4-3-3, a jogar em 4-4-2, a jogar em 3-5-2, e até a jogar praticamente com tudo à molhada, com apenas um central em campo, o Salvio a fingir que era lateral, e o André Almeida a fazer três posições. O Sporting (que mais uma vez teve a delicadeza de não respeitar a tradição da escolha dos campos - é a equipa da primeira divisão que mais frequentemente faz isto na Luz) colocou-se em vantagem aos dezanove minutos numa jogada de insistência pela esquerda que terminou num cruzamento para o cabeceamento do Gelson, e pouco mais mostrou depois disso - teve uma flagrante ocasião para marcar o segundo golo perto do intervalo, e nada mais. O Benfica teve a infelicidade de ver o Krovinovic acertar no ferro quando parecia ser mais fácil marcar, e ainda ver a recarga passar ao lado com a baliza escancarada - isto na sequência de um penálti grotesco do Coentrão, que foi olimpicamente ignorado pela dupla de lagartos a arbitrar no campo e em frente à televisão. Na segunda parte então o nosso adversário não existiu em termos ofensivos e passou a maior parte do tempo a cerrar fileiras junto à área, segurando a vantagem com unhas e dentes e deixando o Bas Dost como espectador privilegiado na frente. O Benfica teve o domínio territorial, teve mais posse de bola, mais remates, mais ocasiões de golo, mais cantos, tudo menos mais golos, infelizmente. Podemos queixar-nos, e muito, da má finalização em vários lances. E depois apanhámos também pela frente a dupla temível Hugo 'Macron' Miguel e Tiago Martins. 



A nomeação destas duas criaturas (para quem não sabe, e não se deixem levar pelas várias tentativas da parte do Sporting para demonizar o Hugo Miguel, são os dois árbitros mais lagartos - e são lagartos mesmo, não são sportinguistas; eu tenho amigos que trabalham com o Hugo Miguel e sei do que falo - que existem na primeira categoria) já não deixava antever nada de bom. Aqui dou o braço a torcer e digo que estamos muitos, muitos anos atrás do Sporting nestas coisas. Se uma arbitragem como a de hoje tivesse acontecido ao contrário, o berreiro seria tal que daqui a 25 anos ainda ouviríamos os ecos. Assim sendo, vai uma aposta que amanhã as primeiras páginas vão destacar o 'excelente espectáculo a que se assistiu'? Só à quarta - sim, quarta! - mão flagrante na bola dentro da área, ao minuto noventa, é que tivemos finalmente direito a beneficiar de um penálti - que o Jonas converteu, evitando assim uma injustiça ainda mais atroz no resultado. Em relação ao Hugo Miguel, só a título de exemplo da sua coerência, foi ele o VAR que confirmou o célebre mergulho do Bas 'Louganis' Dost nos minutos finais do jogo do clube do seu coração contra o Setúbal esta época. O lance hoje entre o Jardel e o Coentrão? Tudo normal (note-se que eu nem estou a dizer que seria lance para penálti, mas que seria muito mais falta do que o mergulho canhestro do Bas Dost no referido jogo, era de certeza). Só numas continhas rápidas, assinale-se que no somatório dos dois últimos jogos que fizemos contra os eternos perseguidos e prejudicados pelas arbitragens, ficaram seis(!) penáltis por assinalar contra eles, e empatámos ambos os jogos.




A atitude de toda a equipa foi excelente, todos os jogadores lutaram até à exaustão para contrariar um destino tão injusto e hoje deixaram-me orgulhoso. O treinador merece elogios também, fez tudo o que podia para tentar ganhar, e na altura em que nada mais havia a fazer senão correr todos os riscos foi isso mesmo que se fez. Justo o reconhecimento ao Cervi no final com a eleição de melhor em campo por tudo aquilo que lutou, mas seria igualmente justo se essa distinção fosse para vários outros jogadores. Como o Krovinovic, que fez um jogo fantástico, ou o André Almeida, que foi lateral direito, central e trinco num jogo desta importância sem sequer pestanejar. O Rafa entrou muito bem no jogo, e se soubesse manter este nível seria um excelente 'reforço' para a segunda metade da época.

O título ficou mais difícil, porque a desvantagem para o topo aumentou para cinco pontos e deixámos de depender exclusivamente de nós próprios, isto num campeonato em que cada vez mais parece que as equipas do topo vão perder muito poucos pontos contra as chamadas mais pequenas. Mas se soubermos manter, mais até do que a qualidade, a atitude mostrada esta noite perante as adversidades que encontrámos, de certeza que estaremos na luta até ao final.

sexta-feira, dezembro 29, 2017

Números

Um jogo contra o Setúbal apenas para cumprir calendário, sem qualquer interesse competitivo, no qual fizemos alinhar uma equipa de segundas escolhas e cujo principal aspecto positivo me parece ter sido apenas o brio suficiente para conseguirmos recuperar de uma desvantagem de dois golos e assim, com o empate, evitarmos uma despedida ainda mais negra de uma competição na qual detemos o melhor palmarés (a larga distância dos outros). De salientar também a intervenção directa da prata da casa (João Carvalho e Rúben Dias) na recuperação no marcador.


Em vez de estar a perder muito tempo a escrever sobre este jogo, prefiro apenas registar os seguintes números após o último jogo oficial de 2017: vinte e oito jogos oficiais, catorze vitórias, seis empates e oito derrotas. É este o desempenho do Benfica na época até ao momento, o que significa que não ganhámos metade dos jogos oficiais que disputámos. Para mim, isto são números inadmissíveis, e que ajudam a perceber porque motivo viramos o ano envolvidos apenas numa competição. Não sei qual vai ser o nosso posicionamento na reabertura do mercado. Sei que é muito difícil a meio da época conseguir endireitar dramaticamente algo que começa torto, e os números que referi parecem-me ser uma prova suficientemente válida de que as coisas estão tortas. Parece-me no entanto que ficarmos passivamente à espera de que mais cedo ou mais tarde tudo acabará por se endireitar seria uma posição exageradamente optimista e com tudo para correr mal. Eu quero acreditar (porque até agora sempre me deram motivos para tal) que quem dirige os destinos do nosso futebol está atento à situação e saberá procurar soluções.

quinta-feira, dezembro 21, 2017

Desleixo

Parece que somos incapazes de fazer duas boas exibições seguidas. O que aconteceu esta noite foi acima de tudo o resultado de muito desleixo, e quase de certeza que vai significar deixar mais uma competição pelo caminho.



Com tudo a correr de feição - incluindo um golo na primeira jogada, logo aos cinquenta e três segundos de jogo - e uma vantagem ao intervalo de dois golos, entretanto ampliada pelo Lisandro, conseguimos fazer uma segunda parte completamente desinteressada que acabou por permitir o empate ao Portimonense. Com dois golos básicos, ambos na sequência de bolas paradas, um logo a abrir a segunda parte e outro a fechá-la, o Portimonense deixou-nos numa situação em que já não dependemos de nós próprios para seguir em frente, e a probabilidade mais elevada é mesmo ficarmos de fora. Nem me vou alongar muito mais; quem viu o jogo certamente que terá ficado desiludido com a forma como deixámos fugir uma vantagem de dois golos de uma forma inadmissível. É simplesmente incompreensível uma segunda parte tão desconcentrada e desgarrada, e nem sequer percebi as opções do nosso treinador para tentar corrigir o que se estava a passar. Numa altura em que o que provavelmente interessaria mais era acalmar o jogo e reter algum controlo sobre o mesmo, em vez de estarmos a assistir a uma toada de parada e resposta com ambas as equipas a dar demasiado espaço (e os jogadores do Portimonense sistematicamente a receberem a bola perfeitamente à vontade) as opções enfraqueceram o meio campo, primeiro retirando o Samaris (entrou outro médio, o Keaton Parks, que eu não classificaria propriamente como um médio de características defensivas) e depois regressando mesmo ao esquema de dois avançados, com a troca do Pizzi pelo Seferovic. O empate parecia-me um cenário tão provável que acabou mesmo por acontecer, depois de uma defesa do Svilar em que me parece que ele poderia ter feito bem melhor do que largar a bola para a frente, onde ficou à mercê de uma recarga fácil (enquanto o resto da equipa assistia de cadeirinha). Foi este tipo de passividade defensiva que nos custou a eliminação da Taça de Portugal, e provavelmente vai custar-nos também a eliminação da Taça da Liga.

Depois da injecção de confiança que a exibição e resultado em Tondela tinham dado, nada como um jogo destes para contrariar os efeitos disso. Já o escrevi várias vezes noutros anos: a Taça da Liga é uma competição oficial do calendário do futebol nacional, e como tal uma competição que eu quero sempre muito vencer. Deixa-me portanto profundamente irritado tanto desleixo.

segunda-feira, dezembro 18, 2017

Passeio

O Benfica não mostrou quaisquer sequelas da eliminação da Taça a meio da semana ou do esforço extra a que tinha sido obrigado, ao jogar um prolongamento reduzido a dez unidades, e acabou por transformar esta visita a Tondela num verdadeiro passeio.


Foi mesmo com quase o mesmo onze do jogo em Vila do Conde (a excepção foi a obrigatória troca do Luisão pelo Lisandro) que o Benfica entrou em campo. Os minutos iniciais até chegaram a fazer crer que teríamos uma noite complicada. O Tondela entrou no jogo fiel aos princípios que o Pepa tem apresentado esta época, a jogar sem exageradas cautelas defensivas e a pressionar alto. A equipa mudou mesmo o esquema táctico habitual, abdicando do segundo avançado para colocar mais um médio, muito provavelmente com a intenção de anular os nossos médios criativos. Mas ao fim de dez minutos o Benfica já tinha conseguido assentar o seu jogo e começou a impor-se com toda a naturalidade. Agressividade na procura da bola - muito importante pressionar imediatamente o jogador do Tondela que tinha a bola, para cortar logo as saídas para o ataque - jogadores próximos uns dos outros, laterais muito ofensivos, combinações rápidas a explorar os flancos e bastante dinamismo no jogo. Depois foi não sermos traídos pela falta de eficácia, como aconteceu noutros jogos, e o resultado começou a construir-se naturalmente. Porque dos dez minutos de jogo para a frente, só deu Benfica no jogo. O primeiro golo apareceu aos dezassete minutos, depois de um cruzamento largo do André Almeida que foi encontrar o Pizzi junto ao poste mais distante, com tempo para controlar a bola e rematar rasteiro para o golo. Nove minutos depois o resultado aumentava, desta vez na sequência de uma jogada pelo flanco oposto. Cruzamento do Grimaldo após tabela com o Pizzi e o Salvio cabeceou no centro da área, sem sequer precisar de tirar os pés do chão. O terceiro golo foi a forma ideal de encerrar uma primeira parte na qual o Benfica foi dono e senhor do jogo. Foi já no período de compensação, na melhor jogada de toda a partida, em que a bola andou pelos pés do Krovinovic, do Jonas, do Cervi, do Salvio, e acabou com um passe artístico deste para um remate cruzado de primeira do Pizzi, a colocar a bola junto ao poste mais distante e bem fora do alcance do guarda-redes. Simplesmente perfeito.


A segunda parte do Benfica foi naturalmente bem mais relaxada. Sem nunca perder o controlo do jogo, tirámos obviamente o pé do acelerador. O Tondela ao intervalo até tinha revertido para o esquema mais habitual de dois avançados, mas isso não teve qualquer influência no desenrolar dos acontecimentos, apesar de ter tido uma reentrada na partida a mostrar muita vontade de fazer melhor. O Benfica continuava perfeitamente tranquilo no jogo e a sensação que se tinha era a de que nem seria preciso acelerar muito para que surgissem mais golos, porque mesmo num ritmo mais controlado, as ocasiões acabariam por surgir. O Jonas estava estranhamente ainda em branco, mas a situação ficou corrigida à hora de jogo. Uma jogada estudada na marcação de um canto, que aliás o Benfica já fez esta época. O canto foi marcado pelo Grimaldo e a bola foi enviada rasteira para a zona central do limite da área, onde o Jonas surgiu a rematar de primeira para o golo. Depois deste quarto golo pareceu-me que o Benfica reduziu ainda mais o ritmo de jogo. Com tudo mais do que resolvido, trocámos o amarelado Fejsa pelo Samaris, e a equipa parecia mais apostada em trocar a bola à espera que o tempo fosse passando, por vezes até com toques de sobranceria - a superioridade no jogo era tão evidente que os excessos de confiança acabam por acontecer. Acabou por acontecer um golo do do Tondela a um quarto de hora do final, num erro da nossa equipa. Um mau passe do Krovinovic quando estava pressionado fez a bola passar fora do alcance do Jardel e ir para os pés de um adversário, que progrediu em direcção à baliza, ultrapassou facilmente o Lisandro, e fez o remate que o Varel ainda conseguiu defender. Mas não segurou a bola e esta seguiu para uma recarga fácil à boca da baliza. O golo serviu para despertar um pouco a nossa equipa e não é que fosse propriamente uma necessidade, mas rapidamente foi reposta a diferença. Apenas quatro minutos depois, o Jonas voltava a marcar, assistido pelo Pizzi depois de um bom passe do Salvio para as costas da defesa adversária. No fundo, uma espécie de confirmação daquilo que se percebia: que o Benfica tinha tudo perfeitamente controlado que que lhe bastaria apenas acelerar um pouco mais para causar perigo.


Os melhores neste jogo foram, para mim, o Pizzi e o Salvio. Não distingo entre os dois, porque para mim estiveram ambos a um nível muito elevado, com golos, assistências e intervenção directa em quase todas as jogadas de perigo. Destaque também para os dois laterais, muito ofensivos e interventivos no ataque (somaram três assistências entre eles, duas para o Grimaldo e uma para o André Almeida). Outro bom jogo do Krovinovic, a quem destaco sobretudo a leitura de jogo, com uma grande capacidade para ocupar os espaços certos, mas acho que pode evoluir um pouco na questão de por vezes ter tendência para se agarrar demasiado à bola - quando a soltar mais rapidamente poderá dar mais dinamismo às nossas jogadas de ataque. Gostei também do Cervi (conforme disse no início, gostei bastante do nosso jogo pelas alas, por isso é natural que destaque os laterais e os extremos) e uma menção inevitável para o Jonas, que somou mais dois golos ao registo fantástico que leva esta época.

Na minha opinião nem sequer jogámos particularmente melhor do que o fizemos a meio da semana em Vila do Conde. As grandes diferenças foram uma muito maior eficácia no ataque, ao nível do que se exige aos nossos jogadores, e mais agressividade a defender, o que terá certamente contribuído para que o adversário não precisasse de meia oportunidade para marcar um golo. A nossa consistência esta época tem deixado muito a desejar, mas espero que os últimos jogos sejam uma indicação de que a solidificação dos processos associados ao novo esquema táctico seja uma realidade.

quinta-feira, dezembro 14, 2017

Masoquismo

Uma eliminação patética da Taça de Portugal graças a um supremo exercício de masoquismo. Foram tantos os tiros dados nos pés que era difícil outro resultado que não este.


Uma primeira parte quase exemplar, em que o Benfica não só anulou por completo a forma habitual de jogar do Rio Ave como controlou por completo o jogo, e uma justa vantagem ao intervalo graças a um grande golo do Jonas. O Benfica foi muito agressivo na pressão, exercendo-a em todo o terreno e impedindo o Rio Ave de sair a jogar ou de ter posse de bola. Infelizmente o domínio do jogo apenas deu para a magra vantagem no fim dos primeiros quarenta e cinco minutos. E que a vantagem era magra, isso depressa se verificou porque o Rio Ave marcou logo no início da segunda parte, praticamente no primeiro remate que fez à nossa baliza, depois de um disparate do Cervi, que perdeu a bola à entrada da nossa área. Para nosso mal, mostrámos aquilo que fizemos este ano na Europa: atacar mal e defender ainda pior, porque neste jogo o Rio Ave teve um aproveitamento quase de 100%. O segundo golo deles é patético. Aliás, é tão patético que mesmo antes do remate ser desferido eu já estava a adivinhar o golo. Quando vejo um jogador do Rio Ave, rodeado de quatro(!) jogadores nossos, a progredir para a área com toda a gente a parecer ter medo de chegar perto dele ou de meter o pé, disse para mim mesmo que ia ser golo. E foi mesmo, segundo remate, segundo golo. Depois foi o ataque cada vez mais em desespero, a reacção habitual do nosso treinador neste tipo de situações - mandar avançados lá para dentro - e o nosso desperdício a ir ao ponto de desperdiçarmos um penálti. Ainda assim o Luisão conseguiu empatar perto do final, mas como o sofrimento não era ainda suficiente, com as substituições esgotadas o Luisão saiu lesionado e ficámos reduzidos a dez. A perspectiva, nada animadora, era portanto enfrentar meia hora de prolongamento com menos um jogador e uma equipa que era naquela altura uma manta de retalhos - na defesa apenas o Jardel jogava na sua posição, tendo o André Almeida ao seu lado e o Salvio e o Zivkovic como laterais. E nem sequer deu para alimentar a perspectiva dos penáltis, porque mais uma vez pouco depois do reinício, nova demonstração de mau defender resultou no terceiro golo do Rio Ave. Bem sei que a defesa estava remendada e que a bola vem de um ressalto, mas deixar o ponta-de-lança do Rio Ave sozinho à entrada da pequena área não tem desculpa. A partir daí o jogo quase acabou. O Rio Ave dedicou-se afincadamente a queimar tempo levando a bola para os cantos e a simular lesões (o crime compensou, já que foram dados apenas três minutos de descontos) e o Benfica, quando fazia a bola chegar à frente, ou desperdiçava ocasiões de golo, ou dava cabo das jogadas com maus passes ou cruzamentos para a área. É que o Rio Ave mesmo contra dez tremia sempre que o Benfica pressionava, e foram várias as vezes em que conseguimos entrar e ganhar boas posições nas faixas. Mas à medida que o jogo se aproximava do final cada vez se jogava menos, e cada vez mostrávamos menos discernimento, acabando inevitavelmente no balão para a frente que em tudo favorecia o adversário.

Não vou estar a individualizar jogadores, sobretudo num jogo que acabou com a equipa remendada por todos os lados (e depois de um resultado destes, é melhor evitar escrever sobre uma série deles que conseguiram irritar-me profundamente). O que repito é que para mim foi uma derrota ridícula, sobretudo depois de uma primeira parte em que mostrámos ser superiores ao adversário. Mas quem comete tantos erros e defende de forma tão macia só pode mesmo sofrer dissabores. É mais um dos objectivos para esta época que se esfuma. Que se tirem daqui as necessárias conclusões.