segunda-feira, novembro 06, 2017

Decisivo

Era um jogo difícil e extremamente importante para o Benfica. Mas tal como em anos anteriores, quando muitos esfregavam as mãos e afiavam já as facas à espera do escorregão do Benfica, a equipa respondeu com uma exibição sólida e de grande sobriedade táctica, conquistando uma vitória clara e inquestionável.


Foram várias as alterações no onze em relação a Manchester, mas como eu desejava manteve o modelo táctico. E como eu me sinto bem mais tranquilo nesta fase quando vejo que alinhamos com três médios. Luisão, André Almeida, Krovinovic, Eliseu e Jonas entraram no onze, em que na minha opinião se destaca o facto de pela primeira vez desde (pelo menos se a memória não me falha) a Supertaça de há dois anos ver o Rui Vitória apostar no Jonas como único avançado. Ao contrário dos últimos jogos, não vimos uma cavalgada do Benfica desde o apito inicial na procura de um golo. Mas depressa se notou a diferença dos três médios no onze. A primeira coisa que notei é haver muito mais frequentemente sempre uma opção de passe nos lances de ataque. Em vez de estarmos constantemente à procura do Pizzi, com o Krovinovic passamos a ter uma segunda opção para fazer o transporte da bola e a distribuição de jogo. E com o Jonas a descer frequentemente, abdicámos de uma presença mais constante na área mas as constantes movimentações e trocas de posição entre os cinco jogadores mais adiantados permitiram baralhar mais facilmente as marcações adversárias e abrir espaços. Depois, nas situações de perda de bola, a equipa não foi apanhada tão frequentemente descompensada, e foram raríssimas as ocasiões de golo flagrantes para o adversário. Se calhar eu estou apenas a ver as partes positivas porque há muito que desejava que o Rui Vitória passasse a apostar neste modelo táctico, com o qual provavelmente até estará mais familiarizado, mas repito o que disse: sinto-me bastante mais tranquilo a jogar desta forma. Chegámos ao golo aos vinte e dois minutos pelo inevitável Jonas, que surgiu desmarcado na marca de penálti para finalizar um cruzamento rasteiro do André Almeida, desmarcado na direita pelo Krovinovic. E depois do golo, não houve aquele recuo irracional a que já assistimos tantas vezes esta época. O Benfica manteve o jogo perfeitamente controlado, sem grandes correrias e sem dar qualquer possibilidade ao Vitória de criar qualquer tipo de perigo. Se não me recordo de uma única ocasião mais perigosa é mesmo porque ela não existiu. O Benfica é que, pelo Diogo Gonçalves e o Salvio, por duas vezes poderia ter ampliado a vantagem.


A resposta do Vitória deu-se após o intervalo. Nessa fase houve domínio territorial por parte dos nossos adversários, que se mostravam muito mais agressivos na tentativa de recuperação da bola e jogavam com maior velocidade. Mas mais uma vez, oportunidades de golo praticamente nem vê-las. A única situação de perigo foi criada num remate do Héldon, ainda bem de fora da área, que fez a bola passar muito perto do ângulo da nossa baliza. Imediatamente a seguir, o Rui Vitória fez uma substituição que acabou por se revelar decisiva e resolveu o jogo. O Pizzi já aparentava estar em dificuldades físicas e foi substituído pelo Samaris aos sessenta e quatro minutos. Em termos práticos invertemos o triângulo do meio campo, que até então tinha o Fejsa no vértice mais recuado e o Pizzi e o Krovinovic mais adiantados, e passámos a ter dois médios de características mais defensivas, deixando o Krovinovic mais adiantado. A maior combatividade no meio campo juntou-se também a algum desgaste que o Vitória começava a aparentar depois da cavalgada que foram aqueles primeiros minutos a seguir ao intervalo. E apesar de ter características mais defensivas, isso não impediu o Samaris de, aos setenta e seis minutos, receber um passe do Jonas, cavalgar por ali fora em direcção à baliza (apesar do esforço que um jogador do Vitória fez para o derrubar) e marcar o segundo golo. Três minutos depois, a machadada final: um bom passe do Diogo Gonçalves solicitou a corrida do Salvio pela direita, e à saída do guarda-redes ele finalizou picando a bola para o poste mais distante. Jogo mais do que resolvido, apesar de sabermos que o Vitória nunca se dá por vencido e continua sempre a tentar. Ainda conseguiram atenuar o resultado a cinco minutos do final, e poderiam tê-lo feito ainda mais graças a um penálti que o Soares Dias assinalou na última jogada do encontro, fazendo uso daquele critério que nunca consegue aplicar quando os lances favorecem o Benfica - este é o árbitro que o ano passado 'não viu' três penáltis em Alvalade, que noutro jogo no mesmo estádio 'não viu' o Polga a ceifar pela raiz o Gaitán dentro da área logo no primeiro minuto de jogo, que num Benfica x Porto 'não viu' uma mão descarada do Mangala dentro da área, a três metros dele e com ele de frente para o lance (depois o canto resultou num golo do Garay) e que no jogo de hoje também 'não viu' um lance mais descarado sobre o Salvio, na área do Vitória, e sobretudo na primeira parte deixou que os jogadores do Vitória andassem a placar os nossos à entrada da área as vezes que quisessem. Felizmente o jogador do Vitória encarregado de marcar o penálti fê-lo de forma disparatada para fora e o jogo acabou logo depois.


O destaque maior vai para o Jonas, o que é particularmente importante porque mostra que este esquema táctico pode funcionar com ele como único avançado. Marcou mais um golo (são nove jornadas consecutivas a marcar, igualando o feito do Eusébio) e esteve nas jogadas dos outros dois, já que é dele a assistência para o Samaris no segundo e é ele quem faz o passe para o Diogo Gonçalves no terceiro. Outro dos destaques é o Krovinovic. É muito agradável vermos mais uma opção naquela zona do terreno para fazer o transporte de bola, dar linhas de passe aos colegas e criar lances de perigo. E para além disso ainda dar alguma ajuda na recuperação da bola. Hoje fez quase tudo bem, e esteve também nas jogadas de dois dos golos. Muito importante também foi a entrada do Samaris, que nos ajudou a recuperar o controlo do jogo e marcou o golo da tranquilidade.

Este foi um daqueles jogos e vitórias que podem significar um ponto definitivo de viragem, e o arranque decisivo na perseguição ao objectivo do penta. Como vimos nesta jornada, a tarefa será árdua, não só pelo valor dos adversários como também pela 'verdade desportiva' que este ano anda por aí a atacar selvaticamente. Se ontem já tínhamos visto uma actuação brilhante da 'verdade desportiva' no Dragão, hoje então ali no Lumiar foi mesmo perder o último pingo de vergonha. Não é que mais provas fossem necessárias, porque os submissos do Lumiar têm sido sistematicamente protegidos por esta 'verdade desportiva' esverdeada, de tão rançosa que é. Mas hoje foi mesmo o descaramento total. Aqueles que para aí pela trigésima época consecutiva são os campeões auto-anunciados na pré-época só não largaram os três pontos porque, como vamos vendo, ao andrade e ao lagarto põe o VAR a mão por baixo.

quarta-feira, novembro 01, 2017

Amargo

Nova derrota na Champions, a piorar aquele que já era o pior registo de sempre do Benfica nesta competição, e o sabor amargo de uma das melhores exibições da época ter resultado neste desfecho. O Man Utd é melhor e mais forte do que nós, mas com uma pontinha de sorte a nossa exibição hoje poderia ter acabado num resultado completamente diferente.


O Benfica voltou a alinhar em 4-3-3, que me parece neste momento ser o esquema táctico mais ajustado para a nossa equipa e que mais estabilidade confere ao nosso futebol. A exibição como que confirma isso mesmo. O problema é que esta opção significa abdicar da posição de segundo avançado, ou seja, remete o Jonas para o banco. O que deixa o nosso treinador com um dilema que eu não gostaria de ter que resolver, que é escolher entre a táctica que parece ser mais ajustada e o nosso melhor jogador e marcador. Em anos anteriores talvez isto não fosse tão evidente porque o Jonas tinha capacidade física e mobilidade suficiente para fazer a ligação com o meio-campo, mas esta época isso já não acontece com tanta frequência e nota-se um maior distanciamento entre as zonas. Voltando ao jogo, o Benfica precisava absolutamente de pelo menos pontuar em Old Trafford para manter vivas alguma esperança minimamente realista de seguir em frente, ou de pelo menos ir para a Liga Europa, e subiu ao relvado para jogar de acordo com esse objectivo. Tentámos jogar de forma descomplexada, olhos nos olhos com o adversário, como quem nada tinha a perder. Acabámos por perder nos pormenores. O remate do Matic bateu no poste, depois nas costas do Svilar e entrou. O remate do Jiménez bateu no poste e foi para fora. O Rashford aproveitou um ligeiro encosto do Samaris para cavar um penálti (e vão quatro contra nós em igual número de jogos nesta competição, e na minha opinião ficaram outros tantos por assinalar a nosso favor) mas quando o Pizzi foi abalroado dentro da área o árbitro já não foi tão rigoroso. De positivo, para além da exibição, mais uma prova de que nos miúdos Svilar, Rúben Dias e Diogo Gonçalves ganhámos mais três opções sólidas para o onze. A equipa nunca baixou os braços e nunca deixou de tentar chegar ao golo, mesmo nos minutos finais, quando já perdíamos por dois. E os muitos adeptos benfiquistas que os foram apoiar a Inglaterra reconheceram isso mesmo, e no final quase que parecia que tínhamos ganho o jogo. Espero que essa manifestação de empatia entre adeptos e equipa seja aproveitada para de uma vez por todas arrancarmos para uma nova fase exibicional, que nos permita continuar a perseguir o sonho do penta.

Com o resultado no outro jogo do grupo, o nosso futuro ficou muito complicado. Se matematicamente o apuramento para a próxima fase ainda é possível, realisticamente ele é uma miragem devido à derrota desastrosa que sofremos em Basileia. Só mesmo vencendo ambos os jogos, e por margens confortáveis, é que poderemos ainda ter uma réstia de esperança em seguir para a Liga Europa, tendo ainda que esperar pela a colaboração do Man Utd para vencer os seus jogos, de preferência por margens dilatadas. Não me parece possível em dois jogos recuperar uma desvantagem de doze golos em relação ao Basileia, mas os seis de desvantagem em relação ao CSKA não são impossíveis.

sábado, outubro 28, 2017

Apatia

Três pontos somados graças a uma vitória sem grande brilho contra o Feirense, num jogo que não terá deixado a maior parte dos benfiquistas que a ele assistiram minimamente satisfeita com a qualidade do futebol produzido. Salva-se o facto de termos conseguido somar três pontos a jogar mal, mas é incompreensível a aparente apatia da nossa equipa (que contagia as bancadas) depois de chegar à vantagem.


Para falar a verdade, o que seria apropriado sobre este jogo era deixar a página quase em branco. Não gosto de criticar o Benfica, e normalmente acho que se é para falar mal, mais vale ficar calado. E o que é que houve de bom neste jogo sobre o qual poderia escrever? O que já referi no início: conquistámos três pontos. Isso, e os primeiros onze minutos de jogo, período durante o qual jogámos um futebol agradável e interessante. Porquê só durante onze minutos? Porque foi nessa altura que se deu aquele acontecimento fatídico que esta época significa sempre um golpe brutal na equipa da qual ela raramente consegue recuperar: marcámos um golo. Até aí o Benfica tinha exclusivamente ao seu meio campo (que era o contrário do habitual, já que numa daquelas 'jogadas psicológicas' que para mim não passam de falta de etiqueta, o Feirense escolheu o campo ao contrário da tradição na Luz) um Feirense que aos trinta segundos de jogo já tinha a equipa médica em campo e aos cinco tinha o guarda-redes a ser avisado pelo árbitro por perda de tempo na reposição da bola em jogo. O principal dinamismo ao jogo do Benfica era dado pela ala esquerda, onde o Grimaldo e o Diogo Gonçalves combinavam muito bem e em velocidade, rasgando por diversas vezes a defesa do Feirense. Foi numa dessas jogadas pelo lado esquerdo (desta vez depois de um grande passe do Rúben Dias) que o Benfica quase marcou, depois de um passe atrasado do Diogo Gonçalves ter permitido um remate enrolado do Jonas, que o guarda-redes defendeu para canto. Na sequência desse canto, depois de alguns ressaltos a bola sobrou para o Jonas fazer o toque final para a baliza. E a seguir a isto, fechou-se a loja. A equipa foi perdendo progressivamente intensidade e agressividade, deixámos incompreensivelmente de jogar pela esquerda e passámos a preferir a direita, onde o Salvio e o André Almeida faziam uma dupla aterradora, e desaparecemos no ataque. Até porque a ausência de alguém que pudesse criar jogo no centro era por demais notória. Optarmos por dois médios de cariz defensivo num jogo em casa contra o Feirense é uma estratégia que apenas o nosso treinador poderá explicar. Eu passei o jogo todo a tentar perceber exactamente qual era o papel do Filipe Augusto na nossa táctica. Recuperador de bolas certamente que não, porque foram raríssimas as vezes em que ele se empenhou nessa tarefa, ou estava sequer na zona correcta do campo para o fazer, e era o Fejsa quem tinha que se multiplicar para acorrer a todos os fogos em várias zonas do terreno. Criador de jogo também não, porque o que eu o vi fazer mais frequentemente era, quando a equipa tinha posse de bola, recuar até junto dos centrais para receber a bola e imediatamente devolvê-la para os mesmos, ou fazer passes curtos laterais. Uma ou outra vez, arriscava um passe mais longo para uma das alas. Nem estou a referir-me à qualidade ou não da exibição dele, estou apenas a tentar compreender qual é a sua função em campo nesta táctica. O Feirense foi ganhando confiança e posse de bola, e progressivamente conseguiu instalar-se no nosso meio campo, embora apenas por uma vez tenha obrigado o Svilar a empenhar-se, num remate que ainda desviou num jogador nosso. A falta de crença dos nossos jogadores ficou, para mim, bem expressa num pontapé de canto, no qual o guarda-redes e um defesa do Feirense, sem nenhum jogador do Benfica por perto, disputaram a bola, embrulharam-se, e deixaram-na solta no interior da área. Ficaram cinco jogadores do Benfica parados a olhar para ela, e nem um havia perto da pequena área. Mesmo sobre o intervalo, o Feirense voltou a repetir a proeza de deixar uma bola solta na área, e desta vez o Jonas estava no sítio certo mas atirou para a bancada.


Certamente que a segunda parte seria melhor, certo? Errado. Mais do mesmo. Uma produção ofensiva e uma qualidade de jogo inadmissíveis para um jogo do Benfica em casa, ainda para mais contra o Feirense. De positivo o facto do Feirense praticamente não conseguir criar perigo - uma vez mais, apenas por uma vez o Svilar foi obrigado a intervir com maior dificuldade (e foi uma grande defesa) mas é normal que isto tenha acontecido. É que o Feirense não tem mesmo capacidade para fazer muito mais, e nem jogou especialmente bem esta noite. O Benfica é que jogou mesmo muito abaixo daquilo que se exige. De tal forma que conseguimos, por comparação, fazer com que parecesse que o Feirense estava a jogar bem. Nunca abdicámos dos dois médios mais defensivos - o Filipe Augusto incrivelmente fez o jogo todo - e as alterações que foram sendo feitas a partir do banco pouco melhoravam o nosso jogo. O Pizzi foi o primeiro a entrar, mas substituiu o Salvio e foi jogar encostado à ala, o que significou que passou a estar sob a influência malévola da brutal exibição do André Almeida esta noite. Ajudou-nos a ter um pouco mais de posse de bola no meio campo adversário, e deu-nos a ilusão de que numa ou noutra situação até era possível que saísse alguma jogada perigosa dali, mas ficou-se mais pelas ameaças do que pelos efeitos práticos. O Jiménez rendeu o Seferovic, mas apesar de estar um pouco mais mexido (pareceu-me que ainda durante a primeira parte o suíço fartou-se de andar a fazer diagonais à espera que alguém lhe metesse uma bola longa para as costas da defesa, para depois invariavelmente ver os colegas voltarem-se para trás ou para o lado e fazerem um passe curto para um colega) regra geral apenas contribuiu para aumentar a confusão no ataque. Durante este mau período na segunda parte, ainda assim o Benfica conseguiu ter duas grandes situações para marcar o golo da tranquilidade, em que viu jogadores ficarem isolados em frente ao guarda-redes. Na primeira foi o Salvio, desmarcado pelo Seferovic, e na segunda o Diogo Gonçalves, depois de uma combinação com o Grimaldo. Em ambos os casos, o guarda-redes do Feirense conseguiu a defesa. Perto do final, finalmente uma substituição que teve algum impacto no jogo: a troca do Jonas pelo Krovinovic. Depois disto, acho que nos dez minutos finais, finalmente com um criador de jogo na zona central, consegui ver mais mobilidade e imprevisibilidade no ataque do que tinha visto em mais de uma hora. Vi até uma jogada com princípio, meio e fim, que finalizou com o Krovinovic a servir o Jiménez na área para que ele atirasse à malha lateral.


Para destacar alguém no Benfica só mesmo o Fejsa e a dupla de centrais - o que é exemplificativo da falta de inspiração ofensiva da nossa equipa esta noite. O Grimaldo e o Diogo Gonçalves começaram muito bem no jogo e estiveram bem a espaços, mas à medida que a nossa equipa se foi deixando adormecer cometeram erros de excessos de individualismo que resultaram em perdas de bola, em especial na segunda parte. O André Almeida teve uma exibição tenebrosa, o que me deixa a perguntar se por acaso o Alex Pinto não estará já pronto para uma oportunidade. Pior do que isto não faz de certeza

Foram três pontos conquistados num jogo digno de uma boa luta pela manutenção. Chegámos à vantagem e depois foi jogar pelo seguro que não está tempo para grandes correrias. Isto foi manifestamente pouco para aquilo que se espera e se exige do Benfica - acho que só me recordo de ver exibições deste calibre na época do Trapattoni, e nessa altura não tínhamos o plantel que temos hoje. Temos que jogar muito mais e muito melhor. Não foi por acaso que, à saída do estádio, o ambiente entre os benfiquistas não era muito diferente do que seria se tivéssemos empatado o jogo. Estamos preocupados, e o jogo de hoje deu-nos motivos para nos sentirmos assim.

segunda-feira, outubro 23, 2017

Melhoria

O Benfica regressou às vitórias fora de casa para o campeonato graças a uma melhoria em relação às últimas exibições, conquistando um resultado que é escasso dadas as ocasiões de golo criadas - foi muito por culpa do veterano Quim, que na baliza do Aves fez uma exibição fantástica, que não construimos uma vitória bem mais dilatada.


A principal surpresa no onze inicial foi a ausência do Pizzi. Face ao regresso do Jonas, a opção do nosso treinador foi a de manter o Fejsa e o Filipe Augusto no meio campo. O que, face ao pesadíssimo e escorregadio relvado do Aves (os nossos jogadores passar o tempo todo a escorregar, e até o próprio árbitro caiu) é capaz de ter sido a melhor opção. Os jovens Svilar, Rúben Dias e Diogo Gonçalves mantiveram a titularidade, e na frente o Jiménez deu o seu lugar ao Seferovic. O Douglas tinha ficado de fora da convocatória, por isso foi sem surpresa que jogou o André Almeida. A exemplo daquilo que o Benfica tem feito quase toda esta época, entrámos bem no jogo. Lançámo-nos no ataque desde o apito inicial, e logo numa das primeiras jogadas o Quim mostrou logo que estava em dia inspirado e negou ao Diogo Gonçalves aquilo que seria um grande golo, num remate cruzado. O Aves respondeu quase de imediato com um remate de fora da área que obrigou o Svilar a uma defesa atenta, mas se isso fez alguém pensar que teríamos um jogo de parada e resposta, foi engano. Muito por culpa do péssimo relvado, o jogo estava a ser de um intensidade física grande, mas com o Benfica, apesar das escorregadelas, a ganhar claramente a luta e a instalar-se no meio campo do Aves, que se limitava a jogar para segurar o nulo, espreitando um ou outro tímido contra-ataque. O golo foi sendo adiado até perto da meia hora, altura em que o Diogo Gonçalves foi claramente derrubado dentro da área e, na marcação do respectivo penálti, o Jonas colocou-nos em vantagem (o péssimo estado da relva ainda ssim poderia ter feito com que o Jonas tivesse falhado o penálti). Depois disto, e também uma repetição daquilo a que já vimos acontecer várias vezes esta época, deu-se um apagão na equipa. Não encontro grandes explicações para isto acontecer tantas vezes, mas o facto é que o Aves, que até aí tinha sido quase inexistente em termos ofensivos, começou a aparecer com maior frequência na frente, enquanto que nós nos apagámos no ataque. Os minutos finais da primeira parte foram mesmo os piores que atravessámos em toda a partida, e naturalmente o melhor período do Aves na mesma. Mas apesar de um ou outro susto, conseguimos sair para intervalo em vantagem, o que era um reflexo justo daquilo que se tinha visto durante a primeira parte.


Na reentrada para o segundo tempo a nossa equipa pareceu vir com maior tranquilidade do que aquilo que tinha mostrado nos minutos antes do intervalo. Prioridade em manter a posse de bola, optando por passes seguros entre os seus jogadores e sem grandes correrias. E ao fim de cinco minutos a tranquilidade naturalmente aumentou com o segundo golo. Um remate do Jonas foi desviado por um defesa para a direita do nosso ataque, onde surgiu o Salvio solto para fazer um remate enrolado e com muito pouco ângulo, mas que fez a bola ultrapassar o Quim e encaminhar-se para a baliza, numa trajectória quase paralela à linha de golo. Muito provavelmente a bola entraria mesmo, mas ainda surgiu o Seferovic para confirmar o golo quase em cima da linha. Honestamente, pensei nesse momento que o jogo estivesse definitivamente decidido. Não via no Aves capacidade de reacção para marcar dois golos, até porque os minutos que se seguiram ao nosso segundo golo ainda reforçaram essa minha convicção. O Benfica continuou a ter o jogo perfeitamente controlado, e a única dúvida seria se marcaríamos mais algum golo, porque não só continuávamos a criar perigo na frente como também o Aves nada fazia que nos levasse a crer serem capazes de marcar. Mas como no futebol as coisas podem sempre mudar de um momento para o outro, a um quarto de hora do final, e no seguimento de um canto, o Aves reduziu. O Seferovic deixou-se antecipar por um dos defesas centrais adversários na zona do primeiro poste e a reacção do Svilar já não foi a tempo de evitar que a bola entrasse. O jogo estava agora, completamente contra as expectativas, relançado. Felizmente que por pouco tempo, porque bastaram três ou quatro minutos para que o Benfica voltasse a colocar a diferença em dois golos. Novo penálti, desta vez por falta sobre o Pizzi (tinha entrado há minutos para o lugar do Salvio) e novamente o Jonas a concretizar. Os jogadores do Aves ficaram a reclamar uma possível falta do Jonas no início da jogada que culminou no penálti, e sinceramente parece-me que poderão ter razão - mas clamarem pelo vídeo-árbitro não faz sentido porque não é suposto ele intervir em situações destas. Até final, o Quim continuou a evitar um resultado mais volumoso, ainda que pelo meio tenhamos visto uma bola embater no poste da nossa baliza, depois de ligeiramente desviada pelo Svilar.


Sem conseguir fazer grandes destaques a nível individual, já que o nível foi mais ou menos constante em toda a equipa, parece-me que pelo menos os 'miúdos' que jogaram não devem sair da equipa tão cedo. Pelo menos o Rúben Dias estará de pedra e cal na equipa, e à medida que vá somando minutos e ganhando experiência deverá assumir mesmo o estatuto de titular. O Diogo Gonçalves também esteve bem e é um jogador que eu aprecio bastante e em quem deposito grandes esperanças, mas a concorrência nas alas é forte. De qualquer maneira não vejo razões para sair da equipa. Na baliza, o Svilar não teve responsabilidades no golo sofrido e esteve sempre bem e transmitiu segurança.

Creio que neste jogo mostrámos um pouquinho mais daquilo que de positivo tínhamos conseguido ver no jogo da Champions, mas o caminho a percorrer ainda é longo. A quebra de rendimento após chegarmos à vantagem voltou a ver-se e isso é algo que tem que ser corrigido. Por outro lado, foi positivo ver a equipa a não se deixar afectar e a reagir rapidamente ao golo sofrido. Não foi uma exibição de encher o olho, mas foi mais do que suficiente para justificar a vitória neste jogo, e manifestamente melhor do que aquilo que tínhamos vindo a fazer nos últimos jogos para a liga. Agora é esperar que continuemos a progredir.

quinta-feira, outubro 19, 2017

Infelicidade

O resultado do jogo desta noite acaba por ser mais ou menos normal. O Manchester United era o favorito à partida e o objectivo do Benfica seria contrariar este favoritismo e conseguir conquistar um resultado que nos relançasse na discussão pelo apuramento. Não o conseguimos, mas pelo menos saí do estádio sem nada a apontar à atitude da equipa.


E a equipa apresentou algumas surpresas para este jogo. A começar pelo esquema táctico, já que finalmente abandonámos o suicídio que é jogar com apenas dois médios na Champions e em vez disso jogámos com três, tendo entrado o Filipe Augusto para que fosse o Pizzi a assumir o papel de terceiro médio a actuar mais perto do avançado - que foi o Raúl, tendo o Jonas ficado no banco. A outra surpresa da noite foi a titularidade do Diogo Gonçalves na esquerda do ataque, como reconhecimento da boa entrada que teve no último jogo. Destaque ainda para a manutenção da titularidade do Rúben Dias e do Svilar. O Benfica começou bem um jogo que foi sempre bastante táctico, disputado sobretudo no meio campo, com ambas as equipas a arriscar pouco e a raramente conseguirem criar ocasiões de golo flagrantes - uma excepção foi uma grande arrancada do Grimaldo, que ultrapassou meia equipa do United e meteu a bola na área para um remate de pé esquerdo do Salvio, que saiu demasiado torto. A alteração táctica do Benfica para povoar mais o meio campo notava-se sbretudo na ocupação dos espaços, e a defesa esteve quase sempre bem organizada, apanhando por diversas vezes os jogadores adversários na armadilha do fora-de-jogo. Mas a partir da meia hora de jogo a maior valia do Man Utd começou a fazer-se notar. É evidente que as armas de que uma e outra equipa dispõem não são as mesmas, e o maior poder do nosso adversário começou a fazer-se notar, conseguindo cada vez mais posse de bola (e os pratos da balança neste aspecto particular nunca mais pararam de se desequilibrar até final) sobretudo nas zonas do meio campo e da defesa, mas a conseguir jogar mais subido no terreno e a empurrar-nos mais para junto da nossa área (com o Matic a mostrar porque é um dos melhores médios do mundo). Mas as ocasiões de golo continuaram a escassear.


Isto foi aliás exactamente o mesmo figurino da segunda parte. O Man Utd a ter mais posse de bola e a tentar construir pacientemente, e o Benfica a tentar sair rapidamente para o ataque quando recuperava a bola, através dos laterais e extremos ou com lançamentos longos para o Raúl. O jogo, honestamente, parecia ter um nulo no marcador como quase uma certeza já quase desde o início, salvo algum acidente fortuito que acabasse por resultar em golo. Infelizmente foi isso mesmo que aconteceu, num erro grosseiro do Svilar. Num livre apontado na direita da nossa defesa, ainda muito longe da baliza, a bola saiu certamente com mais foça e sem a direcção pretendida pelo Rashford, e foi direita à baliza. Talvez por excesso de confiança, o Svilar tentou agarrar a bola - o normal seria não arriscar e socar a bola, ou tocá-la por cima da barra. Como ele estava adiantado e teve que recuar para agarrar a bola, acabou por não conseguir equilibrar o movimento e entrou na baliza com a bola nas mãos. Foi autogolo mesmo, porque ele ainda agarrou a bola antes dela ter passado a linha e depois entrou com ela nas mãos para dentro da baliza. Uma pena, tendo em conta que esteve bem no resto do jogo e mostrou bastante confiança, não parecendo acusar a pressão de estar a estrear-se na Champions  tão novo (o mais novo guarda-redes na história da competição). A partir daqui ficou mais ou menos evidente que o jogo estaria resolvido. Não porque a nossa equipa tivesse baixado os braços e desistido de lutar pelo resultado, mas sim porque o jogo estava no estado que referi antes. Um jogo fechado, frente a um adversário que defende de forma exemplar - em doze jogos feitos esta época, o Manchester United não sofreu golos em nove deles - e que estava a mostrar ser capaz de guardar a bola sem muita dificuldade. Ainda conseguimos criar uma ocasião de golo, na sequência de um canto, mas o Rúben Dias atirou de primeira por cima depois de surgir sem marcação. De positivo, a reacção dos benfiquistas, que aplaudiram imediatamente o Svilar depois do golo, e que até final nunca deixaram de apoiar a equipa. Aliás, até mesmo depois do final, pois muita gente ficou no final a aplaudir e a cantar pelo Benfica enquanto a equipa saía do campo - e ainda para aplaudir o Matic e o Lindelöf, que saudaram o público no final. De assinalar ainda a expulsão do Luisão perto do final, por acumulação de amarelos, e ainda o que me pareceu mais um penálti por assinalar a nosso favor nesta edição da Champions.


Acho que o melhor deste jogo foi a mudança, para melhor, da atitude da equipa. Não me parece que a qualidade de jogo tenha melhorado por aí além, mas quando há a atitude certa os adeptos reconhecem-no e é mais fácil conseguir resultado positivos. Quanto a destaques individuais, a minha preferência vai para o Rúben Dias. Fez um jogo quase sem mácula (lembro-me apenas de um erro, um mau passe já perto do final do jogo) com diversos cortes importantes, um deles simplesmente fabuloso que evitou um golo que seria quase certo. Acho que nesta fase já não há motivos para duvidar que ele está pronto para ser uma opção viável para o centro da defesa. Também gostei do Salvio, que teve que estar mais atento do que o habitual às tarefas defensivas devido ao pendor ofensivo do Douglas.

Depois dos resultados de hoje creio que o apuramento para a próxima fase da Champions é quase uma miragem. Foi uma infelicidade que um erro individual tenha acabado por impedir um resultado melhor. O nosso objectivo nesta competição deverá agora passar por discutir com o CSKA o acesso à Liga Europa, o que faz com que o jogo que disputaremos na Rússia seja absolutamente fundamental. Até lá, espero que a melhoria de atitude da equipa que vimos neste jogo traga uma consequente melhoria dos resultados.

domingo, outubro 15, 2017

Mínimos

Um grande golo do Gabriel Barbosa, uma estreia segura do miúdo Svilar na baliza, outra estreia na equipa principal, do João Carvalho, o Diogo Gonçalves a aproveitar os minutos que lhe foram dados para 'exigir' mais oportunidades, e os serviços mínimos para progredir para a próxima eliminatória da Taça de Portugal. Estes foram os pontos que eu retive do jogo desta noite. 


Sobre a qualidade do futebol jogado, pouco a dizer, porque ela foi baixa. Sim, dominámos o jogo, o que era obviamente exigível dado que defrontávamos uma equipa do terceiro escalão. Só nós tínhamos algo a perder neste jogo, e por isso mesmo a vitória foi importante. Mas creio que poderíamos ter aproveitado a oportunidade para mostrar mais qualidade no nosso jogo, e as várias alterações feitas no onze não servem de grande desculpa para o pouco futebol mostrado. Não sei exactamente o que é que estivemos a trabalhar durante estas duas semanas de pausa, mas espero que seja algo melhor do que aquilo que mostrámos hoje. Que foi uma espécie de 4-3-3 algo estranho, em que os supostos extremos vinham constantemente para dentro e deixavam aos dois laterais as tarefas de jogar pelas alas, e que resultou numa produção ofensiva muito fraca - teríamos obrigação de criar muito mais situações de perigo dada a diferença de valor entre as duas equipas. Confesso mesmo que estava quase a adormecer até ao momento em que entrou o Diogo Gonçalves, que finalmente veio animar o nosso ataque. Achei que vários dos jogadores a quem foram dadas oportunidades esta noite não as souberam aproveitar (e os titulares que jogaram também não brilharam propriamente). Outra das estreias, o Douglas, não me impressionou a defender, mas dou o desconto de saber que ele estava há uns quatro meses sem jogar.

Foi uma estreia morna na Taça de Portugal, muito semelhante à do ano passado, frente ao 1º de Dezembro. Só espero que o nosso percurso na competição acabe por ser também semelhante.

segunda-feira, outubro 02, 2017

Zero

Honestamente, já nem me apetece escrever sobre os nossos jogos. Porque estou cansado de ver a mesma história a repetir-se vezes sem conta: boa entrada, golo madrugador, e depois o encosto à magra vantagem que, invariavelmente, somos incapazes de segurar. Estou cansado de ver jogadores em campo de braços caídos, como se jogassem a medo e sem a menor crença em si mesmos à primeira contrariedade que sofrem. Nem o facto de podermos neste jogo, com uma vitória, recuperar quatro pontos aos amantes furiosos que nos antecedem na tabela classificativa e que hoje naturalmente empataram pareceu servir-nos de motivação.

Depois do desastre na Suíça, não houve qualquer revolução na equipa. Jogámos precisamente com a mesma equipa que colapsou na segunda parte desse jogo. Nem o equipamento mudou, e foi novamente aquele cinzento horrível que nem as cores do nosso emblema tem. Foi o Salvio no lugar do Zivkovic de início, e de resto o mesmo onze. O início de jogo foi bom. Muito bom mesmo, já que na primeira ocasião criada, ainda antes de se completarem dois minutos de jogo, o Jonas marcou um golão e colocou-nos em vantagem. Em condições normais, isto é o melhor que se poderia desejar. Vindos de um mau resultado, a jogar no campo de uma das equipas em melhor forma neste início de época (que neste momento é mesmo um concorrente directo na classificação), com um relvado que mais se assemelhava a um rancho de toupeiras, entrar a ganhar seria o melhor tónico que uma equipa poderia ter. Mas se há algo que eu tenho aprendido este ano, é que marcar um golo é do pior que nos pode acontecer, porque imediatamente assisto a um relaxar por parte da equipa e a uma tentativa de, independentemente de quanto tempo falta para jogar, começarmos logo a 'gerir' o resultado. É incompreensível esta aparente sobranceria, ou medo, ou lá o que é. O que é certo é que depois de nos apanharmos em vantagem, começamos a jogar como uma equipa pequena (e se querem um exemplo flagrante disso, basta ver a forma como o Júlio César começa imediatamente a fazer as reposições de bola em jogo - é exactamente da mesma maneira que nos leva a, na Luz, começarmos a perder a paciência com os guarda-redes adversários logo nos instantes iniciais de um jogo). O futebol jogado era, como aliás se exigia, sobretudo directo, porque aquele relvado não dava para ter ambições em jogar qualquer coisa mais evoluída. Mas deixámos progressivamente de pressionar os jogadores do Marítimo, que foi subindo no terreno, e sobretudo ganhando uma superioridade evidente no centro do terreno (onde o Pizzi foi completamente engolido e este entretido a coleccionar asneiras atrás de asneiras). De positivo o facto de não termos permitido ao adversário criar uma verdadeira ocasião de golo - até porque ultimamente, como já escrevi, bastam uma ou duas ocasiões aos nossos adversários para marcar-nos um golo.

A segunda parte até pareceu um pouco melhor. Pelo menos na primeira fase da mesma recuperámos algum controlo territorial e não permitimos ao Marítimo jogar tanto no nosso meio campo. Mas acho que todos nós sabemos, ou pelo menos tememos, que sem um segundo golo para dar tranquilidade à equipa o desastre está ali mesmo ao virar da esquina. E quando escrevo que 'todos nós sabemos', estou a incluir os jogadores neste grupo, porque eles parecem ser os primeiros a ter essa ideia a povoar-lhes os pensamentos o tempo todo. A primeira ocasião do Marítimo chegou, num remate de fora da área, e escapámos devido a uma grande defesa do Júlio César. À segunda já não tivemos tanta sorte (já seria estarmos a contrariar a regra de uma ou duas oportunidades para sofrer um golo) e o empate chegou mesmo. Nem foi preciso nada de particularmente elaborado, apenas o futebol que é possível praticar num terreno destes, ou seja, jogo directo. Um cruzamento largo desde a esquerda (o jogador que faz o cruzamento é deixado completamente à vontade) para o lado contrário, e junto ao poste surgiu um jogador do Marítimo para cabecear. O André Almeida aproveitou para ficar a assistir ao lance de cadeirinha, adoptando a tão famosa estratégia da 'marcação com os olhos', e o Júlio César praticou um pouco de ornitologia e mesmo sem binóculos aproveitou para observar o belo voo daquela espécie de ave chamada 'bola', que planou majestosamente ao longo da sua baliza, fez escala na cabeça do jogador do Marítimo e foi repousar suavemente nas redes. Depois disto, o costume. Ou seja, o desvario e a desconcentração da maior parte dos nossos intervenientes - quando consigo afirmar sem grandes dúvidas que o Salvio terá sido o jogador mais esclarecido, isso diz muito sobre os outros jogadores. 

A reacção do banco também foi pouco convincente. Tacticamente nunca se mudou grande coisa, porque as substituições foram sempre troca por troca. Primeiro fez entrar o Rafa. OK, nada de pessoal contra o Rafa, mas isto já começa a ser um reflexo condicionado em mim: quando entra o Rafa é basicamente 'lasciate ogne speranza, voi ch'intrate' (ou seja, atravessámos os portões do Inferno, a coisa está mesmo mal e estamos tramados). Nem percebi bem a estratégia de meter o Rafa num terreno naquelas condições. Se num terreno bom e propício para explorar a velocidade dele, ele já demonstra frequentemente dificuldades no controlo da bola, no rancho de toupeiras dos Barreiros seria extremo optimismo esperar algo de melhor. Depois trocámos o Pizzi pelo Krovinovic. Aceita-se numa lógica de refrescar fisicamente aquela posição, até porque o Pizzi estava a produzir zero até então, mas também não aumentámos propriamente a capacidade de criação de jogo. Finalmente, saiu o Jonas para entrar o Seferovic. Numa altura em que estamos a precisar de marcar, sai o nosso melhor marcador. Mas tudo bem, assumi que seria para apostar ainda mais no futebol directo e tirar o melhor partido da capacidade física do suíço num terreno pesadíssimo. Mas surpreendentemente, quase não fizemos isso. Pelo contrário, começámos a recorrer novamente ao futebol de passes curtos e lateralizações, e tentativas de entrar pelas alas - e nas poucas ocasiões em que criámos espaço para fazer cruzamentos, estes saíram invariavelmente mal, ou demasiado largos, ou imediatamente interceptados pelo defesa mais próximo da bola. E depois, claro, os esperados disparates defensivos a polvilhar a nossa actuação, que normalmente acabam por ditar golos sofridos e derrotas quando procuramos o golo da vitória. Desta vez tivemos a felicidade disso não ter acontecido, mas o Jardel ainda deu um contributo para esse desfecho, perdendo a bola para um jogador do Marítimo progredir isolado para a baliza, valendo-nos uma defesa do Júlio César. É verdade que também tivemos uma grande ocasião de golo nos instantes finais, num remate do Jiménez defendido com dificuldade pelo guarda-redes do Marítimo, para depois a possível recarga do Salvio ser cortada no limite por um defesa.

Conforme já disse antes, o jogador que mais merece um elogio no jogo de hoje é o Salvio. Foi a larga distância o jogador mais perigoso, mais incisivo e mais empenhado em que o resultado tivesse sido outro. As ocasiões de que dispôs foram quase sempre construídas por si próprio, criou outras em que tentou oferecer a bola aos colegas, e ainda construiu uma situação que me parece que em condições normais seria assinalado penálti - por menos o Benfica teve um penálti assinalado contra si no jogo com o CSKA. Quase que me fez pena quando o vi, numa ocasião em que tivemos um lançamento de linha lateral perto da área do Marítimo e ele se aprestava para o marcar, a ter que insistir e quase suplicar aos centrais para subirem até à área, uma vez que estes pareciam estar confortavelmente instalados lá atrás.

Num jogo em que poderíamos ter aproveitado para recuperar terreno para a liderança e, apoiados nessa injecção de confiança, relançar a época, o que vimos foi praticamente zero, e no final o que eu sinto foi que levámos mais um duro golpe nas nossas ambições. E nem digo isto tanto pelo resultado, porque maus resultados acontecem. Digo isto pela quase total ausência de reacção que mostrámos. O que vimos foi exactamente o mesmo: o mesmo futebol e a mesma atitude que nos levaram à situação actual. Nada mudou. E se uma derrota copiosa contra uma equipa da terceira linha europeia, que há onze jogos não vencia na Champions, e a possibilidade de recuperar quatro pontos para a frente da tabela classificativa não são razões suficientes para motivar uma reacção, então infelizmente só posso concluir que o problema que nos afecta é demasiado grave.