segunda-feira, setembro 26, 2016

Suor

Antevia-se um jogo difícil e as previsões não saíram furadas. O Benfica foi obrigado a pagar com suor para infligir a primeira derrota do Chaves no campeonato, com a tarefa tornar-se particularmente complicada depois de uma primeira parte aquém do exigível - também por culpa da boa réplica do adversário.


Uma única alteração no onze em relação ao último jogo, tendo o Ederson voltado a ocupar a nossa baliza. Imagino que tenhamos adoptado uma política de alternância na baliza, porque o Júlio César até tinha sido um dos melhores no jogo contra o Braga. O jogo na primeira parte foi essencialmente de muita posse de bola da parte de Benfica, mas pouca inspiração ou imaginação para fazer grande coisa com essa posse de bola. O André Horta pareceu jogar demasiado recuado, a aparecer mais na zona do Fejsa do que a fazer a ligação com o ataque. O Pizzi pela esquerda nunca é o mesmo jogador e perde influência no centro. Por isso pelo meio não se viu grande coisa. Pelas faixas, era sobretudo pela esquerda e devido à constante acção do Grimaldo e algumas movimentações do Gonçalo Guedes ou do Pizzi que conseguíamos criar algumas situações mais interessantes - a melhor delas foi uma combinação entre o Grimaldo e o Pizzi logo nos primeiros minutos com um passe atrasado, que só não deu bom resultado porque o Mitroglou e o Gonçalo Guedes se atrapalharam um ao outro. Do outro lado, era para esquecer. O Salvio esteve num daqueles dias em que resolve jogar sozinho e ainda por cima não estava inspirado, e o Nélson Semedo não esteve muito melhor. O Chaves jogava de forma a explorar o contra-ataque. Pressionava o Benfica ainda no seu meio campo, e assim que recuperava a bola conseguia sair rapidamente com três ou quatro jogadores e com o mínimo de passes possível, de preferência a tentar explorar o espaço nas costas da nossa defesa. A partir da meia hora de jogo pareceu-me que esta situação se agudizou. Até então o Chaves não tinha criado muito perigo, mas no último quarto de hora da primeira parte o Benfica começou a perder mais frequentemente a bola, com demasiados passes errados, e a revelar muito maior permeabilidade aos contra-ataques do Chaves. Até foi nesta fase em que o Mitroglou conseguiu fazer um golo que acabou por ser mal anulado por suposto fora de jogo, já que ele estava em linha com a defesa, mas aceito a decisão porque acho sempre ridículo estar a discutir questões de centímetros. A situação mais complicada para nós apareceu a cinco minutos do descanso, quando na mesma jogada o Chaves acertou por duas vezes no poste direito da nossa baliza, e depois ainda falhou a recarga de baliza aberta. Ficou o sério aviso para o Benfica.


A segunda parte só poderia ser melhor. O André Horta apareceu em terrenos mais avançados e isso ajudou logo a melhorar um pouco o nosso jogo apenas pela presença dele naquela zona. Por outro lado, o Chaves foi progressivamente pagando a factura do intenso esforço a que a pressão que tentou exercer durante a primeira parte o obrigou. Mas o factor decisivo acabou por ser a alteração feita à hora de jogo, quando o inconsequente Salvio deu o lugar ao Cervi. Não só pela entrada do Cervi, mas também porque nessa altura o Gonçalo Guedes se fixou mais na esquerda e o Pizzi passou a ocupar preferencialmente a zona central. A conjugação destes factores todos foi-nos dando cada vez mais superioridade no meio campo - algo que em que estivemos claramente deficitários durante a primeira parte. O próprio Nélson Semedo subiu de rendimento depois do Salvio sair (ajuda ter à frente dele alguém que faça jogadas com ele em vez de constantemente baixar a cabeça e partir sozinho para cima de três adversários) e foi sobre ele que foi cometida a falta da qual nasceu o primeiro golo do Benfica. O livre foi marcado pelo Grimaldo de forma tensa e na direcção da baliza, e depois quase na pequena área surgiu o Mitroglou, mesmo pressionado por um defesa, a tocar ligeiramente de cabeça na bola e a desviá-la do guarda-redes. Isto aconteceu aos sessenta e nove minutos, e face ao que estava já a ver naquela altura fiquei convencido que depois de termos feito o mais difícil, só um golpe de azar nos tiraria a vitória. Parecia-me aliás muito mais provável o Benfica aumentar a vantagem, e esse cenário confirmou-se no resto do jogo. O Chaves durante toda a segunda parte foi quase inofensivo no ataque, e o golo do Benfica pareceu esvaziar por completo o pouco ar que ainda restava no balão. O segundo golo do Benfica e o da confirmação dos três pontos apareceu mesmo, a seis minutos do final. Mais um livre marcado pelo Grimaldo, quase sobre a linha da área, a bola embateu na barreira e na recarga o Pizzi rematou de forma colocada e sem hipóteses de reacção para o guarda-redes adversário. E quase no final até poderia ter mesmo surgido o terceiro golo (que, admito, seria um castigo demasiado pesado para o Chaves) mas o Carrillo viu o guarda-redes fazer uma grande defesa para evitar esse golo.


Os melhores do Benfica num jogo em que não houve muito brilho foram, para mim, o Grimaldo e o Mitroglou. O espanhol conseguiu fazer o flanco esquerdo praticamente sozinho e nos piores períodos da equipa conseguiu ser o jogador que mais a empurrou para a frente. Ainda há quem o critique por defender mal, mas sinceramente parece-me que ele tem sabido progressivamente equilibrar cada vez mais o seu jogo e não é por aquele lado que a defesa treme. O Mitroglou voltou a mostrar as suas qualidades de matador. Foi o jogador mais rematador do Benfica, colocou a bola no interior da baliza adversária duas vezes e viu os golos serem anulados (um mal, outro bem) e à terceira desatou finalmente o jogo. Quanto à parte negativa, apesar de vários jogadores terem estado pouco inspirados (Nélson Semedo, André Horta, até mesmo o Fejsa não esteve tão bem como nos tem habituado) é impossível não destacar o Salvio pela negativa. Deve ter sido o pior jogo que eu alguma vez o vi fazer. Não sei se ganhou um lance individual, e não sei se terá havido algum lance em que terá optado por passar a bola em vez da iniciativa individual. Foi inacreditavelmente mau, e não foi coincidência que o jogo do Benfica tenha melhorado substancialmente quando ele foi substituído. Se vai insistir por esta via, será o candidato número um a sair da equipa assim que o Rafa recuperar.

Foi um jogo menos conseguido do Benfica na primeira parte, e fomos felizes naquele lance específico das duas bolas no poste. Mas de qualquer maneira parecem-me manifestamente exageradas algumas das apreciações ao jogo que já li ou ouvi. A vitória do Benfica foi perfeitamente justificada porque mesmo com um jogo menos conseguido fomos a melhor equipa no terreno de jogo. Que as coisas podiam ter sido muito diferentes caso o Chaves tivesse marcado no referido lance, não duvido. Mas não se pode resumir todo um jogo a esse momento. Por mim, fica a satisfação de termos dado mais um pequeno passo na direcção certa (e um passo que seria sempre difícil sob quaisquer circunstâncias porque não me parece que defrontar este adversário naquele campo seja um jogo fácil) mesmo continuando a ter várias baixas importantes.

terça-feira, setembro 20, 2016

Topo

Ainda bastante limitado nas opções devido às várias lesões em jogadores influentes, o Benfica conseguiu impor-se a um adversário complicado num jogo em que a liderança isolada estava em disputa e assim fechou a quinta jornada sozinho no topo da tabela.


O regresso do Mitroglou ao lote dos disponíveis significou a saída do Cervi do onze, tendo o Pizzi ocupado a posição mais à esquerda do ataque - alternando frequentemente de posição com o Gonçalo Guedes durante o decorrer do jogo. A única outra alteração, para mim até um pouco surpreendente, foi na baliza. Pensei que o Ederson tivesse voltado a agarrar o lugar, até pela exibição que tinha feito contra o Besiktas, mas foi o Júlio César quem jogou de início. E face ao que aconteceu durante a partida, podemos dizer que foi uma opção muito acertada. O jogo começou de forma frenética, com duas oportunidades claras de golo para cada uma das equipas logo nos primeiros dez minutos. Logo a abrir o Mitroglou rematou a centímetros do poste, e na resposta o Fejsa ofereceu um golo ao Braga, que o Hassan, completamente isolado, falhou de forma inacreditável. Pouco depois foi o Júlio César que negou o golo ao Pedro Santos com uma grande defesa, e a seguir uma grande jogada do Benfica terminou com mais uma grande defesa, desta vez do Marafona a remate do Salvio (pouco antes o Guedes teve uma boa arrancada que foi travada em falta em posição frontal e perigosa, mas o Jorge Sousa - um dos meus ódios arbitrais de estimação - resolveu que não era nada). Interessante, sem dúvida, mas não fico exactamente descansado quando vejo um adversário jogar na Luz e a ter tantas oportunidades claras como o Benfica. Só que depois deste início electrizante entrou em campo o factor Marafona. Acredito que ele até se tivesse mesmo magoado porque me pareceu ter apoiado mal o pé. O que duvido é que a dor fosse assim tão forte para parar o jogo tanto tempo, e sobretudo que o parecesse atacar mais precisamente em alturas em que o Benfica acelerava e até dava um certo jeito quebrar o ritmo do jogo. E depois, sabemos que o crime compensa sempre e que os árbitros nunca compensam na totalidade todo este tempo pedido. 


O Benfica era a equipa que continuava a procurar o golo com mais insistência. Na esquerda, já que o Pizzi parece desaparecer do jogo sempre que ali joga, era o Grimaldo quem ia dando dinâmica por aquele lado, quase sempre a combinar bem com o Gonçalo Guedes quando este descaía para ali, e teve mais um remate a obrigar o Marafona a uma boa intervenção. Quanto à prova de que a dor do guarda-redes do Braga não devia ser assim tão forte foi que um par de minutos depois de mais uma longa interrupção o Benfica chegou ao golo, pelo Mitroglou, e daí até ao final do jogo o Marafona não voltou sequer a coxear. Quanto ao golo, nasceu de uma arrancada do Guedes pela esquerda, desmarcado por um toque de primeira, de calcanhar, do Pizzi, e depois do cruzamento rasteiro e algo atrasado para o interior da área (não sei se a direcção foi completamente intencional; no estádio até fiquei com a sensação de que o cruzamento saiu meio falhado) o Mitroglou ainda conseguiu recuperar a posição e rematar de primeira e cruzado para o golo. O golo aconteceu aos vinte e sete minutos de jogo, e durante mais algum tempo o Benfica continuou em cima do adversário em busca de um segundo golo. Mas nos minutos finais antes do intervalo pareceu-me haver algum relaxamento, o que permitiu que o Braga se aproximasse mais da nossa baliza e aí foi necessário um Júlio César inspirado para manter a vantagem no marcador. Primeiro, negou o golo ao Ricardo Horta quando este lhe apareceu isolado, descaído sobre a direita. Já quase sobre o intervalo mostrou grandes reflexos para evitar o golo do Braga, na sequência de um canto e cabeceamento ao primeiro poste, já muito perto da linha de golo. Na última jogada da primeira parte o Lisandro poderia ter feito melhor e permitido que o Benfica fosse mais tranquilo para o descanso, quando depois de um livre do Pizzi cabeceou ligeiramente ao lado. Já agora, diga-se que o tempo de descontos dados pelo Jorge Sousa foi de quatro minutos. O tempo gasto só a assistir o Marafona foi de cerca de seis minutos. O habitual, portanto.


O início da segunda parte até parecia que ia ser uma cópia do que se tinha passado em igual período da primeira, com o Braga a fazer dois remates nos primeiros minutos e o Benfica a responder num livre do Gonçalo Guedes que desviou ligeiramente na barreira e proporcionou uma fantástica defesa ao Marafona. Mas depois disso as coisas acalmaram e nenhuma das equipas conseguiu ser particularmente perigosa no ataque. Nos minutos que se seguiram, aliás, o futebol até foi de baixa qualidade e aborrecido, com demasiados passes falhados de parte a parte ou iniciativas individuais sem qualquer consequência. O jogo mudou no entanto quando o Benfica trocou o Salvio pelo Carrillo. O Salvio estava a fazer um jogo muito fraco e o Carrillo, conforme já disse antes, é um jogador pelo qual eu não nutro qualquer admiração - acho que temos mais e melhores extremos no plantel e que foi uma contratação pouco útil - mas a alteração teve efeitos positivos, sobretudo porque o Pizzi quando joga na direita é um jogador completamente diferente daquele que é na esquerda. Na esquerda não consegue ser um extremo eficaz e parece que perde influência no meio. Na direita consegue ser as duas coisas. E a presença mais fixa do Carrillo na esquerda (ainda que quase sempre a jogar a passo) travou um pouco as subidas do Baiano por aquele lado, que tinham sido uma constante até então sem que o Pizzi lhes desse a atenção devida. O primeiro safanão na monotonia foi dado pelo Gonçalo Guedes, num grande remate de fora da área que voltou a exigir a atenção do Marafona. E pouco depois, aos setenta e quatro minutos, o Benfica chegou ao segundo golo. Fê-lo de uma forma algo feliz, aproveitando uma intercepção defeituosa de um jogador do Braga a um passe do Mitroglou, que deixou o Pizzi isolado dentro da área para rematar de primeira para o golo. Mas nessa altura já o Benfica era quem mais perto estava de marcar. E quatro minutos depois arrumámos a questão. Num lance de insistência em que o Braga nunca conseguiu afastar a bola da sua área, o primeiro cruzamento do Nélson Semedo acabou por ir ter aos pés do Pizzi, já dentro da área, e depois de alguma forma ele conseguiu ainda cruzar já sobre a linha fundo e pressionado pelos defesa para o Mitroglou cabecear a pouco mais de um metro da linha de golo. Depois disto deu para relaxarmos um pouco, dar uns minutos ao miúdo José Gomes - que esteve perto de marcar, mas o Lázaro Marafona voltou a fazer uma boa defesa para lhe negar essa alegria - e a já quase tradição de substituir o Fejsa nos minutos finais e sofrer um golo. Foi já nos descontos, na sequência de um canto, através de um cabeceamento já na pequena área. O Benfica até agora sofreu quatro golos no campeonato, e os quatro golos foram marcados de cabeça, três deles na sequência de bolas paradas (um livre e dois cantos). Algo certamente a rever, e que o regresso do Jardel poderá ajudar a resolver (a marcação do Lisandro ao central do Braga que marcou o golo foi uma demonstração de como não se deve marcar um adversário directo nestes lances).


Quanto a destaques, começo pelo Júlio César, que foi um dos grandes responsáveis por não termos sofrido golos na primeira parte. Na segunda parte já quase não teve trabalho. É bom ver que temos dois guarda-redes em condições de lutar pela titularidade. O Fejsa esteve ao nível do costume, e é neste momento um dos jogadores que mais gosto de ver jogar no Benfica. Tem uma capacidade superior para antecipar os lances e recuperar bolas em antecipação e ontem até esteve bem no passe, que é normalmente o ponto mais fraco do seu jogo. Gosto também muito do Grimaldo, e ontem voltou a deixar-me boa impressão. Está cada vez mais forte a defender, e a atacar mostrou a qualidade habitual. Duvido que fique muito tempo no Benfica. O Mitroglou voltou e fez aquilo que sabe fazer. É quase uma espécie de Cardozo, ou seja, está ali para marcar golos e não lhe peçam para fazer coisas muito complicadas. Mas quanto a marcar golos, tem instinto e capacidade de finalização, e isso ontem fez a diferença. Quanto ao Pizzi, reforço aquilo que já escrevi. Não gosto dele como solução para a esquerda, mas quando joga na direita é um jogador fundamental para esta equipa. E depois, quando parece que passa quase despercebido, de repente reparamos que esteve directamente ligado a todos os golos do Benfica. O primeiro começa com um passe de calcanhar para a desmarcação do Gonçalo Guedes, o segundo marcou-o ele, e fez a assistência para o terceiro. Já que falo no Gonçalo Guedes, já merecia um golo. Continua a trabalhar muito, ontem fez uma assistência, e a continuar assim o golo acabará inevitavelmente por aparecer.

Chegámos à liderança isolada à quinta jornada. Não é nenhum título ou motivo para grandes celebrações, mas é bastante motivante quando pensamos que isto acontece nas condições que sabemos. Continuamos com vários lesionados, incluindo o nosso melhor defesa central, o nosso reforço mais caro e também o melhor jogador e marcador da última época. E mesmo assim, sem grandes alaridos, sem lamentações quanto às ausências e sem bazófias, vão-se encontrando soluções e lá chegámos. A luta para estarmos neste lugar quando o campeonato chegar ao fim vai ser longa e muito difícil. Mas o facto de termos lá chegado nestas condições é a prova mais forte da nossa determinação e valor para defendermos o título que nos pertence.

domingo, agosto 28, 2016

Importante

Num jogo que assinalou o regresso do Jonas, o Benfica não fez uma exibição muito vistosa mas jogou mais do que o suficiente para vencer num campo difícil (ainda que, como sempre, com as bancadas completamente pintadas de vermelho) podendo apenas queixar-se da falta de eficácia como principal causa para algum sofrimento, já que com um pouco mais de pontaria poderia ter regressado da Madeira com um resultado muito mais confortável.

Com o regresso do Jonas à titularidade a experiência da última jornada do Pizzi atrás do avançado acabou, e ele foi desta vez colocado a jogar à esquerda, já que o Salvio manteve a titularidade do outro lado. A outra alteração foi a troca de avançados, tendo desta vez sido o Jiménez o escolhido. Sem surpresas, o Benfica assumiu o controlo do jogo desde o apito inicial, com o Nacional na atitude habitual de tentar explorar o contra-ataque, mas sem grande sucesso nisso - depois de um par de remates nos minutos iniciais, durante grande parte do resto do primeiro tempo o Nacional não conseguiu sequer rematar à nossa baliza. Com um futebol bastante activo pelas alas, sempre com muito envolvimento dos laterais, e mesmo com o Pizzi a ter uma noite para esquecer, o Benfica ia-se acercando da baliza adversária e ameaçando cada vez mais o golo, mas a pontaria dos nossos jogadores é que estava longe de ser a ideal, já que os remates iam quase sempre para fora. Acabou por ser um jogador do Nacional a conseguir acertar nela, e assim colocar-nos em vantagem no marcador. Depois de um livre marcado pelo Pizzi na direita, o guarda-redes do Nacional fez-se de forma completamente disparatada à bola, deixou-a passar e ela foi bater na cabeça de um defesa para depois se encaminhar para a baliza. O mais difícil estava feito, a tarefa agora era continuar no mesmo registo e colocar o resultado em números que não permitissem surpresas, mas se de facto conseguimos manter sempre o jogo completamente sob controlo, já o objectivo de ampliar a vantagem não foi conseguido, pois a finalização continuou a deixar muito a desejar - pelo menos um cabeceamento do Jonas e um remate do Grimaldo deveriam ter tido outra direcção.

Isto foi ainda mais gritante na fase inicial da segunda parte, pois num curto espaço de tempo desperdiçámos três ocasiões flagrantes para marcar. Primeiro o Salvio acertou no poste, depois o Jiménez, no interior da área, fez tudo bem mas o remate de pé esquerdo saiu enrolado e à figura do guarda-redes, e a seguir o Jonas, de forma absolutamente escandalosa, conseguiu rematar também à figura do guarda-redes quando ficou solto de marcação praticamente na pequena área. Depois aconteceu o velho chavão do futebol, em que quem não marca sofre. O Nacional respondeu com um livre de muito longe que o Júlio César não conseguiu segurar, resultando daí um canto, e desse mesmo canto resultou o golo do empate. Um golo praticamente caído do céu e que o Nacional pouco ou nada tinha feito por justificar até então. Faltava já um pouco menos de meia hora para jogar, e víamo-nos obrigados a ir novamente em busca da vitória. O Benfica reagiu com a troca do André Horta e do Pizzi pelo Celis e o Carrillo, e foi apenas necessário esperar cinco minutos para obter resultados e anular a injustiça no resultado. Tudo começa num passe fantástico do Jiménez para as costas da defesa do Nacional a solicitar a entrada do Salvio pela direita da área, que depois foi até à linha de fundo e fez o passe atrasado para a frente da baliza, deixando ao Carrillo a tarefa simples de meter a bola na baliza - ele ainda adornou o lance e tirou um adversário do caminho em vez de rematar de primeira. Se um golo quase por acaso já é normalmente difícil de alcançar, dois no mesmo jogo é ainda mais difícil, e o Nacional não foi capaz de qualquer reacção a este golo. Tentaram subir no terreno, mas nunca foram capazes de criar qualquer perigo e ainda pior ficou o cenário para eles quando a dez minutos do final, já com as três substituições feitas, o Ghazal ficou incapaz de prosseguir em campo (no lance do segundo golo ele tentou, de cabeça, cortar o passe rasteiro do Salvio e acabou por bater com a cabeça no chão). Aos noventa minutos de jogo o Jiménez esteve pertíssimo de marcar o golo da tranquilidade mas viu um adversário cortar a bola quase sobre a linha. Dois minutos depois, já em período de compensação, marcou mesmo. Depois de um alívio longo e por alto do Lisandro ele acreditou no lance, pressionou o último jogador do Nacional, ganhou a bola e, isolado à frente do guarda-redes mostrou que está a progredir: em vez de fazer o que era mais habitual nele (fechar os olho e rematar a direito com toda a força) levantou a cabeça e colocou a bola fora do alcance do guarda-redes, levando-a a entrar junto ao ângulo superior - tinha ainda o Gonçalo Guedes ao lado para passar a bola, se fosse necessário.

Para mim o Salvio foi o melhor jogador do Benfica. Parece estar aos poucos a recuperar a confiança e a forma física, e vai-se aproximando do jogador que conhecemos e de que tanto necessitamos. Hoje foi um dos jogadores mais activos da equipa e jogou em alta rotação os noventa minutos. O Fejsa também, sem surpresa, é outro dos destaques. Confesso que a defesa sem o Jardel e com os dois laterais tão ofensivos não me deixa muito descansado, e o Fejsa é quem dá uma boa parte do equilíbrio defensivo. Para além disso parece ter o dom de conseguir quase sempre adivinhar o que os adversários vão fazer, o que lhe permite recuperar inúmeras bolas em antecipação. O Lisandro também esteve relativamente bem e apreciei o que o Jiménez trabalhou, sendo recompensado com o golo no final - neste momento parece-me estar em melhores condições do que o Mitroglou na luta pela titularidade. O Jonas regressou mas naturalmente não está ainda no seu melhor. em condições normais, teria provavelmente acabado este jogo com dois ou três golos marcados, tendo em conta as ocasiões de que dispôs. O Pizzi foi um desastre neste jogo. Nada tenho contra ele e aprecio a contribuição que pode dar à equipa, mas hoje foi para esquecer. Não consigo compreender como é que um jogador que não tem na velocidade um dos seus pontos fortes consegue insistir tantas vezes em tentar ultrapassar os adversários com a bola controlada. O resultado foi sempre o mesmo: o adversário, mesmo partindo de trás, consegue ultrapassá-lo e fica com a bola. E a frequente insistência nas iniciativas individuais foi quase sempre a opção errada, porque tinha colegas melhor colocados a quem passar a bola. O André Horta parece estar a perder fulgor.

No final fica uma boa vitória num campo tradicionalmente complicado, apenas com um pouco mais de dificuldade do que o nosso jogo merecia. Muito por culpa própria e da nossa falta de eficácia. Era muito importante não escorregarmos duas vezes seguidas e regressarmos imediatamente ao trilho vitorioso.

segunda-feira, agosto 22, 2016

Desgarrada

Fizemos uma exibição desgarrada e com pouca chama durante 80% do jogo e fomos, sem surpresas, punidos com um empate.


Claro que na maior parte das vezes uma exibição menos conseguida do Benfica ainda dá para criar ocasiões suficientes para ganhar um jogo (e a haver um vencedor neste jogo, só poderia ser o Benfica) mas se tivéssemos jogado mais tempo com a atitude que mostrámos nos últimos quinze minutos provavelmente não estaríamos a lamentar os dois pontos deitados fora. É que ao fim de uns vinte minutos de jogo já eu estava a perceber que só muito dificilmente venceríamos o jogo. A equipa jogava com muito pouca velocidade, perante um adversário que se fechava atrás, com um guarda-redes que engatou para uma boa exibição, e cujos jogadores se deixavam cair como tordos, sempre com a respectiva falta a ser assinalada quer existisse mesmo ou não - 'critério largo' era apenas quando os nossos jogadores caíam. A opção hoje tomada de colocar o Pizzi como apoio mais próximo do avançado (jogou o Salvio na direita) claramente não resultou - o Pizzi hoje estava naqueles dias em que complica quase todas as jogadas e dá sempre um toque a mais na bola. As ocasiões que o Benfica conseguia criar vinham quase todas de bolas paradas, porque em bola corrida raramente conseguíamos chegar com velocidade suficiente à frente para provocar grande aflição à defesa do Setúbal.

No regresso para a segunda parte, mais do mesmo. Tendo em conta a forma como o Setúbal jogava, seria muito complicado conseguir criar grandes desequilíbrios a jogar com o ritmo que apresentámos. E quando, mais ou menos a meio desta segunda parte, parecemos começar a melhorar um pouco, sofremos um golo infantil, numa falha de marcação básica após um livre despejado de longe para o interior da área. Apesar do mau jogo que fizemos, uma derrota era um castigo demasiado pesado e o Benfica finalmente reagiu. Mesmo que tenha sido mais em desespero e com o coração, arriscámos tudo o que havia para arriscar, lançaram-se para dentro do campo todas as opções de ataque que havia no banco (o Jiménez e o Gonçalo Guedes foram úteis e mexeram com o jogo, o Carrillo foi, sem surpresas para mim, inútil) e a oito minutos do final chegámos ao empate num penálti marcado pelo Jiménez, a punir uma falta clara sobre o recém-entrado Gonçalo Guedes. Ainda havia tempo suficiente para procurar a vitória, que poderia mesmo ter acontecido nos minutos finais: depois de um livre muito bem marcado pelo Grimaldo, defendido pelo Varela, a recarga do Lindelöf levou a bola a bater na barra e depois a cair quase sobre a linha de golo, mas ninguém foi capaz de dar o toque final para dentro da baliza.

Em suma, não gostei do que vi. Nem da atitude demasiado mole da equipa durante grande parte do tempo, nem da qualidade do futebol apresentado, nem da falta de soluções para ultrapassar a forma como o adversário se fechou atrás. Foi dos jogos menos conseguidos da nossa equipa a que assisti nos últimos meses, e como acontece sempre que baixamos o nível, fomos imediatamente punidos pelo resultado. A atitude terá que ser necessariamente muito diferente no próximo jogo, a visita ao Nacional. Até por razões históricas: que eu me recorde, nunca o Benfica conseguiu ser campeão numa época em que não tenha ganho na Madeira ao Nacional.

domingo, agosto 14, 2016

Estreia

É sempre bom começar o campeonato com uma vitória, e depois de uma série de anos em que parecia que fazíamos questão de não o conseguir, hoje voltámos a dar um pontapé nessa má tradição e arrancámos uma vitória difícil mas inteiramente justa na estreia, em casa do Tondela.


Apresentámo-nos com o onze inicial esperado ou seja, apenas com uma alteração na equipa que tinha entrado em campo no jogo da Supertaça: Gonçalo Guedes substituiu o lesionado Jonas. O início de jogo foi frenético, com um para de boas ocasiões para cada uma das equipas a surgir dentro dos primeiros cinco minutos. Para o nosso lado, destaque para a ocasião em que o Mitroglou, logo no segundo minuto de jogo, ficou isolado frente ao guarda-redes mas rematou de forma a permitir a defesa deste. Depois deste início algo louco, as equipas encaixaram melhor uma na outra e deixou de haver tanta emoção junto das balizas, mas o jogo continuou a ser disputado de forma muito intensa. O que ficou claro desde o início foi que o Tondela nunca encarou o jogo com a postura típica de equipa pequena, de defender de forma exasperante e explorar o antijogo. O Tondela encarou o Benfica olhos nos olhos, tentou sempre exercer pressão a quase todo o campo, o que nos dificultava a saída de bola e obrigava muitas vezes ao pontapé longo, e durante vários períodos conseguiu supremacia na zona central do campo. Isto fez com que o Benfica não conseguisse criar muitas ocasiões de perigo, e passámos mesmo muito tempo sem conseguir sequer fazer um remate. Cedo no jogo tivemos o contratempo do Luisão se ter lesionado, o que forçou à sua substituição pelo Lisandro logo aos vinte e seis minutos, mas às vezes acontece que há males que vêm por bem, e foi mesmo o Lisandro quem nos colocou em vantagem no marcador. Depois de um livre muito bem marcado na direita pelo Pizzi, o Lisandro apareceu nas costas de defesa do Tondela para cabecear com sucesso - e se por acaso não tivesse chegado à bola, ainda tinha atrás dele o Lindelöf completamente à vontade. O golo surgiu já perto do intervalo (trinta e nove minutos) mas até lá ainda voltámos a estar perto do golo, num livre do Grimaldo.


A segunda parte começou quase como a primeira, com o Tondela quase a chegar ao empate, valendo-nos uma grande defesa do Júlio César, depois o Benfica respondeu com um remate do Gonçalo Guedes, e a seguir o Tondela voltou a ficar muito perto do golo, na sequência de um lançamento lateral seguido de um pequeno desvio de cabeça, para depois o jogador do Tondela falhar a emenda quase em cima da linha de golo. Respondeu o Benfica com um cabeceamento do Grimaldo que fez a bola passar muito perto do poste. Este tipo de jogo era demasiado perigoso para uma vantagem mínima no marcador. Poderíamos marcar o segundo golo que nos daria tranquilidade, mas também a qualquer momento o Tondela poderia empatar o jogo e colocar-nos numa situação complicada. Pareceu-me portanto que depois desta fase inicial muito aberta, o Benfica apostou em controlar mais  ritmo de jogo, e começou por fazê-lo com uma pequena alteração táctica, desviando o Gonçalo Guedes para a direita e colocando o Pizzi numa posição mais central, o que permitiu o reforço do meio campo. Alguns minutos depois esta opção foi reforçada com a troca do Cervi pelo Samaris - o Pizzi foi para a esquerda e o André Horta adiantou-se um pouco. A verdade é que depois disto o Tondela praticamente deixou de ameaçar seriamente a nossa baliza, e a nossa vitória começou a parecer-me muito mais certa. Em aberto estava ainda a oportunidade para marcar um segundo jogo que decidiria tudo, pois quando o Tondela subia no terreno ficava bastante exposto a contra-ataques. Isso acabou por acontecer mesmo, mas apenas em tempo de compensação, numa jogada individual do André Horta, que aproveitou uma bola recuperada para subir no terreno, ultrapassar três adversários à entrada da área e depois fuzilar a baliza quando ficou em frente ao guarda-redes. Foi um belo trabalho do nosso jovem médio e a forma ideal de se estrear na Liga com a camisola do seu clube do coração.


No Benfica começo por destacar o Fejsa. Continua a ser um gigante no meio campo e às vezes parece estar em todo o lado ao mesmo tempo. São incontáveis as bolas que recupera e o auxílio que presta à nossa defesa. Repito que será muito importante para a nossa época que consiga manter-se afastado das lesões o mais possível. Outro destaque é o Grimaldo. Já não é novidade para ninguém a importância que têm nas acções ofensivas pelo seu flanco, mas hoje pareceu-me francamente melhor no aspecto defensivo. Foram várias as bolas recuperadas e os cortes efectuados, com destaque para aquele desarme no limite quando um avançado do Tondela estava isolado em frente á nossa baliza e se preparava para rematar. O André Horta é outro jogador a merecer menção, e as últimas exibições parecem estar a cimentar o seu lugar na equipa. Comparando-o directamente com o seu antecessor naquela posição, parece-me que em relação ao Renato perdemos capacidade física e poder de choque naquela posição, mas ganhamos no capítulo da qualidade de passe e na técnica individual. Quando estiver mais rotinado e habituado a jogar no Benfica, poderá ser um jogador muito importante para nós. Por último, uma menção para o Lisandro. Tenho imenso respeito pelo Luisão, mas pareceu-me que a nossa defesa melhorou com a entrada dele. O Mitroglou continua a parecer-me ainda muito enferrujado.

Foi preciso lutar muito pelos três pontos, como julgo que será a norma durante toda a época. Somos tricampeões e o alvo a abater por todas as equipas, que ambicionam a glória de nos conseguirem bater. O Tondela foi um digníssimo adversário que valorizou a nossa vitória, e que se continuar a jogar desta forma não deverá passar pelas aflições da última época, e vai causar grandes dificuldades também às outras equipas. Mas como tem sido a norma desta nossa equipa, fomos humildes, fomos competentes e soubémos arregaçar as mangas e cumprir a nossa obrigação, mesmo com várias contrariedades - continuamos com diversos jogadores nucleares lesionados, incluindo o nosso melhor marcador. É isto que nos mantém cheios de confiança para a nova época.

segunda-feira, agosto 08, 2016

Hábito

E a nova época começa dando sequência ao hábito de ganhar das anteriores, com o Benfica a conquistar mais um troféu e a reafirmar o estatuto de equipa dominadora do futebol português nos últimos anos. Desta vez até a Supertaça, competição que nos costuma ser avessa, vai a caminho do nosso museu.


Apresentámos, como seria de esperar, um onze muito próximo do da época anterior, com apenas duas das novas contratações de início, André Horta e Cervi, que entraram precisamente para os lugares de dois jogadores que foram transferidos (Renato e Gaitán). A Supertaça começou a ser ganha com uma entrada fortíssima do Benfica no jogo: até à meia hora de jogo, praticamente só deu Benfica, e o golo inaugural, da autoria do Cervi, até era uma vantagem escassa para o domínio do Benfica. Os dois laterais que jogaram, Nélson Semedo e Grimaldo, integram-se muito no ataque e dão uma enorme dinâmica ao nosso jogo - o Nélson Semedo até esteve perto de marcar, acertando no poste. Por outro lado, este balanceamento ofensivo dos laterais tem o potencial para deixar a equipa desequilibrada na defesa caso o adversário recupera a bola e consiga sair rapidamente para o contra-ataque. Se a jogada não é cortada logo à nascença o adversário pode causar sérios problemas, e por isso não me parece que o Luisão seja a opção ideal para jogar quando temos este dois laterais, devido à sua menor velocidade. De qualquer maneira, e apesar do estatuto que tem no balneário, eu considero que a dupla de centrais titular continuará a ser aquela que terminou a época anterior. Voltando ao jogo, na fase final da primeira parte o Braga conseguiu travar o ímpeto ofensivo do Benfica, equilibrar o jogo e dispor de ocasiões para marcar, colocando o Júlio César à prova.


A segunda parte iniciou-se numa toada mais morna, mas aos poucos o Braga foi subindo no terreno e tornado-se cada vez mais perigoso, construindo mais uma série de ocasiões para chegar ao empate. Nesta fase achei que a nossa defesa se revelou demasiado permeável, o que poderá não ser alheio ao facto de estarmos a jogar sem quatro dos jogadores que faziam parte da defesa mais rotinada a época passada (Ederson, André Almeida, Jardel e Eliseu) e foi o Júlio César quem aproveitou para brilhar e ter uma contribuição decisiva para manter o adversário em branco. Outras vezes foi aselhice deles mesmo, como naquele falhanço escandaloso do Rafa num lance algo inadmissível, em que na sequência de um pontapé do guarda-redes adversário ficaram dois jogadores isolados. Na fase em que o Braga estava mesmo por cima no jogo e na minha opinião já justificava o empate, surgiu o inevitável Jonas a dar o golpe decisivo marcando o segundo golo. Iniciou a jogada, deixou a bola no Pizzi e desmarcou-se nas costas da defesa para receber o grande passe deste, e depois finalizar com a calma imperial e a classe que lhe reconhecemos. É a diferença que faz a qualidade individual dos nossos jogadores. Com este segundo golo a aparecer a um quarto de hora do final, o jogo ficou praticamente decidido e fechou mesmo da melhor maneira possível, com um grande golo do Pizzi já em período de descontos. Depois de uma iniciativa individual do Salvio que deixou o Jiménez isolado em frente ao guarda-redes, o mexicano permitiu a defesa mas a bola sobrou para o Pizzi, que com classe fez a bola passar por cima de toda a gente e acabar no fundo da baliza (apesar da azia do comentador da TVI, que resolveu dizer que o azar foi que o defesa que estava em cima da linha de golo era um dos 'baixinhos').


Com este golo e a assistência para o que marcou o Jonas, o Pizzi é um dos jogadores em destaque. Outro dos destaques foi o Júlio César que mostrou estar de regresso para discutir a titularidade com o Ederson. Gostei muito do Grimaldo, mas conforme disse, é preciso ter em atenção o aspecto defensivo do jogo - algo que também se aplica ao Nélson Semedo. Gostei do André Horta, sobretudo na primeira fase do jogo. Depois foi-se apagando e agarrou-se mais à bola. O Cervi confirmou os bons pormenores da pré-época e aquele lado esquerdo com ele e com o Grimaldo pode tornar-se um caso sério. O Jonas ainda não está no ponto ideal mas mostrou o instinto de matador e voltará a ser um dos pilares da equipa, tal como o Fejsa. Já o Mitroglou pareceu-me estar mais ou menos como começou a época passada, ainda algo preso de movimentos.

O resultado final até pode ser um pouco enganador, já que quem não viu o jogo poderá pensar que foi uma tarefa fácil conquistar esta sexta Supertaça. A vitória do Benfica é indiscutível, embora o Braga tenha conseguido dar uma boa réplica e feito o suficiente para justificar um resultado menos dilatado. Mas saber aproveitar as oportunidades criadas é também um indicador de qualidade, e nisso fomos largamente superiores.

domingo, maio 22, 2016

Consagração

O jogo que permitiu ao Benfica conquistar a sua sétima Taça da Liga em nove edições e vincar ainda mais o seu domínio incontestável nesta competição - que, precisamente por via deste domínio, continua a 'não ter interesse' para os outros - serviu também como uma nova consagração da equipa que com todo o mérito se sagrou tricampeã nacional.


Num jogo em que o Benfica se apresentou com algumas alterações no onze - Luisão, Grimaldo e Samaris foram titulares, deixando de fora Lindelöf, Eliseu e Fejsa - o Marítimo teve uma entrada muito forte, que permitiu desde logo verificar a falta de ritmo do Luisão e a enorme qualidade do Ederson na nossa baliza. Mas depois de uns primeiros cinco minutos complicados, o Gaitán pegou na batuta e assim que o Benfica se chagou à frente, num ápice deixou o jogo praticamente resolvido. Três golos na primeira parte, da autoria da nossa dupla de avançados, com o Jonas a abrir o activo e o Mitroglou a somar dois golos, poucas dúvidas deixaram sobre o vencedor do jogo. A nossa ala esquerda funcionou muito bem, com o Gaitán a abrir o livro e a ser muito bem acompanhado pelo Grimaldo, e fez do lado direito da defesa do Marítimo uma verdadeira auto-estrada. O Marítimo nunca baixou os braços, jogou olhos nos olhos com o Benfica e pagou por isso, mas mesmo a fechar a primeira parte ainda conseguiu marcar um golo, aproveitando uma má saída do Ederson, que lhes deixava uma réstia de esperança para a segunda parte. Por isso mesmo o Marítimo voltou a entrar decidido, em busca do golo que relançasse a partida, mas foi perdendo ímpeto e tudo ficou definitivamente resolvido com o grande golo do Gaitán, a treze minutos do final, numa jogada bem iniciada pelo Talisca que ainda passou pelo Jonas. O Gaitán foi substituído imediatamente a seguir a este golo e saiu em lágrimas do campo, porque terá sido este o último jogo que fez com a nossa camisola. Parece-me por isso muito apropriado que o último toque que ele deu numa bola com a camisola do Benfica vestida tenha sido para marcar este golo. O Marítimo ainda reduziu de penálti, mas já nos instantes finais o Benfica marcou por duas vezes de rajada e construiu um resultado bastante expressivo. Primeiro marcou o Jardel, de cabeça após livre do Pizzi, e depois o Jiménez, de penálti, que ele próprio tinha conseguido.

Um jogo enorme do Gaitán para se despedir de todos nós, e da parte que me toca digo que estou já com saudades. Foi um privilégio vê-lo jogar cá durante seis anos, e apesar de saber que um jogador com o talento dele estava destinado a deixar-nos mais cedo ou mais tarde, à medida que os anos passavam e ele ia ficando cada vez mais alimentava a esperança que ele fizesse o resto da carreira por cá, até pela sua personalidade, pouco típica para um jogador de futebol. O Grimaldo deixou muito boa imagem, a mostrar que é um candidato à titularidade. Ederson (apesar da falha no primeiro golo do Marítimo), Pizzi, Jonas e Mitroglou em bom nível, e o Renato Sanches também um pouco melhor do que naqueles pouco conseguidos jogos da fase final da época. O Talisca entoru bem no jogo. Luisão e Samaris foram os que estiveram menos bem.

E em ambiente de grande festa se fechou uma época que à partida quase todos esperavam que fosse para esquecer, mas que acabou por ser memorável. Acabámos por conquistar um tricampeonato que nos fugia há quase quarenta anos, manter o título da Taça da Liga, e ter uma presença mais do que condigna na Champions League. Isto enquanto vimos fortalecer-se a unidade entre clube e adeptos, e um espírito de equipa como há muito não via. Agora resta-me aturar a sempre insuportável silly season e ver quantos dos nossos jogadores serão vendidos duas ou três vezes cada. Para a próxima época teremos como motivação extra a possibilidade de um inédito tetra.