domingo, fevereiro 07, 2010

Tropeção

Foi um tropeção inesperado, muito por culpa nossa, já que para além de não termos conseguido mostrar muitas vezes o nosso futebol habitual, ainda juntámos a isso alguns tiros nos pés, que nos impediram de chegar à vitória.

A única alteração no onze inicial foi a entrada do Carlos Martins no lugar do Ramires, sendo o resto da equipa constituída pelos mesmos jogadores que alinharam na última quarta-feira frente ao Leiria. Do outro lado, o Setúbal organizou-se em campo da mesma forma que o seu treinador já o tinha feito com o Leiria, quando nos defrontou na altura, com três centrais mais dois trincos, e mais uma vez criou grandes dificuldades para que conseguíssemos apresentar o nosso jogo habitual. O jogo iniciou-se sem qualquer tendência definida, desinteressante e sem grande qualidade, com muitos passes falhados. Logo aí fiquei com a ideia de que seria um jogo difícil. Mas pouco depois, pensei que me teria enganado, já que perto do primeiro quarto-de-hora, e sem que tivéssemos criado oportunidades até então, vimo-nos em vantagem no marcador, após um autogolo do Ricardo Silva. Podia ser um sinal de que tínhamos a sorte do nosso lado, e para além disso este golo poderia alterar o figurino do jogo, obrigando o Setúbal a arriscar mais no ataque e proporcionando-nos espaços para surpreender no contra-ataque. Mas nem o Setúbal não acusou o golo, nem nós o aproveitámos para melhorar a nossa forma de jogar. Era, aliás, o Setúbal quem ia ameaçando a nossa baliza de vez em quando, quase sempre em contra-ataques, e muitos deles a entrar pelo nosso lado direito, aproveitando a menor propensão do Carlos Martins para defender. E o pior acabou mesmo por acontecer, quando o David Luiz teve uma intervenção desastrada a um cruzamento e marcou na própria baliza, empatando o jogo, e sendo este o resultado com que se saiu para intervalo.

Na segunda parte, o Benfica pareceu entrar em campo disposto a meter mais velocidade no jogo, e tentando chegar cedo ao golo, mas mostrava grandes dificuldades em furar a organização defensiva do Setúbal. E o Setúbal, apesar de mais remetido ao seu meio campo, continuava a criar perigo em contra-ataques. Mas o nosso adversário foi perdendo progressivamente o fôlego, e a segunda metade desta segunda parte foi praticamente toda passada no meio campo adversário, com a bola quase sempre na nossa posse. A organização defensiva do Setúbal nesta altura já era quase inexistente, e limitavam-se a acantonar jogadores no último terço do terreno, mas o Benfica, apesar de ter aumentado a pressão e atacado mais, quase sempre empurrado pelo Di María, não conseguia criar grandes ocasiões de golo, isto apesar de chegar ao ponto de jogar com quatro avançados. Até que, já em tempo de descontos, o golpe de teatro: o Jorge Sousa, que minutos antes não tinha marcado um penálti flagrante sobre o Di María (que ainda por cima viu o amarelo), incrivelmente assinalou desta vez um penálti por falta (clara) do Zoro sobre o Kardec. Encarregado de o marcar, o Cardozo acertou na barra, e deixou assim fugir ingloriamente a possibilidade de conquistarmos os três pontos.

Quando não ganhamos, o mais natural é ficarmos aborrecidos com a equipa em geral, e é por isso difícil fazer destaques. Gostei do jogo do Javi García, que foi sempre importante a travar os ataques do Setúbal, sobretudo na altura em que o Benfica pressionava mais, e ele ficava mais recuado. O Di María também foi dos melhores, sendo dos mais dinamizadores do ataque, e o principal impulsionador da nossa equipa durante aqueles minutos finais em que procurámos o golo com maior intensidade. Pela negativa, fica o Cardozo, quanto mais não seja por ficar marcado ao falhar um penálti que não poderia falhar.

Foram dois pontos perdidos, e mal perdidos. Vêm numa altura inesperada, colocando fim a uma sequência de cinco vitórias consecutivas para a Liga. Podemos não ter feito uma exibição ao nível que nos é habitual, mas a sorte também não quis muito connosco, e julgo que mesmo assim jogámos o suficiente para justificar a vitória. Outros dias mais felizes virão.

5 Comments:

At 2/07/2010 3:15 da manhã, Anonymous JFilipe said...

O que me irrita é que perdemos 6 pontos com as equipas mais fracas do campeonato: sporting, olhanense e setúbal. O único jogo de risco em que encostámos foi em Braga (o Marítimo foi uma daquelas coisas da 1ra jornada).

 
At 2/07/2010 11:34 da manhã, Blogger Filipe said...

Não somos imbatíveis, acontece!

 
At 2/07/2010 3:22 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Sobranceria.

Foi assim que o Benfica abordou o jogo e, como quase sempre, esta atitude não trás beneficios.

Não ganhar ao Guimarães, ao Marítimo, ao AEK, ao Sporting não é bom, mas paciência. Não ganhar ao Setúbal, ainda por cima com a altivez que foi notória na abordagem ao jogo, é inaceitável.

O Setubal é uma equipa fraca, débil, com dificuldades em vários aspectos, que foi buscar "agora" jogadores para colocar "à pressa" na sua equipa, não tem ainda quaisquer fundamentos colectivos construídos.
Mesmo assim, um grupo de jogadores que, tem trabalhado junto desde Julho, que tem tido o apoio incondicional dos seus adeptos e estrutura profissional, NÃO FOI CAPAZ de ganhar a um adversário com as características assinaladas

É deprimente, é inaceitável e reprovável quando é observável um grupo de profissionais abordar um jogo com a sobranceria que todos viram.

Repetindo o que aconteceu na 1ª jornada, voltámos a não ganhar um jogo com uma grande penalidade falhada pelo Cardozo, o que, na práctica, vale 4 pontos a menos.

Desde o início do campeonato, apenas em duas únicas ocasiões o Benfica esteve em primeiro lugar e logo após esses momentos "vacilou" fortemente.

 
At 2/08/2010 7:38 da tarde, Blogger joão said...

Anonymous

A teoria da sobranceria e da falta de humildade não cola porque na minha opinião ela não existiu.
Alias o comportamento atacante da nossa equipa foi igual na quarta-feira e no sábado a diferença esteve que na quarta-feira conseguimos manter sempre uma grande pressão defensiva e no sábado não conseguimos mas foi nitidamente por desgaste físico e ai a culpa não é dos jogadores é do treinador que devia ter feito mais duas ou três substituições no onze inicial para refrescar a equipa.

Apontas o facto de o adversário ser uma equipa débil e ter colocado jogadores á pressa, no entanto a verdade é que eles jogaram como não existisse amanhã e mais jogaram muito melhor, foram sempre mais organizados mais pressionastes e não nos deram espaços, do que o adversário de quarta-feira que era o quinto colocado.

O aspecto do Cardozo é verdade mas também tens de por nessa contabilidade que por culpa do David Luiz nesses mesmos dois jogos teve duas falhas que nos valeram os mesmos quatro pontos isto para não falar em todos os jogadores que falharam golos quase de baliza aberta contra o marítimo e por ai fora etc.etc.etc., a verdade é que só falha quem marca e mais enquanto as outras grandes penalidades falhadas pelo Cardozo foram claramente mal marcadas nesta ele teve azar acertou na barra, infelizmente.

No último ponto é o único que tens razão.

 
At 2/08/2010 10:17 da tarde, Anonymous Anónimo said...

João,

temos opiniões diferentes então.

Repara que nem o Jorge Jesus teve aderência à tua opinião.
Ele próprio referiu, após o jogo com o U.Leiria, que os seus jogadores não pressionaram e não realizaram "n" coisas que é habitual fazerem. Referiu ainda que lhes "desculpava" pois vinham aí mais jogos e tinham, naquele jogo, começado a ganhar cedo.


O Problema é que em Setubal continuaram "relaxados" e deu no que deu.

O Setubal é mesmo uma equipa má e bastaria uma abordagem correcta e profissional para ganhar aquele jogo.

Acabou agora o Belenenses-Braga.
1/5 da vontade que foi observável nos jogadores do Braga neste jogo, seria suficiente para ganhar ao Setúbal. Também é verdade que tiveram alguma sorte.

 

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