segunda-feira, janeiro 23, 2017

Batalha

A vitória do Benfica sobre o Tondela foi inteiramente merecida, sobretudo pela segunda parte realizada, mas a margem folgada de quatro golos esconde as dificuldades por que passámos para conseguir derrubar a muralha defensiva que o nosso adversário ergueu nesta sua visita à Luz. Foi sobretudo a partir do segundo golo que começámos finalmente a ter mais espaço para jogar no ataque, que foi aproveitado para construir este resultado.


A novidade no onze hoje foi o Zivkovic, que depois das boas indicações que tem deixado nas oportunidades que lhe têm sido dadas surgiu como titular no lugar normalmente reservado ao Salvio. O Benfica começou bem o jogo, e logo nos primeiros dez minutos construiu duas boas ocasiões de golo. Primeiro, num pontapé de canto, o Luisão deixou a bola de cabeça para o remate do Samaris, mas o grego conseguiu atirar por cima quando o mais fácil seria acertar na baliza. Depois foi um remate de fora da área do Jonas, que obrigou o guarda-redes a uma boa defesa. Mas a partir daí as coisas complicaram-se. O Tondela cerrou linhas atrás - defendia na pratica com uma linha de seis defesas, com uma segunda linha logo à frente - e o Benfica começou a ver os caminhos para a baliza tapados. Houve vários problemas com o nosso jogo. O primeiro, a falta de velocidade, o que facilitava uma defesa com muita gente, que raramente era apanhada fora de posição. Depois, muito pouco jogo pelas alas e demasiada insistência pelo meio, onde se concentrava a maior parte dos adversários. O entendimento entre o Nélson Semedo e o Zivkovic nunca foi o ideal, e talvez por isso o Nélson nunca atacou tanto pelo seu lado como costuma fazer. Depois o outro problema que acontece frequentemente com o nosso jogo, que é quando o Pizzi se apaga, o resto da equipa ressente-se. O Pizzi passou uma boa parte do tempo na primeira parte quase escondido do jogo, e por via disso a bola passou demasiado tempo nos pés do Luisão ou do Samaris, que honestamente são talvez os últimos jogadores que eu desejo ver com a bola nos pés a dar início às jogadas de ataque. Foram por isso raras as situações de muito perigo que conseguimos criar. Para além das duas já citadas, acho que apenas me recordo de um cruzamento do Jonas no qual o Mitroglou ou falhou o cabeceamento, ou então tomou a má decisão de amortecer a bola em vez de a cabecear para a baliza. O Jonas, diga-se, pareceu-me demasiado amarrado no ataque, e raramente veio atrás buscar jogo. Em resumo, não foi uma boa primeira parte da nossa equipa.


Houve uma alteração importante na equipa ao intervalo, saindo o Cervi para dar o lugar ao Salvio - o Zivkovic passou para a esquerda. A entrada do Salvio dinamizou o nosso jogo pelo lado direito, e 'despertou' o Nélson Semedo. O Pizzi também ganhou muito maior protagonismo no jogo e passou a assumir muito mais jogadas. Mas o mais importante mesmo foi que toda a equipa teve uma atitude muito mais agressiva e decidida, jogando com muito mais velocidade. O próprio Estádio da Luz (cinquenta e seis mil espectadores num jogo contra o último classificado) teve um papel importante, empurrando a equipa rumo à baliza adversária com um apoio constante e ruidoso, enquanto que na primeira parte parecia ter ficado contagiado e anestesiado pela apatia em campo. O Tondela sentiu as dificuldades a aumentar e cedo tentou quebrar o ritmo do jogo, com simulação de lesões por parte do guarda-redes - é um fenómeno cada vez mais frequente nos campos de futebol nos dias que correm. Agora os guarda-redes lesionam-se quando fazem aquilo que estão lá precisamente para fazer, ou seja, uma defesa (quando o resultado interessa, obviamente). Não é um choque, não é uma bola dividida, nada. É um remate à baliza, eles atiram-se para fazer a defesa, e ficam lesionados. Foi o que aconteceu quando o guarda-redes defendeu um remate do Zivkovic logo nos primeiros minutos, quando eu já praticamente festejava o golo. Mas nada podia estancar a avalanche ofensiva do Benfica, e no fecho do primeiro quarto de hora o desejado golo surgiu mesmo. Depois de um canto a bola andou pela área até acabar nos pés do Samaris, que fez o passe atrasado para o remate de primeira do Pizzi. O mais difícil estava feito, mas ainda assim isso não foi suficiente para que o Tondela abandonasse a postura defensiva. Notava-se alguma vontade em avançar um pouco mais, mas a muralha mantinha-se no seu posto, por isso ainda sobrava algum nervosismo por estarmos expostos a algum lance fortuito que repusesse a igualdade - e teria que ser fortuito mesmo, porque o Tondela não criou uma única ocasião de golo. O golo da nossa tranquilidade apareceu a um quarto de hora do final, num raide do Nélson Semedo pela direita (grande passe do Samaris para as costas da muralha) que terminou num passe atrasado para mais uma finalização do Pizzi. Depois disso sim, o Tondela abriu finalmente espaços atrás que a nossa equipa, com a tranquilidade dos dois golos de vantagem, aproveitou para ampliar o resultado. A seis minutos do final, com o primeiro golo do Rafa com a nossa camisola: passe longo do Jonas para as costas da defesa, e ainda de fora da área o Rafa aproveitou a saída do guarda-redes para lhe fazer um chapéu. E no último lance do encontro, penálti por puxão ao André Almeida e golo do Jonas.


O Pizzi acaba por ser o homem do jogo pelos dois golos de desbloquearam uma situação que se ia complicando à medida que o tempo passava. Não gostei da primeira parte, na qual se escondeu demasiado do jogo, mas na segunda parte voltou a ser o jogador influente a que nos habituou. A entrada do Salvio foi importante para o jogo. Mesmo não tendo feito uma exibição de encher o olho, a sua presença deu mais largura ao nosso jogo e libertou também o Nélson Semedo, com quem tem um bom entendimento. Jogo seguro da nossa dupla de centrais.

Este jogo foi contra o último classificado, mas foi um bom exemplo daquilo que nos espera nesta segunda volta - como aliás já o jogo anterior contra o Boavista tinha sido. Cada jogo vai ser uma batalha, e não nos será permitido relaxar ou abrandar no caminho para o título, porque qualquer atitude desse género poderá ser paga com pontos. Mas para esta semana a luta será outra. É altura de centrar a nossa atenção na Taça da Liga, e tentar fazer o nosso historial nesta competição ainda mais inigualável. A começar na próxima quinta-feira contra o Moreirense, orientado por alguém que eu considero ser uma das personagens mais execráveis do futebol português. O que por si só deverá ser motivo suficiente para atenção redobrada.

3 Comments:

At 1/23/2017 2:11 da manhã, Blogger José Ramalhete said...

É agora um dado adquirido que as primeiras partes vão ser todas assim?
Contra a primeira metade da tabela pode ser perigoso...

 
At 1/23/2017 5:43 da tarde, Blogger José Ramalhete said...

Este comentário foi removido pelo autor.

 
At 1/23/2017 11:40 da tarde, Blogger joão carlos said...

O post esta muito fiel aquilo que se passou em campo.


Com um plantel tão vasto não ter no banco um avançado de raiz, e ter apenas jogadores que podem em determinadas condições poderem jogar na posição de segundo avançado, demonstra os problemas que temos tido com as lesões por uma lado e por outro que uma eventual saída de alguém nesta altura, até por causa das lesões, é muito contraproducente até pelo que se já viu não temos nem na equipa principal nem na equipa B ninguém à altura do que precisamos no imediato.
Mais uma vez ficou demonstrado que não temos alternativa na posição oito se não esta funcionar não podemos fazer aquilo que fizemos na ala que foi entrar alguém que modifique o jogo por acaso o jogador em causa até melhorou a olhos vistos de uma parte para a outra como se fosse um jogador nova mas isso pode não acontecer e nesse caso não temos alternativa.
Começamos a emagrecer o plantel que em algumas posições tem jogadores em excesso, noutra continuamos deficitários e pelos vistos vamos continuar, e era um excesso previsível desde o inicio de época e era previsível jogadores com muito poucos minutos agora já é mais difícil de perceber mandar jogadores embora deixando outra para a mesma posição que não nos dão garantia de poderem ser capazes de servir e nem se prevê que possam vir a ser é que da maneira como temos lesionados este é um risco demasiado alto que não devemos correr em outras posições que temos jogadores em excesso.

 

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