quarta-feira, dezembro 11, 2019

Matura

Uma exibição europeia consistente e matura, domínio quase absoluto do jogo e do adversário, vitória inquestionável e 'queda' para a Liga Europa confirmada. Era o que se podia exigir nesta altura.



Onze sem qualquer alteração, e depois de uns minutos iniciais de estudo mútuo o Benfica acabou por pegar no jogo e mostrar ser a única equipa a querer jogar para ganhar. Os russos ou não tinham capacidade para mais, ou então estavam excessivamente confortáveis com as notícias que vinham de Lyon, já que a vantagem do Leipzig significava que podiam até perder este jogo que a passagem aos oitavos da Champions estava garantida. Todo o domínio territorial e de posse do Benfica pecava pela incapacidade em convertê-lo em ocasiões de finalização. A bola chegou poucas vezes em condições a zonas mais perigosas e houve um excesso de insistência nos cruzamentos, que ainda por cima saíram frequentemente mal. Mas o Benfica foi maduro na forma como foi sempre procurando o golo de forma paciente e sem sofreguidão, que na maior parte das vezes dá mau resultado na Champions. O Zenit no ataque quase que se limitava a despejar bolas para a referência Dzyuba, que apesar de ser alto mostrou ser pouco tosco e obrigava a nossa linha recuada a manter-se atenta. Sem alterações para a segunda parte, o Benfica depressa se mostrou diferente para melhor no que diz respeito à criação de ocasiões de golo. Até porque se colocou em vantagem logo aos dois minutos, com o Cervi a ter apenas que empurrar para a baliza depois de um cruzamento rasteiro do Pizzi, servido pelo Vinícius. Este golo, conjugado com a vantagem do Leipzig no outro jogo, colocava desde logo o Benfica no terceiro lugar, mas para os russos não alterava nada e continuavam apurados para a próxima fase. Para não estarmos dependentes do outro resultado era imperioso marcarmos um segundo golo, e fomos à procura dele. Chegou ainda antes de decorrido o primeiro quarto de hora, e não foi por falta de ocasiões que ele não chegou mais cedo, pois o Benfica agora conseguia meter muita gente a atacar, com Cervi e Pizzi muito mais activos e também com muita participação dos laterais nos movimentos ofensivos. Foi aliás de um cruzamento do Grimaldo que surgiu o penálti do qual resultou o golo. Mão na bola do Douglas Santos, que lhe valeu também a expulsão, e o Pizzi concretizou com classe. Com a vantagem de dois a zero o Benfica tinha a passagem à Liga Europa na mão, deixava de precisar do resultado no outro jogo, e só um golo do Zenit é que poderia complicar o cenário (obrigaria o Benfica a ter que vencer por três golos de diferença). O ritmo abrandou um pouco, mas continuava a ser o Benfica a somar ocasiões para ampliar a vantagem. Pelo meio, a única grande ocasião de golo para os russos, no seguimento de um canto, com o Vlachodimos a corresponder com a defesa da noite. Logo a seguir, a onze minutos dos noventa e depois de mais uma ocasião clara de golo desperdiçada pelo Vinícius, no pontapé de canto daí resultante surgiu o terceiro golo - um autogolo disparatado do Azmoun, que desviou a bola directamente para o ângulo superior da sua baliza. Como o Leipzig ainda continuava em vantagem, poderíamos ter o cenário um tanto ou quanto surreal de ver os russos no final do jogo a festejar depois de serem goleados. Tal não aconteceu porque o Lyon chegou ao empate nos minutos finais, mas mesmo sabendo disso o Zenit não mostrou capacidade de reacção, isto apesar de um golo deles significar o seu apuramento para a Liga Europa e a eliminação do Benfica.


Pizzi e Taarabt foram dos melhores da equipa. O Vinícius esteve infeliz na finalização mas foi bastante útil como referência de ataque. O Gabriel está a subir de forma e o Tomás Tavares continua a ganhar confiança a cada jogo - fez um jogo sempre em crescendo. O Grimaldo melhorou na segunda parte e acabou por ficar ligado a dois dos golos.

Finalizada mais uma campanha na Champions com o prémio de consolação é normal ficarmos a pensar como seria se tivéssemos conseguido jogar sempre com alguns dos jogadores com mais experiência - creio que os últimos dois jogos deixaram uma boa imagem daquilo que poderia ter sido. Também podemos ficar a lamentar ainda mais a incapacidade para segurar a vantagem em Leipzig, porque nesse caso estaríamos hoje a celebrar o apuramento. Mas falar depois dos factos é sempre fácil. O facto a retirar, para mim, é que o Benfica parece ter conseguido encontrar um onze base relativamente estável e com isso o nível exibicional da equipa tem vindo a crescer. Espero que a tendência seja para manter e que possamos consolidar ainda mais a nossa liderança na Liga, para desespero dos outros.

1 Comments:

At 12/11/2019 6:57 da tarde, Blogger joão carlos said...

A crónica esta fiel aquilo que se passou em campo.


Objectivamente foi não ter segurado o resultado com os alemães que fez a diferença mas o problema mais não esteve ai mas nos jogos anteriores em que andamos com experimentalismos e a fazer gestão física numa competição em que isso não é permitido, pelo menos a clubes como o nosso, e que levou a que tivéssemos chegado aquele jogo com as calças positivamente na mão e sem qualquer margem de manobra e por isso sempre sujeitos a uma qualquer vicissitude do jogo mesmo que aquela que aconteceu não podia, nem devia, ter acontecido pelo momento em que aconteceu e pelo tudo que não fizemos para o evitar.
Mais do que ter encontrado um onze base tem sido mais importante ter feito uma pequena alteração na táctica, que em alguns jogos até tem sido significativa, que visou sobretudo alterar a mesma, e nossa maneira de jogar, aos melhores jogadores disponíveis em vez de andar a tentar encaixar jogadores, sem as características necessárias, a uma táctica pré determinada isto para não falar que a abordagem estratégica a este dois últimos jogos foi completamente diferente da dos quatro anteriores.
Ainda assim continuamos sem ter jogadores, pelo menos um, para uma posição chave na equipa, a de segundo avançado, e se em alguns jogos podemos jogar com um dez, ou terceiro médio, como tem acontecido embora sem mostrar qualquer capacidade para finalizar noutros, ou em algumas alturas dos jogos, precisamos de um segundo avançado com uma capacidade de finalização à altura da posição e ou nesta abertura de mercado conseguimos resolver essa lacuna ou vamos passar por dificuldades.

 

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