terça-feira, janeiro 18, 2005

Silêncio

Este fim-de-semana, na Luz, antes do início da partida contra o Boavista, foi guardado um minuto de suposto silêncio em memória de Cavém. Digo suposto porque, infelizmente, assim que o árbitro apitou para dar início à contagem desse minuto, algumas pessoas começaram a aplaudir, e pouco depois já a grande maioria do público estava também a acompanhar esses aplausos. Isto parece ser um péssimo hábito que tomou conta dos adeptos portugueses. Hoje em dia é impossível ter-se um verdadeiro minuto de silêncio quando é suposto haver um. Porquê? De onde é que veio esta mania? Por acaso os clubes solicitam autorização à liga para que seja guardado um minuto de aplausos antes do início do jogo? Alguém vê os jogadores e o árbitro, aquando desse minuto de silêncio, a aplaudir no círculo central? Não, mantêm-se num respeitoso silêncio durante esse minuto. A palavra chave aqui é 'respeitoso'. Aplaudir e ser ruidoso é o que faz durante a maior parte do tempo um adepto quando está dentro de um estádio. O minuto de silêncio é a excepção, a diferença que mostra que aquele é um momento especial para prestar homenagem a alguém que desapareceu. O respeito é mostrado ao alterarmos o nosso comportamento especialmente durante aqueles instantes. O silêncio confere a solenidade necessária àquele minuto.



Bater palmas durante um minuto é fácil. Manter um minuto do mais ensurdecedor silêncio não. Um dos momentos mais arrepiantes que tive no novo Estádio da Luz foi quando, após a morte do Miki Féher, no jogo seguinte 'ouvi' mais de 60.000 pessoas no mais absoluto silêncio, daquele que até parece magoar os ouvidos. Por um minuto, parecia que a cidade toda tinha parado. Isso sim, é uma homenagem a sério.

4 Comments:

At 1/20/2005 9:36 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Logo de manhã, belíssimas notícias futebolísticas: Lopez e Gonzalez (ambos pontas de lança) estão contratados pelo Benfica. Depois de mails trocados com um amigo argentino (q vive em Barcelona mas acompanha o campeonato nacional), confirmo que se tratam de excelentes jogadores, ambos goleadores. No entanto, levanta-se-me uma questão: que fazer a N. Gomes, Mantorras e Karadas, sendo que Trappatoni dá a entender que não é adepto de colocar dois pontas de lança no mesmo onze...? Ademais, a contratação de André Luís (para colmatar a saída de Rocha para o Porto - pois continua em litígio com Veiga), parece-me acertada. É um excelente central de marcação.

 
At 1/20/2005 10:04 da manhã, Blogger D'Arcy said...

Eu continuo na minha atitude céptica: até ver os jogadores em questão inscritos e a jogar pelo Benfica, não fico convencido.

Não sei se o Ricardo Rocha vai para o FCP ou não. Sei que o contrato dele só acaba em 2007, por isso se ele for mesmo para lá eles vão ter que nos pagar, e bem. Mas ficarei com muita pena se tal acontecer, porque gosto muito do Ricardo Rocha.

Quanto ao André Luiz, um colega brasileiro falou-me muito bem dele, e disse que ele é melhor do que qualquer um dos centrais que neste momento temos no plantel.

 
At 1/20/2005 1:24 da tarde, Blogger esim said...

Tenho o acho dividido em matéria dos minutos de silêncio. Também lá estava no jogo do Feher e se bem te lembras fez um minuto de absoluto silêncio e outro de forte aplauso.
Se fosse jogador de futebol, se alguém me quisesse lembrar, preferia certamente que fosse com uma salva..daquelas que golos que fazem o estádios levantarem-se normalmente merecem.

um abraço

RMD

 
At 1/20/2005 2:44 da tarde, Blogger D'Arcy said...

Sim, lembro-me disso. Aliás, é normal aplaudir no fim de um minuto de silêncio, e no fim de um silêncio daqueles, se o aplauso já de si seria estrondoso, soou ainda mais ribombante. Eu gosto da diferença do silêncio, do interregno daquilo que é o normal num jogo de futebol como forma de homenagem. Toca-me muito mais. Obviamente que nem todos são da mesma opinião que a minha, senão não teríamos tido aqueles aplausos todos em vez do silêncio.

Saudações benfiquistas

 

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