sexta-feira, dezembro 03, 2010

Resultado

O mais importante esta noite foi o resultado. Obteve-se a vitória que se exigia (a oitava nos últimos nove jogos para a Liga), sem muitos sobressaltos. Mas não saí da Luz mais satisfeito porque a exibição do Benfica deixou muito a desejar. Ganhámos porque somos melhores, mas fiquei com a sensação de que a equipa não se esforçou muito para vincar a sua superioridade.

Com apenas uma alteração no onze em relação a Aveiro (Aimar no lugar do Carlos Martins), o Benfica iniciou o jogo a jogar de forma bastante lenta e previsível. A ideia que passava cá para fora era mesmo de uma certa displicência da parte da nossa equipa, como se estivesse convencida que mais cedo ou mais tarde a coisa se resolveria. A falta de velocidade nas transições para o ataque era o maior problema: o Olhanense apresentou-se bem organizado na Luz, e quando recuperávamos a bola dávamos todo o tempo do mundo aos adversários para se reposicionarem em campo, sendo que depois não mostrávamos arte ou inspiração para romper a estrutura defensiva deles. O Olhanense, pelo contrário, apostava na velocidade dos seus jogadores mais adiantados, e teve mesmo algumas boas oportunidades na primeira parte (em especial durante a primeira meia hora, que foi claramente o pior período do Benfica no jogo), às quais se opôs sempre bem o Roberto. Nos minutos finais o Benfica melhorou um pouco, e já depois de dois cruzamentos perigosos do Gaitán na direita (para onde tinha sido desviado, por troca com o Rúben), foi a vez do Maxi cruzar para o cabeceamento do Cardozo, que acabou dentro da baliza após uma intervenção muito infeliz do Moretto. Ainda bem que isto aconteceu, mas face ao que vimos na primeira parte o resultado era algo lisonjeiro.

Ao intervalo o Gaitán ficou, sem surpresa, no balneário (parecia quase desinteressado do jogo na primeira parte), surgindo o Carlos Martins no seu lugar. O Benfica melhorou um pouco, mas continuava a parecer demasiado lento. Só após a entrada do Salvio para o lugar do Aimar é que me pareceu que o nosso jogo ficou um pouco mais dinâmico, tendo nós também tirado partido da tentativa de maior atrevimento do Olhanense no ataque. O Cardozo deu o sinal, enviando uma bola ao poste após uma boa iniciativa individual do Saviola, e nos minutos que se seguiram o Benfica esteve claramente por cima no jogo, aproveitando também a insegurança do Moretto, que largava muitas das bolas rematadas pelos nossos jogadores. Só a dez minutos do final pudemos finalmente respirar mais descansados, com o segundo golo a surgir pelo Saviola. Após um canto apontado pelo Carlos Martins, houve um desvio do David Luiz ao primeiro poste, e depois lá surgiu ao segundo poste, no sítio do costume e solto de marcação, o Saviola para marcar de cabeça. Até final pouco mais houve a registar do que uma boa jogada entre o Saviola e o Rúben Amorim, com o remate em jeito deste último a falhar o alvo por pouco.

Não me parece que haja grandes destaques a fazer neste jogo. O Roberto esteve bem, e voltou a mostrar segurança. Gostei do jogo do Maxi Pereira, que continua a mostrar estar a subir claramente de forma. O Carlos Martins e o Salvio tiveram boas entradas, e foram importantes para a melhoria do nosso jogo. Boa parte final também do Saviola, que soube tirar partido dos espaços que o Olhanense começou a dar atrás. Pela negativa, o Gaitán. Acho que é evidente que talento é o que não lhe falta, mas hoje pareceu estar completamente alheio ao jogo, quase como se estivesse a fazer um frete em campo. Foi bem substituído ao intervalo.

Conforme disse o nosso treinador no final, foi melhor o resultado que a exibição. Já disse no início que a exibição da equipa não me deixou satisfeito, mas como adepto prefiro jogar menos bem e ganhar, do que jogar bem e perder (até porque, mesmo se jogarmos muito bem, se por acaso tivermos o azar de perder ninguém vai mencionar a exibição, e a equipa será tratada como se tivesse feito o pior jogo do mundo - é o 'resultadismo' do costume).

1 Comments:

At 12/05/2010 7:11 da tarde, Blogger joão said...

Mais uma analise de grande qualidade.

Concordo plenamente com o teu ultimo paragrafo por exemplo em Israel jogamos muito melhor (o dobro) tivemos mais oportunidades, sobretudo melhores, enquanto os nossos adversários tiveram sensivelmente as mesmas oportunidades, mas a única coisa que ficou do outro jogo foi o resultado.

 

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