domingo, janeiro 09, 2011

Concentração

O jogo era, em teoria, difícil. A União de Leiria está a fazer um bom campeonato, e o nosso desempenho fora de casa até este jogo não era propriamente brilhante (3V 3D). A resposta foi uma das exibições mais conseguidas esta época fora de portas (a par do jogo em Aveiro). A jogar desta forma é difícil, muito difícil mesmo não ganharmos um jogo. Mesmo não tendo uma qualidade constante ao longo de todos os noventa minutos, manter a concentração e disciplina ajuda a ultrapassar mesmo os momentos menos brilhantes sem grandes sobressaltos.

Com o Aimar ausente, a única alteração no onze 'base' foi a previsível entrada do Carlos Martins. E desde cedo que o Benfica não deixou quaisquer dúvidas acerca das suas intenções: logo aos dois minutos o Coentrão pegou na bola, foi por ali fora deixando todos pelo caminho, e o seu centro só não resultou em golo porque a cabeçada do Saviola (que se conseguiu antecipar aos três defesas do Leiria) não saiu com a pontaria mais afinada. Este lance deu um pouco o tom para aquilo que seria a primeira parte: domínio do Benfica, algum desperdício, e o Saviola em destaque - incluindo na parte do desperdício - os defesas do Leiria não pareciam encontrar forma de o marcar e anular as suas movimentações no ataque. O Benfica conseguiu jogar com as linhas bastante subidas, exercendo a famosa 'pressão alta', e conseguindo trocar bem a bola entre os seus jogadores, o que resultou num jogo quase de sentido único. As tímidas tentativas de ataque da União esbarravam na intransponibilidade da nossa dupla de centrais, ou então morriam na armadilha do fora-de-jogo, que hoje funcionou na perfeição.

Depois de diversas tentativas, o Saviola conseguiu finalmente marcar, quando estávamos perto da meia hora. E, ironicamente, depois de falhar oportunidades que pareciam mais fáceis, acabou por marcar de forma aparentemente mais complicada, com um pontapé de primeira à meia volta, aproveitando a assistência de cabeça do Salvio após centro do Gaitán na esquerda. No minuto seguinte, novo centro do Gaitán da esquerda e desta vez foi o Salvio quem falhou o golo por centímetros, com a bola cabeceada por si a passar muito perto do poste. Quando o árbitro apitou para o intervalo, a vantagem do Benfica não era apenas inteiramente justa; era também escassa face à superioridade que exibimos nos primeiros quarenta e cinco minutos, onde poderíamos ter construído um resultado que nos deixasse descansados para a segunda parte.

Segunda parte que foi muito diferente da primeira. Acima de tudo, mal jogada. A União de Leiria veio determinada em alterar o estado das coisas, e aumentou a pressão sobre os nossos jogadores, que não pareceram saber lidar com isso. A nossa posse de bola caiu bastante, com os nossos jogadores a falharem mais passes e a não conseguirem aguentar a bola mais do que alguns segundos antes de a entregarem ao adversário. Mas se a inspiração ofensiva não era grande, a concentração na defesa esteve sempre altíssima, e apesar da maior posse de bola e subida no terreno, a União de Leiria não conseguia criar qualquer perigo para a nossa baliza (a única oportunidade que tiveram - nos noventa minutos - foi na sequência de um canto, em que apareceu um jogador solto na pequena área, que cabeceou por cima). Neste período o único lance de realce foi um remate cruzado do Gaitán, a proporcionar uma boa defesa ao guarda-redes adversário.

A vinte minutos do final, o Jorge Jesus fez uma substituição que se impunha, retirando o pouco inspirado Carlos Martins para fazer entrar o Rúben Amorim, que se encostou à esquerda, passando o Gaitán para o centro. Não foi coincidência, para mim, que imediatamente o Benfica voltasse a assumir protagonismo no jogo, e começasse a criar perigo. O Cardozo viu um cabeceamento seu, a centro do Coentrão, ser defendido por instinto pelo guarda-redes, para depois a recarga do Salvio esbarrar no poste. E a dez minutos do final, o Benfica sentenciou o jogo: jogada do Salvio na direita, já dentro da área, centro, e assistência de cabeça do Cardozo, a antecipar-se ao defesa, para a finalização do Gaitán. Este golo deitou a União de Leiria por terra de vez. Desorganizada e sem capacidade física para manter a pressão que tinha exercido durante a primeira fase da segunda parte, os espaços que dava na defesa eram muitos, e era previsível que o Benfica ainda conseguisse ampliar o resultado. Esteve perto o Rúben Amorim, que viu o seu remate ser defendido com o pé do guarda-redes, não perdoou o Cardozo, que finalizou com uma bomba de primeira o centro rasteiro do Jara (tinha entrado para o lugar do Saviola) na esquerda, já em período de descontos
- interrompendo assim uma sequência de onze golos 'argentinos' do Benfica.

Destaques neste jogo são sobretudo para a coesão e concentração da equipa. Souberam brilhar no ataque, e ser sólidos na defesa e uma equipa de combate quando foi necessário. Individualmente, destaco a dupla de centrais, que esteve praticamente intransponível. O Luisão ao seu estilo, e o David Luiz a parecer cada vez mais ter recuperado aquela alegria em jogar que lhe é característica. O Saviola é obviamente outro dos destaques, em especial pela primeira parte, em que foi um diabo à solta. O Salvio (esteve envolvido em dois dos golos) manteve as boas exibições, o Gaitán (criou bastante perigo pelo seu lado, marcou um golo e fez a jogada para outro) e o Cardozo (golo e assistência) também merecem destaque.

A nossa equipa está, neste momento, a atravessar talvez a sua melhor fase esta época. Uma fase em que as vitórias parecem surgir sem grande complicação ou dificuldade, e com grande naturalidade. A exemplo do que nos habituaram a época passada. A equipa parece ter encontrado o seu equilíbrio, recuperado a confiança, e os reforços (Salvio e Gaitán) parecem estar integrados no onze. Temos muito trabalho pela frente, mas resta-nos fazer a nossa obrigação: ir ganhando os jogos que se nos deparam. E isso, a manter esta dinâmica, não será muito difícil.

5 Comments:

At 1/10/2011 12:20 da manhã, Anonymous Anónimo said...

uma vitória importante.
Na próxima 4ªf deverá manter-se esta concentração pois o jogo é a eliminar.

Basket:
depois da vergonhosa eliminação da Taça da Portugal, a meio da semana com o V. Guimarães, volta a crescer a vergonha com uma derrota com o Illiabum

 
At 1/10/2011 11:48 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Porque é que jogámos de amarelo, quando o adversário jogava de equipamento todo branco ?

 
At 1/11/2011 5:41 da tarde, Blogger joão said...

Mais uma analise de grande qualidade.


Anonymous não sei porque razão nas competições nacionais, contrariamente ao que sucede nas da UEFA, nunca utilizamos como alternativa o equipamento todo vermelho, camisola e calções, não sei se por determinação da liga ou por opção nossa, mas concordo contigo é sempre preferível jogar de vermelho.

 
At 1/12/2011 1:28 da manhã, Blogger D'Arcy said...

Somos bi-campeões nacionais em basquetebol. Estamos a fazer uma campanha muito meritória na Europa. Estamos em segundo lugar na Liga. Isto apesar de termos tido alguns problemas com lesões em jogadores chave (principalmente o Sérgio Ramos). O Jordão ficou suspenso da actividade por lhe ter sido detectado um eventual problema cardíaco. Porquê a necessidade de vir achincalhar e apelidar de 'vergonhosa' a nossa equipa de basquet? Ainda para mais quando do que se fala é da nossa vitória em futebol? Se há secção que nos últimos anos tem dado todos os motivos para os benfiquistas ficarem orgulhosos é a de basquet. Francamente...

 
At 1/16/2011 1:26 da manhã, Anonymous Anónimo said...

A necessidade D'Arcy ?

Não é necessidade, é o mesmo sentimento de vergonha que sinto ao ser eliminado da Taça de Portugal em casa e a seguir ir perder com o penultimo classificado.

Isto, para mim, é vergonha.
Não estou a analisar nem a comentar as épocas já passadas da secção de Basket.

Estou a comentar o que se está a passar na presente época e com o actual investimento.

Apenas como complemento, e para informação geral, a equipa do Vit. Guimarães que nos veio eliminar em pleno pavilhão da Luz, acabou de perder 83-49 com o Porto, em campo neutro, para a Taça Hugo dos Santos. não é engano, é mesmo 83-49.

 

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