domingo, agosto 21, 2011

Sofrido

Por culpa exclusivamente nossa, sofremos mais do que seria previsível para levarmos de vencida o Feirense. E as culpas distribuem-se entre o desperdício no ataque - em particular na primeira parte - e a insegurança na defesa a partir do momento em que consentimos o golo do empate.

O Jorge Jesus neste momento parece uma espécie de viciado, incapaz de largar o hábito a que está agarrado. Quando pensamos que já temos provas suficientes sobre qual é o sistema táctico que melhor parece adaptar-se às características do plantel, e que o treinador também já estará convencido, de repente distraímo-nos um pouco e quando damos por isso lá está ele outra vez agarrado aos velhos hábitos e a lançar o 4-1-3-2 para dentro do campo, relegando o Witsel para o banco. Foi o que aconteceu hoje, com o Benfica a apresentar um onze cuja maior novidade foi a presença do Capdevilla na esquerda da defesa. Mesmo sem grande brilho, o Benfica dominou completamente um primeira parte de sentido único, durante a qual o Artur foi um mero espectador. Já depois de uma primeira grande oportunidade de golo desperdiçada, pelo Saviola, o golo chegou relativamente cedo, um pouco antes de atingido o primeiro quarto de hora, e pelo suspeito do costume: Nolito. Depois de um lançamento lateral do Maxi, o Cardozo na zona do primeiro poste tocou de cabeça para trás e o espanhol apareceu solto de marcação para fazer o seu quinto golo em cinco jogos. Daqui para a frente, a descrição da primeira parte quase que se resume às oportunidades falhadas pelo Benfica. Ou por falta de pontaria, ou por inspiração do guarda-redes Paulo Lopes, fomos incapazes de dar maior expressão ao resultado, e vimos o Aimar, o Nolito ou o Gaitán (acertou no poste) desperdiçar boas ocasiões, pelo que a vantagem mínima do Benfica com que se chegou ao intervalo era justa, mas escassa.

A segunda parte iniciou-se sob o mesma tendência do desperdício: depois de um canto do
Aimar, o Luisão apareceu completamente sozinho junto da pequena área a cabecear (nem precisou de saltar) mas conseguiu o mais difícil, não acertando na baliza. Aos oito minuto, o Feirense teve uma rara subida ao ataque, beneficiou de um canto (tavez o primeiro do jogo) e, como não podia deixar de ser, marcou. O Benfica atá teve uma reacção positiva ao golo durante alguns minutos, voltou a criar perigo (teve um fora-de-jogo muito mal tirado ao Saviola, que o deixaria isolado), mas findo o primeiro quarto de hora o jogo ficou completamente aberto, atravessando-se um período em que o próprio Feirense parecia poder aspirar a vencer o jogo. Viu-se aquilo que costuma acontecer muitas vezes quando jogamos com esta táctica, ou seja, assim que a condição física começou a falhar um pouco a equipa ficou praticamente partida ao meio, com metade a defender, outra metade a atacar, e um vazio no meio, que ia sendo preenchido com esforço pelo Aimar. Após quinze minutos nesta indefinição, o Maxi decidiu ir por ali fora, ganhou a linha de fundo, entrou na área e centrou rasteiro para o Cardozo, em esforço, tocar para o golo. O mais difícil estava conseguido, mas o descanso só apareceu já em período de descontos com um grande golo do Bruno César, que tirou vários adversários do caminho, entrou na área pela esquerda, e com um remate cruzado fez um grande golo.

Num jogo em que não me pareceu haver grandes motivos de destaque, os melhores do Benfica acabaram por ser, para mim, o Nolito, pelo golo marcado e por estar envolvdo na maioria dos lances de ataque mais perigosos, e o Aimar, cujos esforços para fazer a ligação entre os sectores da equipa chegam a cansar so de ver. O Witsel teve uma boa entrada em jogo e ajudou a trazer mais alguma organização ao nosso meio campo.

Saí da Luz satisfeito com o resultado, mas não muito contente com a exibição. O Benfica não deveria ter que sofrer tanto para levar de vencida o Feirense. Houve, mais uma vez, desperdício no ataque, mas mais preocupante foi o muito espaço que a nossa defesa deu a partir do momento em que sofremos o golo. Além disso isto foi um jogo que, pela forma como correu, me pareceu ter obrigado os nossos jogadores a um esforço mais intenso do que seria desejável antes do playoff da Champions. Esperemos que não haja consequências disto na quarta-feira.

5 Comments:

At 8/21/2011 6:02 da tarde, Anonymous philippe said...

so faço uma pergunta: qual a diferença entre esta equipa e a do ano passado... quase nenhuma! contratamos mais um camiao de jogadores para quê? para ver este energumeno dispensar carlos martins, nao meter o matic, o witsel de inicio ou o urreta? continuar com a treta do 4132 que TODAS as equipas jà compreenderam e despovoar o meio campo com o javi jà totalmente exausto (em agosto meu deus????)? continuar com um saviola desinspirado? partir psicologicamente o emerson pondo-o na bancada ou até deixar o jara se queimar sozinho em campo para depois lhe dar a machadada final na conferencia de imprensa. Deixar o twente empatar para fazer entrar o matic no minuto 87??? depois de estar a vencer por 2-1 fora num playoff da champions? o 2-1 nao era suficiante catedratico de merda? o twente que acaba de dar 5 limpos ao herenveen?? MAS VOCES PERCEBAM ALGUMA COISA DE FUTEBOL????este "treinador" nao trabalha para o Benfica, trabalha sim para sua conta bancaria (os tais 125000 euros do setubal) e para outros interesses. estamos à procura do bufo, nao vale a pena investigar muito alem para mim està mais do que desmascarado!!!! ACORDEM PA!

 
At 8/22/2011 6:12 da tarde, Anonymous SLB4EVER said...

Independentemente das oportunidades falhadas não foi surpresa este jogo ser o suplício que foi.
Quando o treinador na antevisão do jogo afirma desconhecer a equipa adversária e na convocatória mostra o regresso ao 4-1-3-2 o que se pode esperar?
Pior é que além de não conhecer os adversários estes conhecem melhor os pontos fortes e as fraquezas da equipa e do sistema de JJ.
Mas com a equipa a fazer 3 jogos por semana continua a não ser feita a rotação? Com o vasto plantel e qualidade de jogadores que temos! E o desprezo que é mostrado pelo Urreta e pelo D.Simão entre outros?

Agora vem o Twente, Aimar e Saviola estoirados, o Javi e o Maxi a ver vamos, não sei mesmo o que esperar. Falhar os milhões garantidos pela champions é inadmissível e o treinador não se pode desculpar com a fadiga.
A fadiga dos jogadores resulta da más opções tácticas e da falta de rotação entre eles.

O sentimento do philippe é o meu e o de muitos outros que vemos um dos melhores planteis que já tivemos a ser estoirado, desmotivado e a não produzir algo proporcional á sua qualidade derivado das opções do treinador.

p.s. Contra o Twente com este fraco treinador e com um árbitro alemão os jogadores vão ter que lutar muito, dar tudo , ter cabeça fria e uma pontinha de sorte.

 
At 8/22/2011 7:55 da tarde, Blogger joão carlos said...

Mais um post que traduz fielmente o que se passou em jogo.

SLB4EVER discordo quando dizes que não existiu rotação Capdevila e Saviola não jogaram na Holanda o Luisão, Maxi e o Cardozo não jogaram em barcelos, se calhar podíamos ter poupado o Maxi mas mais do que isso logo vinham dizer quer tinha mexido muito, e mesmo assim poupa o emerson e vem logo um gajo dizer que o partiram psicologicamente.

Mais que utilizar uma táctica errada, que faz acentuar as falhas existentes, o problema do ano passado e que ainda não foi ultrapassado este ano, e que foi o grande mérito da equipa no ano em que fomos campeões, é a incapacidade da equipa para matar o jogo para isso muito contribui o fraco índice de aproveitamento das oportunidades criadas e se a isto aliarmos o facto da equipa tentar controlar o jogo estando apenas a ganhar pela vantagem mínima como se estivesse com uma vantagem de três ou quatro tem provocado toda esta instabilidade estes são os grandes problemas e que tem de ser resolvidos rapidamente.

 
At 8/22/2011 9:19 da tarde, Blogger David J. Pereira said...

Boas!

Devo dizer que gosto imenso deste blogue!

Podem adicionar os meus aos vossos links? Eu prometo que retribuo :p

http://davidjosepereira.blogspot.com/

Saudosos cumprimentos!

 
At 8/22/2011 10:21 da tarde, Anonymous Anónimo said...

João Carlos, rotação era ter deixado o Aimar no banco e mesmo o Saviola. Em Barcelos o Luisão não jogou por castigo, o Maxi e o Cardozo pq tinham acabado de vir da américa do sul.
Na 1ª época do JJ existiu uma verdadeira rotação do plantel, na época passada já não.
Estou neste momento a ver o MU-TOT e é engraçado ver que o Fergunson sem os dois centrais habituais ñ tem medo de usar os que estão disponíveis e os putos novos e caso a coisa ñ corra bem não aparece com desculpas nem a queimar jogadores.
Falhar golos não explica que desde o ínício da época passada é raro o jogo em q ñ os sofremos. Se ainda acreditas que o 4-4-2 é a tactica ideal para estes jogadores apenas te pergunto qual foi o jogo em que virámos o resultado na época passada?
Contra o Arsenal (na 2ª parte) e contra o Twente (e fora algo inédito) a jogar em 4-2-3-1 rapidamente deram a volta ao resultado, será coincidencia?

E muito me custa a perceber o endeusamente que se continua a fazer ao JJ, depois da vergonha que foi esta sua última época, neste momento é difícil não concluir que o grande mérito do campeonato ganho foi ter os jogadores (escolhas R.Costa e LFV) ideais para jogar no 4-4-2. Alguem como o Di Maria e como o Ramires ñ existe no plantel actual.

Fora isso é difícil não ver que a equipa a jogar com o Javi, Witsel e Aimar ganha mais qualidade e posse de bola e naturalmente maior controle do jogo e que o Aimar e Javi são mais poupados a jogar assim.

Desculpem o meu tom crítico e a falta de optimismo mas eu já deixei de acreditar no JJ já lá vão uns bons meses. Fui "obrigado" a aceitar a sua continuidade e dei-lhe algum benefício da dúvida. Agora volto a ver as suas insistencias e adaptações, a sua falta de reação no banco e o mesmo semblante de agoiro e distancia, não posso ficar calado e aceitar tudo de bom grado.

 

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