domingo, setembro 27, 2009

Mão-cheia

Mais uma goleada, e por sinal bem saborosa num jogo em que do outro lado nos apareceu uma equipa anacrónica, que provavelmente encaixaria que nem uma luva num compêndio do pior catenaccio do início da década de oitenta. O Leixões parecia querer imitar aquilo que o Marítimo fez na primeira jornada, o que não deixa de ser estranho, já que normalmente as equipas do José Mota não jogam assim, e esta época já os vimos tentarem jogar de peito aberto no Estádio do Ladrão, tendo sofrido quatro golos em 45 minutos. O problema para o Leixões é que nem sempre se pode contar com tanta sorte como a que o Marítimo teve, e quando isso acontece o resultado mais provável é aquilo que vimos esta noite.

Onze sem surpresas, apresentando até o 'indisponível' Javi García de início, tal como o Ramires. Se estes dois estavam limitados, não se notou nada. A única dúvida habitual na constituição da equipa tem vindo a ser quem joga na esquerda da defesa, e hoje foi a vez do César Peixoto. O Benfica, para não variar, teve uma entrada muito forte em jogo, e logo ao segundo minuto esteve perto de marcar, com o Cardozo, Saviola e Maxi, na mesma jogada, a terem a oportunidade de fazê-lo (o Maxi fez a bola ir ao poste). O Leixões depressa terá percebido que não podia deixar o Benfica impor aquele ritmo, e dois minutos depois já o seu guarda-redes se tinha lesionado sozinho, tendo o jogo ficado parado mais de dois minutos para que fosse assistido, e começando a recordar-nos do espectáculo degradante que um certo Peçanha tinha dado na primeira jornada. Esta palhaçada encenada pelo guarda-redes leixonense foi só o mote para aquilo que se seguiria. Foi um sem fim de encenações, perdas de tempo em reposições de bola, quezílias, discussões, e tudo isto regado por faltas atrás de faltas para parar os nossos jogadores, muitas delas a serem pura violência (o Di María que o diga). O tempo útil de jogo deve ter baixado drasticamente durante este período, e os próprios jogadores do Benfica pareceram começar (naturalmente) a enervar-se com tudo isto. Talvez por isso tenhamos falhado alguns golos que, a terem entrado, dariam outra tranquilidade à equipa (as oportunidades do Cardozo e do Aimar, após tabela com o Saviola, foram as mais flagrantes).

A 'impetuosidade' dos jogadores do Leixões, apesar da 'boa vontade' (leia-se: passividade) do árbitro, acabou por ter a consequência lógica, ou seja, uma expulsão por acumulação de amarelos ainda antes da meia hora de jogo. E se antes disto já era notório que o único interesse do Leixões era defender (terão feito algum remate à nossa baliza?), depois então foram mesmo dez jogadores acantonados no último terço do terreno, e mais pancadaria, aproveitando o facto do árbitro, depois de já ter expulso um jogador, certamente não ter coragem para mostrar mais cartões tão cedo. Houve faltas que, com rigor, até poderiam ter dado vermelho directo, e nem o amarelo saiu do bolso do árbitro. Mas tenho que pelo menos dar-lhe os parabéns por ter tido a coragem de dar cinco minutos de descontos no final da primeira parte. Só a assistência ao guarda-redes do Leixões e cada um dos amarelos do Pouga foram mais do que isto, e regra geral um árbitro português teria dado, com muito boa vontade, dois minutos de descontos, fazendo o crime compensar. E foi precisamente durante este período de compensação que marcámos o importantíssimo primeiro golo. Num cenário que já vimos diversas vezes esta época, o Aimar marcou um livre para a área, e o David Luiz fez, muito à vontade, de cabeça o golo. O golo foi importantíssimo porque, com ele, desmoronava-se a estratégia do Leixões, e permitia à nossa equipa sair para o intervalo com outra tranquilidade. Já gora, convém mencionar que antes da marcação do livre o Aimar viu provavelmente um dos amarelos mais ridículos do campeonato, por ter movido a bola dez centímetros para o lado. Isto enquanto os sarrafeiros do Leixões iam vendo as suas pantufadas no Di María e no mesmo Aimar serem recompensadas com o tradicional gesto do 'não voltas a fazer isso!' por parte do árbitro. São critérios destes que depois levam a que o Bruto Alves seja um dos jogadores mais disciplinados da Liga, enquanto que o sarrafeiro do Aimar chega ao fim da época com mais amarelos do que ele.

Para a segunda parte, era expectável um avolumar do resultado. Para além de reduzido a dez, o Leixões teria que abrir um pouco mais, dado estar a perder, e também tinha que começar a encolher-se na estratégia de parar os nossos ataques à custa de faltas, porque os amarelos já abundavam. Nós limitámo-nos a fazer o nosso futebol, com muita mobilidade dos jogadores, pressão alta, e o Aimar a pegar na batuta do jogo. Demorámos dez minutos a marcar o segundo. Após o Aimar e o Saviola terem feito mais uma daquelas jogadas à futsal, com trocas de bola ao primeiro toque, o primeiro foi derrubado quando seguia isolado para a baliza. Penálti, expulsão, e bomba do Cardozo. E daqui até final, foi um desfilar de oportunidades, e contar a marcha do marcador. Três a zero após uma boa jogada entre o Coentrão e o Peixoto na esquerda, com este a centrar para o Ramires aparecer ao segundo poste a finalizar (e até me pareceu que houve penálti sobre o Nuno Gomes neste lance). Quatro a zero pelo Maxi, num remate cruzado da direita, após o Ramires ter recuperado a bola no seguimento de um grande remate do Di María, para defesa apertada do guarda-redes do Leixões. E cinco a zero num lance muito bonito pela sua simplicidade. Foi uma jogada de combinação entre o Coentrão, o Peixoto e o Cardozo, com o paraguaio a desmarcar o Peixoto na esquerda, e a surgir depois na área, ao primeiro poste, a cabecear exemplarmente o centro perfeito do Peixoto. Foram cinco, podiam até ter sido mais.

E quem é que não jogou bem hoje? Sinceramente, para mim, ninguém. O Aimar encheu o campo mais uma vez, o Cardozo marcou dois, o Di María não parou quieto, o Peixoto fez duas assistências, o David Luiz (ou o nosso Beckenbauer) está um portento e abriu a goleada, o Ramires é, provavelmente, uma das nossas melhores contratações desde o Valdo, o Coentrão voltou a entrar para dinamizar ainda mais o nosso jogo, enfim, nenhum dos nossos jogadores merece reparo por ter estado mal.

Para além da natural satisfação pela vitória do Benfica, e pela mão-cheia de golos marcados, hoje saí da Luz com o contentamento extra de ter visto a táctica anti-futebol que o José Mota tentou implementar ser castigada de forma exemplar. Tendo em conta aquilo que nós estamos a jogar, mesmo tácticas destas correm o risco de serem severamente punidas caso haja o menor erro. Hoje, nem mesmo ficando dois penáltis por marcar a nosso favor, nem mesmo com antijogo que atingiu níveis grotescos na primeira parte, nem mesmo com pancadaria de meia-noite a não ser devidamente punida, se conseguiram safar. E sempre que isso acontece, para além de ganhar o Benfica, sinto que também o futebol ganhou um bocadinho.

7 Comments:

At 9/29/2009 8:58 da manhã, Blogger Filipe said...

Katsouranis vem hj nos jornais dizer que já jogávamos assim com Fernando Santos, em Losango.
Bem, mais ou menos. Com Jesus, o Aimar recua tanto a construir jogo, que a táctica é mais um quadrado que losango. Com Fernando Santos, tinhamos Simão não no lugar ocupado hj pelo Di Maria, mas imediatamente nas costas dos avançados, com as respectivas idas às alas procurar desiquilibrios.
Mas o futebol não é estático e é claro que dentro do campo os jogadores acabam por correr várias zonas do campo e assim é que é bonito.

 
At 9/29/2009 9:05 da manhã, Blogger Filipe said...

É injusto que sendo os clubes o ganha pão dos jogadores e sendo os clubes os donos dos passes, os clubes acabem por ter de ceder perante as exigências das selecções.

Jogará o Coentrão, o Meneses e o Ruben, nos lugares de Maria, Aimar e Maxi.

 
At 9/29/2009 11:15 da manhã, Blogger D'Arcy said...

Nós não jogamos em losango.

A equipa dispõe-se claramente em 4-1-3-2. Os três médios ofensivos jogam ao mesmo nível, não tendo nenhum deles maiores ou menores tarefas ofensivas ou defensivas. Além disso, e como dizes, com o FS o esquema era muito mais rígido. Agora os jogadores, e em particular os tais três médios ofensivos, t~em muito mais liberdade para trocarem de posições durante o jogo.

 
At 9/29/2009 3:03 da tarde, Blogger Filipe said...

Sim concordo, se bem q dos 3 o Aimar é visto mais frequentemente atrás para iniciar a jogada de ataque, daí ter dito que esta táctioca era mais um quadrado :D (tanta geometria).

 
At 9/29/2009 4:53 da tarde, Anonymous Anónimo said...

aek-GLORIOSO vai dar em que canal? Alguém sabe?

 
At 9/30/2009 1:52 da manhã, Blogger D'Arcy said...

Julgo que será na SIC.

 
At 9/30/2009 11:17 da manhã, Anonymous Anónimo said...

SIC ás 18:00. Grazie.
Rumo a Hamburgo

 

Enviar um comentário

<< Home