segunda-feira, abril 19, 2010

Angelical

Mais um passo dado na caminhada para o titulo que, apesar de parecer ter o fim à vista, às vezes parece também nunca mais ter fim. A vitória de hoje em Coimbra, contando com uma inspiração angelical e a eficácia da loja dos trezentos, foi inteiramente merecida, mas na minha opinião mais sofrida do que a nossa produção dentro de campo merecia, já que a nossa superioridade nunca me pareceu poder ser posta em causa. A incerteza no resultado deveu-se sobretudo à eficácia da Académica, que nos três remates que conseguiu fazer na direcção da nossa baliza conseguiu marcar dois golos.

Foram quatro as alterações em relação ao último jogo, em que vencemos a lagartagem. Luisão, Ramires, Carlos Martins e Éder Luís saíram do onze, tendo entrado Sídnei, Maxi Pereira, Aimar e Weldon para os seus lugares. Não deixa de ser reconfortante que possamos fazer tantas alterações de um jogo para outro e, mesmo sabendo que deixamos de fora jogadores com o valor do Luisão, Ramires ou Saviola, isso não afectará o rendimento da nossa equipa porque aqueles que os substituem cumprirão. Como que a querer provar isso mesmo, o Benfica teve uma entrada de rompante no jogo e ao fim de dois minutos e dois cantos conquistados, já estava em vantagem. Não foi num desses cantos, mas sim na sequência de um lançamento de linha lateral do Maxi que, aproveitando um mau alívio de um defesa, o Weldon mostrou estar mesmo de regresso à veia goleadora da pré-época, cabeceando para o golo. Com apenas dois minutos de jogo decorridos não se pode dizer que o golo fosse uma consequência lógica do bom jogo do Benfica, mas nos minutos que se seguiram o Benfica mostrou que o golo não fora mero acaso. Aplicando mais uma vez a famosa pressão alta, o Benfica conseguia evitar que a Académica conseguisse jogar, limitando-a a tentativas de contra-ataques, embora poucos minutos logo após o golo tenha ainda passado por um susto, com o Quim a corresponder com uma boa defesa a um cabeceamento no seguimento de um canto.

Perto da meia hora, no entanto, a Académica chegou ao empate, de forma algo fortuita, já que o remate do seu jogador, desferido ainda a uma boa distância da baliza, desviou nas costas do Javi, traindo assim o Quim. No entanto, as repetições mostram que o jogador que fez o golo controlou a bola com o braço antes de fazer o remate. Este golo pareceu trazer motivação ao nosso adversário, que durante os minutos que se lhe seguiram teve um bom período no jogo, com mais bola, mas tendo que recorrer apenas a remates de meia distância para conseguir ameaçar a nossa baliza. O Benfica despertou após um cruzamento/remate do Coentrão, que foi defendido a custo pelo guarda-redes, e a quatro minutos do intervalo voltou a colocar-se em vantagem. Solicitado na esquerda pelo Cardozo, o Di María utilizou o seu talento para ganhar a linha de fundo, centrando depois para o segundo poste onde mais uma vez o Weldon, com uma rapidez de execução brilhante, resolveu o assunto em dois toques: um para controlar a bola, e outro para a colocar no fundo das redes. Estava reposta a diferença no marcador, o que expressava de forma correcta os acontecimentos da primeira parte.

Este ano espero sempre (como julgo que quase todos os benfiquistas o farão) uma entrada forte do Benfica nas segundas partes. Têm sido várias as vezes em que o Benfica resolve os jogos no primeiro quarto de hora deste período, e por isso fiquei à espera que hoje não fosse uma excepção, já que não tinha vontade alguma de passar por quarenta e cinco minutos apenas com um golo de vantagem (apesar de repetir para mim mesmo que a Académica não seria capaz de nos marcar dois golos num jogo). A reentrada do Benfica não foi propriamente 'a matar', mas deu o mote para o que seria a segunda parte, com o Benfica a controlar claramente o jogo. Sem massacrar o adversário, o certo é que quem via o jogo tinha a clara sensação que mais minuto, menos minuto, o terceiro golo do Benfica surgiria, enquanto que a possibilidade da Académica conseguir o empate se afigurava bem mais remota. Cedo o Cardozo (que pareceu já ter entrado no jogo sem estar nas melhores condições, mas sacrificou-se pela equipa) cedeu o seu lugar ao Carlos Martins, regressando o Benfica ao esquema utilizado contra a lagartagem, com o Aimar a jogar como segundo avançado. Logo a seguir, quando estava passado o primeiro quarto de hora, o Di María desperdiçou uma oportunidade incrível de golo, após isolado pelo Weldon, permitindo a defesa ao Rui Nereu. E cinco minutos depois foi o Carlos Martins quem quase marcou, num remate espectacular que terminou com a bola a esbarrar no poste da baliza da Académica. Durante este período de domínio do Benfica apenas por uma vez o nosso adversário ameaçou a nossa baliza, com um cabeceamento a levar a bola a passar muito perto do poste.

Só a dez minutos do final o Benfica nos deu, por fim, o merecido golo da tranquilidade. Mais uma vez, o talento do Di María entrou em acção e foi decisivo. Entrou na área pela esquerda, ultrapassou dois adversários e centrou ligeiramente atrasado, para a zona do segundo poste, onde apareceu o Rúben Amorim a rematar, de primeira e sem deixar a bola cair, para o fundo da baliza. Parecia estar conquistada a tranquilidade nos poucos minutos que faltavam para o final, mas afinal ainda foi preciso sofrermos mais um pouco, porque a dois minutos do fim a Académica acabou por reduzir a diferença. Foi um remate desferido a uma grande distância da nossa baliza, e que parecia ser defensável, mas o Quim foi enganado pelo efeito da bola e ficou algo mal na fotografia, deixando-a entrar quase a meio da baliza. Mas este golo não veio alterar em nada aquilo que tinha sido esta segunda parte, de domínio do Benfica, e até final a Académica não conseguiu incomodar-nos ou colocar em causa a importantíssima e mais do que merecida vitória.

O maior destaque tem que ir, obviamente, para o Weldon. Mais dois golos decisivos na caminhada para o título, o primeiro pleno de oportunidade, e o segundo de excelente execução. Conseguiu ainda oferecer um golo ao Di María, só que o argentino não soube aproveitar a oferta. Mas apesar deste falhanço, ele merece ser também destacado. O motivo mais óbvio são as duas assistências que fez, em lances fabricados pelo seu génio. Ele consegue por vezes desesperar-me com algumas opções que toma ou erros que comete mas, já o disse antes, aquilo que de positivo acrescenta ao nosso futebol supera, em muito, os seus erros. É um jogador genial e fundamental na nossa equipa.

E já só faltam três jogos para o final; três jogos em que teremos que conquistar quatro pontos para podermos, finalmente, festejar. Até pode ser que, para a semana, possamos estar a esta hora a festejar no Marquês, caso as coisas corram de feição. Mas, convém repetir mais uma vez, ainda nada esta ganho. Não podemos relaxar, até porque não tenho dúvidas que aqueles que nos odeiam continuarão a tentar tudo até ao final para nos roubarem a merecida consagração. Hoje sofreram um rude golpe, vendo-nos vencer um jogo no qual apostaram tudo para nos travar. A forma como esta vitória foi festejada pelos nossos jogadores no final mostra bem o quão importante este jogo foi. Para a semana, frente ao Porto B, continua.

P.S.- Não sei se é resultado do protesto do Benfica, se das sucessivas demonstrações de desagrado por parte de benfiquistas. Mas se tantas vezes os critico, hoje devo admitir que nada tenho a apontar à transmissão do jogo pela SportTV. Os comentários feitos pelo Rui Orlando(!) e o Vítor Pontes foram isentos, relatando aquilo que se via nas imagens, e a realização mostrou as repetições que deveria mostrar de cada lance potencialmente polémico, quer para um lado, quer para outro. Assim, sim. Que seja para continuar.

4 Comments:

At 4/19/2010 12:50 da tarde, Blogger magalhães.Sad.SLB said...

excelente análise!!

Grande recepção ao Glorioso Benfica em Coimbra. Mais uma vez os adeptos foram gloriosos e empurraram o Benfica para a vitória.

A grande conquista está perto, cada vez mais perto… é preciso encher a Luz no sábado e vencer o Olhanense.

Força Benfica, Força Benfiquistas!!!

Carrega Benfica!!!

http://magalhaes-sad-slb.blogs.sapo.pt/

 
At 4/19/2010 3:16 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Esforçado

A equipa já não demonstar a frescura nem a velocodade de outros tempos.
Agora é hora de realizar jogos realistas e com empenho. e isso os jogadores do Benfica realizaram.

O Quim demonstrou mais uma vez que esta equipa necessita de um GR a sério.

O Di Maria falhou novamente isolado na frente do GR adversário.

O Aimar voltou às fracas exibições.

 
At 4/19/2010 7:13 da tarde, Blogger joão said...

Mais uma vez muito bom post.

Anonymous jogar todos os jogos desde o início da época a grande ritmo durante os noventa minutos sempre sem gerir esforços dentro de campo tem os seus custos principalmente naqueles quatro ou cinco jogadores mais utilizados que se pagam no fim da época.

Em relação ao Di Maria se contabilizares as Chances que ele teve isolado veras que ele marcou par ai metade delas o que não é nada mau em comparação com os outros anos, ainda se fizeres o mesmo exercício com o Aimar ou mesmo com o Saviola, este no ultimo jogo que fez também perdeu uma isolado, de certeza também não chegas a números muito diferentes.

 
At 4/19/2010 11:06 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Tenho feito essas contas e também aqui já referi muito recentemente, que o Saviola falhou efectivamente o lance que referes, o Cardoso tem falhado em quase todos os jogos mais recentes e agora também o di Maria.

O "Well Done" é que está a acertar...

Agora, ganhar sábado.
Aliás, será um excelente jogo para ganhar algum € nas apostas desportivas

 

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