domingo, abril 25, 2010

Quase

Creio que se, antes do jogo, perguntassem aos benfiquistas como gostariam que este jogo corresse, dificilmente algum conseguiria lembrar-se de uma história tão perfeita quanto aquela a que assistimos esta noite. Tudo correu de feição: começar a ganhar cedo, logo a seguir adversário reduzido a dez unidades e a jogar de forma pouco complicada, goleada no final e com três golos do Cardozo. E sem ser sequer necessário forçar muito. Tudo se conjugou para uma noite tranquilíssima, e uma vitória muito, muito fácil. Isto perante uma Luz praticamente cheia, com um ambiente absolutamente fantástico, e ansiosa por poder soltar o grito de 'Campeões!'.

Nenhuma surpresa no onze inicial do Benfica, com o Weldon, justificadamente, a manter a titularidade no ataque, e também com o Rúben Amorim a manter-se no onze, desta vez recuando para a direita da defesa, já que em Coimbra tinha jogado no meio campo. O Cardozo acabou por jogar também, apesar de ser notório que não estaria nas melhores condições físicas e que terá estado em dúvida até ao último momento, o que se comprova pela presença do Kardec no aquecimento. Conforme escrevi, as coisas começaram a resolver-se muito cedo: no primeiro ataque do Benfica, aos dois minutos de jogo, penálti por mão na bola após cruzamento do Weldon na esquerda, e golo do Cardozo. E aos nove minutos, a coisa ficou ainda mais fácil, já que o mesmo jogador que tinha cometido o penálti teve uma entrada desmioladamente desnecessária sobre o Di María, e foi naturalmente expulso. As facilidades do Benfica neste jogo nem terão sido tanto uma consequência directa da expulsão, mas mais, na minha opinião, da atitude do Olhanense, que mesmo reduzido a dez não abdicou de continuar a jogar no seu estilo habitual, mantendo quase sempre três jogadores bem abertos na frente e deixando apenas dois médios. Isto resultou em muito espaço livre para que os nossos jogadores pudessem explorar em ataques rápidos, e por onde o Aimar podia deambular e movimentar todo o nosso futebol.

Não foi surpresa portanto que o segundo golo do Benfica tenha surgido precisamente através da exploração desses espaços que o Olhanense concedia atrás. Foi aos dezassete minutos, num contra-ataque rápido, no qual o Aimar solicitou o Di María na esquerda, que depois fez o resto, flectindo para o centro e puxando a bola do pé esquerdo para o direito para evitar os defesas, marcando depois com este pé (se calhar há um ano não acreditaria que o Di María fosse capaz de marcar um golo com o pé direito). Com as vantagens numérica em campo e confortável no marcador obtidas tão cedo, o Benfica pôde então jogar tranquilamente e, mesmo assim, ir sempre ameaçando aumentar a vantagem no marcador. Aliás, para qualquer um que assistisse ao jogo o ampliar da vantagem do Benfica era praticamente uma certeza, sendo apenas irritante que revelássemos alguma inépcia e demorássemos tanto tempo a fazê-lo. O Aimar e o Javi estiveram perto de marcar, em remates de fora da área, depois foi o Weldon e novamente o Aimar que quase marcaram, numa confusão a seguir a um lançamento lateral do David Luiz, e finalmente foi o Cardozo que, talvez por estar diminuído fisicamente, não teve atrevimento suficiente para se lançar a uma bola. Por isso mesmo, apesar da tranquilidade no marcador, fui para o intervalo irritado por não termos sabido explorar melhor todo o espaço que nos era concedido.

A entrada na segunda parte foi aquilo a que o Benfica nos habituou esta época: fortíssima, e a dissipar quaisquer dúvidas (se é que ainda as havia) sobre o vencedor da partida. Sendo óbvio que já nada conseguiria tirar deste jogo, o treinador do Olhanense abandonou a atitude ofensiva e reorganizou a equipa em 4-4-1, preferindo fechar os caminhos para a baliza de forma a evitar uma possível goleada histórica. Evitou a parte histórica, mas não a goleada. E muito por culpa do génio do Di María, que já tinha feito uma boa primeira parte, e nesta segunda andou a espalhar classe pelo campo. Com oito minutos decorridos, fez um passe de letra genial que isolou o Cardozo, e este finalizou sem dificuldade. E três minutos depois já o paraguaio festejava outra vez, e mais uma vez após uma assistência do Di María, que com um passe rasteiro da esquerda deixou ao Cardozo apenas o simples trabalho de empurrar para as redes. Abrandando depois um pouco, ainda assim não foi por isso que o Benfica deixou de criar oportunidades. O Coentrão teve uma ocasião excelente, isolado frente ao guarda-redes, mas permitiu-lhe a defesa. Isto quando lhe bastaria dar um pequeno toque para o lado para que o Cardozo somasse mais um golo. O próprio Cardozo só se pode queixar de si próprio por não ter marcado mais, já que falhou de forma incrível um cabeceamento após um cruzamento perfeito do Ramires. Só o Aimar conseguiu voltar a fazer funcionar o marcador, aproveitando um mau alívio de um jogador do Olhanense, que chutou a bola contra si, para marcar. De realçar ainda, e mais uma vez, o Di María, que repetiu a gracinha do passe de letra para isolar novamente o Cardozo, sem que este conseguisse depois tocar a bola para a baliza, e que esteve ainda perto de marcar um golo monumental, quando teve uma recepção fabulosa e, sem deixar a bola cair, rematou para um grande defesa do guarda-redes do Olhanense. O jogo terminou com uma goleada por cinco golos, e ficámos todos com a sensação que poderiam ter sido muitos mais, mesmo ter sido necessário acelerar a fundo.

Escolher o autor de três golos como o homem do jogo seria natural, mas eu prefiro destacar o Di María. Absolutamente genial e decisivo. Esteve na expulsão do jogador do Olhanense, marcou um golo, fez duas assistências e espalhou classe pelo campo, estando perto de marcar mais. Pareceu também ser o jogador mais empenhado em oferecer golos ao Cardozo. Cardozo que, mesmo jogando em dificuldades físicas, conseguiu marcar por três vezes. E não duvido que, se estivesse em perfeitas condições, teria marcado mais outros tantos, já que houve vários lances em que ele claramente se resguardou ou evitou o choque. Merece também óbvio destaque o Aimar. El Mago foi o motor da equipa, aproveitando da melhor forma os espaços que lhe foram sendo concedidos e fazendo funcionar o carrossel. Conseguiu ainda o golo que premeia a sua exibição. Uma menção ainda para o Fábio Coentrão, que continua a mostrar a quem quiser ver que é, actualmente, o melhor lateral esquerdo português. Só foi pena o egoísmo naquele lance em que poderia ter oferecido mais um golo ao Cardozo.

Está quase. Falta apenas um ponto. Que até pode nem ser necessário. A Nação Benfiquista deseja muito celebrar este merecido título, e o ambiente hoje vivido na Luz poderá dar uma pequena ideia daquilo que estará para vir quando pudermos, finalmente, gritar 'Benfica Campeão!'.

2 Comments:

At 4/26/2010 12:08 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Na próxima semana já poderemos gritar "Benfica Campeão".

Mas hoje já o podemos fazer em relação ao Futsal.
Grande conquista hoje com a vitória sobre o Interviú.
EXCELENTE.

 
At 4/26/2010 12:15 da tarde, Blogger joão said...

Como vem sendo usual grande análise.

Destaque merecidíssimo para o Di Maria que fez na minha opinião das melhores exibições desde que esta no clube não só a jogar bem como principalmente o prazer e a vontade que ele demonstrou em servir o Cardozo. Já o disse noutra vez aqui mas volto a repetir que a sua melhor qualidade é a recepção de bola, a quantidade de bolas normalmente altas e pouco jogáveis que ele consegue transformar com a sua recepção em imediatas jogadas de perigo é absolutamente espantosa.

 

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