terça-feira, setembro 14, 2010

Tranquila

A missão foi cumprida. A estreia na Champions resultou numa vitória tranquila e consequentes três pontos, conforme se exigia frente à equipa menos cotada do grupo, mas o jogo desta noite não deu propriamente para ficarmos eufóricos com a prestação da nossa equipa. Ganhámos sem contestação, a nossa superioridade nunca esteve em causa, mas a qualidade do nosso jogo não foi exactamente brilhante, em particular durante a primeira parte.

Apenas uma alteração no onze de Guimarães, que foi a troca do Maxi pelo Rúben Amorim na direita da defesa. A primeira parte foi, resumidamente, um longo bocejo, pontualmente interrompido por uma ou outra jogada. A posse de bola foi repartida entre as duas equipas, e o Hapoel, apesar de se revelar uma equipa bem organizada e com alguma habilidade para trocar a bola, raramente revelou capacidade para ameaçar seriamente a baliza do Benfica - o primeiro (e único) remate que fizeram nos primeiros quarenta e cinco minutos só surgiu bem após a meia hora de jogo, obrigando o Roberto a uma defesa algo apertada. Quanto ao Benfica, jogou de forma demasiado lenta e previsível, não parecendo ter muita vontade de arriscar por aí além - talvez um reflexo de alguma falta de confiança por causa dos últimos resultados, e a necessidade de um resultado positivo para normalizar um pouco as coisas. Apenas o Aimar (sobretudo este) e o Coentrão davam alguma velocidade ao nosso jogo. As interrupções ao bocejo da primeira parte foram um oportunidade do Cardozo, isolado por um passe do Aimar, que foi defendida pelo guarda-redes; o nosso golo, aos vinte minutos de jogo, num bonito remate de primeira do Luisão, dentro da área, a corresponder a um cruzamento do Carlos Martins; e finalmente um bonito remate de fora da área do mesmo Carlos Martins, que proporcionou uma grande defesa ao guarda-redes do Hapoel (Enyeama, que já tinha deixado uma boa impressão no Mundial e que hoje voltou a mostrar ter muita qualidade).

A segunda parte não trouxe grandes mudanças ao cariz do jogo durante os primeiros minutos, mas ainda antes de findo o primeiro quarto-de-hora o Jorge Jesus trocou o desinspirado Gaitán pelo Maxi Pereira, e a diferença notou-se imediatamente. O Maxi veio dinamizar um até então praticamente inexistente flanco direito (Rúben muito apagado e Carlos Martins constantemente a fugir para o centro), e o próprio Rúben Amorim subiu de produção com a passagem para o meio campo. Esta melhoria do Benfica acabou por ter resultados práticos aos sessenta e oito minutos, quando o Cardozo apareceu no lugar certo para fazer a recarga a um remate do Maxi, resultado de uma boa combinação entre ele e o Amorim. Com o jogo resolvido, de seguida deu-se a entrada do Airton para o lugar do Aimar, o que nos deu mais solidez no meio campo, onde até então o Javi tinha andado muito desacompanhado nas tarefas de recuperação da bola. O Hapoel foi também obrigado a arriscar um pouco mais, e até final do jogo o Benfica ainda dispôs de algumas ocasiões em que poderia ter dilatado o resultado, mas esta noite a inspiração andou um bocado alheada dos nossos jogadores. Mesmo em cima do final, um pequeno susto no segundo ameaço dos israelitas durante todo o jogo, quando atiraram a bola ao ferro da nossa baliza.

Melhores do Benfica, para mim, Aimar e Luisão. O primeiro foi dos poucos que, mesmo nas alturas mais estagnadas do jogo, não se cansou de tentar dar-lhe mais velocidade, quer com a bola nos pés, quer procurando espaços entre linhas, quer solicitando os colegas. Fartou-se ainda de correr para recuperar bolas e auxiliar o Javi, merecendo plenamente o aplauso aquando da sua substituição. Quanto ao nosso capitão, marcou o importante primeiro golo (e foi um grande golo), e esteve sempre sereno no centro da defesa. Quanto aos menos bons, escolheria o Gaitán e o Cardozo. O Gaitán passou ao lado do jogo. Não teve muita bola, e quando a teve nem sequer pareceu ter atrevimento para tentar um lance individual, optando por libertar-se da bola o mais rapidamente possível. Quanto ao Cardozo, só não é o pior mesmo porque apareceu uma vez no lugar certo para fazer aquilo que se lhe exige, e meter a bola dentro da baliza. Mas até aí esteve quase sempre apático e desinspirado. Esteve também muito mal no gesto que teve após marcar o golo, transformando um momento que poderia ser de redenção num momento de ainda maior contestação. Entendo que se sentisse frustrado por as coisas não lhe estarem a sair bem e ainda por cima ouvir contestação vinda das bancadas, mas ele deve compreender que tudo isso faz parte do jogo. Dou-lhe porém os parabéns por ter depois tomado a atitude correcta, pedindo desculpa aos adeptos pela atitude. É marcar um golo no próximo jogo e já ninguém se lembra mais disso.

O mais importante foi alcançado, e nem sequer ficou a sensação de ter sido necessário despender um grande esforço para conquistar esta vitória. Agora, é olhar já para o próximo jogo e pensar, apenas e só, na vitória. Já não há margem para menos do que isso. E, se possível, gostaria que nesse jogo os benfiquistas dissessem 'Presente!' em muito maior número do que o fizeram hoje.

6 Comments:

At 9/15/2010 9:01 da manhã, Anonymous Filipe said...

Sou sócio, fui ao estádio, paguei bilhete e ainda me mandaram calar. Brilhante :D

 
At 9/15/2010 12:08 da tarde, Anonymous Anónimo said...

O primeiro parágrafo do comentário do D'Arcy reflecte, de forma clara, o que se passou durante o jogo.

Eu apenas alteraria, quando ele escreve que "o jogo desta noite não deu propriamente para ficarmos eufóricos" para "o jogo desta noite deu para mantermos a nossa preocupação para com o estado desta equipa".

Quando temos que jogar com o Ruben Amorim a extremo esquerdo e qundo uma equipa que quer ter ambições tem, de forma permanente, o seu defesa esquerdo como melhor elemento, não há volta a dar.
Vai ser uma época de frustações, quando tinhamos tudo paar nos mantermos no top.

A gestão estapafurdia deste plantel tem já um forte impacto negativo no fôro desportivo e agora também no plano financeiro. Apenas 31512 espectadores na Champions é a prova efidente da descrença dos adeptos para a corrente época.
Até os jogos do ano passado paar a Liga Europa, disputados às 5 da tarde com o Worskla Poltava e o BATE Borisov tiveram mais espectadores.

É claro que os adeptos não comem a "cantiga" da preparação atrasada devido ao elementos que estiveram no Mundial. Os adeptos Benfiquistas não são parvos.

 
At 9/15/2010 6:27 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Mereceu ganhar com toda a justiça. O Benfica fio melhor em todos os capitulos.
Agora quando se fala de arbitros tem de se ter cuidado. Ontem foi aquele penalti descarado do Luisão a passar em claro. O que vale é que foi na Liga dos Campeões. Os arbitros erram e é para todos, não só para alguns.

Pena foi ver só 30k num estadio que merecia mais e ainda são mandados calar por jogadores da equipa...

Toni Mendes Pinto.

 
At 9/16/2010 12:17 da tarde, Blogger D'Arcy said...

31.000 espectadores é pouco para o Benfica. Mas seria a casa da época para praticamente qualquer outro clube em Portugal. Sei por exemplo de um clube, que tem a mania que é grande, que esta época no seu jogo de apresentação meteu 25.000 espectadores em casa e fez grande alarde disso, orgulhoso com a grande adesão dos seus adeptos. É tudo uma questão de dimensão.

Os árbitros erram em todos os jogos. Mas nem todos os árbitros cometem quatro erros graves num mesmo jogo, todos para o mesmo lado. E muito menos sobrecarregam esses quatro erros graves com ainda mais erros a nível disciplinar, inventando pelo menos quatro cartões amarelos para jogadores da equipa que por acaso já tinha sido prejudicada por esses quatro erros graves. E quando, ainda por cima, se olha para trás e se descobre um chorrilho de mais erros graves na carreira desse árbitro, sempre a prejudicar a tal equipa que foi gravemente prejudicada neste jogo, é impossível acreditar-se em acasos ou coincidências.

 
At 9/16/2010 7:36 da tarde, Blogger joão said...

Muito boa a tua crónica, só uma pequena divergência acho que merecia mais destaque a boa primeira parte do Carlos Martins esteve em quase todos os lances de perigo desse primeiro tempo. Quanto a mais presenças sim desde que não seja para assobiar os nossos jogadores por muita raiva que alguns ás vezes nos provocam.

Anonymous 9/15/2010 12:08 PM, concordo contigo a conversa dos sete mundialista que são só cinco, e por acaso um deles até esta a ser o melhor jogador da equipa, não cola até porque o David Luiz e o Javi Garcia não foram ao mundial e começaram a época com níveis muito abaixo do ano passado.

Anonymous 9/15/2010 6:27 PM primeiro o penaltie não é assim tão descarado por um lado existe a falta por outro o jogador manda-se claramente para o chão teatralizando a queda aceita-se esta decisão como se aceitava a marcação da falta, segundo por isso que dizes é que até aqui não fizemos grande alarido do penaltie não assinalado na supertaça noutro na primeira jornada e ainda daquele na madeira, terceiro o D'Arcy já disse tudo.

 
At 9/17/2010 11:59 da tarde, Anonymous Anónimo said...

D'Arcy,
é claro que tens razão relativamente à arbitragem.
Já o disse aqui e volto a afirmar que não é coincidência. Esta arbitragem foi premeditada e pior, o "traballho" encomendado foi feito com todo o descaramento.

Mas não podemos refugiar-nos apenas nisso.
O que o Benfica tem feito até hoje nos jogos oficiais que disputou é por demais mediocre.

Não é aceitável depois do avanço que detinhamos perante todos os nossos adversários no final da época passada, termos deitado tudo isso fora, quer devido à com a preparação do JJ, quer devido à má gestão do plantel desde então.
Desde à muitos anos que detinhamos tanto potencial para dominar o panorama nacional e isso tudo foi delepidado num ápice.


É verdade que para muitos, 31000 espectadpres seria espectacular.
Para o Benfica, na Champions, e equiparando com todas as assistências da época passada é mau, muito mau.
O mau planeamento tem impacto desportivo e financeiro e isso já devia ter sido percepcionado por esta Gestão.

 

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