segunda-feira, outubro 23, 2017

Melhoria

O Benfica regressou às vitórias fora de casa para o campeonato graças a uma melhoria em relação às últimas exibições, conquistando um resultado que é escasso dadas as ocasiões de golo criadas - foi muito por culpa do veterano Quim, que na baliza do Aves fez uma exibição fantástica, que não construimos uma vitória bem mais dilatada.


A principal surpresa no onze inicial foi a ausência do Pizzi. Face ao regresso do Jonas, a opção do nosso treinador foi a de manter o Fejsa e o Filipe Augusto no meio campo. O que, face ao pesadíssimo e escorregadio relvado do Aves (os nossos jogadores passar o tempo todo a escorregar, e até o próprio árbitro caiu) é capaz de ter sido a melhor opção. Os jovens Svilar, Rúben Dias e Diogo Gonçalves mantiveram a titularidade, e na frente o Jiménez deu o seu lugar ao Seferovic. O Douglas tinha ficado de fora da convocatória, por isso foi sem surpresa que jogou o André Almeida. A exemplo daquilo que o Benfica tem feito quase toda esta época, entrámos bem no jogo. Lançámo-nos no ataque desde o apito inicial, e logo numa das primeiras jogadas o Quim mostrou logo que estava em dia inspirado e negou ao Diogo Gonçalves aquilo que seria um grande golo, num remate cruzado. O Aves respondeu quase de imediato com um remate de fora da área que obrigou o Svilar a uma defesa atenta, mas se isso fez alguém pensar que teríamos um jogo de parada e resposta, foi engano. Muito por culpa do péssimo relvado, o jogo estava a ser de um intensidade física grande, mas com o Benfica, apesar das escorregadelas, a ganhar claramente a luta e a instalar-se no meio campo do Aves, que se limitava a jogar para segurar o nulo, espreitando um ou outro tímido contra-ataque. O golo foi sendo adiado até perto da meia hora, altura em que o Diogo Gonçalves foi claramente derrubado dentro da área e, na marcação do respectivo penálti, o Jonas colocou-nos em vantagem (o péssimo estado da relva ainda ssim poderia ter feito com que o Jonas tivesse falhado o penálti). Depois disto, e também uma repetição daquilo a que já vimos acontecer várias vezes esta época, deu-se um apagão na equipa. Não encontro grandes explicações para isto acontecer tantas vezes, mas o facto é que o Aves, que até aí tinha sido quase inexistente em termos ofensivos, começou a aparecer com maior frequência na frente, enquanto que nós nos apagámos no ataque. Os minutos finais da primeira parte foram mesmo os piores que atravessámos em toda a partida, e naturalmente o melhor período do Aves na mesma. Mas apesar de um ou outro susto, conseguimos sair para intervalo em vantagem, o que era um reflexo justo daquilo que se tinha visto durante a primeira parte.


Na reentrada para o segundo tempo a nossa equipa pareceu vir com maior tranquilidade do que aquilo que tinha mostrado nos minutos antes do intervalo. Prioridade em manter a posse de bola, optando por passes seguros entre os seus jogadores e sem grandes correrias. E ao fim de cinco minutos a tranquilidade naturalmente aumentou com o segundo golo. Um remate do Jonas foi desviado por um defesa para a direita do nosso ataque, onde surgiu o Salvio solto para fazer um remate enrolado e com muito pouco ângulo, mas que fez a bola ultrapassar o Quim e encaminhar-se para a baliza, numa trajectória quase paralela à linha de golo. Muito provavelmente a bola entraria mesmo, mas ainda surgiu o Seferovic para confirmar o golo quase em cima da linha. Honestamente, pensei nesse momento que o jogo estivesse definitivamente decidido. Não via no Aves capacidade de reacção para marcar dois golos, até porque os minutos que se seguiram ao nosso segundo golo ainda reforçaram essa minha convicção. O Benfica continuou a ter o jogo perfeitamente controlado, e a única dúvida seria se marcaríamos mais algum golo, porque não só continuávamos a criar perigo na frente como também o Aves nada fazia que nos levasse a crer serem capazes de marcar. Mas como no futebol as coisas podem sempre mudar de um momento para o outro, a um quarto de hora do final, e no seguimento de um canto, o Aves reduziu. O Seferovic deixou-se antecipar por um dos defesas centrais adversários na zona do primeiro poste e a reacção do Svilar já não foi a tempo de evitar que a bola entrasse. O jogo estava agora, completamente contra as expectativas, relançado. Felizmente que por pouco tempo, porque bastaram três ou quatro minutos para que o Benfica voltasse a colocar a diferença em dois golos. Novo penálti, desta vez por falta sobre o Pizzi (tinha entrado há minutos para o lugar do Salvio) e novamente o Jonas a concretizar. Os jogadores do Aves ficaram a reclamar uma possível falta do Jonas no início da jogada que culminou no penálti, e sinceramente parece-me que poderão ter razão - mas clamarem pelo vídeo-árbitro não faz sentido porque não é suposto ele intervir em situações destas. Até final, o Quim continuou a evitar um resultado mais volumoso, ainda que pelo meio tenhamos visto uma bola embater no poste da nossa baliza, depois de ligeiramente desviada pelo Svilar.


Sem conseguir fazer grandes destaques a nível individual, já que o nível foi mais ou menos constante em toda a equipa, parece-me que pelo menos os 'miúdos' que jogaram não devem sair da equipa tão cedo. Pelo menos o Rúben Dias estará de pedra e cal na equipa, e à medida que vá somando minutos e ganhando experiência deverá assumir mesmo o estatuto de titular. O Diogo Gonçalves também esteve bem e é um jogador que eu aprecio bastante e em quem deposito grandes esperanças, mas a concorrência nas alas é forte. De qualquer maneira não vejo razões para sair da equipa. Na baliza, o Svilar não teve responsabilidades no golo sofrido e esteve sempre bem e transmitiu segurança.

Creio que neste jogo mostrámos um pouquinho mais daquilo que de positivo tínhamos conseguido ver no jogo da Champions, mas o caminho a percorrer ainda é longo. A quebra de rendimento após chegarmos à vantagem voltou a ver-se e isso é algo que tem que ser corrigido. Por outro lado, foi positivo ver a equipa a não se deixar afectar e a reagir rapidamente ao golo sofrido. Não foi uma exibição de encher o olho, mas foi mais do que suficiente para justificar a vitória neste jogo, e manifestamente melhor do que aquilo que tínhamos vindo a fazer nos últimos jogos para a liga. Agora é esperar que continuemos a progredir.

quinta-feira, outubro 19, 2017

Infelicidade

O resultado do jogo desta noite acaba por ser mais ou menos normal. O Manchester United era o favorito à partida e o objectivo do Benfica seria contrariar este favoritismo e conseguir conquistar um resultado que nos relançasse na discussão pelo apuramento. Não o conseguimos, mas pelo menos saí do estádio sem nada a apontar à atitude da equipa.


E a equipa apresentou algumas surpresas para este jogo. A começar pelo esquema táctico, já que finalmente abandonámos o suicídio que é jogar com apenas dois médios na Champions e em vez disso jogámos com três, tendo entrado o Filipe Augusto para que fosse o Pizzi a assumir o papel de terceiro médio a actuar mais perto do avançado - que foi o Raúl, tendo o Jonas ficado no banco. A outra surpresa da noite foi a titularidade do Diogo Gonçalves na esquerda do ataque, como reconhecimento da boa entrada que teve no último jogo. Destaque ainda para a manutenção da titularidade do Rúben Dias e do Svilar. O Benfica começou bem um jogo que foi sempre bastante táctico, disputado sobretudo no meio campo, com ambas as equipas a arriscar pouco e a raramente conseguirem criar ocasiões de golo flagrantes - uma excepção foi uma grande arrancada do Grimaldo, que ultrapassou meia equipa do United e meteu a bola na área para um remate de pé esquerdo do Salvio, que saiu demasiado torto. A alteração táctica do Benfica para povoar mais o meio campo notava-se sbretudo na ocupação dos espaços, e a defesa esteve quase sempre bem organizada, apanhando por diversas vezes os jogadores adversários na armadilha do fora-de-jogo. Mas a partir da meia hora de jogo a maior valia do Man Utd começou a fazer-se notar. É evidente que as armas de que uma e outra equipa dispõem não são as mesmas, e o maior poder do nosso adversário começou a fazer-se notar, conseguindo cada vez mais posse de bola (e os pratos da balança neste aspecto particular nunca mais pararam de se desequilibrar até final) sobretudo nas zonas do meio campo e da defesa, mas a conseguir jogar mais subido no terreno e a empurrar-nos mais para junto da nossa área (com o Matic a mostrar porque é um dos melhores médios do mundo). Mas as ocasiões de golo continuaram a escassear.


Isto foi aliás exactamente o mesmo figurino da segunda parte. O Man Utd a ter mais posse de bola e a tentar construir pacientemente, e o Benfica a tentar sair rapidamente para o ataque quando recuperava a bola, através dos laterais e extremos ou com lançamentos longos para o Raúl. O jogo, honestamente, parecia ter um nulo no marcador como quase uma certeza já quase desde o início, salvo algum acidente fortuito que acabasse por resultar em golo. Infelizmente foi isso mesmo que aconteceu, num erro grosseiro do Svilar. Num livre apontado na direita da nossa defesa, ainda muito longe da baliza, a bola saiu certamente com mais foça e sem a direcção pretendida pelo Rashford, e foi direita à baliza. Talvez por excesso de confiança, o Svilar tentou agarrar a bola - o normal seria não arriscar e socar a bola, ou tocá-la por cima da barra. Como ele estava adiantado e teve que recuar para agarrar a bola, acabou por não conseguir equilibrar o movimento e entrou na baliza com a bola nas mãos. Foi autogolo mesmo, porque ele ainda agarrou a bola antes dela ter passado a linha e depois entrou com ela nas mãos para dentro da baliza. Uma pena, tendo em conta que esteve bem no resto do jogo e mostrou bastante confiança, não parecendo acusar a pressão de estar a estrear-se na Champions  tão novo (o mais novo guarda-redes na história da competição). A partir daqui ficou mais ou menos evidente que o jogo estaria resolvido. Não porque a nossa equipa tivesse baixado os braços e desistido de lutar pelo resultado, mas sim porque o jogo estava no estado que referi antes. Um jogo fechado, frente a um adversário que defende de forma exemplar - em doze jogos feitos esta época, o Manchester United não sofreu golos em nove deles - e que estava a mostrar ser capaz de guardar a bola sem muita dificuldade. Ainda conseguimos criar uma ocasião de golo, na sequência de um canto, mas o Rúben Dias atirou de primeira por cima depois de surgir sem marcação. De positivo, a reacção dos benfiquistas, que aplaudiram imediatamente o Svilar depois do golo, e que até final nunca deixaram de apoiar a equipa. Aliás, até mesmo depois do final, pois muita gente ficou no final a aplaudir e a cantar pelo Benfica enquanto a equipa saía do campo - e ainda para aplaudir o Matic e o Lindelöf, que saudaram o público no final. De assinalar ainda a expulsão do Luisão perto do final, por acumulação de amarelos, e ainda o que me pareceu mais um penálti por assinalar a nosso favor nesta edição da Champions.


Acho que o melhor deste jogo foi a mudança, para melhor, da atitude da equipa. Não me parece que a qualidade de jogo tenha melhorado por aí além, mas quando há a atitude certa os adeptos reconhecem-no e é mais fácil conseguir resultado positivos. Quanto a destaques individuais, a minha preferência vai para o Rúben Dias. Fez um jogo quase sem mácula (lembro-me apenas de um erro, um mau passe já perto do final do jogo) com diversos cortes importantes, um deles simplesmente fabuloso que evitou um golo que seria quase certo. Acho que nesta fase já não há motivos para duvidar que ele está pronto para ser uma opção viável para o centro da defesa. Também gostei do Salvio, que teve que estar mais atento do que o habitual às tarefas defensivas devido ao pendor ofensivo do Douglas.

Depois dos resultados de hoje creio que o apuramento para a próxima fase da Champions é quase uma miragem. Foi uma infelicidade que um erro individual tenha acabado por impedir um resultado melhor. O nosso objectivo nesta competição deverá agora passar por discutir com o CSKA o acesso à Liga Europa, o que faz com que o jogo que disputaremos na Rússia seja absolutamente fundamental. Até lá, espero que a melhoria de atitude da equipa que vimos neste jogo traga uma consequente melhoria dos resultados.

domingo, outubro 15, 2017

Mínimos

Um grande golo do Gabriel Barbosa, uma estreia segura do miúdo Svilar na baliza, outra estreia na equipa principal, do João Carvalho, o Diogo Gonçalves a aproveitar os minutos que lhe foram dados para 'exigir' mais oportunidades, e os serviços mínimos para progredir para a próxima eliminatória da Taça de Portugal. Estes foram os pontos que eu retive do jogo desta noite. 


Sobre a qualidade do futebol jogado, pouco a dizer, porque ela foi baixa. Sim, dominámos o jogo, o que era obviamente exigível dado que defrontávamos uma equipa do terceiro escalão. Só nós tínhamos algo a perder neste jogo, e por isso mesmo a vitória foi importante. Mas creio que poderíamos ter aproveitado a oportunidade para mostrar mais qualidade no nosso jogo, e as várias alterações feitas no onze não servem de grande desculpa para o pouco futebol mostrado. Não sei exactamente o que é que estivemos a trabalhar durante estas duas semanas de pausa, mas espero que seja algo melhor do que aquilo que mostrámos hoje. Que foi uma espécie de 4-3-3 algo estranho, em que os supostos extremos vinham constantemente para dentro e deixavam aos dois laterais as tarefas de jogar pelas alas, e que resultou numa produção ofensiva muito fraca - teríamos obrigação de criar muito mais situações de perigo dada a diferença de valor entre as duas equipas. Confesso mesmo que estava quase a adormecer até ao momento em que entrou o Diogo Gonçalves, que finalmente veio animar o nosso ataque. Achei que vários dos jogadores a quem foram dadas oportunidades esta noite não as souberam aproveitar (e os titulares que jogaram também não brilharam propriamente). Outra das estreias, o Douglas, não me impressionou a defender, mas dou o desconto de saber que ele estava há uns quatro meses sem jogar.

Foi uma estreia morna na Taça de Portugal, muito semelhante à do ano passado, frente ao 1º de Dezembro. Só espero que o nosso percurso na competição acabe por ser também semelhante.

segunda-feira, outubro 02, 2017

Zero

Honestamente, já nem me apetece escrever sobre os nossos jogos. Porque estou cansado de ver a mesma história a repetir-se vezes sem conta: boa entrada, golo madrugador, e depois o encosto à magra vantagem que, invariavelmente, somos incapazes de segurar. Estou cansado de ver jogadores em campo de braços caídos, como se jogassem a medo e sem a menor crença em si mesmos à primeira contrariedade que sofrem. Nem o facto de podermos neste jogo, com uma vitória, recuperar quatro pontos aos amantes furiosos que nos antecedem na tabela classificativa e que hoje naturalmente empataram pareceu servir-nos de motivação.

Depois do desastre na Suíça, não houve qualquer revolução na equipa. Jogámos precisamente com a mesma equipa que colapsou na segunda parte desse jogo. Nem o equipamento mudou, e foi novamente aquele cinzento horrível que nem as cores do nosso emblema tem. Foi o Salvio no lugar do Zivkovic de início, e de resto o mesmo onze. O início de jogo foi bom. Muito bom mesmo, já que na primeira ocasião criada, ainda antes de se completarem dois minutos de jogo, o Jonas marcou um golão e colocou-nos em vantagem. Em condições normais, isto é o melhor que se poderia desejar. Vindos de um mau resultado, a jogar no campo de uma das equipas em melhor forma neste início de época (que neste momento é mesmo um concorrente directo na classificação), com um relvado que mais se assemelhava a um rancho de toupeiras, entrar a ganhar seria o melhor tónico que uma equipa poderia ter. Mas se há algo que eu tenho aprendido este ano, é que marcar um golo é do pior que nos pode acontecer, porque imediatamente assisto a um relaxar por parte da equipa e a uma tentativa de, independentemente de quanto tempo falta para jogar, começarmos logo a 'gerir' o resultado. É incompreensível esta aparente sobranceria, ou medo, ou lá o que é. O que é certo é que depois de nos apanharmos em vantagem, começamos a jogar como uma equipa pequena (e se querem um exemplo flagrante disso, basta ver a forma como o Júlio César começa imediatamente a fazer as reposições de bola em jogo - é exactamente da mesma maneira que nos leva a, na Luz, começarmos a perder a paciência com os guarda-redes adversários logo nos instantes iniciais de um jogo). O futebol jogado era, como aliás se exigia, sobretudo directo, porque aquele relvado não dava para ter ambições em jogar qualquer coisa mais evoluída. Mas deixámos progressivamente de pressionar os jogadores do Marítimo, que foi subindo no terreno, e sobretudo ganhando uma superioridade evidente no centro do terreno (onde o Pizzi foi completamente engolido e este entretido a coleccionar asneiras atrás de asneiras). De positivo o facto de não termos permitido ao adversário criar uma verdadeira ocasião de golo - até porque ultimamente, como já escrevi, bastam uma ou duas ocasiões aos nossos adversários para marcar-nos um golo.

A segunda parte até pareceu um pouco melhor. Pelo menos na primeira fase da mesma recuperámos algum controlo territorial e não permitimos ao Marítimo jogar tanto no nosso meio campo. Mas acho que todos nós sabemos, ou pelo menos tememos, que sem um segundo golo para dar tranquilidade à equipa o desastre está ali mesmo ao virar da esquina. E quando escrevo que 'todos nós sabemos', estou a incluir os jogadores neste grupo, porque eles parecem ser os primeiros a ter essa ideia a povoar-lhes os pensamentos o tempo todo. A primeira ocasião do Marítimo chegou, num remate de fora da área, e escapámos devido a uma grande defesa do Júlio César. À segunda já não tivemos tanta sorte (já seria estarmos a contrariar a regra de uma ou duas oportunidades para sofrer um golo) e o empate chegou mesmo. Nem foi preciso nada de particularmente elaborado, apenas o futebol que é possível praticar num terreno destes, ou seja, jogo directo. Um cruzamento largo desde a esquerda (o jogador que faz o cruzamento é deixado completamente à vontade) para o lado contrário, e junto ao poste surgiu um jogador do Marítimo para cabecear. O André Almeida aproveitou para ficar a assistir ao lance de cadeirinha, adoptando a tão famosa estratégia da 'marcação com os olhos', e o Júlio César praticou um pouco de ornitologia e mesmo sem binóculos aproveitou para observar o belo voo daquela espécie de ave chamada 'bola', que planou majestosamente ao longo da sua baliza, fez escala na cabeça do jogador do Marítimo e foi repousar suavemente nas redes. Depois disto, o costume. Ou seja, o desvario e a desconcentração da maior parte dos nossos intervenientes - quando consigo afirmar sem grandes dúvidas que o Salvio terá sido o jogador mais esclarecido, isso diz muito sobre os outros jogadores. 

A reacção do banco também foi pouco convincente. Tacticamente nunca se mudou grande coisa, porque as substituições foram sempre troca por troca. Primeiro fez entrar o Rafa. OK, nada de pessoal contra o Rafa, mas isto já começa a ser um reflexo condicionado em mim: quando entra o Rafa é basicamente 'lasciate ogne speranza, voi ch'intrate' (ou seja, atravessámos os portões do Inferno, a coisa está mesmo mal e estamos tramados). Nem percebi bem a estratégia de meter o Rafa num terreno naquelas condições. Se num terreno bom e propício para explorar a velocidade dele, ele já demonstra frequentemente dificuldades no controlo da bola, no rancho de toupeiras dos Barreiros seria extremo optimismo esperar algo de melhor. Depois trocámos o Pizzi pelo Krovinovic. Aceita-se numa lógica de refrescar fisicamente aquela posição, até porque o Pizzi estava a produzir zero até então, mas também não aumentámos propriamente a capacidade de criação de jogo. Finalmente, saiu o Jonas para entrar o Seferovic. Numa altura em que estamos a precisar de marcar, sai o nosso melhor marcador. Mas tudo bem, assumi que seria para apostar ainda mais no futebol directo e tirar o melhor partido da capacidade física do suíço num terreno pesadíssimo. Mas surpreendentemente, quase não fizemos isso. Pelo contrário, começámos a recorrer novamente ao futebol de passes curtos e lateralizações, e tentativas de entrar pelas alas - e nas poucas ocasiões em que criámos espaço para fazer cruzamentos, estes saíram invariavelmente mal, ou demasiado largos, ou imediatamente interceptados pelo defesa mais próximo da bola. E depois, claro, os esperados disparates defensivos a polvilhar a nossa actuação, que normalmente acabam por ditar golos sofridos e derrotas quando procuramos o golo da vitória. Desta vez tivemos a felicidade disso não ter acontecido, mas o Jardel ainda deu um contributo para esse desfecho, perdendo a bola para um jogador do Marítimo progredir isolado para a baliza, valendo-nos uma defesa do Júlio César. É verdade que também tivemos uma grande ocasião de golo nos instantes finais, num remate do Jiménez defendido com dificuldade pelo guarda-redes do Marítimo, para depois a possível recarga do Salvio ser cortada no limite por um defesa.

Conforme já disse antes, o jogador que mais merece um elogio no jogo de hoje é o Salvio. Foi a larga distância o jogador mais perigoso, mais incisivo e mais empenhado em que o resultado tivesse sido outro. As ocasiões de que dispôs foram quase sempre construídas por si próprio, criou outras em que tentou oferecer a bola aos colegas, e ainda construiu uma situação que me parece que em condições normais seria assinalado penálti - por menos o Benfica teve um penálti assinalado contra si no jogo com o CSKA. Quase que me fez pena quando o vi, numa ocasião em que tivemos um lançamento de linha lateral perto da área do Marítimo e ele se aprestava para o marcar, a ter que insistir e quase suplicar aos centrais para subirem até à área, uma vez que estes pareciam estar confortavelmente instalados lá atrás.

Num jogo em que poderíamos ter aproveitado para recuperar terreno para a liderança e, apoiados nessa injecção de confiança, relançar a época, o que vimos foi praticamente zero, e no final o que eu sinto foi que levámos mais um duro golpe nas nossas ambições. E nem digo isto tanto pelo resultado, porque maus resultados acontecem. Digo isto pela quase total ausência de reacção que mostrámos. O que vimos foi exactamente o mesmo: o mesmo futebol e a mesma atitude que nos levaram à situação actual. Nada mudou. E se uma derrota copiosa contra uma equipa da terceira linha europeia, que há onze jogos não vencia na Champions, e a possibilidade de recuperar quatro pontos para a frente da tabela classificativa não são razões suficientes para motivar uma reacção, então infelizmente só posso concluir que o problema que nos afecta é demasiado grave.

quarta-feira, setembro 27, 2017

Desprestigiante

Uma exibição sem ponta por onde pegar e um resultado desastroso e desprestigiante para o Benfica. Nada, absolutamente nada daquilo que o Benfica fez durante os noventa minutos esta noite é digno de ser considerado positivo (a não ser o comportamento dos nossos adeptos nas bancadas). Não é um jogo para esquecer, é para lembrar mesmo, porque apenas encontro paralelo a isto na nossa história mais recente nos episódios de Vigo e de Atenas.




Nem posso escrever muito sobre o futebol jogado num jogo em que, da parte do Benfica, praticamente não existiu. Podia começar a criticar a defesa, já que na primeira vez que o adversário passou a linha do meio campo - e isto infelizmente nem é uma força de expressão, porque foi mesmo literalmente na primeira vez que isso aconteceu - colocou-se em vantagem. Defender tão mal já é preocupante quando jogamos cá dentro, mas numa prova como a Champions, defender assim faz o adversário parecer uma equipa fabulosa. A sensação que dá neste momento é que basta o adversário ter um jogador mais veloz na frente para desbaratar por completo a nossa defesa. Foi mesmo em contra-ataque que o Basileia construiu este resultado: deu-nos a bola, nós andámos lá na frente a fazer aquilo que ultimamente melhor sabemos fazer, ou seja, mostrar zero objectividade no ataque e total incapacidade para criar ocasiões de golo (conseguimos acertar zero remates na baliza durante todo o jogo, apesar de termos mais posse de bola) e depois recuperar a bola e sair em contra-ataque, aproveitando as crateras da defesa. Podia por isso criticar de forma igualmente veemente um ataque completamente inoperante, incapaz de criar uma única real ocasião de golo apesar de ter a bola em seu poder muito mais tempo do que os suíços. Se eles em três ou quatro toques criavam uma situação complicada, nós em vinte na maioria das vezes acabávamos no mesmo sítio onde tínhamos começado. O segundo golo é, à falta de um adjectivo mais inspirado, anedótico. Sofremo-lo aos vinte minutos, na sequência de um canto a nosso favor e de um contra-ataque conduzido por dois jogadores. Dois jogadores. Contra quatro ou cinco nossos, e a bola acabou dentro da baliza. E o jogo ficou praticamente decidido aí, porque nessa altura já não via qualquer capacidade na nossa equipa para inverter o rumo dos acontecimentos, e apenas esperava que a coisa não acabasse num desastre.

Mas um desastre foi mesmo o que aconteceu. A substituição previsível ao intervalo (Salvio no lugar do Cervi), penálti do Fejsa a dar o terceiro golo, e depois desnorte completo da equipa. Quando um jogador com a experiência do André Almeida se faz expulsar (bem expulso, independentemente de ter motivos de queixa por não ter sido assinalada uma falta anterior sobre ele) daquela forma, está tudo dito quanto à estabilidade emocional da equipa. A mim parecia-me que nessa altura a única decisão racional seria reorganizar a equipa e tentar minimizar os estragos, mas nada disso aconteceu. O que eu vi foi uma equipa completamente à deriva, sem rei nem roque, com nove jogadores de campo a correr desmioladamente de um lado para o outro e a atacar sem critério, como se bastasse um golo para inverter o resultado, enquanto que a defesa (completamente entregue a si mesma, já que a equipa estava partida e os jogadores mais adiantados nem pareciam preocupar-se em ajudar a defender) deixava avenidas abertas para os jogadores adversários. O Basileia apenas teve que fazer o que tão bem tinha feito até aí: esperar calmamente pelos erros e aproveitá-los, sendo que nesta altura era ainda mais fácil tirar partido deles. O quarto golo surge após uma assistência brilhante do Pizzi, a solicitar a reconhecida velocidade e destreza de rins do Luisão, e no quinto acho que se fosse necessário ainda apareceria o guarda-redes suíço a fazer mais uma recarga sem que algum jogador nosso conseguisse afastar a bola. E mais alguns ficaram por marcar, como por exemplo numa jogada em que o Basileia enviou a bola por duas vezes aos postes.

Com duas derrotas (uma em casa, outra por números copiosos) frente às duas equipas teoricamente mais fracas do grupo, parece-me que a questão do apuramento para a próxima fase começa a ser uma miragem, e mesmo para a Liga Europa está severamente comprometida. A não ser que consigamos uns quatro pontos nos jogos contra o Manchester United, cenário que nesta fase me parece completamente inverosímil. Repito: nada se aproveita do jogo de hoje. Nem dentro (nem vou mencionar jogadores individualmente, porque conseguiria desancar cada um deles, da baliza ao ataque) nem fora do campo, já que para mim o banco revelou uma total incapacidade para meter a mão e segurar uma equipa perfeitamente desnorteada. Espero que mostre agora a capacidade para juntar os cacos e vencer já o difícil e importante jogo do próximo fim-de-semana. E contando com a nossa união ao redor da equipa - aquela que os nossos adeptos mostraram precisamente esta noite. Não há outro caminho possível.

domingo, setembro 24, 2017

Safanão

Uma vitória tranquilíssima e sem espinhas para dar um safanão na recente sequência de maus resultados. Só foi pena não termos também aproveitado para conseguirmos uma injecção extra de confiança com uma goleada, que face ao volume de ocasiões criadas neste jogo poderia perfeitamente ter acontecido.


As principais notas de destaque no onze foram os regressos do Fejsa e do Cervi à titularidade, e a manutenção do Júlio César na baliza. Algo surpreendente foi o Rúben Dias ter-se mantido no onze, formando dupla com o Luisão, tendo o Jardel saído dos convocados. Surpreendente apenas por uma questão de estatuto, porque o nosso jovem central tem dado boa conta de si e não tem sido por ele que a defesa treme. O Benfica mostrou grande vontade de colocar um ponto final nos maus resultados. Logo desde o apito inicial lançámo-nos no ataque à baliza do Paços, tirando o melhor partido do bom jogo dos nossos extremos, Cervi e Zivkovic, bastante apoiados pelos dois laterais, que se revelaram hoje muito ofensivos. A primeira grande oportunidade de golo surgiu logo aos quatro minutos, com o Jonas a cabecear à figura do guarda-redes depois de um centro milimétrico do Cervi o ter deixado numa posição privilegiada. E esse foi o mote para mais de vinte minutos de pressão quase asfixiante do Benfica, período durante o qual vimos as oportunidades a acumularem-se, incluindo duas bolas a embater no poste da baliza ou remates que acabavam por desviar na floresta de pernas que o nosso adversário acumulava em frente à baliza. A presença do Fejsa no onze permite logo à equipa jogar vários metros mais à frente, porque o raio de acção e de influência dele não tem comparação com o de qualquer outro jogador que tenhamos no plantel para aquela posição. Apesar de ser ele quem caía para o meio dos centrais na saída de bola, vimo-lo frequentemente a recuperar bolas bem dentro do meio campo adversário, o que ajudou a manter constante a pressão sobre a área adversária. Este ímpeto atacante foi finalmente recompensado aos vinte minutos com um bonito golo do Cervi. O Zivkovic entrou pela direita e fez o passe rasteiro e atrasado para a entrada da área, onde surgiu o argentino a rematar de primeira sem dar qualquer possibilidade de defesa. Depois de obtida a vantagem, e sobretudo no quarto de hora final da primeira parte o Benfica baixou o ritmo do jogo. Isto foi algo que nos causou dissabores nos últimos jogos, mas ao contrário do que se passou nessas ocasiões, desta vez o Benfica não cedeu o controlo do jogo. O Paços de Ferreira foi completamente inofensivo no ataque, e o Júlio César não foi obrigado a uma única defesa digna desse nome.



De qualquer forma os últimos maus resultados, que ainda por cima ocorreram sempre depois do Benfica se colocar em vantagem, serviam de aviso e era portanto prudente procurar um segundo golo que tranquilizasse quer a equipa, quer os adeptos. Mal a segunda parte começou o Paços até conseguiu conquistar o seu primeiro canto na partida, mas isso foi mesmo uma excepção, porque depressa se verificou que o Benfica continuava completamente no controlo do jogo. Ainda que sem a intensidade mostrada na entrada da primeira parte, o Benfica ia pacientemente procurando esse segundo golo, que era cada vez mais previsível face à frequência com que a bola continuava a aparecer em zonas de finalização. O golo acabou por surgir na sequência de uma bola parada, pouco depois da hora de jogo. Canto na esquerda do nosso ataque marcado pelo Pizzi, desvio de cabeça do Seferovic ao primeiro poste, e a bola a ir ter com o Jonas que, quase em cima da linha de golo, à segunda e de forma algo atabalhoada lá fez a bola viajar para o fundo da baliza. Uma vez mais a seguir ao golo o Benfica baixou a intensidade do seu futebol, mas manteve-se bastante confortável no jogo, sem deixar que o Paços criasse sequer uma ocasião de perigo. E à medida que o jogo foi caminhando para o final, já com o Jiménez em campo por troca com o Seferovic e dando ainda mais uns minutos de jogo ao Krovinovic e ao Diogo Gonçalves, mesmo a jogar num ritmo muito mais pausado ainda ia conseguindo criar ocasiões de golo, algumas delas bastante flagrantes. O Jiménez desperdiçou mesmo uma situação em que ficou isolado perante o guarda-redes (e a recarga do Diogo Gonçalves foi cortada em cima da linha de golo por um defesa, para depois mais uma recarga do Zivkovic seguir para as mãos do guarda-redes), mas o Zivkovic, o Krovinovic e o Pizzi também dispuseram de excelentes ocasiões para marcar. No final fica uma exibição bastante segura do Benfica e uma vitória justíssima, que poderia ter acontecido por uma margem mais dilatada.


Neste jogo destaco três jogadores: o Fejsa, o Zivkovic e o Cervi. Sobre o Fejsa já não há muito a dizer. A influência dele no jogo e no posicionamento da equipa, e consequentemente até no próprio desempenho dos colegas é por demais evidente. Não creio que seja exagerado dizer que há um Benfica com ele em campo e outro sem ele. Quanto aos dois extremos, passou muito por eles a dinâmica ofensiva apresentada neste jogo. Na minha opinião, já há bastante tempo que considero que o lado esquerdo constituído pelo Grimaldo e o Cervi é o mais forte que podemos apresentar. Os dois jogadores complementam-se muito bem, às vezes parece que jogam de olhos fechados um com o outro, e por isso mesmo sinto sempre uma certa irritação quando a escolha para actuar à frente do Grimaldo é outra (mesmo gostando muito do Zivkovic, mas acho-o bastante melhor na direita). A boa exibição do Cervi foi coroada com um grande golo e espero que isso sirva para mantê-lo na equipa. O Zivkovic mostrou a qualidade técnica que sabemos que tem e uma excelente atitude durante todo o jogo - ainda que, sobretudo na segunda parte, tenha exagerado no individualismo num ou noutro lance. E depois de dois jogos em que fez as assistências para os golos que nos colocaram em vantagem, para depois acabarmos por perder esses jogos, desta vez pode ficar com a satisfação de isso não ter acontecido.

Foi um bom regresso a exibições mais consistentes em vésperas de dois jogos muito importantes. Na Suíça estará em jogo a possibilidade de nos mantermos na luta pelo apuramento para a próxima fase da Champions, e logo a seguir espera-nos uma das deslocações mais complicadas do campeonato, a um terreno onde perdemos a época passada e para defrontar um Marítimo num excelente momento, que o coloca mesmo acima de nós na classificação. Que este jogo tenha servido para devolver a confiança à nossa equipa, porque a falta dela parece-me ter sido um dos principais factores responsáveis pelos últimos maus resultados.

quinta-feira, setembro 21, 2017

Remake

Muitas alterações esta noite, mas infelizmente quase o mesmo resultado dos últimos jogos. Apesar de se notar vontade em alguns jogadores, a qualidade da exibição voltou a deixar a desejar e a vitória voltou a fugir-nos, no remake de um filme a que temos assistido ultimamente.




Para além das muitas trocas no onze inicial, uma alteração táctica: talvez pela primeira vez desde que o Rui Vitória é o nosso treinador, a equipa alinhou numa disposição táctica mais próxima do 4-3-3, com um trio do meio campo formado por Samaris, Filipe Augusto e Krovinovic, e um ataque com Rafa, Jiménez e Gabriel Barbosa, este último a jogar sobre a direita. Na defesa regressaram o Jardel e o eliseu por troca com o Luisão e o Grimaldo, e a baliza ficou entregue ao Júlio César. O filme do jogo não foi muito diferente daquilo que tem acontecido nos últimos tempos. O Benfica nem entrou mal, e chegou relativamente cedo à vantagem, na sequência de um livre lateral, sobre a direita do nosso ataque. A bola foi ter com a cabeça do Jardel no poste mais distante, que a enviou para o centro e o alívio da defesa do Braga fê-la cair à entrada da área, onde o Jiménez rematou de primeira para o golo. Só que depois do golo, mais uma vez, ficou-se com a sensação de que a equipa se foi encostando ao resultado e revelou no geral alguma passividade. O Braga foi subindo no terreno e entretanto devem ter reparado que uma boa táctica era simplesmente deixarem-se cair de cada vez que disputavam uma bola com um jogador do Benfica, porque a certa altura fomos submetidos a uma autêntica barragem de livres perigosos nas imediações da nossa área. Mas a verdade é que em jogo jogado o Braga passou a ter mais bola, e embora o Benfica ainda conseguisse esporadicamente criar perigo junto da baliza adversária, parecia ser mais provável o golo do empate - a melhor ocasião para isso acontecer, no entanto, surgiu num lance que me pareceu claramente irregular, por fora-de-jogo de dois jogadores do Braga após (mais) um livre, mas incrivelmente o lance não foi interrompido.



Na segunda parte pouco mudou. O jogo pareceu-me ficar progressivamente mais partido e comecei a temer a repetição dos últimos jogos, até porque não estávamos a criar grandes ocasiões para marcar o golo da tranquilidade - apenas me recordo de uma boa ocasião, que foi interrompida devido a um fora-de-jogo (mal) assinalado ao Gabriel Barbosa. E o golo do empate inevitavelmente apareceu. Com tantos livres e cantos ao longo do jogo até seria de estranhar que não acabássemos por cometer um erro, e foi isso mesmo que aconteceu. No seguimento de um canto, de alguma forma conseguimos deixar que um dos centrais adversários aparecesse completamente à vontade para cabecear quase à entrada da pequena área - uma incompreensível falha de marcação que nos saiu bem cara. Depois do empate, foi o habitual correr atrás do resultado. Foi necessário lançar o Jonas e o Pizzi, e nos minutos até final o Benfica conseguiu atacar mais e ser mais perigoso do que em todo o tempo decorrido entre o nosso golo e o golo do empate. Infelizmente a inspiração na altura de finalizar não foi muita - o Zivkovic, por exemplo, tem um par de situações em que tem espaço e tempo na esquerda e os passes saem-lhe horrivelmente maus, e mesmo sobre o final, quando isso não aconteceu, foi uma enorme defesa do guarda-redes do Braga a negar um grande golo ao Jonas.

Com este empate desperdiçámos a oportunidade para nos colocarmos já em vantagem sobre aquele que deverá ser o nosso principal adversário no apuramento para a fase seguinte desta competição. É o terceiro mau resultado seguido, e o quarto jogo que não ganhamos nos últimos cinco (e o que ganhámos foi com extrema dificuldade). O mau momento é uma realidade e urge dar a volta a esta situação o quanto antes, sob pena de ficarmos desde já irremediavelmente afastados dos principais objectivos para esta época. E para isso é necessário jogarmos muito mais e uma atitude competitiva diferente. Custa compreender que, nos últimos três jogos, tendo estado sempre em vantagem, tenha parecido que nos deixámos sempre adormecer à sombra dessa mesma vantagem e tenhamos acabado por permitir a recuperação aos nossos adversários.